ponto a ponto
O que precisa mudar no Brasil?
Essa é a pergunta feita pelo PNUD à população brasileira. O tema mais mencionado será o foco do novo Relatório de Desenvolvimento Humano Nacional, que deve ser lançado no começo de 2010. A participação é aberta a todos no site Brasil Ponto a Ponto até o dia 15 de abril
Thays Prado
Planeta Sustentável - 02/04/2009
Você sabe que andamento teve o último Relatório de Desenvolvimento Humano realizado pela ONU, o que o governo brasileiro fez a partir dos resultados encontrados ali e onde está o documento? Provavelmente não, e é isso mesmo o que costuma acontecer. Os relatórios feitos pelo PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento são trabalhos respeitados, de excelência acadêmica, mas, passadas as manchetes que a imprensa lhes rende quando são lançados, o assunto morre e quase ninguém sabe o que acontece depois.
Além disso, quem decide o tema de cada relatório costuma ser um grupo pequeno de pessoas com conhecimento, sim, mas, muitas vezes, sem a vivência das principais questões sociais do país.
Por esses motivos, este ano, o PNUD do Brasil decidiu incluir a população na decisão do tema do próximo Relatório de Desenvolvimento Humano Nacional, com conclusão prevista para fevereiro de 2010. Com a pergunta “O que precisa mudar no Brasil para a sua vida melhorar de verdade?”, o site do Brasil Ponto a Ponto, quer mobilizar o cidadão comum a dar a sua opinião sobre qual é a questão mais relevante para o país neste momento. Sob o mote do “Qual é o seu ponto?”, a iniciativa considera importante a opinião de qualquer pessoa que entre no site e se manifeste sobre o assunto via texto ou vídeo.
Até agora, mais de 225 mil pessoas contribuíram com o seu comentário. Pelas cerca de 3.500 respostas que Flávio Comim, coordenador do Relatório de Desenvolvimento Humano Brasileiro, já leu, sua impressão é a de que os brasileiros estão descrentes de suas lideranças, têm consciência da desigualdade social, um forte sentimento de impunidade e apatia e, ao mesmo tempo, uma grande crença de que o país pode melhorar através da educação – que vai além do ler, escrever e fazer contas e abarca os conceitos do que é moral e socialmente certo ou errado.
Ainda aparecem nos relatos a preocupação com o fato de as escolas se tornarem espaços de violência e um novo termo, a alteridade. Para os brasileiros, grande parte das pessoas não se importa com o outro, praticando a desonestidade e a violação dos direitos alheios. A violência doméstica e os problemas de corrupção social também são bastante apontados pelos participantes.
Todo mundo pode ter acesso aos comentários feitos no site. Basta cliclar em um dos estados no mapa do Brasil que fica no centro da página.
A iniciativa de contar com a participação popular para a elaboração dos relatórios é inédita no mundo. Isso porque a função principal desses documentos é servir de diagnóstico e consulta para os governos. Mas Flávio Comim explica que o PNUD do Brasil percebeu que há um potencial imenso de que os cidadãos, até então descritos como parte dos problemas do país, passem a ser, efetivamente, agentes das soluções.
Para o coordenador, o Brasil é mesmo um país propício para a novidade, já que “dispomos de boa capacidade técnica e de mão de obra e possuímos alta densidade de massa crítica e discussão pública. Nós, brasileiros, sabemos onde queremos chegar. Por isso, o primeiro passo é quebrar a apatia das pessoas e convencê-las de que o documento pode fazer a diferença”.
A intenção é dar vida ao relatório. Por isso, ele será dividido em quatro etapas, cada uma acompanhada de uma campanha dirigida à população:
- na primeira, prevista para o final de abril, saberemos qual tema foi escolhido como foco do relatório;
- em seguida, teremos acesso ao diagnóstico realizado pela equipe do PNUD e aos problemas relacionados ao assunto destacado;
- a terceira etapa vai propor uma agenda positiva para o tema, apontando como ir adiante e quais as opções para resolver tais questões e
- para fevereiro de 2010, está prevista a divulgação do relatório final.
Para envolver o maior número de pessoas, nas campanhas, serão usados meios de comunicação de massa e outras ferramentas capazes de utilizar uma linguagem simples e adequada ao entendimento de todos. “Consideramos as vozes que vêm das pessoas, isso agrega conhecimento prático ao documento e nos dá pistas do que fazer nas campanhas para mobilizá-las, pois queremos devolver esse documento para elas”, reforça Comim. O objetivo é gerar uma tomada de consciência por parte dos cidadãos comuns sobre a responsabilidade de cada um diante dos problemas do país.
Os interessados em participar da consulta têm até o dia 15 de abril para enviar a sua manifestação pelo site do Brasil Ponto a Ponto.
Você sabe que andamento teve o último Relatório de Desenvolvimento Humano realizado pela ONU, o que o governo brasileiro fez a partir dos resultados encontrados ali e onde está o documento? Provavelmente não, e é isso mesmo o que costuma acontecer. Os relatórios feitos pelo PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento são trabalhos respeitados, de excelência acadêmica, mas, passadas as manchetes que a imprensa lhes rende quando são lançados, o assunto morre e quase ninguém sabe o que acontece depois.
Além disso, quem decide o tema de cada relatório costuma ser um grupo pequeno de pessoas com conhecimento, sim, mas, muitas vezes, sem a vivência das principais questões sociais do país.
Por esses motivos, este ano, o PNUD do Brasil decidiu incluir a população na decisão do tema do próximo Relatório de Desenvolvimento Humano Nacional, com conclusão prevista para fevereiro de 2010. Com a pergunta “O que precisa mudar no Brasil para a sua vida melhorar de verdade?”, o site do Brasil Ponto a Ponto, quer mobilizar o cidadão comum a dar a sua opinião sobre qual é a questão mais relevante para o país neste momento. Sob o mote do “Qual é o seu ponto?”, a iniciativa considera importante a opinião de qualquer pessoa que entre no site e se manifeste sobre o assunto via texto ou vídeo.
Até agora, mais de 225 mil pessoas contribuíram com o seu comentário. Pelas cerca de 3.500 respostas que Flávio Comim, coordenador do Relatório de Desenvolvimento Humano Brasileiro, já leu, sua impressão é a de que os brasileiros estão descrentes de suas lideranças, têm consciência da desigualdade social, um forte sentimento de impunidade e apatia e, ao mesmo tempo, uma grande crença de que o país pode melhorar através da educação – que vai além do ler, escrever e fazer contas e abarca os conceitos do que é moral e socialmente certo ou errado.
Ainda aparecem nos relatos a preocupação com o fato de as escolas se tornarem espaços de violência e um novo termo, a alteridade. Para os brasileiros, grande parte das pessoas não se importa com o outro, praticando a desonestidade e a violação dos direitos alheios. A violência doméstica e os problemas de corrupção social também são bastante apontados pelos participantes.
Todo mundo pode ter acesso aos comentários feitos no site. Basta cliclar em um dos estados no mapa do Brasil que fica no centro da página.
A iniciativa de contar com a participação popular para a elaboração dos relatórios é inédita no mundo. Isso porque a função principal desses documentos é servir de diagnóstico e consulta para os governos. Mas Flávio Comim explica que o PNUD do Brasil percebeu que há um potencial imenso de que os cidadãos, até então descritos como parte dos problemas do país, passem a ser, efetivamente, agentes das soluções.
Para o coordenador, o Brasil é mesmo um país propício para a novidade, já que “dispomos de boa capacidade técnica e de mão de obra e possuímos alta densidade de massa crítica e discussão pública. Nós, brasileiros, sabemos onde queremos chegar. Por isso, o primeiro passo é quebrar a apatia das pessoas e convencê-las de que o documento pode fazer a diferença”.
A intenção é dar vida ao relatório. Por isso, ele será dividido em quatro etapas, cada uma acompanhada de uma campanha dirigida à população:
- na primeira, prevista para o final de abril, saberemos qual tema foi escolhido como foco do relatório;
- em seguida, teremos acesso ao diagnóstico realizado pela equipe do PNUD e aos problemas relacionados ao assunto destacado;
- a terceira etapa vai propor uma agenda positiva para o tema, apontando como ir adiante e quais as opções para resolver tais questões e
- para fevereiro de 2010, está prevista a divulgação do relatório final.
Para envolver o maior número de pessoas, nas campanhas, serão usados meios de comunicação de massa e outras ferramentas capazes de utilizar uma linguagem simples e adequada ao entendimento de todos. “Consideramos as vozes que vêm das pessoas, isso agrega conhecimento prático ao documento e nos dá pistas do que fazer nas campanhas para mobilizá-las, pois queremos devolver esse documento para elas”, reforça Comim. O objetivo é gerar uma tomada de consciência por parte dos cidadãos comuns sobre a responsabilidade de cada um diante dos problemas do país.
Os interessados em participar da consulta têm até o dia 15 de abril para enviar a sua manifestação pelo site do Brasil Ponto a Ponto.