educador nota 10
Redação enxuta
Para apresentar um trabalho campeão, conte de forma objetiva o que mais importa: o que e como os alunos aprenderam
Por Anderson Moço
Revista Nova Escola - 05/2008
Professores que desenvolveram e concluíram bons projetos entre 2007 e junho de 2008, nas mais diversas disciplinas, devem se preparar para descrevê-los e enviá-los aos selecionadores, que iniciarão no final de julho a leitura dos trabalhos. Da mesma forma, cabe a diretores e coordenadores pedagógicos rever as iniciativas institucionais de sua escola e fazer o balanço dos resultados para apresentá-los na categoria especial criada no ano passado.
[img01] Muitos participantes de edições anteriores já confessaram que a parte mais difícil – depois, claro, de decidir concorrer – é fazer a redação. Elaborar um texto claro, conciso e ao mesmo tempo completo pode ser um desafio e tanto para alguns. “Passei noites procurando as melhores palavras, o jeito mais eficiente de explicar o que os alunos aprenderam e uma forma de resumir tudo o que aconteceu durante o processo de ensino e aprendizagem”, conta a professora de Matemática Vânia Horner de Almeida, de Vila Rica, a 1200 quilômetros de Cuiabá, Educadora Nota 10 em 2007.
Vencer o obstáculo da página (ou tela) em branco não é nada fácil, e algumas orientações vão ajudar você a mostrar aos selecionadores a qualidade do que realizou em sala de aula. Uma regra geral, que vale para qualquer relato, é: quanto mais objetivo for o texto, maiores as chances de ele ficar coeso e fácil de entender. Para facilitar a ordem de apresentação, leia atentamente o regulamento, que está na página 101, e o passo-a-passo a seguir.
1. Justificativa
“Essa foi a parte mais difícil de redigir. Eu tinha certeza de que os avaliadores achavam esse ponto crucial”, conta Iranez Ponsoni Martins, professora de Língua Portuguesa de Nova Prata, a 170 quilômetros de Porto Alegre. A Educadora Nota 10 tem razão. Ao pensar na justificativa, não se esqueça de listar os motivos que levaram à realização do projeto, sempre do ponto de vista da aprendizagem dos alunos, e justificar a importância dos conteúdos abordados.
2. Objetivos
O que está em jogo aqui são as necessidades de aprendizagem da turma. E disso só se tem certeza quando se investiga o que os estudantes sabem – e também o que não sabem – sobre os conteúdos em questão. É o espaço exato para descrever os resultados da avaliação diagnóstica. Afinal, foram essas informações que levaram você a decidir que intervenções deveriam ser realizadas, certo? Aqui cabe também contar sobre obstáculos que tiveram de ser superados e argumentar sobre a importância das atividades desenvolvidas. Nessa fase, a professora gaúcha Iranez apoiou-se em muita pesquisa, o que a ajudou a embasar o texto. “Li vários livros teóricos que me deram uma visão geral sobre a importância dos conteúdos. Muitas vezes a gente quer escrever os motivos que tornaram a iniciativa relevante, mas falta uma estrutura que auxilie a colocar as idéias no papel”, explica. Com isso pronto, vem a parte que parece fácil, mas na qual muitos se enrolam.
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3. Conteúdos
Segundo Regina Scarpa, consultora pedagógica da Fundação Victor Civita e coordenadora do prêmio, um dos maiores equívocos encontrados nas inscrições é a tentativa de ser abrangente demais. “Muitos concorrentes se preocupam em inserir dezenas de conteúdos das mais diversas áreas de conhecimento e, evidentemente, depois não conseguem explicá-los. O ideal é definir um foco e esmiuçá-lo bem, valorizando principalmente o avanço dos estudantes”. Afinal, um trabalho pedagógico só pode ser considerado bom quando faz com que a turma aprenda e se aprofunde nos conhecimentos escolares.
4. Metodologia
Vânia Almeida precisou se policiar para não esquecer detalhes ao contar sobre como o trabalho foi desenvolvido. A vantagem é que ela havia registrado, num diário de classe, cada passo das intervenções realizadas e a interação dos estudantes com as propostas de sala de aula. Na hora de escrever, tinha material de sobra para reconstituir o trabalho.
5. Avaliação
Esse tópico é mais abrangente do que parece. Analise todo o processo de aprendizagem dos alunos durante o projeto, mostrando o que eles aprenderam e descrevendo os instrumentos utilizados para avaliar. É nesse ponto que deve constar a análise do processo pedagógico, que envolve não só a constatação do que deu certo, mas também do que precisaria ser modificado ou aprofundado caso o projeto fosse realizado novamente. “Aqui é fundamental entrar um pouco de autocrítica e de autoavaliação”, conclui Regina
Scarpa.
CATEGORIA ESCOLA
Desde o ano passado, o Prêmio Victor Civita Educador Nota 10 conta com uma modalidade especial que pretende valorizar as escolas públicas que desenvolveram projetos para a melhoria da qualidade do ensino. O prêmio tem valor de 20 mil reais e será dividido entre a instituição e o responsável pela inscrição. Para participar dessa modalidade, preste atenção a alguns detalhes do regulamento:
- A inscrição deve ser feita obrigatoriamente em nome do diretor ou do coordenador pedagógico.
- Explicite em Objetivos os avanços pretendidos. Lembre-se sempre de que, para os selecionadores, o mais importante é quanto os estudantes aprenderam e avançaram na aprendizagem.
- Destaque nesse mesmo espaço o papel de todos os envolvidos (professores, coordenadores, diretores, pais, organizações não-governamentais) e o contexto em que a escola está inserida (histórico da instituição e perfil da comunidade).
- Especifique os conteúdos curriculares trabalhados.
- Detalhe os recursos de ensino utilizados e como as ações se articularam no item Metodologia.
- Guarde os trabalhos realizados pelos alunos. Caso a iniciativa seja escolhida, você terá material para comprovar o êxito alcançado. Mas, atenção: não mande esses documentos junto com a inscrição. Aguarde os selecionadores entrarem em contato.
INSCRIÇÕES
O prazo final para enviar o projeto para o Prêmio Victor Civita Educador Nota 10 foi prorrogado em uma semana. Os interessados em participar têm até 13 de julho para mandar o relato (o início do recebimento continua sendo no dia 11 de junho). Com um pouco mais de tempo para escrever, aproveite para ler mais uma vez o texto e revisá-lo com atenção, pedir a opinião de colegas sobre a clareza e a coesão e, por que não?, aceitar sugestões para aprimorá-lo. Se possível, mostre o que escreveu à coordenadora pedagógica da escola. Ela pode auxiliar no detalhamento das ações realizadas, nas justificativas e no embasamento teórico, lembrando etapas do desenvolvimento.
Professores que desenvolveram e concluíram bons projetos entre 2007 e junho de 2008, nas mais diversas disciplinas, devem se preparar para descrevê-los e enviá-los aos selecionadores, que iniciarão no final de julho a leitura dos trabalhos. Da mesma forma, cabe a diretores e coordenadores pedagógicos rever as iniciativas institucionais de sua escola e fazer o balanço dos resultados para apresentá-los na categoria especial criada no ano passado.
[img01] Muitos participantes de edições anteriores já confessaram que a parte mais difícil – depois, claro, de decidir concorrer – é fazer a redação. Elaborar um texto claro, conciso e ao mesmo tempo completo pode ser um desafio e tanto para alguns. “Passei noites procurando as melhores palavras, o jeito mais eficiente de explicar o que os alunos aprenderam e uma forma de resumir tudo o que aconteceu durante o processo de ensino e aprendizagem”, conta a professora de Matemática Vânia Horner de Almeida, de Vila Rica, a 1200 quilômetros de Cuiabá, Educadora Nota 10 em 2007.
Vencer o obstáculo da página (ou tela) em branco não é nada fácil, e algumas orientações vão ajudar você a mostrar aos selecionadores a qualidade do que realizou em sala de aula. Uma regra geral, que vale para qualquer relato, é: quanto mais objetivo for o texto, maiores as chances de ele ficar coeso e fácil de entender. Para facilitar a ordem de apresentação, leia atentamente o regulamento, que está na página 101, e o passo-a-passo a seguir.
1. Justificativa
“Essa foi a parte mais difícil de redigir. Eu tinha certeza de que os avaliadores achavam esse ponto crucial”, conta Iranez Ponsoni Martins, professora de Língua Portuguesa de Nova Prata, a 170 quilômetros de Porto Alegre. A Educadora Nota 10 tem razão. Ao pensar na justificativa, não se esqueça de listar os motivos que levaram à realização do projeto, sempre do ponto de vista da aprendizagem dos alunos, e justificar a importância dos conteúdos abordados.
2. Objetivos
O que está em jogo aqui são as necessidades de aprendizagem da turma. E disso só se tem certeza quando se investiga o que os estudantes sabem – e também o que não sabem – sobre os conteúdos em questão. É o espaço exato para descrever os resultados da avaliação diagnóstica. Afinal, foram essas informações que levaram você a decidir que intervenções deveriam ser realizadas, certo? Aqui cabe também contar sobre obstáculos que tiveram de ser superados e argumentar sobre a importância das atividades desenvolvidas. Nessa fase, a professora gaúcha Iranez apoiou-se em muita pesquisa, o que a ajudou a embasar o texto. “Li vários livros teóricos que me deram uma visão geral sobre a importância dos conteúdos. Muitas vezes a gente quer escrever os motivos que tornaram a iniciativa relevante, mas falta uma estrutura que auxilie a colocar as idéias no papel”, explica. Com isso pronto, vem a parte que parece fácil, mas na qual muitos se enrolam.
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3. Conteúdos
Segundo Regina Scarpa, consultora pedagógica da Fundação Victor Civita e coordenadora do prêmio, um dos maiores equívocos encontrados nas inscrições é a tentativa de ser abrangente demais. “Muitos concorrentes se preocupam em inserir dezenas de conteúdos das mais diversas áreas de conhecimento e, evidentemente, depois não conseguem explicá-los. O ideal é definir um foco e esmiuçá-lo bem, valorizando principalmente o avanço dos estudantes”. Afinal, um trabalho pedagógico só pode ser considerado bom quando faz com que a turma aprenda e se aprofunde nos conhecimentos escolares.
4. Metodologia
Vânia Almeida precisou se policiar para não esquecer detalhes ao contar sobre como o trabalho foi desenvolvido. A vantagem é que ela havia registrado, num diário de classe, cada passo das intervenções realizadas e a interação dos estudantes com as propostas de sala de aula. Na hora de escrever, tinha material de sobra para reconstituir o trabalho.
5. Avaliação
Esse tópico é mais abrangente do que parece. Analise todo o processo de aprendizagem dos alunos durante o projeto, mostrando o que eles aprenderam e descrevendo os instrumentos utilizados para avaliar. É nesse ponto que deve constar a análise do processo pedagógico, que envolve não só a constatação do que deu certo, mas também do que precisaria ser modificado ou aprofundado caso o projeto fosse realizado novamente. “Aqui é fundamental entrar um pouco de autocrítica e de autoavaliação”, conclui Regina
Scarpa.
CATEGORIA ESCOLA
Desde o ano passado, o Prêmio Victor Civita Educador Nota 10 conta com uma modalidade especial que pretende valorizar as escolas públicas que desenvolveram projetos para a melhoria da qualidade do ensino. O prêmio tem valor de 20 mil reais e será dividido entre a instituição e o responsável pela inscrição. Para participar dessa modalidade, preste atenção a alguns detalhes do regulamento:
- A inscrição deve ser feita obrigatoriamente em nome do diretor ou do coordenador pedagógico.
- Explicite em Objetivos os avanços pretendidos. Lembre-se sempre de que, para os selecionadores, o mais importante é quanto os estudantes aprenderam e avançaram na aprendizagem.
- Destaque nesse mesmo espaço o papel de todos os envolvidos (professores, coordenadores, diretores, pais, organizações não-governamentais) e o contexto em que a escola está inserida (histórico da instituição e perfil da comunidade).
- Especifique os conteúdos curriculares trabalhados.
- Detalhe os recursos de ensino utilizados e como as ações se articularam no item Metodologia.
- Guarde os trabalhos realizados pelos alunos. Caso a iniciativa seja escolhida, você terá material para comprovar o êxito alcançado. Mas, atenção: não mande esses documentos junto com a inscrição. Aguarde os selecionadores entrarem em contato.
INSCRIÇÕES
O prazo final para enviar o projeto para o Prêmio Victor Civita Educador Nota 10 foi prorrogado em uma semana. Os interessados em participar têm até 13 de julho para mandar o relato (o início do recebimento continua sendo no dia 11 de junho). Com um pouco mais de tempo para escrever, aproveite para ler mais uma vez o texto e revisá-lo com atenção, pedir a opinião de colegas sobre a clareza e a coesão e, por que não?, aceitar sugestões para aprimorá-lo. Se possível, mostre o que escreveu à coordenadora pedagógica da escola. Ela pode auxiliar no detalhamento das ações realizadas, nas justificativas e no embasamento teórico, lembrando etapas do desenvolvimento.