sincretismo
Diálogo Interreligioso pelo Clima
Quatorze lideranças religiosas estiveram presentes no encontro organizado pela ONG Vitae Civilis e pelo Idec para debater de que forma as religiões podem contribuir para a conscientização em relação às questões climáticas, Ao final, foi redigida uma carta, dirigida ao presidente Lula, pedindo que ele compareça em Copenhague, no final do ano, e assuma, pelo Brasil, a liderança no combate ao aquecimento global
Thays Prado
Planeta Sustentável - 29/10/2009
Engana-se quem pensa que religião é apenas uma questão de crença e pouco tem a ver com assuntos cotidianos como o aquecimento global. Na última quarta-feira, 14 líderes religiosos de diferentes correntes participaram do Diálogo Interreligioso pelo Clima, a convite da ONG Vitae Civilis e do IDEC – Instituto de Defesa do Consumidor, para debater sobre as questões climáticas. Ao final, eles redigiram uma carta endereçada ao presidente Lula pedindo que ele compareça à 15ª Conferência das Partes, que acontece em Copenhague, no final do ano, e dizendo o que esperam dele.
O presidente do Conselho Deliberativo da Vitae Civilis, Percival Maricato, chamou atenção para o atual modelo de produção e consumo, que atrela a noção de felicidade à de consumir e disse que uma mudança de valores é cada vez mais urgente. Ele ainda afirmou que a religiosidade pode trazer de volta a valorização da solidariedade, da fraternidade e da espiritualidade. Rubens Born, coordenador adjunto do Vitae Civilis, introduziu o assunto das mudanças climáticas e alertou para o fato de que o impacto gerado em qualquer parte do mundo afeta todo o planeta.
Elias de Andrade Pinto, reverendo da Igreja Presbiteriana Independente, lembrou que as religiões nem sempre assumem uma linguagem comum em relação aos temas ambientais. Padre Tarcísio, da Pastoral Ecológica da Igreja Católica, disse que está na hora de haver uma releitura religiosa que tenha em vista a defesa da vida humana e do planeta, em vez de usar os dogmas para dificultar o convívio e a união humana.
Para a rabina Luciana Pajecki Lederman, da Comunidade Shalom, é necessário encontrar os valores, tradições e ferramentas das religiões que possam ser compartilhados entre si e com as pessoas de uma maneira geral, em favor da preservação do planeta.
Reverendo Elias ainda questionou de que maneira o sagrado poderia acelerar o processo de transformação para uma nova realidade. Rubens Born respondeu que o sagrado traz uma nova base de valores e ética para que o ser humano tenha outra postura em relação ao planeta e ao conjunto de seres vivos que aqui habitam ou ainda estão por vir.
Lisa Gunn, coordenadora executiva do IDEC, abordou o dilema das pessoas que nunca puderam consumir o que desejavam e, agora que começam a adquirir certo poder de compra, são orientadas a não comprar demais para evitar impactos sobre o meio ambiente. Ela diz que é necessário haver uma mudança geral de consciência e que precisamos nos questionar que tipo de consumo é suficiente ou perdulário. Além disso, é fundamental que repensemos sobre a quantidade e também sobre o tipo de produto que estamos adquirindo.
Vários religiosos, como Zulmira Chaves Hassesian, diretora da área de ensino da Federação Espírita do Estado de São Paulo, o Monge Jô-Shinm, da Comunidade Zen Budista do Brasil, e Flávio Azm Rassekh, da Comunidade Bahai apontaram a educação ambiental como a chave para a mudança de atitudes no mundo.
Swami Nirmalatmananda, do Ramakrishna Vedanta Ashrama de São Paulo, observou que, se no início do ano ninguém sabia o que significava H1N1, e hoje todo mundo sabe que se trata do vírus causador da gripe suína, também podemos usar a mídia para conscientizar as pessoas sobre as questões climáticas e os demais assuntos ambientais.
Pe. Antonio Marchioni, da Comunidade Católica da Cidade de São Paulo Região Leste, Paróquia São Francisco, brincou que a elite tem mania de construir uma vida paralela – com sistema de saúde, educação, segurança, entre outros, à parte – mas que não haverá um planeta paralelo.
Na carta redigida ao final do encontro, os religiosos alertaram para a urgência de ações contra as mudanças climáticas, para a necessidade de construirmos uma solução comum nesse sentido e para o fato de que os pobres sofrerão ainda mais com os efeitos das alterações do clima.
O documento falou sobre a meta de 40% de redução de emissões para os países desenvolvidos e sobre a importância de os países em desenvolvimento se comprometerem com um desvio significativo na curva do crescimento das emissões, com o apoio dos países ricos.
A possibilidade de o Brasil se tornar vanguarda no combate ao aquecimento global, a opinião de que somos a nação mais importante do mundo, neste momento, no debate sobre clima, e a riqueza de nossos biomas também foram contempladas.
Os líderes religiosos falaram ainda sobre ética e dignidade humana e pediram que Lula vá, pessoalmente, a Copenhague.
Assinam a carta, em ordem alfabética:
Comunidade Baha'i de São Paulo
Comunidade Católica da Cidade de São Paulo Região Leste – Paróquia São Francisco
Comunidade Católica da Cidade de São Paulo Região Sul – Paróquia Santos Mártires
Comunidade Shalom
Comunidade Zen Budista do Brasil
Pastoral da Ecologia
Congregação Israelita Paulista
Federação Espírita do Estado de São Paulo
Igreja Messiânica Mundial do Brasil
Igreja Presbiteriana Independente
Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor
Movimento Nossa São Paulo
Nação Angola - Candomblé
Ramakrishna Vedanta Ashrama de São Paulo
Vitae Civilis Instituto para o Desenvolvimento Meio Ambiente e Paz
Engana-se quem pensa que religião é apenas uma questão de crença e pouco tem a ver com assuntos cotidianos como o aquecimento global. Na última quarta-feira, 14 líderes religiosos de diferentes correntes participaram do Diálogo Interreligioso pelo Clima, a convite da ONG Vitae Civilis e do IDEC – Instituto de Defesa do Consumidor, para debater sobre as questões climáticas. Ao final, eles redigiram uma carta endereçada ao presidente Lula pedindo que ele compareça à 15ª Conferência das Partes, que acontece em Copenhague, no final do ano, e dizendo o que esperam dele.
O presidente do Conselho Deliberativo da Vitae Civilis, Percival Maricato, chamou atenção para o atual modelo de produção e consumo, que atrela a noção de felicidade à de consumir e disse que uma mudança de valores é cada vez mais urgente. Ele ainda afirmou que a religiosidade pode trazer de volta a valorização da solidariedade, da fraternidade e da espiritualidade. Rubens Born, coordenador adjunto do Vitae Civilis, introduziu o assunto das mudanças climáticas e alertou para o fato de que o impacto gerado em qualquer parte do mundo afeta todo o planeta.
Elias de Andrade Pinto, reverendo da Igreja Presbiteriana Independente, lembrou que as religiões nem sempre assumem uma linguagem comum em relação aos temas ambientais. Padre Tarcísio, da Pastoral Ecológica da Igreja Católica, disse que está na hora de haver uma releitura religiosa que tenha em vista a defesa da vida humana e do planeta, em vez de usar os dogmas para dificultar o convívio e a união humana.
Para a rabina Luciana Pajecki Lederman, da Comunidade Shalom, é necessário encontrar os valores, tradições e ferramentas das religiões que possam ser compartilhados entre si e com as pessoas de uma maneira geral, em favor da preservação do planeta.
Reverendo Elias ainda questionou de que maneira o sagrado poderia acelerar o processo de transformação para uma nova realidade. Rubens Born respondeu que o sagrado traz uma nova base de valores e ética para que o ser humano tenha outra postura em relação ao planeta e ao conjunto de seres vivos que aqui habitam ou ainda estão por vir.
Lisa Gunn, coordenadora executiva do IDEC, abordou o dilema das pessoas que nunca puderam consumir o que desejavam e, agora que começam a adquirir certo poder de compra, são orientadas a não comprar demais para evitar impactos sobre o meio ambiente. Ela diz que é necessário haver uma mudança geral de consciência e que precisamos nos questionar que tipo de consumo é suficiente ou perdulário. Além disso, é fundamental que repensemos sobre a quantidade e também sobre o tipo de produto que estamos adquirindo.
Vários religiosos, como Zulmira Chaves Hassesian, diretora da área de ensino da Federação Espírita do Estado de São Paulo, o Monge Jô-Shinm, da Comunidade Zen Budista do Brasil, e Flávio Azm Rassekh, da Comunidade Bahai apontaram a educação ambiental como a chave para a mudança de atitudes no mundo.
Swami Nirmalatmananda, do Ramakrishna Vedanta Ashrama de São Paulo, observou que, se no início do ano ninguém sabia o que significava H1N1, e hoje todo mundo sabe que se trata do vírus causador da gripe suína, também podemos usar a mídia para conscientizar as pessoas sobre as questões climáticas e os demais assuntos ambientais.
Pe. Antonio Marchioni, da Comunidade Católica da Cidade de São Paulo Região Leste, Paróquia São Francisco, brincou que a elite tem mania de construir uma vida paralela – com sistema de saúde, educação, segurança, entre outros, à parte – mas que não haverá um planeta paralelo.
Na carta redigida ao final do encontro, os religiosos alertaram para a urgência de ações contra as mudanças climáticas, para a necessidade de construirmos uma solução comum nesse sentido e para o fato de que os pobres sofrerão ainda mais com os efeitos das alterações do clima.
O documento falou sobre a meta de 40% de redução de emissões para os países desenvolvidos e sobre a importância de os países em desenvolvimento se comprometerem com um desvio significativo na curva do crescimento das emissões, com o apoio dos países ricos.
A possibilidade de o Brasil se tornar vanguarda no combate ao aquecimento global, a opinião de que somos a nação mais importante do mundo, neste momento, no debate sobre clima, e a riqueza de nossos biomas também foram contempladas.
Os líderes religiosos falaram ainda sobre ética e dignidade humana e pediram que Lula vá, pessoalmente, a Copenhague.
Assinam a carta, em ordem alfabética:
Comunidade Baha'i de São Paulo
Comunidade Católica da Cidade de São Paulo Região Leste – Paróquia São Francisco
Comunidade Católica da Cidade de São Paulo Região Sul – Paróquia Santos Mártires
Comunidade Shalom
Comunidade Zen Budista do Brasil
Pastoral da Ecologia
Congregação Israelita Paulista
Federação Espírita do Estado de São Paulo
Igreja Messiânica Mundial do Brasil
Igreja Presbiteriana Independente
Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor
Movimento Nossa São Paulo
Nação Angola - Candomblé
Ramakrishna Vedanta Ashrama de São Paulo
Vitae Civilis Instituto para o Desenvolvimento Meio Ambiente e Paz