Tendências
Um plano B para o fim do aquecimento global
Em dezembro, o mundo vai discutir se a vida na Terra continuará nos próximos séculos. Isso mesmo: representantes de 192 países definirão metas e estratégias para reduzir o nível global de gás carbônico, durante a 15a Conferência das Partes sobre o Clima (COP 15), na Dinamarca
Talita Abrantes
Revista Info Exame – 11/2009
Com os índices atuais de emissão de CO2, acredita-se que a temperatura terrestre aumente 4°C até 2050. Nesse cenário pessimista, soluções mirabolantes de geoengenharia (veja quadro abaixo) podem ser alternativas para esfriar o planeta. Não é só papo de lunático. A corrente conta com o apoio de centros de renome como a NASA e a Royal Society, principal entidade científica do Reino Unido. “Se não desenvolvermos essas soluções agora, não teremos na hora em que precisarmos”, afirma o astrônomo Roger Angel, professor da Universidade do Arizona.
VEJA QUADRO: Gambiarras para esfriar a Terra
É dele a ideia de colocar milhões de espaçonaves cobertas com material reflexivo entre o Sol e a Terra, formando um guarda-sol de 100 mil quilômetros de comprimento. A estrutura seria capaz de bloquear 1,8% da luz solar, o suficiente para reverter os efeitos do aquecimento global num cenário um pouco pior que o atual. Mas o projeto recebe contestações. Em análise preliminar, a Royal Society alertou que o bloqueio poderia afetar o ciclo hidrológico de certas regiões. Além disso, o processo de lançamento das naves, a um custo estimado em 4 trilhões de dólares, liberaria CO2 e demoraria 25 anos.
Num contexto emergencial, com derretimento avançado das geleiras, por exemplo, seria preciso adotar alternativas viáveis a curto prazo. Propostas como espalhar milhões de toneladas de gás de dióxido de enxofre na estratosfera ou criar nuvens sobre os polos seriam mais indicadas. Além de prováveis impactos ambientais, o problema é que os projetos oferecem soluções paliativas para esfriamento momentâneo.
“Com eles, o conserto é temporário, pois continuamos com o gás carbônico na atmosfera”, diz Naomi Vaughan, pesquisadora da Universidade de East Anglia, na Inglaterra. Para resolver o impasse, é preciso adotar medidas de captura de CO2, como reflorestamento e fertilização dos oceanos profundos, oceanos não foram bem-sucedidos. Em março, um grupo de cientistas despejou seis toneladas de ferro em uma area de 300 quilômetros quadrados do Atlântico Sul — sob protestos de ambientalistas.
Em 15 dias as algas dobraram de volume. E a quantidade de criaturas marinhas que se alimenta do fitoplâncton cresceu. Quase 40 dias depois, os índices de clorofila caíram, o cardume engordou e o sequestro de CO2 foi pífio. Diante dos resultados controversos, a Royal Society divulgou um relatório com argumentos para convencer o governo britânico a investir 10 bilhões de euros anuais em estudos da viabilidade técnica das propostas.
John Shepherd, coordenador da pesquisa, admitiu que os projetos podem trazer sérios efeitos para o ambiente, mas afirmou: “a geoengenharia e suas consequências são o preço que teremos de pagar por falhar na ação sobre as mudanças climáticas”.
Com os índices atuais de emissão de CO2, acredita-se que a temperatura terrestre aumente 4°C até 2050. Nesse cenário pessimista, soluções mirabolantes de geoengenharia (veja quadro abaixo) podem ser alternativas para esfriar o planeta. Não é só papo de lunático. A corrente conta com o apoio de centros de renome como a NASA e a Royal Society, principal entidade científica do Reino Unido. “Se não desenvolvermos essas soluções agora, não teremos na hora em que precisarmos”, afirma o astrônomo Roger Angel, professor da Universidade do Arizona.
VEJA QUADRO: Gambiarras para esfriar a Terra
É dele a ideia de colocar milhões de espaçonaves cobertas com material reflexivo entre o Sol e a Terra, formando um guarda-sol de 100 mil quilômetros de comprimento. A estrutura seria capaz de bloquear 1,8% da luz solar, o suficiente para reverter os efeitos do aquecimento global num cenário um pouco pior que o atual. Mas o projeto recebe contestações. Em análise preliminar, a Royal Society alertou que o bloqueio poderia afetar o ciclo hidrológico de certas regiões. Além disso, o processo de lançamento das naves, a um custo estimado em 4 trilhões de dólares, liberaria CO2 e demoraria 25 anos.
Num contexto emergencial, com derretimento avançado das geleiras, por exemplo, seria preciso adotar alternativas viáveis a curto prazo. Propostas como espalhar milhões de toneladas de gás de dióxido de enxofre na estratosfera ou criar nuvens sobre os polos seriam mais indicadas. Além de prováveis impactos ambientais, o problema é que os projetos oferecem soluções paliativas para esfriamento momentâneo.
“Com eles, o conserto é temporário, pois continuamos com o gás carbônico na atmosfera”, diz Naomi Vaughan, pesquisadora da Universidade de East Anglia, na Inglaterra. Para resolver o impasse, é preciso adotar medidas de captura de CO2, como reflorestamento e fertilização dos oceanos profundos, oceanos não foram bem-sucedidos. Em março, um grupo de cientistas despejou seis toneladas de ferro em uma area de 300 quilômetros quadrados do Atlântico Sul — sob protestos de ambientalistas.
Em 15 dias as algas dobraram de volume. E a quantidade de criaturas marinhas que se alimenta do fitoplâncton cresceu. Quase 40 dias depois, os índices de clorofila caíram, o cardume engordou e o sequestro de CO2 foi pífio. Diante dos resultados controversos, a Royal Society divulgou um relatório com argumentos para convencer o governo britânico a investir 10 bilhões de euros anuais em estudos da viabilidade técnica das propostas.
John Shepherd, coordenador da pesquisa, admitiu que os projetos podem trazer sérios efeitos para o ambiente, mas afirmou: “a geoengenharia e suas consequências são o preço que teremos de pagar por falhar na ação sobre as mudanças climáticas”.