e eu com isso?
COP-15: o que pode mudar na sua vida
A 15ª Conferência das Partes, da ONU, vai reunir os negociadores de cada país membro da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, para a definição de um acordo global que controle as mudanças climáticas e garanta a sobrevivência desta e das gerações futuras. Tudo isso parece muito distante de sua vida diária? Pois saiba que as decisões tomadas em Copenhague podem afetar, e muito, o cotidiano de cada um de nós
Thays Prado - Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentável - 30/09/2009
De 7 a 18 de dezembro, os 193 países membros da UNFCCC – Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima estarão reunidos em Copenhague, capital da Dinamarca, para chegar a um acordo climático global com medidas que impeçam que a temperatura do planeta suba mais do que 2º C – em relação ao período pré-Revolução Industrial – até o final do século. (Leia a reportagem: Entenda a COP 15)
À primeira impressão, essas decisões parecem atingir apenas os governos e as grandes corporações, mas os impactos não param por aí. Quando questionados sobre que mudanças a COP-15 traria para a vida de cada um de nós, vários especialistas hesitavam em responder – pouca gente está pensando na esfera individual – mas, assim que começavam a falar, as conexões iam se tornando óbvias. O acordo climático global pode afetar diretamente o nosso estilo de vida, o modo como consumimos, a maneira como fazemos uso da energia e dos meios de transporte e, em última instância, a nossa própria sobrevivência.
“Copenhague é uma oportunidade de trazermos mais racionalidade para nossas vidas”, diz o economista Ladislau Dowbor, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e conselheiro do Planeta Sustentável. “Por meio de um acordo internacional, seremos obrigados a reduzir nossas emissões de gases de efeito estufa e, por isso, teremos que repensar o modo como organizamos os ciclos produtivos e o consumo domiciliar. Mas isso depende, em grande parte, da conscientização das populações, porque não é só por lei que as coisas se transformam”, alerta.
"Poucas pessoas fazem uma relação direta entre o alimento que colocam na mesa, por exemplo, e o aquecimento do planeta, mas, ela existe e cada um de nós vai ter que aprender a verificar sua pegada de carbono e a repensar seus hábitos de vida. Copenhague vai provocar essa discussão em larga escala”, defende Emília Queiroga, vice-presidente da ONG State of the World Forum.
A escritora, co-fundadora do Palas Athena e conselheira do Planeta Sustentável, Lia Diskin, diz que ainda estamos na busca de mecanismos que nos permitam dar continuidade ao estilo de vida que já temos, o que considera um grande equívoco. “Esse modo de vida é insustentável e, me atrevo a dizer, indecente! Eu me recuso a pertencer à parcela de vinte por cento da população que está consumindo oitenta por cento dos recursos do planeta”.
Para o presidente do Instituto Ethos, Ricardo Young, que também é conselheiro do Planeta Sustentável, o impacto pós-Copenhague para nossas vidas será enorme. Ele acredita na taxação de atividades e produtos em função da quantidade de gases de efeito estufa emitidos. “A tendência é que todas as questões ligadas ao carbono sejam objeto de regulação, o que vai desde o lixo até o consumo de bens duráveis, incluindo suas cadeias de valor”.
Para atender às metas e compromissos de redução de emissões, vamos precisar de novas tecnologias que facilitem o uso de fontes renováveis de energia, aumentem a eficiência energética, tragam soluções para os meios de transporte que vão além dos combustíveis fósseis e até aproveitem melhor os recursos da floresta. “Com isso, aumentam os investimentos nessas áreas, inclusive com incentivos no setor de educação, o que possibilita a criação de novos profissionais nesses campos e gera oportunidades de inserção em novos mercados, como o de energias renováveis, que cresce entre 30% e 40% ao ano”, observa João Talochi, representante do Greenpeace.
É de se esperar que, daqui para frente, especialmente se as exigências do acordo de Copenhague forem rígidas, surjam novas profissões no mercado e a valorização de novos talentos que possibilitem a aceleração de uma economia de baixo carbono e pequeno impacto ambiental.
Tasso Azevedo, assessor especial do Ministério do Meio Ambiente para assuntos de floresta e clima, ainda afirma que o Brasil é um dos países que mais pode vislumbrar oportunidades no processo de redução de emissões. Entre elas está o desenvolvimento de energias limpas e tecnologias diferenciadas e a geração de novos empregos.
Agora, saiba como sua vida pode mudar, setor por setor, dependendo do que for decidido na COP-15. O que dá para adiantar é que, para que seja feita a redução de emissões de carbono, evidentemente, será preciso contar com a consciência individual e coletiva, mas não se iluda: as medidas vão mexer no bolso de muita gente.
[img1] Novos meios de transporte para reduzir emissões
Para diminuir a quantidade de carbono que lançamos na atmosfera, será preciso repensar a maneira como nos locomovemos e o tipo de combustível que utilizamos em nossos veículos. Esse será um dos focos de atenção dos países que estiverem preocupados em reduzir emissões após o acordo climático de Copenhague
[img2] Mais energia limpa, menos carbono
Taxação do petróleo e seus derivados, incentivos para o uso de fontes renováveis de energia e até para a geração de fontes antes desconhecidas, como o bagaço de cana e o lixo urbano, são assuntos que farão parte das discussões da 15ª Conferência das Partes, da ONU, em Copenhague, e que podem mudar o cenário energético do mundo
[img3] Produzir e comprar em função do carbono
Dependendo do que for acordado em Copenhague, as cadeias produtivas deverão reduzir suas emissões de carbono. Até porque, é bem possível que os produtos sejam taxados em função da quantidade de gases de efeito estufa que emitem. O consumidor será o responsável