ser verde para crescer
Ecovantagem nos negócios
O consultor americano e autor do livro “O verde que vale ouro”, Andrew Winston, veio ao Brasil para falar sobre a postura dos executivos e empresas diante das novas demandas e desafios ambientais que apareceram no mundo dos negócios, especialmente em tempos de crise econômica
Débora Spitzcovsky
Planeta Sustentável - 23/06/2009
Se tornar verde não é um custo, é cortar custos. Foi com essa frase que Andrew Winston, diretor do Corporate Environmental Strategy Project, da Universidade de Yale, começou o bate-papo que teve com jornalistas, ontem a tarde, no Wal-Mart do Morumbi, para falar da onda verde que contamina, cada vez mais, as empresas.
De acordo com Winston, o distanciamento que existia entre ambientalistas e executivos está diminuindo, pouco a pouco, no cenário dos negócios, mas o colapso econômico de 2008 atrapalhou o desenvolvimento do setor. “As empresas finalmente estão aderindo às práticas sustentáveis, mas pelos motivos errados ou, no mínimo, menos nobres. A sustentabilidade é importante nos negócios porque, sem capital natural, não existe capital financeiro. Mas os empresários, obviamente, não se preocupam com o meio ambiente e, sim, com os lucros, o que gera recessões nesse setor em épocas de crise”, explica Winston.
No entanto, ainda que se leve em conta a questão da lucratividade, a ideia de que empresas não devem investir em práticas sustentáveis durante momentos de crise financeira é errada. Segundo o consultor americano, esse tipo de investimento gera retorno monetário aos negócios em, no máximo, 18 meses, basta apostar nos setores corretos. “Energia renovável, tratamento de água e ecoeficiência de edifícios, de um modo geral, são áreas promissoras atualmente”, diz Winston, que, por conta desse mito que se criou em torno da crise econômica, está lançando, no mês que vem, em inglês, seu segundo livro: o Green Recovery (Recuperação Verde, em tradução livre). (Leia também a resenha da primeira obra do autor: O verde que vale ouro)
O especialista americano ainda aproveitou a ocasião para alertar os consumidores para um fenômeno que está se tornando frequente diante do crescimento dos negócios sustentáveis: as empresas que “lavam verde”. Segundo Winston, para passar uma imagem positiva na mídia, elas simulam falsos benefícios ambientais. “Por exemplo, muitas inserem avisos como ‘A composição deste produto não danifica o ambiente’, quando, na verdade, a fórmula do produto não foi alterada e era ecológica desde o início. Ou seja, a empresa não está fazendo nada novo para neutralizar suas atividades”, explica Winston. De acordo com o consultor, para evitar esse tipo de enganação, o consumidor deve desconfiar de toda ação que não seja embasada em números.
E esse não é o único papel que Winston atribui para a sociedade na construção de um mundo mais sustentável. Além de senso crítico, o consultor americano também pede para que as pessoas tenham mais consciência na hora do consumo. “A mudança deve ser uma ação conjunta entre governos, empresas e sociedade. Os governos também estão começando a agir e o encontro em Copenhague é um exemplo disso. Agora, é preciso controlar o consumismo, que anda exagerado, para não sobrecarregar os outros dois lados desse triângulo”, finaliza Winston.
Se tornar verde não é um custo, é cortar custos. Foi com essa frase que Andrew Winston, diretor do Corporate Environmental Strategy Project, da Universidade de Yale, começou o bate-papo que teve com jornalistas, ontem a tarde, no Wal-Mart do Morumbi, para falar da onda verde que contamina, cada vez mais, as empresas.
De acordo com Winston, o distanciamento que existia entre ambientalistas e executivos está diminuindo, pouco a pouco, no cenário dos negócios, mas o colapso econômico de 2008 atrapalhou o desenvolvimento do setor. “As empresas finalmente estão aderindo às práticas sustentáveis, mas pelos motivos errados ou, no mínimo, menos nobres. A sustentabilidade é importante nos negócios porque, sem capital natural, não existe capital financeiro. Mas os empresários, obviamente, não se preocupam com o meio ambiente e, sim, com os lucros, o que gera recessões nesse setor em épocas de crise”, explica Winston.
No entanto, ainda que se leve em conta a questão da lucratividade, a ideia de que empresas não devem investir em práticas sustentáveis durante momentos de crise financeira é errada. Segundo o consultor americano, esse tipo de investimento gera retorno monetário aos negócios em, no máximo, 18 meses, basta apostar nos setores corretos. “Energia renovável, tratamento de água e ecoeficiência de edifícios, de um modo geral, são áreas promissoras atualmente”, diz Winston, que, por conta desse mito que se criou em torno da crise econômica, está lançando, no mês que vem, em inglês, seu segundo livro: o Green Recovery (Recuperação Verde, em tradução livre). (Leia também a resenha da primeira obra do autor: O verde que vale ouro)
O especialista americano ainda aproveitou a ocasião para alertar os consumidores para um fenômeno que está se tornando frequente diante do crescimento dos negócios sustentáveis: as empresas que “lavam verde”. Segundo Winston, para passar uma imagem positiva na mídia, elas simulam falsos benefícios ambientais. “Por exemplo, muitas inserem avisos como ‘A composição deste produto não danifica o ambiente’, quando, na verdade, a fórmula do produto não foi alterada e era ecológica desde o início. Ou seja, a empresa não está fazendo nada novo para neutralizar suas atividades”, explica Winston. De acordo com o consultor, para evitar esse tipo de enganação, o consumidor deve desconfiar de toda ação que não seja embasada em números.
E esse não é o único papel que Winston atribui para a sociedade na construção de um mundo mais sustentável. Além de senso crítico, o consultor americano também pede para que as pessoas tenham mais consciência na hora do consumo. “A mudança deve ser uma ação conjunta entre governos, empresas e sociedade. Os governos também estão começando a agir e o encontro em Copenhague é um exemplo disso. Agora, é preciso controlar o consumismo, que anda exagerado, para não sobrecarregar os outros dois lados desse triângulo”, finaliza Winston.