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Princípios do Equador completam 5 anos
60 bancos signatários dos Princípios do Equador comemoram os 5 anos da iniciativa e pensam em melhorias para o futuro. De Washington, Cristiane Ronza, especialista em risco socioambiental do Banco Real, contou sobre o evento em teleconferência
Por Thays Prado
Planeta Sustentável ¿ 12/05/2008
Durante a semana passada, os sessenta bancos signatários dos Princípios do Equador estiveram reunidos em Washington para comemorar cinco anos do acordo que condiciona a concessão de créditos - a projetos de países emergentes com valor acima de US$10 milhões - à análise dos riscos sociais e ambientais do empreendimento.
Em 2003, 10 instituições financeiras - ABN Amro, Barclays, Citigroup, Crédit Lyonnais, Crédit Suisse, HypoVereinsbank (HVB), Rabobank, Royal Bank of Scotland, WestLB e Westpac - criaram a ferramenta, voluntária, para verificar se os projetos que requeriam financiamento cumpriam as exigências de sustentabilidade, de acordo com critérios estabelecidos pelo IFC - International Finance Corporation, braço financeiro do Banco Mundial.
Esses critérios prevêem especificações para cada categoria de projetos no que se refere aos cuidados com as populações atingidas pelas construções; à observação das condições de trabalho, dos níveis de poluição e das emissões de gases de efeito estufa; à realização de consultas públicas para verificação da viabilidade do projeto, entre outros.
A partir da análise, os projetos são classificados de acordo com o risco social e ambiental que apresentam: A - alto risco, B - médio risco e C - baixo risco. Para as categorias A e B, os bancos elaboram um relatório sugerindo mudanças no projeto, de maneira a adequá-los às exigências internacionais.
"Inicialmente, não se esperava que a adesão à idéia passasse de 30 instituições", conta Cristiane Ronza, especialista em risco socioambiental do Banco Real. No entanto, cinco anos depois, os sessenta signatários atuais estão espalhados por todos os continentes. Em 2007, segundo o Infrastructure Journal, 71% do montante destinado a projetos em países emergentes foram liberados sob as condições dos Princípios do Equador, o que corresponde a US$52,9 bilhões.
A especialista explica o sucesso das adesões pela segurança dada aos bancos ao financiar projetos que realizam gestão de riscos e têm práticas sustentáveis. "Quando a instituição é uma boa gestora ambiental, normalmente, isso se reflete na gestão financeira".
Cristiane também afirma que a política de análise de riscos socioambientais começa a se expandir para concessão de créditos corporativos e outros produtos financeiros. "Além de garantir sua saúde financeira, os bancos têm reconhecido seu papel de investir na promoção de empreendimentos responsáveis. Sem dúvida, é algo positivo para a imagem do banco, mas a iniciativa vai além disso", comenta.
Para os clientes do banco que adota esses princípios, a sensação é de que sua instituição financeira trabalha com transparência e administra seus recursos de maneira responsável. "Eles sabem que o dinheiro colocado naquele banco está sendo bem investido e ainda contribui para o desenvolvimento sustentável", explica Cristiane.
Em cada banco, a responsabilidade de verificar os riscos sociais e ambientais fica por conta de um grupo heterogêneo que, normalmente, conta com profissionais com formação em meio ambiente e que tenham obtido treinamento em financiamento de projetos por universidades locais ou pelo próprio Banco Mundial. O IFC também possui uma comunidade de treinamento para orientar os signatários sobre os padrões de desempenho social e ambiental.
Segundo Cristiane Ronza, os bancos não costumam perder clientes por conta das exigências, mas alguns projetos podem não ser financiados por não conseguirem se ajustar ao mínimo exigido.
No Brasil, há quatro bancos que fazem parte dos Princípios do Equador:
- Banco do Brasil,
- Itaú,
- Bradesco e
- Unibanco.
O Banco Real ainda está ligado ao holandês ABN Amro, apesar de sua aquisição pelo Santander estar em andamento. Apenas quando o Banco Central Holandês aprovar a operação, haverá autorização de diálogo entre os dois. De qualquer maneira, o Banco Real continua a adotar os critérios para liberação de financiamentos e deve passar a compor a lista como mais um signatário, independente do ABN Amro.
O ENCONTRO DE WASHINGTON
Além da reunião anual de praxe entre os signatários dos Princípios do Equador, o encontro em Washington promoveu treinamento dos novos membros. O momento também serviu para o compartilhamento de boas práticas desenvolvidas nesses cinco anos, por meio da apresentação de cases e discussão de dilemas e preocupações quanto a projetos que não se adequam aos padrões exigidos.
A avaliação da trajetória dos Princípios do Equador, até então, foi positiva. Uma das evidências de evolução na utilização dos princípios é que, atualmente, os bancos têm mais condições de engajar seus clientes a solucionar o que não está em concordância com os critérios socioambientais, financiando também os ajustes necessários nos empreendimentos.
Durante o encontro, as questões administrativas foram um dos focos de discussão. Atualmente, dez bancos formam um comitê, com apoio do IFC, para cuidar de assuntos ligados à administração do grupo, e os serviços de secretariado são feitos por um banco japonês. A partir de agora, uma empresa especializada vai centralizar essas responsabilidades de relação e diálogo com os bancos, envio de informes, atualização quanto às novidades e prazos a serem cumpridos, além de oferecer treinamentos. Os documentos com todas as determinações do IFC também devem se tornar mais claros para facilitar a interpretação dos bancos e deve ser criado um mecanismo de ouvidoria para bancos e clientes.
Ainda ficou resolvido que a dinâmica das adesões continua a ser voluntária, mas, a partir de junho deste ano, será exigido dos signatários reportarem suas ações por meio de um documento de governança, a fim de que haja mais controle sobre a atuação dos membros. Os bancos que não cumprirem os padrões mínimos previstos nos Princípios do Equador, a partir de junho de 2009, serão eliminados da lista. Um dos modelos que serviram de inspiração para elaboração da governança foi o do Pacto Global - em que as empresas também precisam prestar contas do que estão fazendo em relação aos princípios estabelecidos pelo grupo. O processo de readesão ainda está em discussão.
Para o próximo ano, todos os nove parâmetros do IFC serão revistos e se tornarão mais rigorosos. Os critérios sobre controle de poluição - atualmente sob consulta pública - já serão reformulados no próximo mês.
Cristiane Ronza chama a atenção para o clima de compartilhamento de práticas entre os membros dos Princípios do Equador. "Apesar da competição financeira e pela conquista de clientes, não há competição de valores entre os bancos. Nesses grupos, a colaboração acontece de fato".
Durante a semana passada, os sessenta bancos signatários dos
Princípios do Equador estiveram reunidos em Washington para comemorar cinco anos do acordo que condiciona a concessão de créditos - a projetos de países emergentes com valor acima de US$10 milhões - à análise dos riscos sociais e ambientais do empreendimento.
Em 2003, 10 instituições financeiras - ABN Amro, Barclays, Citigroup, Crédit Lyonnais, Crédit Suisse, HypoVereinsbank (HVB), Rabobank, Royal Bank of Scotland, WestLB e Westpac - criaram a ferramenta, voluntária, para verificar se os projetos que requeriam financiamento cumpriam as exigências de sustentabilidade, de acordo com critérios estabelecidos pelo IFC - International Finance Corporation, braço financeiro do Banco Mundial.
Esses critérios prevêem especificações para cada categoria de projetos no que se refere aos cuidados com as populações atingidas pelas construções; à observação das condições de trabalho, dos níveis de poluição e das emissões de gases de efeito estufa; à realização de consultas públicas para verificação da viabilidade do projeto, entre outros.
A partir da análise, os projetos são classificados de acordo com o risco social e ambiental que apresentam: A - alto risco, B - médio risco e C - baixo risco. Para as categorias A e B, os bancos elaboram um relatório sugerindo mudanças no projeto, de maneira a adequá-los às exigências internacionais.
"Inicialmente, não se esperava que a adesão à idéia passasse de 30 instituições", conta Cristiane Ronza, especialista em risco socioambiental do Banco Real. No entanto, cinco anos depois, os sessenta signatários atuais estão espalhados por todos os continentes. Em 2007, segundo o Infrastructure Journal, 71% do montante destinado a projetos em países emergentes foram liberados sob as condições dos Princípios do Equador, o que corresponde a US$52,9 bilhões.
A especialista explica o sucesso das adesões pela segurança dada aos bancos ao financiar projetos que realizam gestão de riscos e têm práticas sustentáveis. "Quando a instituição é uma boa gestora ambiental, normalmente, isso se reflete na gestão financeira".
Cristiane também afirma que a política de análise de riscos socioambientais começa a se expandir para concessão de créditos corporativos e outros produtos financeiros. "Além de garantir sua saúde financeira, os bancos têm reconhecido seu papel de investir na promoção de empreendimentos responsáveis. Sem dúvida, é algo positivo para a imagem do banco, mas a iniciativa vai além disso", comenta.
Para os clientes do banco que adota esses princípios, a sensação é de que sua instituição financeira trabalha com transparência e administra seus recursos de maneira responsável. "Eles sabem que o dinheiro colocado naquele banco está sendo bem investido e ainda contribui para o desenvolvimento sustentável", explica Cristiane.
Em cada banco, a responsabilidade de verificar os riscos sociais e ambientais fica por conta de um grupo heterogêneo que, normalmente, conta com profissionais com formação em meio ambiente e que tenham obtido treinamento em financiamento de projetos por universidades locais ou pelo próprio Banco Mundial. O IFC também possui uma comunidade de treinamento para orientar os signatários sobre os padrões de desempenho social e ambiental.
Segundo Cristiane Ronza, os bancos não costumam perder clientes por conta das exigências, mas alguns projetos podem não ser financiados por não conseguirem se ajustar ao mínimo exigido.
No Brasil, há quatro bancos que fazem parte dos Princípios do Equador:
- Banco do Brasil,
- Itaú,
- Bradesco e
- Unibanco.
O Banco Real ainda está ligado ao holandês ABN Amro, apesar de sua aquisição pelo Santander estar em andamento. Apenas quando o Banco Central Holandês aprovar a operação, haverá autorização de diálogo entre os dois. De qualquer maneira, o Banco Real continua a adotar os critérios para liberação de financiamentos e deve passar a compor a lista como mais um signatário, independente do ABN Amro.
O ENCONTRO DE WASHINGTON
Além da reunião anual de praxe entre os signatários dos Princípios do Equador, o encontro em Washington promoveu treinamento dos novos membros. O momento também serviu para o compartilhamento de boas práticas desenvolvidas nesses cinco anos, por meio da apresentação de cases e discussão de dilemas e preocupações quanto a projetos que não se adequam aos padrões exigidos.
A avaliação da trajetória dos Princípios do Equador, até então, foi positiva. Uma das evidências de evolução na utilização dos princípios é que, atualmente, os bancos têm mais condições de engajar seus clientes a solucionar o que não está em concordância com os critérios socioambientais, financiando também os ajustes necessários nos empreendimentos.
Durante o encontro, as questões administrativas foram um dos focos de discussão. Atualmente, dez bancos formam um comitê, com apoio do IFC, para cuidar de assuntos ligados à administração do grupo, e os serviços de secretariado são feitos por um banco japonês. A partir de agora, uma empresa especializada vai centralizar essas responsabilidades de relação e diálogo com os bancos, envio de informes, atualização quanto às novidades e prazos a serem cumpridos, além de oferecer treinamentos. Os documentos com todas as determinações do IFC também devem se tornar mais claros para facilitar a interpretação dos bancos e deve ser criado um mecanismo de ouvidoria para bancos e clientes.
Ainda ficou resolvido que a dinâmica das adesões continua a ser voluntária, mas, a partir de junho deste ano, será exigido dos signatários reportarem suas ações por meio de um documento de governança, a fim de que haja mais controle sobre a atuação dos membros. Os bancos que não cumprirem os padrões mínimos previstos nos Princípios do Equador, a partir de junho de 2009, serão eliminados da lista. Um dos modelos que serviram de inspiração para elaboração da governança foi o do Pacto Global - em que as empresas também precisam prestar contas do que estão fazendo em relação aos princípios estabelecidos pelo grupo. O processo de readesão ainda está em discussão.
Para o próximo ano, todos os nove parâmetros do IFC serão revistos e se tornarão mais rigorosos. Os critérios sobre controle de poluição - atualmente sob consulta pública - já serão reformulados no próximo mês.
Cristiane Ronza chama a atenção para o clima de compartilhamento de práticas entre os membros dos Princípios do Equador. "Apesar da competição financeira e pela conquista de clientes, não há competição de valores entre os bancos. Nesses grupos, a colaboração acontece de fato".