Parte do projeto "Mudando o curso do uso doméstico de energia: ações para a promoção do mercado de coletores solares e de políticas públicas pela energia sustentável" do Instituto Vitae Civilis - Desenvolvimento, Meio Ambiente e Paz, o livro Um Banho de Sol para o Brasil: O que os aquecedores solares podem fazer pelo meio ambiente e a sociedade apresenta as vantagens ambientais e as barreiras encontradas no mercado brasileiro às tecnologias de aquecimento solar de água, mostrando estratégias para superar esses problemas. A publicação é resultado de extensas pesquisas dos autores, os físicos Délcio Rodrigues, pesquisador associado ao Viatae Civilie, e Roberto Matajs, mestre em energia solar, junto a atores envolvidos com o setor, como fabricantes, financiadores, pesquisadores, reguladores, entre outros.
O mote do trabalho é mostrar, em linguagem acessível, que a tecnologia termo-solar é uma alternativa factível e competitiva para substituir parte da eletricidade usada no aquecimento de água tanto em residências, quanto em locais comerciais e industriais, diminuindo a preocupação ambiental em relação à geração de energia elétrica. Serve para técnicos, engenheiros e arquitetos e, também, para quem gostaria de instalar aquecedores em sua propriedade e gostaria de entender melhor como essa tecnologia funciona.
Segundo os autores, cada instalação de aquecedores solares, utilizada para substituir hidroeletricidade, energia nuclear ou combustíveis fósseis, reduz para sempre o dano ambiental associado a essas fontes convencionais de energia, pois não produz emissões de gases tóxicos, que contribuem para a poluição urbana, e não deixa lixo radiativo como uma herança perigosa para as gerações futuras. Os aquecedores solares também não afetam o clima global, por não emitirem gases de efeito estufa para a atmosfera. Embora ainda tenham um custo inicial considerado alto, esse gasto é amortizado em poucos anos com a economia em energia elétrica.
País com uma média anual de 280 dias de sol, o Brasil tem potencial para obter retornos relativamente rápidos e garantidos para os consumidores de aquecedores de água solares. Conforme a publicação, a energia solar que incide no País em um ano é de 15 trilhões de megawatt/hora (MWh), o que corresponde a 50 mil vezes o consumo nacional de energia elétrica registrado em 1999. No entanto, a área instalada de coletores é bem menor do que os valores estimados para o potencial de mercado brasileiro. Em 2002, a área total instalada era de 2,1 milhões de metros quadrados (m2) e, para suprir a demanda potencial por aquecedores solares, a produção brasileira teria de crescer significativamente. Para se ter idéia desse potencial, basta notar que em Israel, por exemplo, existem 67,1 m2 de coletores para cada 100 habitantes, na Alemanha (país com muito menos dias de sol), existem 5,1 m2/hab, enquanto no Brasil esse número é de 1,2 m2/hab.
Entre as barreiras para essa tecnologia no Brasil, os autores relacionam o alto custo inicial de instalação dos aquecedores solares; a prevalência do uso de chuveiros elétricos; códigos de obras municipais pouco amigáveis ao termo-solar; dificuldades para obtenção de financiamento para a instalação de coletores solares; a impossibilidade do uso do quilowatt evitado como ferramenta de planejamento e gestão no modelo do setor elétrico; a falta de cultura tecnológica e dificuldades inerentes à tecnologia. O trabalho, porém, enumera alternativas para enfrentar essas dificuldades e oportunidades, como a geração de certificados de redução de carbono, para incentivar a tecnologia termo-solar.
Algumas das sugestões apresentadas, como a alteração nos códigos de obras municipais que obriguem a instalação ou a pré-instalação de sistemas termo-solares em novas construções e reformas de porte ou incentivos fiscais, podem virar realidade em várias cidades brasileiras, onde há projetos referentes ao assunto em tramitação, como em Porto Alegre, Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Campinas, entre outras.