
Tania Menai, de Nova York – Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentável – 03/11/2009
“O Protocolo de Copenhagen precisa de um Plano B”, escreveu na revista “Nature”, de setembro passado, o cientista político David G. Vitor, da Universidade da Califórnia, em San Diego. Segundo ele, o Plano A tem tudo para dar errado – ele acredita que a estratégia que está sendo montada está errada e repete os erros do passado. São muitos assuntos, muitos países e muitas promessas. David sabe o que fala: ele é autor do livro O Colapso do Protocolo de Kyoto, escrito em 2001, no qual despejou críticas e possíveis soluções para o tema. Desta vez, no entanto, ele não vai para Copenhague.
David é professor do departamento de Relações Internacionais e Estudos do Pacífico e diretor do Laboratório de Lei e Regulamentação Internacional. Também foi diretor do Programa de Sustentabilidade e Energia da Universidade de Stanford. Por mais que ele deseje mudar o mundo, sua prioridade hoje é seu filho, nascido há cerca de um mês. Ele conversou com o Planeta Sustentável de casa, com voz de sono e um delicioso choro de bebê ao fundo.
O que levou o senhor a escrever um livro sobre o protocolo de Kyoto?
Sou um cientista político de formação. Mas dediquei grande parte da minha carreira a assuntos de alta tecnologia, incluindo a camada de ozônio e outras questões, especialmente de meio ambiente, na qual governos precisam cooperar. Minha impressão na época do tratado de Kyoto era de que os negociadores e comentaristas estavam desconectados da realidade política. E quanto mais perto eu via isso acontecer, mais preocupado eu ficava. Negociava-se tratados que não tinham chance de sucesso. E a razão desse fracasso eram óbvias do ponto-de-vista de um cientista político. Então, escrevi um livro explicando porque eu acreditava que Kyoto não funcionaria e ofereci algumas soluções para este problema. E quando começamos algo assim, é muito difícil parar. Acredito que o conhecimento básico que coloquei no livro continuam valendo. E, ao meu ver, Copenhague está repetindo os mesmos erros; em alguns quesitos estão piorando o problema. E é por isso que estou escrevendo o segundo livro. O que importa, na verdade, não é a conferência em si, mas a estrutura que eles estão preparando para depois do evento.
Quais os erros que o senhor acha que eles irão repetir em Copenhagen?
Dois: o primeiro é a discussão de um grande número de assuntos complexos. Em Kyoto, a complexidade das questões já era uma peso. Agora, os assuntos são cinco ou sete vezes mais complicados porque, além de os assuntos já discutidos em Kyoto, eles incluiriam vários outros, como florestas e a iniciativa Clean Development Mechanism, criado para incentivar investimentos em baixa emissão nos países em desenvolvimento. Eles querem lidar com diversos assuntos de uma só vez. O segundo erro é tentar resolver essas questões com prazos não realistas. O prazo comum a todos esses tratados é de ser desenhado de um a dois anos. Os arquitetos da conferência de Copenhague estão obedecendo a esta mesma regra, estabelecendo dois anos. Mas, na prática, ela foi preparada em apenas nove meses . Então, as negociações em Copenhague estão fadadas ao fracasso.
O senhor chegou a mencionar também o número exagerado de países participantes...
Sim. O problema é estratégico: trata-se de um conjunto de erros, incluindo os que citei somados ao grande número de países. Quando decidiu-se, há quase 20 anos, que estes tratados seriam negociados sob o sistema das Nações Unidas, era impossível não ter todos os países sentados à mesa. Mas, à medida que os assuntos se tornaram mais sérios, achei que funcionaria melhor reunir menos países, em fóruns menores, com mais foco e seriedade. Veja o exemplo dos encontros dos países do G-20 ou os eventos no qual o Brasil trata a questão das florestas. Mesmo esses fóruns pequenos levam muito tempo para negociar compromissos de longo prazo.
Os Estados Unidos estão se preparando para Copenhague de forma satisfatória?
Eles não estão fazendo o suficiente, mas isso não está acontecendo por causa dos diplomatas – eles fazem um bom trabalho. O problema é a falta de uma política nacional: alguns estados fazem algumas coisas, muitos outros não fazem nada. O Congresso está negociando um novo programa federal para diminuir emissões, mas eles estão longe de finalizar. Aliás, acho que eles não conseguirão acabar este ano. Um dos trabalhos mais árduos em Copenhague será o do negociador americano. Ele terá de participar de reuniões, ser construtivo e prestativo e, ainda assim, sem ter nada a oferecer. Desejo a eles sucesso. Eles não tem o que mudar, isso depende do Congresso. E, morando nos EUA, sabemos que este assunto não encabeça a lista de prioridades: a maior parte das pessoas não se interessa por mudanças climáticas. A questão do seguro saúde está ganhando muito mais espaço, a guerra do Afeganistão é um tópico que está recebendo muita atenção nestes meses..., não vejo que há capital político extra para a questão do aquecimento global.
Mas o presidente Obama fala sobre empregos verdes, por exemplo.
É fácil falar. A única coisa que eles fizeram até agora foi injetar dinheiro na área de energia. E grande parte deste dinheiro não foi usado e não produz resultado em termos de emissões ou que ajudem a cumprir promessas para os demais países em Copenhague. É fácil falar de empregos verdes. A parte difícil é implementá-los. O Congresso está usando um estatuto que, inicialmente, não foi feito para este propósito. As empresas estão muito preocupadas em saber se o processo pode custar caro - grande parte da pressão sobre o Congresso, por parte de empresas, para aprovar a regulamentação de gases greenhouse vem do medo de que, se o Congresso não aprovar uma nova lei, estas empresas estarão estagnadas usando um velho sistema, o que seria muito caro para várias delas.
Então, qual seria uma alternativa para esses protocolos?
Há uma resposta para o curto prazo e outra para o longo prazo. A de curto prazo seria: o que pode ser feito entre hoje e Copenhague e o que não pode ser feito? Se este esforço não for feito, os países vão chegar em Copenhague, os debates serão agressivos e complicados, e não chegarão em lugar nenhum. E este será o pior resultado. As empresas estão buscando alguma forma de regulamentação para saber se elas vão continuar a investir em low carbon como fonte de energia. Então, no curto prazo, eu sugiro que os diplomatas criem o que eu chamo de “acordo stand-by”, ou provisório, o qual permitiria ao países a negociar com mais calma o acordo oficial.
No longo prazo, seria importante criar estes pequenos grupos de países que mencionei anteriormente. As Nações Unidas são importante e precisam estar lá; mas serviriam como um guarda-chuva sobre estes grupos. Na minha opinião, apenas 11 ou 12 países importam de verdade. E para ser mais preciso, dois: os EUA e a China. No grupo de doze, estariam também Índia, Brasi

















