assistencia
Bebês prematuros, cuidados especiais
A ONG Viver e Sorrir, ligada à Unifesp, faz trabalho multidisciplinar, único no país, com mães carentes e seus bebês que nasceram fora do tempo, até que eles completem 18 anos de idade. A atenção extra garante taxas de mortalidade infantil menores que a média nacional para bebês que não nasceram prematuros
Thays Prado
Planeta Sustentável - 13/04/2009
Ser um bebê prematuro não é apenas uma questão de nascer fora do tempo. Um parto antes dos nove meses pode trazer uma série de complicações para o neném, que vão de desnutrição e dificuldades de aprendizagem a deficiência mental e paralisia cerebral. Neste último caso, a taxa chega a 30% dos casos. Quanto menos tempo na barriga da mãe, maiores os riscos de seqüelas que podem durar a vida toda.
A causa da antecipação do nascimento está, em grande parte das vezes, associada às condições de saúde da mãe. Mulheres desnutridas, que façam uso de certos medicamentos, tenham problemas uterinos, diabetes, hipertensão, periodontite ou infecção urinária, por exemplo, têm mais chances de ter um bebê prematuro.
Mesmo sendo mais comum do que se imagina - cerca de 9% dos bebês nascem prematuros no Brasil - normalmente, as mães não estão preparadas para a situação. Quando se trata de mulheres com dificuldades socioeconômicas, a questão é ainda mais complicada, pois os pequenos exigem uma série de medicamentos, alimentos e cuidados extras – e caros. Ainda que elas recebam assistência durante o período em que a criança está na UTI Neonatal de um hospital público, na volta para casa, não dispõem de muito amparo.
Por essa razão, a ONG Viver e Sorrir – que existe oficialmente desde 2004, mas já atua, por meio de voluntários, há 18 anos com mães e bebês com nascimento precoce – faz o acompanhamento de ambos desde a alta do hospital até os prematuros completarem a maioridade. Atualmente, cerca de 700 crianças são atendidas pela organização, que conta com uma equipe de 14 voluntárias para trabalhos gerais e mais de 50 profissionais das seguintes áreas:
- pediatras;
- neuropediatras;
- dermatologistas;
- oftalmologistas;
- dentistas;
- fonoaudiólogos;
- fisioterapeutas;
- nutricionistas;
- psicólogos;
- pedagogos;
- psicopedagogos e
- assistentes sociais.
O trabalho começa quando o bebê ainda está na UTI Neonatal da UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo, em que uma equipe de voluntárias dá suporte às mães, preparando-lhes lanches e realizando oficinas de trabalhos manuais para o tempo passar mais rápido, enquanto elas ainda não podem ficar o dia inteiro com o bebê. Nesses intervalos, elas também recebem orientação sobre os cuidados relacionados à rotina de seus filhos quando saírem dali. As voluntárias também ajudam a organizar as reuniões semanais com as mães e uma assistente social para que elas possam compartilhar suas dúvidas, medos e angústias.
A assistência continua quando as crianças passam para o berçário e podem ficar o tempo todo com as mães. Neste período, é realizado o projeto “mãe-canguru”, quando a mulher e o bebê ficam em contato direto, pele com pele.
Quando o pequeno recebe alta hospitalar, automaticamente, sua primeira consulta já está agendada no ambulatório da Viver e Sorrir em, no máximo, uma semana. A partir disso, o bebê tem acesso a todos os especialistas de que precisa em um mesmo local, facilitando o deslocamento das mães, que muitas vezes moram longe dali.
Como o tempo de internação no hospital varia de dois meses a até um ano nos casos mais graves, e pelo fato de o acompanhamento continuar até que o bebê se torne um adulto, o vínculo entre a equipe médica e de apoio e a família do paciente é bastante forte. E existe uma preocupação de que o mesmo médico atenda a criança todas as vezes em que ela precisar ir ao ambulatório, de modo que o profissional possa conhecer a fundo o histórico do paciente desde o início de sua vida e tenha condições de oferecer um tratamento mais adequado.
Aé que o neném complete seis meses de idade, é feito um acompanhamento mensal no ambulatório. No segundo semestre de vida, ele passa a ser bimestral. Quando completa um aninho, a criança começa a voltar ao ambulatório a cada três meses para consultas de rotina e depois que faz dois anos, vai duas vezes ao ano. Isso sem falar nos tratamentos complementares, como fonoaudiologia, fisioterapia, e tratamento psicológico, por exemplo, que dependem do diagnóstico de cada bebê.
No primeiro ano de acompanhamento, as mães também recebem vale-transporte para ir até o ambulatório, leite em pó e fraldas. A ONG ainda organiza jantares beneficentes para arrecadar recursos e conta com o apoio de voluntários de diversas áreas para disponibilizar óculos, cadeiras de roda e aparelhos auditivos às crianças e adolescentes que precisam. No ambulatório também é feito um bazar permanente de roupas usadas, que podem ser compradas pelas mães a um ou dois reais. O trabalho é único no Brasil e encontra poucos semelhantes no mundo.
A iniciativa tem dado resultado e prova que uma intervenção precoce evita seqüelas mais graves. A taxa de mortalidade entre os bebês atendidos pela Viver e Sorrir é menor que a média nacional de recém-nascidos não prematuros.
Benjamin Kopelman, médico presidente da ONG, diz que o trabalho realizado ali desmistifica completamente a ideia de que mães de classe socioeconômicas D e E não se envolvem com seus filhos. Há um cuidado de fazer com que as mães entendam tudo o que está acontecendo com seu filho bebê, para que serve cada aparelho e tratamento. Os pais também são incluídos nesta rotina. A freqüência às consultas é superior a 90%, número considerado bastante elevado, ainda mais quando se leva em conta que o acompanhamento dura quase duas décadas.
Durante todo o tempo em que são atendidas pela ONG, as crianças e adolescentes ainda recebem orientação e reforço para conseguirem acompanhar o ritmo escolar. Em palestras para a apresentação da ONG, entre crianças e adolescentes que nasceram no tempo certo, é comum o comentário de que também queriam ter nascido prematuros para receberem os cuidados oferecidos pela Viver e Sorrir.
Viver e Sorrir
Rua Diogo de Faria, 764, Vila Clementino - São Paulo
(11) 5571-9277
A ONG aceita doações e novos voluntários
Ser um bebê prematuro não é apenas uma questão de nascer fora do tempo. Um parto antes dos nove meses pode trazer uma série de complicações para o neném, que vão de desnutrição e dificuldades de aprendizagem a deficiência mental e paralisia cerebral. Neste último caso, a taxa chega a 30% dos casos. Quanto menos tempo na barriga da mãe, maiores os riscos de seqüelas que podem durar a vida toda.
A causa da antecipação do nascimento está, em grande parte das vezes, associada às condições de saúde da mãe. Mulheres desnutridas, que façam uso de certos medicamentos, tenham problemas uterinos, diabetes, hipertensão, periodontite ou infecção urinária, por exemplo, têm mais chances de ter um bebê prematuro.
Mesmo sendo mais comum do que se imagina - cerca de 9% dos bebês nascem prematuros no Brasil - normalmente, as mães não estão preparadas para a situação. Quando se trata de mulheres com dificuldades socioeconômicas, a questão é ainda mais complicada, pois os pequenos exigem uma série de medicamentos, alimentos e cuidados extras – e caros. Ainda que elas recebam assistência durante o período em que a criança está na UTI Neonatal de um hospital público, na volta para casa, não dispõem de muito amparo.
Por essa razão, a ONG Viver e Sorrir – que existe oficialmente desde 2004, mas já atua, por meio de voluntários, há 18 anos com mães e bebês com nascimento precoce – faz o acompanhamento de ambos desde a alta do hospital até os prematuros completarem a maioridade. Atualmente, cerca de 700 crianças são atendidas pela organização, que conta com uma equipe de 14 voluntárias para trabalhos gerais e mais de 50 profissionais das seguintes áreas:
- pediatras;
- neuropediatras;
- dermatologistas;
- oftalmologistas;
- dentistas;
- fonoaudiólogos;
- fisioterapeutas;
- nutricionistas;
- psicólogos;
- pedagogos;
- psicopedagogos e
- assistentes sociais.
O trabalho começa quando o bebê ainda está na UTI Neonatal da UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo, em que uma equipe de voluntárias dá suporte às mães, preparando-lhes lanches e realizando oficinas de trabalhos manuais para o tempo passar mais rápido, enquanto elas ainda não podem ficar o dia inteiro com o bebê. Nesses intervalos, elas também recebem orientação sobre os cuidados relacionados à rotina de seus filhos quando saírem dali. As voluntárias também ajudam a organizar as reuniões semanais com as mães e uma assistente social para que elas possam compartilhar suas dúvidas, medos e angústias.
A assistência continua quando as crianças passam para o berçário e podem ficar o tempo todo com as mães. Neste período, é realizado o projeto “mãe-canguru”, quando a mulher e o bebê ficam em contato direto, pele com pele.
Quando o pequeno recebe alta hospitalar, automaticamente, sua primeira consulta já está agendada no ambulatório da Viver e Sorrir em, no máximo, uma semana. A partir disso, o bebê tem acesso a todos os especialistas de que precisa em um mesmo local, facilitando o deslocamento das mães, que muitas vezes moram longe dali.
Como o tempo de internação no hospital varia de dois meses a até um ano nos casos mais graves, e pelo fato de o acompanhamento continuar até que o bebê se torne um adulto, o vínculo entre a equipe médica e de apoio e a família do paciente é bastante forte. E existe uma preocupação de que o mesmo médico atenda a criança todas as vezes em que ela precisar ir ao ambulatório, de modo que o profissional possa conhecer a fundo o histórico do paciente desde o início de sua vida e tenha condições de oferecer um tratamento mais adequado.
Aé que o neném complete seis meses de idade, é feito um acompanhamento mensal no ambulatório. No segundo semestre de vida, ele passa a ser bimestral. Quando completa um aninho, a criança começa a voltar ao ambulatório a cada três meses para consultas de rotina e depois que faz dois anos, vai duas vezes ao ano. Isso sem falar nos tratamentos complementares, como fonoaudiologia, fisioterapia, e tratamento psicológico, por exemplo, que dependem do diagnóstico de cada bebê.
No primeiro ano de acompanhamento, as mães também recebem vale-transporte para ir até o ambulatório, leite em pó e fraldas. A ONG ainda organiza jantares beneficentes para arrecadar recursos e conta com o apoio de voluntários de diversas áreas para disponibilizar óculos, cadeiras de roda e aparelhos auditivos às crianças e adolescentes que precisam. No ambulatório também é feito um bazar permanente de roupas usadas, que podem ser compradas pelas mães a um ou dois reais. O trabalho é único no Brasil e encontra poucos semelhantes no mundo.
A iniciativa tem dado resultado e prova que uma intervenção precoce evita seqüelas mais graves. A taxa de mortalidade entre os bebês atendidos pela Viver e Sorrir é menor que a média nacional de recém-nascidos não prematuros.
Benjamin Kopelman, médico presidente da ONG, diz que o trabalho realizado ali desmistifica completamente a ideia de que mães de classe socioeconômicas D e E não se envolvem com seus filhos. Há um cuidado de fazer com que as mães entendam tudo o que está acontecendo com seu filho bebê, para que serve cada aparelho e tratamento. Os pais também são incluídos nesta rotina. A freqüência às consultas é superior a 90%, número considerado bastante elevado, ainda mais quando se leva em conta que o acompanhamento dura quase duas décadas.
Durante todo o tempo em que são atendidas pela ONG, as crianças e adolescentes ainda recebem orientação e reforço para conseguirem acompanhar o ritmo escolar. Em palestras para a apresentação da ONG, entre crianças e adolescentes que nasceram no tempo certo, é comum o comentário de que também queriam ter nascido prematuros para receberem os cuidados oferecidos pela Viver e Sorrir.
Viver e Sorrir
Rua Diogo de Faria, 764, Vila Clementino - São Paulo
(11) 5571-9277
A ONG aceita doações e novos voluntários