ENTREVISTA
Em defesa do etanol
O sucesso do combustível brasileiro depende do fim de alguns mitos a seu respeito, diz lobista contratado para cuidar da imagem do produto no exterior
Por Fabiane Stefano
Revista Exame - 10/10/2007
[img01] Ex-assessor do ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, o consultor americano Joel Velasco foi contratado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar para promover o etanol brasileiro no exterior. Além de combater as barreiras comerciais contra o produto, sua missão envolve melhorar a imagem do combustível brasileiro no exterior.
O Brasil não está se empenhando o suficiente para defender o etanol no mundo?
No diálogo entre Brasil e Estados Unidos, não há uma questão mais importante hoje do que combustível alternativo. Podemos fazer mais? Claro. Meu trabalho é melhorar a imagem do combustível brasileiro no mundo.
Quais os principais problemas de imagem do etanol?
Há uma série de mitos a respeito do produto. Os problemas do milho acabam afetando a percepção de todo o etanol. Apesar de a molécula final que se mistura na bomba de combustível ser igual, o etanol de milho é bem diferente do de cana, que tem custos e impacto ambiental bem menores. Uma das minhas principais missões é esclarecer essa diferença.
As ONGs passaram a acusar o etanol de roubar espaço dos alimentos no campo e dizem que os usineiros querem avançar a área de plantio de cana na floresta Amazônica. Como lidar com essas críticas?
Algumas ONGs são pragmáticas o suficiente para ver as vantagens do etanol. Além disso, a expansão de cana foi bancada pelo aumento de produtividade e pelo uso de áreas de pecuária. E o etanol de cana reduz a emissão de gases estufa em mais de 80%.
A má imagem dos usineiros brasileiros atrapalha a aceitação do etanol brasileiro no exterior?
Há 20 anos, talvez os usineiros fossem vistos como atrasados. Mas agora o Brasil tem o dream team da agricultura, com terras disponíveis, clima favorável e inovação tecnológica.
É possível avançar na questão da queda de barreiras nos Estados Unidos à venda do etanol brasileiro?
A maioria dos americanos não sabe quanto o governo é protecionista. Grande parte dos subsídios nunca chega em forma de benefícios à mão do fazendeiro de Iowa, por exemplo. Eles vão para as grandes refinarias de petróleo, que misturam o etanol à gasolina. É preciso mostrar que os subsídios não estão ajudando os consumidores e os pequenos produtores.
Quem é mais resistente: o governo americano ou a iniciativa privada?
Creio que temos mais aliados no Executivo do que no Legislativo, mas nosso foco é trabalhar com os dois. A mesma coisa serve para o setor privado. O posto de gasolina quer vender o combustível mais barato, que lhe permita maior margem, pouco importa se o produto vem do Iowa ou do Brasil.
Os produtores americanos estão investindo muito em novas usinas e acabam encarando o Brasil como concorrente. Como transformá-los em aliados?
Nosso objetivo é completar a demanda com um produto melhor, a um preço mais acessível. Temos de estar prontos para, por exemplo, uma quebra de safra no milho e a falta do etanol do grão nos Estados Unidos. É nessas horas que o Brasil, então, poderá complementar o mercado americano.
[img01] Ex-assessor do ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, o consultor americano Joel Velasco foi contratado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar para promover o etanol brasileiro no exterior. Além de combater as barreiras comerciais contra o produto, sua missão envolve melhorar a imagem do combustível brasileiro no exterior.
O Brasil não está se empenhando o suficiente para defender o etanol no mundo?
No diálogo entre Brasil e Estados Unidos, não há uma questão mais importante hoje do que combustível alternativo. Podemos fazer mais? Claro. Meu trabalho é melhorar a imagem do combustível brasileiro no mundo.
Quais os principais problemas de imagem do etanol?
Há uma série de mitos a respeito do produto. Os problemas do milho acabam afetando a percepção de todo o etanol. Apesar de a molécula final que se mistura na bomba de combustível ser igual, o etanol de milho é bem diferente do de cana, que tem custos e impacto ambiental bem menores. Uma das minhas principais missões é esclarecer essa diferença.
As ONGs passaram a acusar o etanol de roubar espaço dos alimentos no campo e dizem que os usineiros querem avançar a área de plantio de cana na floresta Amazônica. Como lidar com essas críticas?
Algumas ONGs são pragmáticas o suficiente para ver as vantagens do etanol. Além disso, a expansão de cana foi bancada pelo aumento de produtividade e pelo uso de áreas de pecuária. E o etanol de cana reduz a emissão de gases estufa em mais de 80%.
A má imagem dos usineiros brasileiros atrapalha a aceitação do etanol brasileiro no exterior?
Há 20 anos, talvez os usineiros fossem vistos como atrasados. Mas agora o Brasil tem o dream team da agricultura, com terras disponíveis, clima favorável e inovação tecnológica.
É possível avançar na questão da queda de barreiras nos Estados Unidos à venda do etanol brasileiro?
A maioria dos americanos não sabe quanto o governo é protecionista. Grande parte dos subsídios nunca chega em forma de benefícios à mão do fazendeiro de Iowa, por exemplo. Eles vão para as grandes refinarias de petróleo, que misturam o etanol à gasolina. É preciso mostrar que os subsídios não estão ajudando os consumidores e os pequenos produtores.
Quem é mais resistente: o governo americano ou a iniciativa privada?
Creio que temos mais aliados no Executivo do que no Legislativo, mas nosso foco é trabalhar com os dois. A mesma coisa serve para o setor privado. O posto de gasolina quer vender o combustível mais barato, que lhe permita maior margem, pouco importa se o produto vem do Iowa ou do Brasil.
Os produtores americanos estão investindo muito em novas usinas e acabam encarando o Brasil como concorrente. Como transformá-los em aliados?
Nosso objetivo é completar a demanda com um produto melhor, a um preço mais acessível. Temos de estar prontos para, por exemplo, uma quebra de safra no milho e a falta do etanol do grão nos Estados Unidos. É nessas horas que o Brasil, então, poderá complementar o mercado americano.