sociedade
Criar uma nova civilização
Todos querem ostentar conceitos e práticas da sustentabilidade: cidadãos, empresas e governos. Mas como deixar de emitir, efetivamente, notas promissórias contra as futuras gerações?
Por Xico Graziano
Planeta Sustentável - 12/2007
[img1]Sustentabilidade virou palavra mágica. Todos a querem ostentar. Rios de tinta procuram conceituá-la ou bem descrevê-la. Isso é muito bom porque aponta um caminho para o futuro, mas esse recente - e unânime - discurso ambiental esconde um problema. Muitas vezes, governos, empresas e pessoas querem parecer, e não efetivamente ser, sustentáveis. Onde reside a diferença?
No marketing, ou melhor, na propaganda.
As empresas - especialmente aquelas mais dinâmicas - passaram a enxergar, na agenda da sustentabilidade, uma nova oportunidade de negócios. Uma chance de agregar valor ambiental ao seu produto, mostrando-se um empreendimento com responsabilidade socioambiental. Mercados a conquistar, margens a elevar.
Esse movimento empresarial merece boas vindas desde que não seja puro marketing, ou seja, uma ação de propaganda ecológica tipo engana-trouxas. Aqui está o X da questão. A agenda da sustentabilidade não pode ser comandada apenas pela idéia do marketing, mas, sim, precisa estar incorporada à área da engenharia, da produção empresarial. A palavra de ordem se chama "produção mais limpa". Ser sustentável significa alterar a forma de produzir, no sentido de desenvolver novos processos produtivos. Corretos ambientalmente.
Pouco adianta, para a natureza, certas empresas se afirmarem como sustentáveis, desenvolvendo ações pontuais - de perfumaria ecológica ou social - e continuarem com seus processos de produção esbanjando (e não economizando) energia, matérias-primas e embalagens.
Neutralizar emissões de carbono serve como exemplo. Plantar árvores é sempre bom e necessário, não atrapalha nada, só ajuda. Entretanto, melhor seria reduzir as emissões conjuntamente. Senão, a neutralização se assemelha a uma simpática desculpa para continuar poluindo.
Para os governos, a agenda da sustentabilidade corre o risco da política. É bom que os governantes busquem sintonia com a opinião pública através do discurso ecológico porque isso empurra o comportamento da sociedade. Mas o proselitismo não pode ser vazio, sem ações efetivas em defesa da natureza. Dos governos se exige a prática da lição de casa. Não adianta só falar! A sociedade quer ver os políticos e seus governos fazendo acontecer. Foi assim que formulamos nossos 21 Projetos Ambientais Estratégicos.
No consumo sustentável mora a melhor oportunidade dos cidadãos, em geral. Claro que as pessoas, articuladas em organizações assumem o papel fundamental da mobilização ambiental, cobrando o cumprimento da agenda da sustentabilidade. Cada qual, porém, que reclama ou esperneia em defesa do meio ambiente, precisa ter ademais atitudes adequadas, como promover a coleta seletiva do lixo caseiro. Ou deixar de jogar a bituca do cigarro na rua.
A conscientização é fundamental e a educação ambiental mais ainda. Porém, de cada pessoa se espera a mudança no modo de vida, dos costumes, da velha rotina. Vale especialmente para o transporte, evitando o veículo particular. Exceto a bicicleta!
Deixar de emitir notas promissórias contra as gerações futuras. Isso exige uma nova civilização.
[img1]Sustentabilidade virou palavra mágica. Todos a querem ostentar. Rios de tinta procuram conceituá-la ou bem descrevê-la. Isso é muito bom porque aponta um caminho para o futuro, mas esse recente - e unânime - discurso ambiental esconde um problema. Muitas vezes, governos, empresas e pessoas querem parecer, e não efetivamente ser, sustentáveis. Onde reside a diferença?
No marketing, ou melhor, na propaganda.
As empresas - especialmente aquelas mais dinâmicas - passaram a enxergar, na agenda da sustentabilidade, uma nova oportunidade de negócios. Uma chance de agregar valor ambiental ao seu produto, mostrando-se um empreendimento com responsabilidade socioambiental. Mercados a conquistar, margens a elevar.
Esse movimento empresarial merece boas vindas desde que não seja puro marketing, ou seja, uma ação de propaganda ecológica tipo engana-trouxas. Aqui está o X da questão. A agenda da sustentabilidade não pode ser comandada apenas pela idéia do marketing, mas, sim, precisa estar incorporada à área da engenharia, da produção empresarial. A palavra de ordem se chama "produção mais limpa". Ser sustentável significa alterar a forma de produzir, no sentido de desenvolver novos processos produtivos. Corretos ambientalmente.
Pouco adianta, para a natureza, certas empresas se afirmarem como sustentáveis, desenvolvendo ações pontuais - de perfumaria ecológica ou social - e continuarem com seus processos de produção esbanjando (e não economizando) energia, matérias-primas e embalagens.
Neutralizar emissões de carbono serve como exemplo. Plantar árvores é sempre bom e necessário, não atrapalha nada, só ajuda. Entretanto, melhor seria reduzir as emissões conjuntamente. Senão, a neutralização se assemelha a uma simpática desculpa para continuar poluindo.
Para os governos, a agenda da sustentabilidade corre o risco da política. É bom que os governantes busquem sintonia com a opinião pública através do discurso ecológico porque isso empurra o comportamento da sociedade. Mas o proselitismo não pode ser vazio, sem ações efetivas em defesa da natureza. Dos governos se exige a prática da lição de casa. Não adianta só falar! A sociedade quer ver os políticos e seus governos fazendo acontecer. Foi assim que formulamos nossos 21 Projetos Ambientais Estratégicos.
No consumo sustentável mora a melhor oportunidade dos cidadãos, em geral. Claro que as pessoas, articuladas em organizações assumem o papel fundamental da mobilização ambiental, cobrando o cumprimento da agenda da sustentabilidade. Cada qual, porém, que reclama ou esperneia em defesa do meio ambiente, precisa ter ademais atitudes adequadas, como promover a coleta seletiva do lixo caseiro. Ou deixar de jogar a bituca do cigarro na rua.
A conscientização é fundamental e a educação ambiental mais ainda. Porém, de cada pessoa se espera a mudança no modo de vida, dos costumes, da velha rotina. Vale especialmente para o transporte, evitando o veículo particular. Exceto a bicicleta!
Deixar de emitir notas promissórias contra as gerações futuras. Isso exige uma nova civilização.