ARTIGO
O desafio da mobilização social
Gesner Oliveira, presidente da Sabesp destaca a importância das obras do Projeto Tietê para São Paulo. “Com elas, evita-se o lançamento de 1 bilhão de litros de esgoto por dia nas águas do rio”
Gesner Oliveira*
27/08/2009
[img01] A Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu, entre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, a garantia da sustentabilidade ambiental como desafio mundial a ser alcançado até 2015. Temos que buscar a conservação da água doce, reduzir a geração de lixo, melhorar as condições de disposição dos resíduos, despoluir os rios, entre outros desafios, cujo enfrentamento com sucesso não depende unicamente de investimentos em obras públicas, em infraestrutura. Depende também - e muito - do engajamento de todos.
A despoluição do Rio Tietê, na região metropolitana de São Paulo, é um exemplo do que estamos falando. Massacrado por décadas de despejo de esgoto e lixo, sua recuperação ambiental não se dará por ações exclusivas do poder público.
Com obras do Projeto Tietê já se evita o lançamento de 1 bilhão de litros de esgoto por dia em suas águas. Mas o rio requer ainda muitos cuidados. A redução do despejo de lixo e entulho, por exemplo, exige maior participação da sociedade, não jogando lixo nas ruas e nos terrenos baldios, que acabam chegando ao rio pela água da chuva. Igualmente importante é a conexão correta dos esgotos domiciliares às redes coletoras, e não diretamente nos córregos ou nas redes de águas pluviais.
Um segundo exemplo da importância do envolvimento social são as ações voltadas para a recuperação e proteção dos mananciais responsáveis pelo abastecimento da região metropolitana. A Bacia do Alto Tietê, onde está a metrópole paulista, região de grande concentração populacional e intenso desenvolvimento econômico, dispõe de apenas 201 mil litros de água por habitante/ano, quando a disponibilidade ideal, de acordo com a ONU, é mais de 10 vezes superior. O volume na região metropolitana de São Paulo é inferior ao observado na região metropolitana de Fortaleza, que é de 242 m³ habitante/ano, e também inferior ao registrado no Ceará (916 m³ habitante/ano).
Esses dados mostram a urgência de preservarmos a escassa água doce ainda disponível na região do Alto Tietê. Mananciais como as Represas Billings e Guarapiranga requerem ações integradas que reduzam impactos de poluição e motivem a inclusão social. O poder público deve promover ações de desenvolvimento urbano, sistemas de saneamento, preservação ambiental, educação ambiental e fiscalização. A comunidade, por sua vez, pode contribuir de diversas formas, desde a defesa das áreas verdes que ainda envolvem os mananciais, passando pelo despejo correto dos esgotos, o cuidado com o lixo e ainda o uso racional da água potável, evitando desperdícios.
A construção de uma sociedade sustentável, ambientalmente mais justa e saudável, requer reflexão crítica por parte de cada ator e desenvolvimento de valores e práticas rumo às mudanças necessárias.
*Gesner Oliveira, 52, doutor em economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley), professor da FGV-EAESP, é presidente da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Foi presidente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e colunista da Folha
Artigo publicado na edição de 29/07/09 do Jornal da Tarde
[img01] A Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu, entre os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, a garantia da sustentabilidade ambiental como desafio mundial a ser alcançado até 2015. Temos que buscar a conservação da água doce, reduzir a geração de lixo, melhorar as condições de disposição dos resíduos, despoluir os rios, entre outros desafios, cujo enfrentamento com sucesso não depende unicamente de investimentos em obras públicas, em infraestrutura. Depende também - e muito - do engajamento de todos.
A despoluição do Rio Tietê, na região metropolitana de São Paulo, é um exemplo do que estamos falando. Massacrado por décadas de despejo de esgoto e lixo, sua recuperação ambiental não se dará por ações exclusivas do poder público.
Com obras do Projeto Tietê já se evita o lançamento de 1 bilhão de litros de esgoto por dia em suas águas. Mas o rio requer ainda muitos cuidados. A redução do despejo de lixo e entulho, por exemplo, exige maior participação da sociedade, não jogando lixo nas ruas e nos terrenos baldios, que acabam chegando ao rio pela água da chuva. Igualmente importante é a conexão correta dos esgotos domiciliares às redes coletoras, e não diretamente nos córregos ou nas redes de águas pluviais.
Um segundo exemplo da importância do envolvimento social são as ações voltadas para a recuperação e proteção dos mananciais responsáveis pelo abastecimento da região metropolitana. A Bacia do Alto Tietê, onde está a metrópole paulista, região de grande concentração populacional e intenso desenvolvimento econômico, dispõe de apenas 201 mil litros de água por habitante/ano, quando a disponibilidade ideal, de acordo com a ONU, é mais de 10 vezes superior. O volume na região metropolitana de São Paulo é inferior ao observado na região metropolitana de Fortaleza, que é de 242 m³ habitante/ano, e também inferior ao registrado no Ceará (916 m³ habitante/ano).
Esses dados mostram a urgência de preservarmos a escassa água doce ainda disponível na região do Alto Tietê. Mananciais como as Represas Billings e Guarapiranga requerem ações integradas que reduzam impactos de poluição e motivem a inclusão social. O poder público deve promover ações de desenvolvimento urbano, sistemas de saneamento, preservação ambiental, educação ambiental e fiscalização. A comunidade, por sua vez, pode contribuir de diversas formas, desde a defesa das áreas verdes que ainda envolvem os mananciais, passando pelo despejo correto dos esgotos, o cuidado com o lixo e ainda o uso racional da água potável, evitando desperdícios.
A construção de uma sociedade sustentável, ambientalmente mais justa e saudável, requer reflexão crítica por parte de cada ator e desenvolvimento de valores e práticas rumo às mudanças necessárias.
*Gesner Oliveira, 52, doutor em economia pela Universidade da Califórnia (Berkeley), professor da FGV-EAESP, é presidente da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Foi presidente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e colunista da Folha
Artigo publicado na edição de 29/07/09 do Jornal da Tarde