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Reinventar o dia-a-dia
Na prática, sustentabilidade é o desafio diário de pensar em novas formas de fazer negócio, de construir novas relações e buscar soluções conjuntas para problemas comuns
Por Maria Luiza Pinto
Banco Real - 11/2007
"Devemos ser a mudança que queremos ver no mundo". Essa frase do indiano Mahatma Gandhi expressa com bastante precisão o que, para mim, é um dos grandes desafios da sustentabilidade: a transformação no dia-a-dia.
[img01]Em 2001, quando fui convidada a assumir a Diretoria de Responsabilidade Social do Banco Real - hoje, Diretoria de Desenvolvimento Sustentável -, era difícil imaginar o tamanho da transformação que precisaríamos provocar na Organização e, principalmente, nas pessoas. Pois criar um novo jeito de fazer negócios, que leva em consideração os interesses de todos os públicos envolvidos, exige mudança de postura e, também, novas atitudes.
Uma das principais premissas deste momento que estamos vivendo é que não podemos mais olhar as questões de forma isolada. Precisamos entender que, com o fim da distância provocado pelo fluxo global de informações, vivemos em um mundo cada vez mais interdependente. Tudo e todos estão interligados e isso se reflete de maneira contundente no mundo dos negócios.
Para explicar, vou dar o exemplo da política de risco socioambiental, que criamos no Banco Real. Em 2002, decidimos que passaríamos a nos preocupar com a maneira como o crédito seria concedido. Além de minimizar nosso risco ao analisar questões sociais e ambientais que representam possíveis passivos no futuro, queríamos influenciar alguns clientes a adotarem práticas sustentáveis.
Também consideramos a possibilidade de encerrar o relacionamento com aqueles que não estivessem dispostos a mudar, como, por exemplo, as madeireiras da Amazônia que não adotavam o manejo florestal. Ao tomar essa decisão, enfrentamos resistência interna - por parte de funcionários que não queriam abrir mão de seus clientes - e externa, pois muita gente achou que estávamos fazendo uma "maluquice".¿ No entanto, recentemente, tivemos o caso de uma instituição financeira que foi co-responsabilizada por ter financiado uma hidrelétrica acusada de provocar danos ambientais.
Em 2006, por exemplo, empresas que utilizavam soja em sua produção assumiram o compromisso de não comprar, por dois anos, grãos produzidos em áreas desmatadas da Amazônia. Em 2007, o Ibama multou siderúrgicas do Pará acusadas de usar carvão vegetal clandestino em sua produção de ferro-gusa. Há cada vez mais exemplos como esses, que nos mostram que questões sociais, ambientais e econômicas estão interligadas como nunca.
Dentro deste cenário, acredito que há dois caminhos: esperar que a pressão da sociedade cresça para mudar "na marra" ou acreditar na necessidade de mudança e promovê-la. Nós optamos pelo segundo caminho e, onde havia riscos, buscamos oportunidades. A partir desse jeito de pensar, surgiram novos negócios, como o microcrédito, o financiamento de projetos para a produção de energia renovável e biodiesel, e o mercado de crédito de carbono. Mais recentemente, lançamos o programa Sustentabilidade na Construção Civil.
Quando passamos a acreditar que um negócio só é bom se for bom para todos, abrimos espaço para o surgimento de novas parcerias, idéias e possibilidades de levar a sustentabilidade para cada aspecto do negócio. Essa é a busca pelo "reinventar", como temos falado em nossa comunicação institucional. Simplesmente porque sustentabilidade é, na prática, o desafio diário de pensar em novas formas de fazer negócio, de construir novas relações e buscar soluções conjuntas para problemas comuns. Afinal, só assim conseguiremos provocar a mudança que queremos ver no mundo.¿
"Devemos ser a mudança que queremos ver no mundo". Essa frase do indiano Mahatma Gandhi expressa com bastante precisão o que, para mim, é um dos grandes desafios da sustentabilidade: a transformação no dia-a-dia.
[img01]Em 2001, quando fui convidada a assumir a Diretoria de Responsabilidade Social do Banco Real - hoje, Diretoria de Desenvolvimento Sustentável -, era difícil imaginar o tamanho da transformação que precisaríamos provocar na Organização e, principalmente, nas pessoas. Pois criar um novo jeito de fazer negócios, que leva em consideração os interesses de todos os públicos envolvidos, exige mudança de postura e, também, novas atitudes.
Uma das principais premissas deste momento que estamos vivendo é que não podemos mais olhar as questões de forma isolada. Precisamos entender que, com o fim da distância provocado pelo fluxo global de informações, vivemos em um mundo cada vez mais interdependente. Tudo e todos estão interligados e isso se reflete de maneira contundente no mundo dos negócios.
Para explicar, vou dar o exemplo da política de risco socioambiental, que criamos no Banco Real. Em 2002, decidimos que passaríamos a nos preocupar com a maneira como o crédito seria concedido. Além de minimizar nosso risco ao analisar questões sociais e ambientais que representam possíveis passivos no futuro, queríamos influenciar alguns clientes a adotarem práticas sustentáveis.
Também consideramos a possibilidade de encerrar o relacionamento com aqueles que não estivessem dispostos a mudar, como, por exemplo, as madeireiras da Amazônia que não adotavam o manejo florestal. Ao tomar essa decisão, enfrentamos resistência interna - por parte de funcionários que não queriam abrir mão de seus clientes - e externa, pois muita gente achou que estávamos fazendo uma "maluquice".¿ No entanto, recentemente, tivemos o caso de uma instituição financeira que foi co-responsabilizada por ter financiado uma hidrelétrica acusada de provocar danos ambientais.
Em 2006, por exemplo, empresas que utilizavam soja em sua produção assumiram o compromisso de não comprar, por dois anos, grãos produzidos em áreas desmatadas da Amazônia. Em 2007, o Ibama multou siderúrgicas do Pará acusadas de usar carvão vegetal clandestino em sua produção de ferro-gusa. Há cada vez mais exemplos como esses, que nos mostram que questões sociais, ambientais e econômicas estão interligadas como nunca.
Dentro deste cenário, acredito que há dois caminhos: esperar que a pressão da sociedade cresça para mudar "na marra" ou acreditar na necessidade de mudança e promovê-la. Nós optamos pelo segundo caminho e, onde havia riscos, buscamos oportunidades. A partir desse jeito de pensar, surgiram novos negócios, como o microcrédito, o financiamento de projetos para a produção de energia renovável e biodiesel, e o mercado de crédito de carbono. Mais recentemente, lançamos o programa Sustentabilidade na Construção Civil.
Quando passamos a acreditar que um negócio só é bom se for bom para todos, abrimos espaço para o surgimento de novas parcerias, idéias e possibilidades de levar a sustentabilidade para cada aspecto do negócio. Essa é a busca pelo "reinventar", como temos falado em nossa comunicação institucional. Simplesmente porque sustentabilidade é, na prática, o desafio diário de pensar em novas formas de fazer negócio, de construir novas relações e buscar soluções conjuntas para problemas comuns. Afinal, só assim conseguiremos provocar a mudança que queremos ver no mundo.¿