O que pode um garoto de 14 anos fazer para salvar o planeta? Nada! Muito melhor seria o tempo passar rapidinho, seria fazer logo os seus dezoito anos e se mandar. Se mandar de casa, se mandar do Brasil e se mandar dessa praga que é a adolescência. Desaparecer! Pelo menos, é isso o que imagina Rafael...
Quem é ele?
Mais um entre muitos!
Rafael é apenas mais um estudante, de mais uma das muitas 8ªs séries, em mais uma escola pública, localizada em mais uma das muitas cidades brasileiras. Seu sonho, portanto, é também igual ao dos outros: se livrar de tudo isso. Ele quer ir para a França, ser voluntário em uma ONG, defender o ambiente, a vida animal, ser livre! - livre como seu tio Amaral, um biólogo que realizou esse seu sonho e tornou-se ambientalista.
Mas será que a adolescência é uma praga mesmo? Será que Rafael está avaliando bem o momento em que vive? Será que conhecer e apaixonar-se por Carina não compensa os altos e baixos da adolescência? E quanto a não ser capaz de fazer nada, será que esse pensamento também não faz parte do pessimismo da adolescência?
"Oh vida! Oh azar! Oh adolescência!" De capítulo em capítulo desse período mentalmente turbulento de sua vida, Rafael vai descobrindo a dor e a delícia de ser adolescente. Descobre as mazelas e as desgraças ambientais. Descobre o amor.
Primeiro é aquela notícia assombrosa do derramamento de petróleo na Espanha, com as cenas chocantes na TV que mostra as aves arinhas agonizantes. Depois, é seu vizinho que tira o catalisador do carro e acha isso "muito normal". Aí veio o pior de tudo: a nuvem de gás tóxico que escapou da multinacional instalada em sua cidade e causou um alvoroço geral - na escola em que estuda e nas ruas de seu bairro. Aliás, foi um tumulto enorme, na cidade inteira, porque onze bairros afetados não é pouca coisa, não!
Reação imediata de Rafael: "Tem que fechar essa fábrica!" Depois, mais pé no chão, ouvindo os conselhos de seu tio Amaral e da doce Carina, começa a pensar diferente. Carina é o segundo peso na balança explosiva de Rafael. De um lado está o tio do garoto. Embora em outro país, Amaral se comunica direto com o sobrinho por e-mail e telefone. Agora, do lado de cá, bem pertinho, está Carina, a doce e meiga Carina, que precisa ajudar a mãe em casa e sabe como é difícil viver com pouco, com dificuldade.
Passo-a-passo, Rafael percebe, então, que a questão não é só radicalizar: lutar pelo fechamento da fábrica? Tirar o emprego de tanta gente, entre as quais está o do pai do Gustavo, seu melhor amigo?
Com o tempo, o garoto começa a ter mais esperança. Une-se a outras pessoas, inicia sua participação em uma ONG local, descobre a idéia de sustentabilidade - que não conhecia -, decide estudar engenharia ambiental quando terminar o colegial e, mais importante de tudo, começa a acreditar que aqui é o seu lugar. Mais um entre tantos adolescentes brasileiros, Rafael entende o mais simples e importante conselho dado por seu tio ao longo de toda essa história. Finalmente, consegue olhar à sua volta e descobre que há muito o que fazer (além de namorar Carina, é claro!).