[img1]
[box-leia]Pesquisa realizada pela Sociedade Americana de Química (ACS) aponta que seis em cada dez pessoas não possuem acesso a saneamento adequado, o que implica em prejuízos para a saúde. O problema aumenta a vulnerabilidade a doenças, sobretudo diarreicas - como cólera, shiguelose, amebíase e infecções por salmonela.
Dados da ONU revelam que 88% das mortes por diarreia no mundo são causadas pela falta de sistemas de tratamento de esgoto de qualidade, sendo que 84% são de crianças - principalmente menores de cinco anos. No Brasil, o cenário não é diferente, como mostra atualização do estudo Esgotamento Sanitário Inadequado e Impactos na Saúde da População, divulgado nesta terça-feira (26).
Desenvolvida pela pesquisadora Denise Kronemberger, a pedido do Instituto Trata Brasil, a pesquisa aponta que em 60 das 100 maiores cidades do país os baixos índices de coleta de esgoto resultam em altas taxas de internação por doenças diarreicas - que respondem por mais de 80% das enfermidades que o saneamento ambiental inadequado causa no Brasil.
Mais de 54 mil pessoas que moram nesses municípios vão parar nos hospitais, anualmente, por conta de diarreias, sendo que 53% delas são crianças menores de cinco anos de idade. O problema custa cerca de R$ 140 milhões por ano ao Sistema Único de Saúde (SUS).
"Infelizmente, o atendimento em saneamento básico ainda divide o Brasil. Cidades bem atendidas em água e esgoto economizam recursos com saúde e seus cidadãos são mais saudáveis, sobretudo as crianças. Enquanto isso, outras cidades gastam muito em internações e condenam seus cidadãos a conviver com mais doenças da água poluída", diz Édison Carlos, presidente executivo do Instituto Trata Brasil. Ele completa: "É uma irresponsabilidade as autoridades, e principalmente os prefeitos, assistirem a isso passivamente, uma vez que são eleitos para levar qualidade de vida às pessoas".
De acordo com o estudo, os municípios brasileiros que mais gastam com doenças diarreicas - e que, não por acaso, possuem condições precárias de saneamento básico - são, respectivamente:
- Ananindeua, no Pará;
- Belford Roxo, no Rio de Janeiro;
- Anápolis, em Goiás;
- Belém, capital do Pará;
- Várzea Grande, no Mato Grosso;
- Vitória da Conquista, na Bahia;
- Campina Grande, na Paraíba;
- Santarém, no Pará;
- Maceió, capital de Alagoas e
- João Pessoa, capital da Paraíba.
Confira a pesquisa Esgotamento Sanitário Inadequado e Impactos na Saúde da População na íntegra.