Talvez esta seja a única vez que você veja um exemplar dessa serpente (foto acima). Trata-se da jararaca-ilhoa (Bothrops insularis), espécie encontrada apenas na Ilha da Queimada Grande, a 33 quilômetros da costa de São Paulo, em Itanhaém.
Descrita pela primeira vez em 1921 por Afrânio do Amaral, pesquisador do Instituto Butantan, a jararaca-ilhoa - que habita essa ilha há quase 11 mil anos!! - faz parte da lista das “Espécies da Fauna Silvestre Ameaçadas no Estado de São Paulo”, divulgada em outubro de 2008 pela secretaria de Meio Ambiente. (leia reportagem sobre essa lista no Planeta Sustentável)
Um estudo feito por pesquisadores do Laboratório de Ecologia e Evolução do Instituto Butantan e do Instituto de Biociências da USP – Universidade de São Paulo – revelou que, num período de dez anos, a população da jararaca-ilhoa em Queimada Grande caiu pela metade, restando apenas 2.100 habitantes.
A falta de fiscalização seria o maior responsável pelo sumiço dessa espécie de serpente no local. Contrabandistas estariam usando o nome do Butantan para desembarcar na ilha - que tem acesso restrito aos pesquisadores - e retirar esses animais de lá, ilegalmente.
De acordo com biólogos, a jaracaca-Ilhoa tem um dos venenos mais poderosos do mundo. Como não há roedores na ilha, essa serpente desenvolveu uma tática especial para atacar suas presas. As aves são o prato principal e, para que eles não saiam voando após a picada, seu veneno é cinco vezes mais potente que o da jararaca comum (cuja dieta é à base de mamíferos ou ratos).
Na década de 60, pesquisadores descobriram na jararaca uma proteína que pode ser usada para a fabricação de remédios contra a hipertensão. Acredita-se que a toxina da ilhoa, ainda pouco estudada, seja capaz de produzir remédios muito mais eficazes para quem sofre de problemas no coração. Por essa razão, e também por existir apenas na Ilha da Queimada Grande, o réptil é tão valioso no mercado negro.
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