PESQUISA
Pesquisa do Instituto Akatu aponta jovem apático
Levantamento realizado pelo Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, em parceria com a Ipsos - que integra a Pesquisa Global sobre Estilos Sustentáveis de Vida do PNUMA - revela desafio para que o jovem brasileiro incorpore a sustentabilidade nas ações cotidianas
Sucena Shkrada Resk – Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentável – 26/11/2009
A pesquisa Estilos Sustentáveis de Vida – Resultado de uma Pesquisa com Jovens Brasileiros, que integra a iniciativa global do PNUMA - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, realizada, neste ano, em mais 21 países, foi divulgada pelo o Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, que coordenou a pesquisa nacional, com o apoio técnico da Ipsos Public Affair. A análise dos resultados revela um perfil de jovem e adulto que troca o convívio social pela Internet e que necessita de estímulo para a prática de ações sustentáveis, apesar de ter a percepção das mudanças climáticas.
A pesquisa foi realizada no primeiro semestre deste ano, com um total de mil entrevistados, na faixa etária dos 18 aos 35 anos – a juventude está cada vez mais longa! -, de todas as classes econômicas, residentes em nove regiões metropolitanas do país (Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Distrito Federal). Os dados foram comparados à pesquisa Os Jovens e o Consumo Sustentável, coordenada pelo Akatu, em 2001, também incorporada, à época a um projeto do PNUMA e da UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.
No universo de entrevistados, 71% trabalhavam e 59% responderam que mantinham como principal gasto familiar alimentação e bebidas, e 32%, com relação a aluguel, energia e água. No quesito escolaridade, quase 50% cursaram até o ensino médio, seguidos por 27%, com ensino fundamental.
Entre as diferentes questões abordadas no tópico – interesses - da pesquisa, pode se destacar, por exemplo, que em apenas três itens (assistir TV, usar computador e vídeo game), houve o aumento de percentual com relação a 2001. “As demais opções, como desfrutar a natureza, educação/carreira, esporte, música e danças, ler e literatura não tiveram muitas adesões, por parte dos entrevistados”, esclarece Paulo Cidade, da Ipsos.
Quando se trata de hábitos do cotidiano, as principais atividades são ver televisão (69%), fazer comida (11%) até usar computador (9%.). “Foi perceptível a ausência da menção a ações mais sustentáveis. No critério de compras, por exemplo, as principais respostas foram preços e promoções (48%)”, explica Paulo.
É interessante ainda observar que 65% dos entrevistados afirmaram que não participam de nenhum tipo de organização, 19% têm participação em organizações religiosas e 14% em entidades em geral.
Um destaque da pesquisa se refere à percepção das mudanças climáticas, que aumentou de 24% (2001) para 61% (2009), enquanto o percentual quanto à consciência sobre a relevância da Agenda 21, não passou de apenas 14%. Desse total, 47% consideram que a prioridade da Agenda 21 é melhorar as condições econômicas, 27% de melhorar e desenvolver serviços sociais e 26¨% de combater a degradação ambiental e poluição.
“O aumento quanto à percepção com relação às mudanças climáticas é importante, já que a pesquisa foi feita em abril, num contexto crítico da crise mundial, com desemprego muito forte”, diz o diretor da Ipsos. Esse percentual, no entanto, não reflete em mudanças significativas em estilo de vida.
“Os jovens caminham perigosamente para o individualismo, reduzindo seu networking presencial. Mas, ao mesmo, se ele estiver usando redes sociais, poderá estar fazendo uma interação com a sociedade, em contraponto à ausência nas organizações sociais”, considera Helio Mattar, diretor presidente do Akatu. Esse aspecto deve ser objeto de estudo, segundo ele.
Do ponto de vista do consumo consciente, a diminuição relativa do interesse em compras, apontado na pesquisa de 2009, é positivo, apesar de os entrevistados não terem a opção de produtos na pergunta. Mas os critérios adotados pelos jovens, apesar disso, são mais relacionados a marketing, do que às consequências socioambientais que os produtos possam vir a causar.
Segundo Mattar, o PNUMA, de Paris, sistematizará a pesquisa geral, que deve ser divulgada até o fim deste ano, revelando características de diferentes culturas. “A pesquisa brasileira ficará à disposição do site do Akatu. O que foi possível observar é que os brasileiros não têm resistência quanto ao tema, desde que haja informação tangível. O desafio é fazer com que cada um de nós se sinta parte da rede social, que acolha e exercite a sustentabilidade, senão a sociedade será refém do apelo do consumo”, considera.
Paulo Cidade, diretor da Ipsos, avalia que existe ainda uma descrença significativa por parte dos jovens brasileiros quanto às ações das empresas, por causa da dissonância entre discurso e ações objetivas. “É necessário que as mudanças comecem com a sensibilização do público interno”, diz. De acordo com Mattar, é preciso haver conscientização de que os stakeholders (partes interessadas) formam a reputação das organizações.
MÉTODO INDUTIVO TEVE MAIS ADESÃO
Num segundo momento da pesquisa, quando houve cenários de indução, como a iniciativas como compostagem urbana, lavanderias coletivas (hábito não comum ao brasileiro), jardins urbanos e a alternativas diferenciadas de transporte, as adesões às práticas sustentáveis aumentaram.
No caso da compostagem, o percentual foi de 78%, sendo a maior motivação, a reciclagem (82%). Já com relação ao transporte, 53% dos jovens optaram pelas redes de bicicletas, enquanto 47% pelo compartilhamento do carro, sendo que os principais meios de transporte, que utilizam, são ônibus (64%), carro (19%), a pé (10%), bicicleta (8%) e moto (7%), entre outros. Um total de 60% dos jovens respondeu que se as pessoas tivessem mais informações sobre as alterações climáticas, adotariam mais esses cenários.
“Não houve rejeição por parte dos entrevistados aos cenários propositivos à sustentabilidade. No geral, as pessoas estão abertas. Mas é preciso falar para o jovem como agir”, analisa Cidades, da Ipsos.
Para a representante do PNUMA, no Brasil, Cristina Montenegro, os jovens expressam, por meio da pesquisa, que precisam de mais informações para ter um estilo de vida mais sustentável. “A questão da mudança climática, sob o foco da mídia, dia sim, dia não, bombardeia a população de informações, por exemplo, quanto à 15ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas - COP-15 (veja especial Rumo a Copenhague). Mas quando se volta para casa e transporte, esses jovens não fazem a associação com as mudanças climáticas”, avalia.
De 30 a 40% da energia do mundo, de acordo com Cristina, é consumida em edifícios, no entanto, os jovens não fazem essa relação direta. “Pode-se dizer que, na linguagem moderna, a ficha não caiu, pois não conseguem internalizar, que o que fazem ou deixam de fazer, têm impacto no planeta”, afirma.
*Instituto Akatu pelo Consumo Consciente
*PNUMA - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente
*Ipsos Public Affair
*UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
*15ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas - COP-15
A pesquisa Estilos Sustentáveis de Vida – Resultado de uma Pesquisa com Jovens Brasileiros, que integra a iniciativa global do PNUMA - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, realizada, neste ano, em mais 21 países, foi divulgada pelo o Instituto Akatu pelo Consumo Consciente, que coordenou a pesquisa nacional, com o apoio técnico da Ipsos Public Affair. A análise dos resultados revela um perfil de jovem e adulto que troca o convívio social pela Internet e que necessita de estímulo para a prática de ações sustentáveis, apesar de ter a percepção das mudanças climáticas.
A pesquisa foi realizada no primeiro semestre deste ano, com um total de mil entrevistados, na faixa etária dos 18 aos 35 anos – a juventude está cada vez mais longa! -, de todas as classes econômicas, residentes em nove regiões metropolitanas do país (Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Distrito Federal). Os dados foram comparados à pesquisa Os Jovens e o Consumo Sustentável, coordenada pelo Akatu, em 2001, também incorporada, à época a um projeto do PNUMA e da UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.
No universo de entrevistados, 71% trabalhavam e 59% responderam que mantinham como principal gasto familiar alimentação e bebidas, e 32%, com relação a aluguel, energia e água. No quesito escolaridade, quase 50% cursaram até o ensino médio, seguidos por 27%, com ensino fundamental.
Entre as diferentes questões abordadas no tópico – interesses - da pesquisa, pode se destacar, por exemplo, que em apenas três itens (assistir TV, usar computador e vídeo game), houve o aumento de percentual com relação a 2001. “As demais opções, como desfrutar a natureza, educação/carreira, esporte, música e danças, ler e literatura não tiveram muitas adesões, por parte dos entrevistados”, esclarece Paulo Cidade, da Ipsos.
Quando se trata de hábitos do cotidiano, as principais atividades são ver televisão (69%), fazer comida (11%) até usar computador (9%.). “Foi perceptível a ausência da menção a ações mais sustentáveis. No critério de compras, por exemplo, as principais respostas foram preços e promoções (48%)”, explica Paulo.
É interessante ainda observar que 65% dos entrevistados afirmaram que não participam de nenhum tipo de organização, 19% têm participação em organizações religiosas e 14% em entidades em geral.
Um destaque da pesquisa se refere à percepção das mudanças climáticas, que aumentou de 24% (2001) para 61% (2009), enquanto o percentual quanto à consciência sobre a relevância da Agenda 21, não passou de apenas 14%. Desse total, 47% consideram que a prioridade da Agenda 21 é melhorar as condições econômicas, 27% de melhorar e desenvolver serviços sociais e 26¨% de combater a degradação ambiental e poluição.
“O aumento quanto à percepção com relação às mudanças climáticas é importante, já que a pesquisa foi feita em abril, num contexto crítico da crise mundial, com desemprego muito forte”, diz o diretor da Ipsos. Esse percentual, no entanto, não reflete em mudanças significativas em estilo de vida.
“Os jovens caminham perigosamente para o individualismo, reduzindo seu networking presencial. Mas, ao mesmo, se ele estiver usando redes sociais, poderá estar fazendo uma interação com a sociedade, em contraponto à ausência nas organizações sociais”, considera Helio Mattar, diretor presidente do Akatu. Esse aspecto deve ser objeto de estudo, segundo ele.
Do ponto de vista do consumo consciente, a diminuição relativa do interesse em compras, apontado na pesquisa de 2009, é positivo, apesar de os entrevistados não terem a opção de produtos na pergunta. Mas os critérios adotados pelos jovens, apesar disso, são mais relacionados a marketing, do que às consequências socioambientais que os produtos possam vir a causar.
Segundo Mattar, o PNUMA, de Paris, sistematizará a pesquisa geral, que deve ser divulgada até o fim deste ano, revelando características de diferentes culturas. “A pesquisa brasileira ficará à disposição do site do Akatu. O que foi possível observar é que os brasileiros não têm resistência quanto ao tema, desde que haja informação tangível. O desafio é fazer com que cada um de nós se sinta parte da rede social, que acolha e exercite a sustentabilidade, senão a sociedade será refém do apelo do consumo”, considera.
Paulo Cidade, diretor da Ipsos, avalia que existe ainda uma descrença significativa por parte dos jovens brasileiros quanto às ações das empresas, por causa da dissonância entre discurso e ações objetivas. “É necessário que as mudanças comecem com a sensibilização do público interno”, diz. De acordo com Mattar, é preciso haver conscientização de que os stakeholders (partes interessadas) formam a reputação das organizações.
MÉTODO INDUTIVO TEVE MAIS ADESÃO
Num segundo momento da pesquisa, quando houve cenários de indução, como a iniciativas como compostagem urbana, lavanderias coletivas (hábito não comum ao brasileiro), jardins urbanos e a alternativas diferenciadas de transporte, as adesões às práticas sustentáveis aumentaram.
No caso da compostagem, o percentual foi de 78%, sendo a maior motivação, a reciclagem (82%). Já com relação ao transporte, 53% dos jovens optaram pelas redes de bicicletas, enquanto 47% pelo compartilhamento do carro, sendo que os principais meios de transporte, que utilizam, são ônibus (64%), carro (19%), a pé (10%), bicicleta (8%) e moto (7%), entre outros. Um total de 60% dos jovens respondeu que se as pessoas tivessem mais informações sobre as alterações climáticas, adotariam mais esses cenários.
“Não houve rejeição por parte dos entrevistados aos cenários propositivos à sustentabilidade. No geral, as pessoas estão abertas. Mas é preciso falar para o jovem como agir”, analisa Cidades, da Ipsos.
Para a representante do PNUMA, no Brasil, Cristina Montenegro, os jovens expressam, por meio da pesquisa, que precisam de mais informações para ter um estilo de vida mais sustentável. “A questão da mudança climática, sob o foco da mídia, dia sim, dia não, bombardeia a população de informações, por exemplo, quanto à 15ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas - COP-15 (veja especial Rumo a Copenhague). Mas quando se volta para casa e transporte, esses jovens não fazem a associação com as mudanças climáticas”, avalia.
De 30 a 40% da energia do mundo, de acordo com Cristina, é consumida em edifícios, no entanto, os jovens não fazem essa relação direta. “Pode-se dizer que, na linguagem moderna, a ficha não caiu, pois não conseguem internalizar, que o que fazem ou deixam de fazer, têm impacto no planeta”, afirma.
*Instituto Akatu pelo Consumo Consciente
*PNUMA - Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente
*Ipsos Public Affair
*UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
*15ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas - COP-15