Resíduos sólidos
Recicloteca: ensino e boas práticas
Em 1991, quando redução, reaproveitamento e reciclagem de resíduos sólidos ainda eram assuntos emergentes nas mesas de debate, a pioneira ONG Ecomarapendi colocou na praça a Recicloteca, um centro de informações dedicado à redução dos impactos ambientais, sociais e econômicos gerados pelo processo de produção e descarte do lixo
Gabriela Varanda – Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentável – 27/05/2008
Situada num belo casarão no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro, a Recicloteca atende hoje, gratuitamente, cerca de 8 mil consultas por ano, via telefone, e-mail, cartas e visitas à sua sede. Com abrangência nacional e, até mesmo - em menor proporção - internacional, a instituição tornou-se referência quando o tema é lixo. “É muito gratificante observar o aumento do interesse por esse assunto. Temos agora, inclusive, uma produção acadêmica expressiva na área, que era extremamente incipiente no início da década de 1990”, lembra Vera Chevalier, diretora-executiva e fundadora da Recicloteca.
O site da instituição, criada pela ONG Ecomarapendi, já permite um primeiro mergulho no mundo dos resíduos sólidos, com dicas de como separar o lixo em casa, listas de projetos dedicados ao reaproveitamento e à reciclagem, acesso ao banco de cooperativas e empresas que recebem materiais recicláveis em várias cidades brasileiras, e um simpático passo-a-passo para práticas como a compostagem e a produção de papel reciclado artesanal, entre outras informações.
O acervo da Recicloteca inclui também livros, vídeos, revistas, teses e periódicos científicos, cartilhas e documentos produzidos pela sua própria equipe, todos disponíveis para consulta, além de um precioso cadastro de profissionais dedicados à temática do lixo. As atividades da instituição são complementadas ainda por oficinas e cursos, em áreas como artesanato de papel marchê e educação ambiental, e pela curadoria do Espaço Reciclarte, com a exposição permanente de objetos, roupas e acessórios que foram criados dentro da filosofia dos “3Rs”: reduzir, reutilizar e reciclar.
E, como se sabe, o “R” de redução tem prioridade hoje. Por isso, a Recicloteca tem se dedicado também à área do consumo responsável, com informações de práticas que permitem reduzir o uso de novos produtos e, consequentemente, também o volume de lixo. O ciclo anual de palestras oferecido pela instituição ajuda ainda a quem quer ficar por dentro de várias iniciativas para evitar excessos: profissionais de design, arquitetura e urbanismo e ambientalistas mostram que é possível conciliar criatividade, redução de impactos ambientais e qualidade de vida em nossas cidades.
Mas a reciclagem, carro-chefe da Recicloteca, gerou também importantes frutos: como o Programa Reciclagem Solidária, criado em 2002, que apoia a organização de catadores de materiais recicláveis em cooperativas, auxiliando a gestão do negócio e fornecendo o maquinário básico para início das atividades, em regime de comodato. Presente, hoje, nos estados de Amazonas, Ceará, Pernambuco e Paraná, o programa vem acumulando bons números. “Observamos um aumento do volume assim como da variedade de materiais coletados pelas cooperativas que participam do programa”, explica Cristina Borges, coordenadora do projeto.
Como as boas práticas, em geral, estão ao alcance de todos, e muitas começam em casa, a Recicloteca busca ainda parcerias com outras instituições para montar cursos como o Cozinha Brasil, ministrado pelo SESI - Serviço Social da Indústria, que ensina à população como aproveitar todas as partes dos alimentos, em pratos diários saborosos, nutritivos e de baixo custo. “Sessenta por cento do lixo no Brasil vem de resíduos orgânicos, evitar desperdícios ao cozinhar é fundamental”, informa Carol Oliveira, consultora ambiental da Recicloteca. Portanto, da próxima vez que se aventurar pela cozinha, lembre-se que caules, talos, cascas, folhas e sementes podem ter um destino muito mais nobre.
Situada num belo casarão no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro, a Recicloteca atende hoje, gratuitamente, cerca de 8 mil consultas por ano, via telefone, e-mail, cartas e visitas à sua sede. Com abrangência nacional e, até mesmo - em menor proporção - internacional, a instituição tornou-se referência quando o tema é lixo. “É muito gratificante observar o aumento do interesse por esse assunto. Temos agora, inclusive, uma produção acadêmica expressiva na área, que era extremamente incipiente no início da década de 1990”, lembra Vera Chevalier, diretora-executiva e fundadora da Recicloteca.
O site da instituição, criada pela ONG Ecomarapendi, já permite um primeiro mergulho no mundo dos resíduos sólidos, com dicas de como separar o lixo em casa, listas de projetos dedicados ao reaproveitamento e à reciclagem, acesso ao banco de cooperativas e empresas que recebem materiais recicláveis em várias cidades brasileiras, e um simpático passo-a-passo para práticas como a compostagem e a produção de papel reciclado artesanal, entre outras informações.
O acervo da Recicloteca inclui também livros, vídeos, revistas, teses e periódicos científicos, cartilhas e documentos produzidos pela sua própria equipe, todos disponíveis para consulta, além de um precioso cadastro de profissionais dedicados à temática do lixo. As atividades da instituição são complementadas ainda por oficinas e cursos, em áreas como artesanato de papel marchê e educação ambiental, e pela curadoria do Espaço Reciclarte, com a exposição permanente de objetos, roupas e acessórios que foram criados dentro da filosofia dos “3Rs”: reduzir, reutilizar e reciclar.
E, como se sabe, o “R” de redução tem prioridade hoje. Por isso, a Recicloteca tem se dedicado também à área do consumo responsável, com informações de práticas que permitem reduzir o uso de novos produtos e, consequentemente, também o volume de lixo. O ciclo anual de palestras oferecido pela instituição ajuda ainda a quem quer ficar por dentro de várias iniciativas para evitar excessos: profissionais de design, arquitetura e urbanismo e ambientalistas mostram que é possível conciliar criatividade, redução de impactos ambientais e qualidade de vida em nossas cidades.
Mas a reciclagem, carro-chefe da Recicloteca, gerou também importantes frutos: como o Programa Reciclagem Solidária, criado em 2002, que apoia a organização de catadores de materiais recicláveis em cooperativas, auxiliando a gestão do negócio e fornecendo o maquinário básico para início das atividades, em regime de comodato. Presente, hoje, nos estados de Amazonas, Ceará, Pernambuco e Paraná, o programa vem acumulando bons números. “Observamos um aumento do volume assim como da variedade de materiais coletados pelas cooperativas que participam do programa”, explica Cristina Borges, coordenadora do projeto.
Como as boas práticas, em geral, estão ao alcance de todos, e muitas começam em casa, a Recicloteca busca ainda parcerias com outras instituições para montar cursos como o Cozinha Brasil, ministrado pelo SESI - Serviço Social da Indústria, que ensina à população como aproveitar todas as partes dos alimentos, em pratos diários saborosos, nutritivos e de baixo custo. “Sessenta por cento do lixo no Brasil vem de resíduos orgânicos, evitar desperdícios ao cozinhar é fundamental”, informa Carol Oliveira, consultora ambiental da Recicloteca. Portanto, da próxima vez que se aventurar pela cozinha, lembre-se que caules, talos, cascas, folhas e sementes podem ter um destino muito mais nobre.