tabagismo
Cigarro ioiô
Quantas vezes você já jogou o maço inteiro de cigarros na lata do lixo e jurou sobre a Bíblia jamais voltar a pôr
uma dessas hastes assassinas na boca?
Dalila Magarian
Revista Nova - 03/2008
E quanto tempo levou para sucumbir a mais uma tragada, depois outra e outra, até se descobrir novamente às voltas com baforadas sem fim? Que fique claro: ninguém aqui está a fim de puxar a sua orelha nem de fazer você se sentir a pior das mulheres por (re)cair em tentação. A gente quer saber por que abandonar esse vício é tão complicado, apesar de conhecermos de cor e salteado a cartilha de efeitos danosos — incluindo encher o pulmão dos outros de fumaça por tabela, o que significa ir na contramão dos conceitos modernos de sustentabilidade.
[img01] "NÃO SOU NADA SEM ELE"
A psicóloga carioca Andrea Harms garante: seu cérebro tem boa parte da culpa. "Viciadas em nicotina acabam desenvolvendo a crença quase inconsciente de que não conseguirão fazer nada sem um cigarro por perto", explica. Em outras palavras, isso significa uma dependência psicológica que faz você acreditar não dar conta do recado a menos que o isqueiro entre em ação. "É comum experimentar pensamentos como 'Se eu não fumar, não vou pensar direito'", acrescenta a especialista.
O STRESS COMO CÚMPLICE
Não é novidade que a ansiedade funciona como gatilho para sacar o danado do rolinho. "A relação de pegar o cigarro, ajeitá-lo nos dedos, acendê-lo e tragá-lo é um momento pessoal em que se pode ganhar algum tempo para organizar o pensamento", reconhece Andrea Harms. Como a gente vive no maior pique, não é raro recorrer a ele logo na primeira encruzilhada. Foi o que aconteceu com a estudante de direito Carolina Carvalho, de 23 anos. "Passei três meses longe do maço, mas quando chegou a época das provas na faculdade não resisti à pressão e voltei." Some-se a tudo isso o fato de não ser nada mole escapar de certos condicionamentos adquiridos ao longo do tempo, a tal da força do hábito. Há quem tenha se acostumado a fumar ao telefone, por exemplo, ou após um cafezinho. Quem cria associações assim tão rotineiras tem maiores chances de tropeçar, concorda?
DE OLHO NAS ARMADILHAS
O psiquiatra Luis Alberto Py diz que muitas das recaídas tabagísticas entre mulheres de 20 a 30 anos têm a ver com o fato de elas ainda estarem se estabelecendo em diversas áreas da vida. Ou seja, estão cercadas de dúvidas que vão do namorado à carreira. As armadilhas mais comuns, segundo ele, são as próprias desculpas que a fumante arranja. "A primeira é: 'Consegui parar uma vez, paro de novo'. Outra: 'Tenho tempo para desistir antes que o cigarro me faça realmente mal'. Colocado desse jeito, o abandono do vício pode parecer um problema insolúvel." Mas existe saída. "Basta buscar uma boa motivação", recomenda Py. E tem melhor ideal do que cuidar da própria saúde?
ADEUS PARA SEMPRE
Se você já conseguiu parar e voltou, rebobine o filme para descobrir o motivo da recaída. Assim, da próxima vez, será mais fácil contorná-lo. Também vale pedir aos amigos e parentes que não fumem na sua frente, além de investir em atividades prazerosas — toda vez que sentir vontade de desistir da luta, que tal beijar o namorado? Tenha em mente que evitar o primeiro cigarro é fundamental para não sucumbir a todos os outros. Mesmo uma só tragada desemboca em recaída. Finalmente, nada de desistir na primeira tentativa, garota! Se cair em tentação, levante-se e conceda a si mesma quantas chances forem necessárias.
E quanto tempo levou para sucumbir a mais uma tragada, depois outra e outra, até se descobrir novamente às voltas com baforadas sem fim? Que fique claro: ninguém aqui está a fim de puxar a sua orelha nem de fazer você se sentir a pior das mulheres por (re)cair em tentação. A gente quer saber por que abandonar esse vício é tão complicado, apesar de conhecermos de cor e salteado a cartilha de efeitos danosos — incluindo encher o pulmão dos outros de fumaça por tabela, o que significa ir na contramão dos conceitos modernos de sustentabilidade.
[img01] "NÃO SOU NADA SEM ELE"
A psicóloga carioca Andrea Harms garante: seu cérebro tem boa parte da culpa. "Viciadas em nicotina acabam desenvolvendo a crença quase inconsciente de que não conseguirão fazer nada sem um cigarro por perto", explica. Em outras palavras, isso significa uma dependência psicológica que faz você acreditar não dar conta do recado a menos que o isqueiro entre em ação. "É comum experimentar pensamentos como 'Se eu não fumar, não vou pensar direito'", acrescenta a especialista.
O STRESS COMO CÚMPLICE
Não é novidade que a ansiedade funciona como gatilho para sacar o danado do rolinho. "A relação de pegar o cigarro, ajeitá-lo nos dedos, acendê-lo e tragá-lo é um momento pessoal em que se pode ganhar algum tempo para organizar o pensamento", reconhece Andrea Harms. Como a gente vive no maior pique, não é raro recorrer a ele logo na primeira encruzilhada. Foi o que aconteceu com a estudante de direito Carolina Carvalho, de 23 anos. "Passei três meses longe do maço, mas quando chegou a época das provas na faculdade não resisti à pressão e voltei." Some-se a tudo isso o fato de não ser nada mole escapar de certos condicionamentos adquiridos ao longo do tempo, a tal da força do hábito. Há quem tenha se acostumado a fumar ao telefone, por exemplo, ou após um cafezinho. Quem cria associações assim tão rotineiras tem maiores chances de tropeçar, concorda?
DE OLHO NAS ARMADILHAS
O psiquiatra Luis Alberto Py diz que muitas das recaídas tabagísticas entre mulheres de 20 a 30 anos têm a ver com o fato de elas ainda estarem se estabelecendo em diversas áreas da vida. Ou seja, estão cercadas de dúvidas que vão do namorado à carreira. As armadilhas mais comuns, segundo ele, são as próprias desculpas que a fumante arranja. "A primeira é: 'Consegui parar uma vez, paro de novo'. Outra: 'Tenho tempo para desistir antes que o cigarro me faça realmente mal'. Colocado desse jeito, o abandono do vício pode parecer um problema insolúvel." Mas existe saída. "Basta buscar uma boa motivação", recomenda Py. E tem melhor ideal do que cuidar da própria saúde?
ADEUS PARA SEMPRE
Se você já conseguiu parar e voltou, rebobine o filme para descobrir o motivo da recaída. Assim, da próxima vez, será mais fácil contorná-lo. Também vale pedir aos amigos e parentes que não fumem na sua frente, além de investir em atividades prazerosas — toda vez que sentir vontade de desistir da luta, que tal beijar o namorado? Tenha em mente que evitar o primeiro cigarro é fundamental para não sucumbir a todos os outros. Mesmo uma só tragada desemboca em recaída. Finalmente, nada de desistir na primeira tentativa, garota! Se cair em tentação, levante-se e conceda a si mesma quantas chances forem necessárias.