CRISE HUMANITÁRIA
Médicos sem Fronteiras atuam no Haiti
Organização humanitária internacional, que já desenvolve trabalho há alguns anos no Haiti, reforça suas ações de assistência a vítimas do terremoto que atingiu principalmente a capital Porto Príncipe, em 12 de janeiro, e revela a importância do trabalho desses profissionais nas nações mais pobres do planeta
Sucena Shkrada Resk – Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentável – 02/02/2009
“O difícil é não estar lá”. Com esta frase, Simone Rocha, diretora-executiva da organização não -governamental MSF - Médicos Sem Fronteiras*, no Brasil, define o sentimento que mobiliza centenas de profissionais de diferentes partes do mundo, para participar das ações humanitárias promovidas pela instituição. Uma das missões de maior porte, hoje em andamento, é a de atendimento às vitimas do terremoto, que atingiu o país caribenho do Haiti, em 12 de janeiro, deixando milhares de feridos e mortos (inclusive, de componentes da organização), no país mais pobre das Américas, que representa as nações insulares, mais vulneráveis às mudanças climáticas.
São mais de 550 profissionais profissionais haitianos, 200 estrangeiros, entre médicos, anestesistas, instrumentadores, psicólogos e administradores, que se dividem para prestar socorro a pessoas feridas em decorrência da tragédia, que assolou o país, localizado na Ilha Hispaniola onde também está a Republica Dominicana. Apesar de tremores de terra fazerem parte do cotidiano dos haitianos, há cerca de 200 anos, nunca houve um desastre natural de tal proporção. “A fase é muito crítica. A expectativa é de que a organização (como outras) atuem neste esquema de emergência por lá, até 2011”, diz Simone.
Segundo ela, o maior desafio, neste momento, é no campo da cirurgia. “As instalações de dois hospitais e de um pronto-socorro, onde a organização atuava, foram destruídas. E isso exigiu adaptar locais para o atendimento e utilizar instalações de prédios, que não foram comprometidos. Já foram realizadas mais de 500 cirurgias”, conta a jornalista com mestrado em Ajuda Humanitária.
Grande parte dos atendimentos é feito a pessoas mutiladas, o que exige ainda um acompanhamento pós-operatório de maior intensidade. Os desafios são muitos: de infra-estrutura precária e dificuldade na logística ao recebimento de equipamentos e medicamentos. Muitas vítimas do terremoto ‘imploram’ ajuda a esses profissionais, o que demonstra o intenso impacto emocional da situação.
“A maioria das pessoas que se juntam ao Médicos sem Fronteiras tem como motivação a realização de um sonho ou o ideal de trabalhar com alguém que não tem, praticamente, nenhum acesso à saúde”, conta Simone. Ao mesmo tempo, exige consciência do risco constante, já que o trabalho ocorre geralmente em países em situação de guerra, com desastres naturais e extrema pobreza.
A diretora-executiva da MSF, no Brasil, explica que, para participar da organização, os profissionais apresentam o período de disposição para as missões. “Quando retornam de um trabalho, informam, por exemplo, por quanto tempo deverão ficar ausentes para uma próxima ação”, explica. Enquanto estão atuando em campo recebem ajuda de custo. “É um tipo de indenização, para prover, desde logística, habitação à alimentação”, afirma Simone.
Entretanto, para atuar no ‘pelotão’ de frente em situações como a do Haiti, há alguns critérios estabelecidos. “Só segue quem passou por processo de seleção em crises humanitárias e apresenta disponibilidade. Tentamos colocar limites, devido à dureza da situação, e podemos fazer rotações de equipes, de três em três semanas”, esclarece.
MÉDICOS SEM FRONTEIRAS NO BRASIL
Atualmente, há 50 brasileiros ativos na organização, desde médicos, enfermeiros, psicólogos e anestesistas a contadores, administradores, engenheiros e arquitetos, que trabalham de gestão da logística e administração. “Para o Haiti, até o último dia 19, viajaram cinco profissionais”.
Quem quiser contribuir para o trabalho desenvolvido pelo MSF, doando dinheiro para o fundo de emergência da instituição, o telefone de contato é (0-xx-21) 2215-8688, de segunda a sexta-feira, em horário comercial.
Profissionais interessados no processo de seleção da organização, devem ter nível superior e dois anos de experiência profissional. Informações pelo número (0xx21) 3527-3636 ou no site.
Leia também:
Carla Kamitsuji: uma médica sem fronteira
Sem limites para ajudar
*MSF - Médicos Sem Fronteiras
“O difícil é não estar lá”. Com esta frase, Simone Rocha, diretora-executiva da organização não -governamental MSF - Médicos Sem Fronteiras*, no Brasil, define o sentimento que mobiliza centenas de profissionais de diferentes partes do mundo, para participar das ações humanitárias promovidas pela instituição. Uma das missões de maior porte, hoje em andamento, é a de atendimento às vitimas do terremoto, que atingiu o país caribenho do Haiti, em 12 de janeiro, deixando milhares de feridos e mortos (inclusive, de componentes da organização), no país mais pobre das Américas, que representa as nações insulares, mais vulneráveis às mudanças climáticas.
São mais de 550 profissionais profissionais haitianos, 200 estrangeiros, entre médicos, anestesistas, instrumentadores, psicólogos e administradores, que se dividem para prestar socorro a pessoas feridas em decorrência da tragédia, que assolou o país, localizado na Ilha Hispaniola onde também está a Republica Dominicana. Apesar de tremores de terra fazerem parte do cotidiano dos haitianos, há cerca de 200 anos, nunca houve um desastre natural de tal proporção. “A fase é muito crítica. A expectativa é de que a organização (como outras) atuem neste esquema de emergência por lá, até 2011”, diz Simone.
Segundo ela, o maior desafio, neste momento, é no campo da cirurgia. “As instalações de dois hospitais e de um pronto-socorro, onde a organização atuava, foram destruídas. E isso exigiu adaptar locais para o atendimento e utilizar instalações de prédios, que não foram comprometidos. Já foram realizadas mais de 500 cirurgias”, conta a jornalista com mestrado em Ajuda Humanitária.
Grande parte dos atendimentos é feito a pessoas mutiladas, o que exige ainda um acompanhamento pós-operatório de maior intensidade. Os desafios são muitos: de infra-estrutura precária e dificuldade na logística ao recebimento de equipamentos e medicamentos. Muitas vítimas do terremoto ‘imploram’ ajuda a esses profissionais, o que demonstra o intenso impacto emocional da situação.
“A maioria das pessoas que se juntam ao Médicos sem Fronteiras tem como motivação a realização de um sonho ou o ideal de trabalhar com alguém que não tem, praticamente, nenhum acesso à saúde”, conta Simone. Ao mesmo tempo, exige consciência do risco constante, já que o trabalho ocorre geralmente em países em situação de guerra, com desastres naturais e extrema pobreza.
A diretora-executiva da MSF, no Brasil, explica que, para participar da organização, os profissionais apresentam o período de disposição para as missões. “Quando retornam de um trabalho, informam, por exemplo, por quanto tempo deverão ficar ausentes para uma próxima ação”, explica. Enquanto estão atuando em campo recebem ajuda de custo. “É um tipo de indenização, para prover, desde logística, habitação à alimentação”, afirma Simone.
Entretanto, para atuar no ‘pelotão’ de frente em situações como a do Haiti, há alguns critérios estabelecidos. “Só segue quem passou por processo de seleção em crises humanitárias e apresenta disponibilidade. Tentamos colocar limites, devido à dureza da situação, e podemos fazer rotações de equipes, de três em três semanas”, esclarece.
MÉDICOS SEM FRONTEIRAS NO BRASIL
Atualmente, há 50 brasileiros ativos na organização, desde médicos, enfermeiros, psicólogos e anestesistas a contadores, administradores, engenheiros e arquitetos, que trabalham de gestão da logística e administração. “Para o Haiti, até o último dia 19, viajaram cinco profissionais”.
Quem quiser contribuir para o trabalho desenvolvido pelo MSF, doando dinheiro para o fundo de emergência da instituição, o telefone de contato é (0-xx-21) 2215-8688, de segunda a sexta-feira, em horário comercial.
Profissionais interessados no processo de seleção da organização, devem ter nível superior e dois anos de experiência profissional. Informações pelo número (0xx21) 3527-3636 ou no site.
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Sem limites para ajudar
*MSF - Médicos Sem Fronteiras