Viajando pelo Brasil como presidente-executivo do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds), Fernando Almeida deparou, em Goiás, com uma grande extensão de terra sobre a qual não via uma única árvore contra o pôr-do-sol no horizonte. No lugar da exuberante e retorcida vegetação do Cerrado, uma colheitadeira em frenético movimento. Segundo o autor, foi essa imagem sua principal motivação para escrever "Os desafios da sustentabilidade- uma ruptura urgente".
Em suas andanças, Almeida colecionou exemplos e estudos de caso em que ações integradas foram capazes de transformar a vida de comunidades inteiras, sem - com isso - desrespeitar a capacidade de suporte do ambiente. Vale a pena conhecê-las. Histórias de um "mundo tripolar", em que o governo, a sociedade civil e as empresas se unem na formulação de políticas, na proposição de soluções e no desenvolvimento de ações sustentáveis. Comunidades, cidades, municípios, empresas nacionais e transnacionais que se beneficiam da implementação da nova mentalidade.
Entre as empresas, aparecem a Ambev, que economizou com uma gestão mais ecológica da água; a Alcoa, que se antecipou aos críticos na gestão dos riscos da exploração de bauxita no Pará e a British Petroleum, que virou somente BP e adotou o slogan "beyond petroleum". O autor não incita os homens de negócios a mudar de atitude somente porque isso é necessário para a saúde do planeta, mas também porque é lucrativo - em médio e longo prazos - investir na sustentabilidade.
O ponto de partida do livro é a Avaliação Ecossistêmica do Milênio (AEM), encomendada, em 2000, pelo então secretário da Organização das Nações Unidas (ONU), Koffi Annan, a uma comissão de experts. Os dados e as informações contidas no documento "Nós, os povos: o papel das Nações Unidas no século XXI" foram levantados e analisados por nada menos que 1360 especialistas de 95 países, e revisados por outros 800 deles. Do relatório, emergem o que Almeida chama de "razões da urgência": dos 24 serviços ambientais prestados pelos diversos ecossistemas do planeta, 15 já se encontram em processo acelerado de degradação.
São serviços que não podem ser substituídos, tampouco têm dono, e a ausência de direito de propriedade impede a atribuição de responsabilidades. Nas palavras do autor, "concentra-se o bônus- a riqueza em parte auferida pelo uso não-sustentável dos serviços ambientais- nas mãos da minoria e distribui-se o ônus - na forma de poluição e quebra da infra-estrutura ambiental- para a maioria ou, pior, para as futuras gerações." Assim, Almeida faz uma análise aguda e ampla dos desafios que o ambiente coloca à nossa frente. A lista é extensa e a redução dos níveis de emissão de gases estufa - a que o último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima impele todas as nações do mundo - representa apenas o mais conhecido. Ao menos tão importante é o combate à desigualdade de renda que, muitas vezes, induz comunidades à superexploração de recursos naturais por uma simples questão de sobrevivência.