sonho de consumo
Ação do Akatu revela: consumidor não é consciente
Com a intenção de testar a consciência do consumidor brasileiro, o Instituto Akatu simulou a construção de alguns apartamentos de luxo, em áreas de preservação ambiental. Sem saber que a ação era apenas um teste, muitos brasileiros se mostraram interessados em comprar os imóveis
Débora Spitzcovsky
Planeta Sustentável - 04/03/2009
Em parceria com a agência de publicidade Lew’Lara\TBWA, o Instituto Akatu pelo Consumo Consciente iniciou uma ação, em 2009, para testar o grau de consciência dos brasileiros na hora das compras.
A ONG simulou a construção de empreendimentos imobiliários de luxo em áreas de preservação ambiental, em cinco estados brasileiros. Os prédios seriam construídos no morro da Urca, no Rio de Janeiro, na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, no Lago Paranoá, no Distrito Federal e nas areias das praias de Boa Viagem, no Recife, e de Pitangueiras, no Guarujá.
O Instituto Akatu usou as mesmas estratégias de venda de um imóvel real. Foram construídos stands de vendas e a ONG ainda distribuiu folhetos, anunciou em sites e até colocou faixas de promoção em aviões. O resultado da ação surpreendeu seus idealizadores, que esperavam que, ao saber da construção dos imóveis em áreas de preservação, os brasileiros não colocariam um sonho de consumo acima dos princípios éticos.
Não foi o que aconteceu: a maioria dos cidadãos questionados mostrou interesse em adquirir uma unidade nos imóveis oferecidos. O programa Fantástico, da Rede Globo, se interessou pela iniciativa e divulgou, no último domingo, a porcentagem de aprovação dos empreendimentos do Guarujá, Recife e Florianópolis. Segundo eles:
– no litoral de São Paulo, 59% das pessoas gostaram da ideia de construir um prédio nas areias de Pitangueiras;
– em Recife, 61% da população aprovou o imóvel da praia de Boa Viagem
– e, na capital catarinense, 41% das pessoas foi a favor de um edifício no meio da Lagoa da Conceição, enquanto 46% preferiu não opinar.
No próximo domingo, o Fantástico divulgará os números das ações realizadas em Brasília e no Rio de Janeiro, mas o Instituto Akatu já adiantou que os resultados não foram muito diferentes. Segundo o diretor-presidente da ONG, Helio Mattar, a resposta da população à ação mostra que vivemos em uma sociedade em que as pessoas não sabem ou não se importam com o que está por trás do próprio consumo.
“As consequências negativas dos empreendimentos propostos por nós eram evidentes e, ainda assim, a maioria das pessoas expressou aprovação quanto aos mesmos. Isso mostra que falta consciência. Hoje, para a maioria da população, se um empreendimento é legal, ele é ético”, disse Hélio.
Apesar do resultado negativo, o Instituto Akatu espera que a divulgação da iniciativa incentive as pessoas a começarem a refletir mais sobre o impacto de tudo aquilo que consomem.
Veja os anúncios publicitários na nossa galeria.
Leia também:
Especial Consumo Consciente
*Instituto Akatu
Em parceria com a agência de publicidade Lew’Lara\TBWA, o Instituto Akatu pelo Consumo Consciente iniciou uma ação, em 2009, para testar o grau de consciência dos brasileiros na hora das compras.
A ONG simulou a construção de empreendimentos imobiliários de luxo em áreas de preservação ambiental, em cinco estados brasileiros. Os prédios seriam construídos no morro da Urca, no Rio de Janeiro, na Lagoa da Conceição, em Florianópolis, no Lago Paranoá, no Distrito Federal e nas areias das praias de Boa Viagem, no Recife, e de Pitangueiras, no Guarujá.
O Instituto Akatu usou as mesmas estratégias de venda de um imóvel real. Foram construídos stands de vendas e a ONG ainda distribuiu folhetos, anunciou em sites e até colocou faixas de promoção em aviões. O resultado da ação surpreendeu seus idealizadores, que esperavam que, ao saber da construção dos imóveis em áreas de preservação, os brasileiros não colocariam um sonho de consumo acima dos princípios éticos.
Não foi o que aconteceu: a maioria dos cidadãos questionados mostrou interesse em adquirir uma unidade nos imóveis oferecidos. O programa Fantástico, da Rede Globo, se interessou pela iniciativa e divulgou, no último domingo, a porcentagem de aprovação dos empreendimentos do Guarujá, Recife e Florianópolis. Segundo eles:
– no litoral de São Paulo, 59% das pessoas gostaram da ideia de construir um prédio nas areias de Pitangueiras;
– em Recife, 61% da população aprovou o imóvel da praia de Boa Viagem
– e, na capital catarinense, 41% das pessoas foi a favor de um edifício no meio da Lagoa da Conceição, enquanto 46% preferiu não opinar.
No próximo domingo, o Fantástico divulgará os números das ações realizadas em Brasília e no Rio de Janeiro, mas o Instituto Akatu já adiantou que os resultados não foram muito diferentes. Segundo o diretor-presidente da ONG, Helio Mattar, a resposta da população à ação mostra que vivemos em uma sociedade em que as pessoas não sabem ou não se importam com o que está por trás do próprio consumo.
“As consequências negativas dos empreendimentos propostos por nós eram evidentes e, ainda assim, a maioria das pessoas expressou aprovação quanto aos mesmos. Isso mostra que falta consciência. Hoje, para a maioria da população, se um empreendimento é legal, ele é ético”, disse Hélio.
Apesar do resultado negativo, o Instituto Akatu espera que a divulgação da iniciativa incentive as pessoas a começarem a refletir mais sobre o impacto de tudo aquilo que consomem.
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