SEGURANÇA ALIMENTAR
O desafio de eliminar a fome crônica
Mais de 925 milhões de pessoas passam fome no mundo. Para ajudar a combater essa situação, a FAO lançou a Campanha Unidos contra a Fome, que teve destaque em fórum de inovação em agricultura e alimentos. Nele, se destacou que um dos maiores desafios atuais é a correlação entre agricultura e mudanças climáticas e que, nos próximos 50 anos, os problemas associados à agricultura serão nos campos da energia, água, alimentos, meio ambiente e pobreza
Sucena Shkrada Resk – Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentável – 15/10/2010
Nesta semana, em que se celebra a Semana Mundial da Alimentação, há pouco o que comemorar, pois mais de 925 milhões de pessoas passam fome no mundo. “Por conta das mudanças climáticas, temos que produzir melhor e com sustentabilidade. Para muita gente que vive no conforto das cidades desenvolvidas, é difícil compreender esta realidade. Não é aquela fome que temos antes da hora do almoço ou do jantar. É uma fome violenta que mata uma criança a cada cinco minutos”, afirma o atual representante da FAO/ONU -Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, no Brasil, o médico-veterinário moçambicano Hélder Muteia.
O especialista destaca que esse contexto exige reflexão e não celebração. “Uma frase de um estudioso italiano que me marcou muito foi que o direito à alimentação é uma pré-condição de sermos seres humanos. Se a produção alimentar de hoje fosse melhor distribuída, seria possível erradicar a fome no mundo”.
Segundo Muteia, deverá haver aumento de 70% nas produções agrícolas que atendam as necessidades da humanidade em 2050, quando o planeta terá um número estimado de 9 bilhões de pessoas, contra os mais de 6 bilhões atuais. “Por isso, o tema da Semana é Unidos Contra a Fome*. O apelo é feito a todas as pessoas, de qualquer segmento”, explicou. A campanha já supera 1,1 milhão de adesões contra a fome crônica, por meio de um abaixo-assinado, acessível no site da campanha. O objetivo é exercer pressão sobre os políticos para que seja possível atingir um dos ODMs – Objetivos do Milênio*, da ONU, que é reduzir, pela metade, o número de famintos até 2015 em relação a 1990.
O representante da FAO/ONU, em entrevista concedida ao Planeta Sustentável, afirma que um dos aspectos favoráveis, no país, é o fato de o direito à alimentação ser constitucional. “Aqui há programas no campo de produção agrícola, de acesso ao crédito, seguro agrícola, como também, na área de recursos naturais”, salientou.
Muteia considera que o Brasil é um grande laboratório no campo da produção agrícola e do agronegócio, além da inclusão social. “Há modelos que podem ser replicados em outras partes no mundo e a FAO defende o investimento à ideia de sustentabilidade Sul-Sul, que implica horizontalidade, na região. No país, existe um debate aberto sobre segurança alimentar, o que é positivo”.
Para o especialista, o comprometimento de ajudar a pequena agricultura é uma iniciativa que deve ser permanente no Brasil. “O desafio, não só aqui, como no mundo, é que precisamos aumentar a produção agrícola de forma sustentável, do ponto de vista econômico e da ecologia. O uso de agroquímicos deve ser feito de forma cautelosa, na medida certa”, alerta. Muteia afirmou que a sociedade tem um papel importante, neste sentido. “Ela deve se organizar contra o uso abusivo, ajudando o Estado a fiscalizar antes e depois do consumo”.
Quanto à divisão da utilização da terra entre o setor de alimentação e de biocombustíveis, o especialista salienta que não pode haver radicalismos. “É preciso garantir os recursos naturais para ambos. Já tivemos situações de excessos em outras partes do mundo para a finalidade de recursos renováveis, que contribuíram para o aumento de preços de alguns produtos agrícolas”.
Segundo ele, na Índia, por exemplo - que tem escassez de terras disponíveis -, a opção encontrada para a produção de biocombustíveis foi a de utilizar áreas marginais. “O Brasil pode adotar uma política, de acordo com sua realidade”, avaliou.
PARA O FUTURO SUSTENTÁVEL
Hélder Muteia esteve presente no II Fórum Inovação – Agricultura e Alimentos para o Futuro Sustentável, promovido nesta quinta-feira (14), em São Paulo, pela FAO em parceria com a ABAG – Associação Brasileira do Agronegócio e da ANDEF – Associação Nacional da Defesa Vegetal.
Durante o encontro, acadêmicos e representantes dos segmentos público, do varejo e do agronegócios expuseram alguns dados sobre o setor no Brasil. O engenheiro agrônomo, Antonio Roque Dechen, diretor da ESALQ - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP – Universidade de São Paulo, analisa que o Brasil hoje apresenta alguns avanços e desafios para as próximas décadas, quando se fala em sustentabilidade, na área do agronegócios.
Ele disse que há, atualmente, 213 Escolas de Agronomia, 36 de engenharia Florestal e 23 de Engenharia Agrícola no país, que passa pela chamada “terceira revolução verde”, do plantio direto (na terra). “A primeira ocorreu há 50 anos, com Norman Borlaug (Prêmio Nobel da Paz em 1970), quando se obteve variedades capazes de responder à adubação e a segunda foi a conquista do Cerrado, com a integração da lavoura e pecuária”, salientou.
O Brasil registra 851 milhões de ha de território e desse total, 340 mi de ha (40%) são áreas potencialmente agricultáveis, sendo a maior parte para pastagem (50,6%) e haveria ainda 96 mi ha (28,2%) disponíveis (agricultura e pastagem). Os principais cultivos são respectivamente de soja, milho e cana-de-açúcar, etanol seguidos de café e laranja. Mas, em sua avaliação, não adianta haver avanços tecnológicos, como no campo da nanotecnologia, se não houver o alinhamento da produção a um custo inacessível. “O desafio está na questão de correlacionar a agricultura com mudanças climáticas até manter produtos de alto valor agregado, já que hoje o foco está em produtos primários”, explica. Em sua análise, os problemas associados à agricultura, nos próximos 50 anos, serão nos campos da energia, água, alimentos, meio ambiente e pobreza. “Eu me lembro de uma frase de Borlaug, que diz muito: Não se constrói a paz com estômagos vazios”.
O engenheiro de alimentos, Jean Louis Gallego, diretor de marketing da FSB Foods, apresentou um quadro do perfil dos consumidores na atualidade, que aponta, que o mercado do agronegócios deve estar atento a questões como o avanço das mulheres no mercado de trabalho e a maior consciência e nível de exigência. “Outro aspecto relevante é a necessidade aumentar a atenção ao envelhecimento da população brasileira”.
Segundo ele, no quesito de qualidade, ainda hoje, há dificuldade de se rastrear a toxidade dos insumos e qualidade fito-sanitária dos produtos. “No país, temos como desafios e tendências, a ampliação da adoção de mais embalagens biodegradáveis, de selos de origem, além do atendimento a outros mercados específicos, como orgânico, diet-light e livre de lactose”, disse.
AGRICULTURA E MEIO AMBIENTE
O economista Eduardo Daher, diretor-executivo da Andef - Associação Nacional de Defesa Vegetal, explicou que 131 organizações brasileiras (agricultores, cientistas, entidades e indústrias) aderiram ao Movimento Mundial Agricultura em Primeiro Lugar. “A iniciativa foi criada, com ênfase, na situação africana. Atualmente Chade, Eritréia e Congo estão em situação de alerta, naquela região”, explicou. E o movimento está baseado em seis pilares:
- Preservar recursos naturais;
- Partilhar conhecimentos (em educação e extensão rural, metereologia, em mercado, para o produtor ter acesso a essas informações, além de ouvi-lo);
- Criar acesso e meios de gestão de recursos;
- Proteger as culturas (existe um desperdício, que pode variar entre 20% a 40%, em todo o ciclo);
- Acesso ao mercado e
- Estabelecer prioridades para pesquisa.
OS TRANSGÊNICOS
A professora da Universidade Federal de Viçosa, Neuza Brunoro, que também participa do CIB - Conselho de Informações sobre Biotecnologia, sinaliza que há a tendência de aumento de produtividade de alimentos transgênicos no país. “Os pontos a favor são a resistência a insetos e pragas, além de agregar valor terapêutico aos alimentos. Já os de insegurança, é fato de ser uma tecnologia recente. Atualmente há 22 transgênicos aprovados hoje no país. Entre os principais, mais de 70% da soja são geneticamente modificados, seguidos pelo algodão e milho”, destacou.
De acordo com a pesquisadora, é importante que a população saiba que esses alimentos obrigatoriamente devem passar por testes de biossegurança, previstos pela lei nº 11.105, de março de 2005, que estabelece as normas de segurança dos OGMs – Organismos Geneticamente Modificados. “Os cuidados devem ser dirigidos a riscos associados, como o potencial alergênico. O produto deve ter equivalência de composição de micro e macro nutrientes, desde proteínas a minerais e ser tão seguro quanto sua contraparte convencional”.
Entre os avanços no setor, a professora cita o processo de biofortificação (como com ferro e zinco), hoje liderado pela Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, no país, em parceria com outras instituições internacionais.
Neuza explica que nenhum alimento, entretanto, pode ser considerado absolutamente seguro. “Em todas as circunstâncias, os indivíduos toleram os mesmos alimentos de maneiras diferentes”, disse.
Elísio Contini, chefe do Centro de Planejamento Estratégico da Embrapa, informa que atualmente há 77 milhões de ha de culturas no país e a produção que chega a 147 mi ton. De acordo com o técnico, as mudanças no padrão da agricultura brasileira ocorrem devido ao empreendedorismo dos agricultores, do apoio governamental, que poderia ter sido ainda maior, segundo ele, além de extensas áreas de terra mecanizável e tecnologia para agricultura tropical. “A característica da agricultura sustentável está na integração da lavoura e da pecuária no Cerrado e a possibilidade de três culturas por ano em mesma área”.
Segundo ele, os gargalos no segmento, apresentados pelo setor privado aos presidenciáveis, são quanto à garantia da renda para o agricultor, melhoria de infraestrutura e logística, do comércio exterior, da pesquisa, do desenvolvimento e inovação, como também, da defesa agropecuária e da institucionalidade do poder público.
*CIB - Conselho de Informações sobre Biotecnologia
*Embrapa
*ESALQ
*FAO – Brasil
*Abaixo-assinado da campanha Unidos contra a Fome
*Lei de Biossegurança
*ODM
Leia também:
Segurança alimentar, crise inevitável
Objetivos do Milênio: ONU diz ser possível atingir metas
Nesta semana, em que se celebra a Semana Mundial da Alimentação, há pouco o que comemorar, pois mais de 925 milhões de pessoas passam fome no mundo. “Por conta das mudanças climáticas, temos que produzir melhor e com sustentabilidade. Para muita gente que vive no conforto das cidades desenvolvidas, é difícil compreender esta realidade. Não é aquela fome que temos antes da hora do almoço ou do jantar. É uma fome violenta que mata uma criança a cada cinco minutos”, afirma o atual representante da FAO/ONU -Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação, no Brasil, o médico-veterinário moçambicano Hélder Muteia.
O especialista destaca que esse contexto exige reflexão e não celebração. “Uma frase de um estudioso italiano que me marcou muito foi que o direito à alimentação é uma pré-condição de sermos seres humanos. Se a produção alimentar de hoje fosse melhor distribuída, seria possível erradicar a fome no mundo”.
Segundo Muteia, deverá haver aumento de 70% nas produções agrícolas que atendam as necessidades da humanidade em 2050, quando o planeta terá um número estimado de 9 bilhões de pessoas, contra os mais de 6 bilhões atuais. “Por isso, o tema da Semana é Unidos Contra a Fome*. O apelo é feito a todas as pessoas, de qualquer segmento”, explicou. A campanha já supera 1,1 milhão de adesões contra a fome crônica, por meio de um abaixo-assinado, acessível no site da campanha. O objetivo é exercer pressão sobre os políticos para que seja possível atingir um dos ODMs – Objetivos do Milênio*, da ONU, que é reduzir, pela metade, o número de famintos até 2015 em relação a 1990.
O representante da FAO/ONU, em entrevista concedida ao Planeta Sustentável, afirma que um dos aspectos favoráveis, no país, é o fato de o direito à alimentação ser constitucional. “Aqui há programas no campo de produção agrícola, de acesso ao crédito, seguro agrícola, como também, na área de recursos naturais”, salientou.
Muteia considera que o Brasil é um grande laboratório no campo da produção agrícola e do agronegócio, além da inclusão social. “Há modelos que podem ser replicados em outras partes no mundo e a FAO defende o investimento à ideia de sustentabilidade Sul-Sul, que implica horizontalidade, na região. No país, existe um debate aberto sobre segurança alimentar, o que é positivo”.
Para o especialista, o comprometimento de ajudar a pequena agricultura é uma iniciativa que deve ser permanente no Brasil. “O desafio, não só aqui, como no mundo, é que precisamos aumentar a produção agrícola de forma sustentável, do ponto de vista econômico e da ecologia. O uso de agroquímicos deve ser feito de forma cautelosa, na medida certa”, alerta. Muteia afirmou que a sociedade tem um papel importante, neste sentido. “Ela deve se organizar contra o uso abusivo, ajudando o Estado a fiscalizar antes e depois do consumo”.
Quanto à divisão da utilização da terra entre o setor de alimentação e de biocombustíveis, o especialista salienta que não pode haver radicalismos. “É preciso garantir os recursos naturais para ambos. Já tivemos situações de excessos em outras partes do mundo para a finalidade de recursos renováveis, que contribuíram para o aumento de preços de alguns produtos agrícolas”.
Segundo ele, na Índia, por exemplo - que tem escassez de terras disponíveis -, a opção encontrada para a produção de biocombustíveis foi a de utilizar áreas marginais. “O Brasil pode adotar uma política, de acordo com sua realidade”, avaliou.
PARA O FUTURO SUSTENTÁVEL
Hélder Muteia esteve presente no II Fórum Inovação – Agricultura e Alimentos para o Futuro Sustentável, promovido nesta quinta-feira (14), em São Paulo, pela FAO em parceria com a ABAG – Associação Brasileira do Agronegócio e da ANDEF – Associação Nacional da Defesa Vegetal.
Durante o encontro, acadêmicos e representantes dos segmentos público, do varejo e do agronegócios expuseram alguns dados sobre o setor no Brasil. O engenheiro agrônomo, Antonio Roque Dechen, diretor da ESALQ - Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP – Universidade de São Paulo, analisa que o Brasil hoje apresenta alguns avanços e desafios para as próximas décadas, quando se fala em sustentabilidade, na área do agronegócios.
Ele disse que há, atualmente, 213 Escolas de Agronomia, 36 de engenharia Florestal e 23 de Engenharia Agrícola no país, que passa pela chamada “terceira revolução verde”, do plantio direto (na terra). “A primeira ocorreu há 50 anos, com Norman Borlaug (Prêmio Nobel da Paz em 1970), quando se obteve variedades capazes de responder à adubação e a segunda foi a conquista do Cerrado, com a integração da lavoura e pecuária”, salientou.
O Brasil registra 851 milhões de ha de território e desse total, 340 mi de ha (40%) são áreas potencialmente agricultáveis, sendo a maior parte para pastagem (50,6%) e haveria ainda 96 mi ha (28,2%) disponíveis (agricultura e pastagem). Os principais cultivos são respectivamente de soja, milho e cana-de-açúcar, etanol seguidos de café e laranja. Mas, em sua avaliação, não adianta haver avanços tecnológicos, como no campo da nanotecnologia, se não houver o alinhamento da produção a um custo inacessível. “O desafio está na questão de correlacionar a agricultura com mudanças climáticas até manter produtos de alto valor agregado, já que hoje o foco está em produtos primários”, explica. Em sua análise, os problemas associados à agricultura, nos próximos 50 anos, serão nos campos da energia, água, alimentos, meio ambiente e pobreza. “Eu me lembro de uma frase de Borlaug, que diz muito: Não se constrói a paz com estômagos vazios”.
O engenheiro de alimentos, Jean Louis Gallego, diretor de marketing da FSB Foods, apresentou um quadro do perfil dos consumidores na atualidade, que aponta, que o mercado do agronegócios deve estar atento a questões como o avanço das mulheres no mercado de trabalho e a maior consciência e nível de exigência. “Outro aspecto relevante é a necessidade aumentar a atenção ao envelhecimento da população brasileira”.
Segundo ele, no quesito de qualidade, ainda hoje, há dificuldade de se rastrear a toxidade dos insumos e qualidade fito-sanitária dos produtos. “No país, temos como desafios e tendências, a ampliação da adoção de mais embalagens biodegradáveis, de selos de origem, além do atendimento a outros mercados específicos, como orgânico, diet-light e livre de lactose”, disse.
AGRICULTURA E MEIO AMBIENTE
O economista Eduardo Daher, diretor-executivo da Andef - Associação Nacional de Defesa Vegetal, explicou que 131 organizações brasileiras (agricultores, cientistas, entidades e indústrias) aderiram ao Movimento Mundial Agricultura em Primeiro Lugar. “A iniciativa foi criada, com ênfase, na situação africana. Atualmente Chade, Eritréia e Congo estão em situação de alerta, naquela região”, explicou. E o movimento está baseado em seis pilares:
- Preservar recursos naturais;
- Partilhar conhecimentos (em educação e extensão rural, metereologia, em mercado, para o produtor ter acesso a essas informações, além de ouvi-lo);
- Criar acesso e meios de gestão de recursos;
- Proteger as culturas (existe um desperdício, que pode variar entre 20% a 40%, em todo o ciclo);
- Acesso ao mercado e
- Estabelecer prioridades para pesquisa.
OS TRANSGÊNICOS
A professora da Universidade Federal de Viçosa, Neuza Brunoro, que também participa do CIB - Conselho de Informações sobre Biotecnologia, sinaliza que há a tendência de aumento de produtividade de alimentos transgênicos no país. “Os pontos a favor são a resistência a insetos e pragas, além de agregar valor terapêutico aos alimentos. Já os de insegurança, é fato de ser uma tecnologia recente. Atualmente há 22 transgênicos aprovados hoje no país. Entre os principais, mais de 70% da soja são geneticamente modificados, seguidos pelo algodão e milho”, destacou.
De acordo com a pesquisadora, é importante que a população saiba que esses alimentos obrigatoriamente devem passar por testes de biossegurança, previstos pela lei nº 11.105, de março de 2005, que estabelece as normas de segurança dos OGMs – Organismos Geneticamente Modificados. “Os cuidados devem ser dirigidos a riscos associados, como o potencial alergênico. O produto deve ter equivalência de composição de micro e macro nutrientes, desde proteínas a minerais e ser tão seguro quanto sua contraparte convencional”.
Entre os avanços no setor, a professora cita o processo de biofortificação (como com ferro e zinco), hoje liderado pela Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, no país, em parceria com outras instituições internacionais.
Neuza explica que nenhum alimento, entretanto, pode ser considerado absolutamente seguro. “Em todas as circunstâncias, os indivíduos toleram os mesmos alimentos de maneiras diferentes”, disse.
Elísio Contini, chefe do Centro de Planejamento Estratégico da Embrapa, informa que atualmente há 77 milhões de ha de culturas no país e a produção que chega a 147 mi ton. De acordo com o técnico, as mudanças no padrão da agricultura brasileira ocorrem devido ao empreendedorismo dos agricultores, do apoio governamental, que poderia ter sido ainda maior, segundo ele, além de extensas áreas de terra mecanizável e tecnologia para agricultura tropical. “A característica da agricultura sustentável está na integração da lavoura e da pecuária no Cerrado e a possibilidade de três culturas por ano em mesma área”.
Segundo ele, os gargalos no segmento, apresentados pelo setor privado aos presidenciáveis, são quanto à garantia da renda para o agricultor, melhoria de infraestrutura e logística, do comércio exterior, da pesquisa, do desenvolvimento e inovação, como também, da defesa agropecuária e da institucionalidade do poder público.
*CIB - Conselho de Informações sobre Biotecnologia
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*ESALQ
*FAO – Brasil
*Abaixo-assinado da campanha Unidos contra a Fome
*Lei de Biossegurança
*ODM
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