pra lá de ecológico
50 mil quilômetros num táxi... solar!
Louis Palmer está dando a volta ao mundo em um táxi movido a energia solar. Em um ano e meio de viagem, ele vai percorrer 50 mil quilômetros. Para ele, esse é o combustível do futuro
Por Suzana Camargo - Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentável – 22/10/2008
Quando tinha 11 anos, o então estudante Louis Palmer ficou impressionado quando sua professora falou sobre aquecimento global e a possível escassez de petróleo no futuro. Ficou, então, imaginando o que poderia fazer para ajudar a resolver o problema. Aos 14 anos, o jovem decidiu que ia viajar pelo mundo num carro que não destruísse o meio ambiente. Naquele ano, em 1986, desenhou o primeiro protótipo do seu carro solar. Vinte anos depois, em 2006, Palmer fazia a primeira viagem-teste entre Suíça e Espanha com sua invenção.
Peter Garret, Ministro do Meio Ambiente da Austrália, Michael Bloomberg, prefeito de Nova York, Ban Ki-Moon, secretário geral das Nações Unidas e Bianca Jagger, presidente do World Future Council são apenas algumas das pessoas que já tiveram a oportunidade de ganhar uma carona no táxi solar desse professor ginasial, de 37 anos. “Eu dou uma carona a eles apenas para que possam abrir os olhos para esse problema mundial”, diz Palmer. “Todos são muito simpáticos, mas o que realmente precisamos é que eles apóiem a idéia da produção de carros não-poluentes e de novas alternativas de combustíveis limpos”.
Para realizar o sonho da construção do táxi solar, o suíço contou com a ajuda de várias universidades e institutos de pesquisa de seu país. O veículo é elétrico e funciona com uma bateria Zebra (100% reciclável, feita de sal, cerâmica e níquel), produzida num tamanho menor para caber no carro. O táxi consegue rodar cerca de 100 km por dia e atinge velocidade máxima de 90 km/hora. Se for preciso andar mais de 100 km num dia, a bateria deve ser recarregada.
O carro pesa cerca de 500 kg e consome 8 kWh/100 km, o equivalente a 0,81 litros de petróleo a cada 100 km. Para a viagem de volta ao mundo, Palmer acoplou um trailer de cinco metros, coberto com painéis de células solares. Isso não significa que o veículo precisa do trailer para andar, mas foi apenas uma forma do professor mostrar às pessoas como a energia solar pode ser facilmente captada. Quando está em sua cidade, na Suíça, Louis Palmer dirige o veículo sem o trailer. Vai ao trabalho com ele, faz compras, viaja nos finais de semana...
A grande expedição começou em julho de 2007, quando o táxi solar deixou a cidade de Lucerna, na região central da Suíça. Palmer passou por países da Europa, Ásia, Áustralia, Ámerica do Norte e, em breve, estará de volta à Europa. A final da maratona acontecerá no começo de dezembro, exatamente na cidade de Poznan, na Polônia, durante a 14. Conferência Mundial sobre Mudanças Climáticas. O intuito da viagem é chamar a atenção de todos - autoridades, celebridades e a sociedade em geral - para a real possibilidade da produção em série de carros movidos com energia limpa, que não emitem CO2 na atmosfera e, conseqüentemente, não poluem o meio ambiente.
Recentemente, quando chegou a Nova York, Palmer disse que o táxi funcionava como um relógio suíço. “Não enfrentei problema nenhum durante a viagem e as pessoas simplesmente adoram o carro. Ele se tornou bastante popular e todos me perguntam onde podem comprá-lo”, conta feliz.
Para ele, além de viável e não-poluente, o veículo solar é uma alternativa barata, que pode custar em torno de CHF 15 mil (cerca de R$ 24 mil). O que mais encarece o projeto é o preço da bateria. “Mas se houver uma produção de baterias em massa, é óbvio que o custo vai cair”, afirma.
Num encontro informal com a fabricante de carros GM, executivos da empresa lhe afirmaram que em dois anos, os primeiros carros elétricos estarão rodando nas ruas. Outra preocupação do professor é que os governos precisam estimular a produção desse tipo de automóvel. Uma boa alternativa seria reduzir os encargos tributários. “Nenhum país no mundo está fazendo o suficiente. Todo mundo sabe que o clima está mudando, mas me parece que muita gente simplesmente não se preocupa com isso”, revela um Palmer preocupado.
Durante a viagem, o suíço fez palestras, se encontrou com autoridades e visitou escolas. Ficou surpreso ao se deparar com crianças conscientes sobre a mudança climática. “Elas sabem tudo sobre aquecimento global e me perguntaram porque carros como esse ainda não estão sendo produzidos”.
Louis Palmer já tem um novo projeto em andamento. Em 2010, pretende organizar uma corrida de volta ao mundo em 80 dias, exatamente como a de Jules Verne. A única diferença é que, agora, os competidores vão viajar em carros solares. Para isso, convidou universidades e indústrias para participar na nova aventura. Já recebeu sinal verde de instituições da Coréia, Nova Zelândia, Espanha, Suíça, Canadá e Estados Unidos.
NOVA YORK E LONDRES: BONS EXEMPLOS
Nova York e Londres são as cidades com os táxis mais famosos do mundo. A primeira, pelos veículos amarelos que, simplesmente, dominam as ruas. Já a capital inglesa é conhecida pelo charme dos antigos black cabs. Mas a cidade americana pretende fazer uma grande mudança. No ano passado, o prefeito Michael Bloomberg anunciou que, até 2012, toda a frota de táxis de Nova York será híbrida. São aproximadamente 13 mil yellow cabs!!
Os motores dos carros híbridos funcionam com uma combinação de gasolina e eletricidade. Emitem menos gases poluentes e consomem menos combustível. Um táxi normal, de NY, como um Ford Crown Victoria, roda cerca de seis quilômetros com um litro de gasolina. Já um Ford Escape consegue fazer 15 quilômetros com o mesmo litro. Atualmente, 90% da frota novaiorquina é composta pelo Ford Crown.
A partir deste mês, qualquer novo automóvel que entrar na frota da cidade terá que rodar no mínimo 10 km/litro. Em 2009, só serão aceitos táxis híbridos, e, atingindo pelo menos 13 km/litro. Entretanto, carros híbridos ainda são bem mais caros do que os convencionais. Mas o custo acaba compensando após um tempo. Recentemente, três grandes indústrias automobilísticas se comprometeram a entregar 300 carros híbridos por mês, exclusivamente para serem usados como táxis em NY.
Em várias outras cidades do mundo, companhias de táxi estão investindo em carros menos poluentes, híbridos ou movidos a gás. Em Londres, por exemplo, a empresa Greentomatocars utiliza somente o Toyota Prius, considerado o carro mais “verde” do mercado. (Leia a reportagem “O mais verde do mundo“). Ele emite menos da metade do dióxido de carbono liberado por um veículo normal.
Atualmente, a Greentomatocars trabalha com 90 carros em Londres e, há poucos meses, abriu uma filial em Sidney, na Austrália. Fundada em 2006, por advogados que decidiram trabalhar com algo mais criativo, mas, também, contribuir com a sociedade, os sócios investem em projetos ambientais. Para isso, utilizam a tabela que calcula quanto CO2 seus táxis liberam na atmosfera a cada quilômetro percorrido e o valor que devem pagar para “compensar” essa emissão. Nos últimos dois anos, a empresa já pagou o equivalente a mil toneladas de CO2. O dinheiro está sendo destinado a vários projetos da organização Climate Care, entre eles, o reflorestamento do Parque Nacional de Kibale, em Uganda, na África. A floresta, que foi destruída na década de 70, é um importante habitat de 13 espécies de primatas.
“Apenas ser verde não é suficiente, temos que oferecer também um excelente serviço”, garante Jonny Goldstone, diretor e sócio da Greentomatocars. Ele comenta que muitas empresas “ecologicamente corretas”, cobram mais por isso. “Para sermos competitivos, não podemos ter um preço mais alto que os outros táxis do mercado”. A Greentomatocars está estudando a possibilidade de incluir carros elétricos em sua frota. Eles circulariam somente no centro de Londres. Agora é torcer para que o estudo vire realidade.
Leia também:
Visionário ou maluco?
O impulso do celular
O começo do fim
Usados eletrizados
A segunda onda
Verde vivo
Adeus à gasolina?
Quando tinha 11 anos, o então estudante Louis Palmer ficou impressionado quando sua professora falou sobre aquecimento global e a possível escassez de petróleo no futuro. Ficou, então, imaginando o que poderia fazer para ajudar a resolver o problema. Aos 14 anos, o jovem decidiu que ia viajar pelo mundo num carro que não destruísse o meio ambiente. Naquele ano, em 1986, desenhou o primeiro protótipo do seu carro solar. Vinte anos depois, em 2006, Palmer fazia a primeira viagem-teste entre Suíça e Espanha com sua invenção.
Peter Garret, Ministro do Meio Ambiente da Austrália, Michael Bloomberg, prefeito de Nova York, Ban Ki-Moon, secretário geral das Nações Unidas e Bianca Jagger, presidente do World Future Council são apenas algumas das pessoas que já tiveram a oportunidade de ganhar uma carona no táxi solar desse professor ginasial, de 37 anos. “Eu dou uma carona a eles apenas para que possam abrir os olhos para esse problema mundial”, diz Palmer. “Todos são muito simpáticos, mas o que realmente precisamos é que eles apóiem a idéia da produção de carros não-poluentes e de novas alternativas de combustíveis limpos”.
Para realizar o sonho da construção do táxi solar, o suíço contou com a ajuda de várias universidades e institutos de pesquisa de seu país. O veículo é elétrico e funciona com uma bateria Zebra (100% reciclável, feita de sal, cerâmica e níquel), produzida num tamanho menor para caber no carro. O táxi consegue rodar cerca de 100 km por dia e atinge velocidade máxima de 90 km/hora. Se for preciso andar mais de 100 km num dia, a bateria deve ser recarregada.
O carro pesa cerca de 500 kg e consome 8 kWh/100 km, o equivalente a 0,81 litros de petróleo a cada 100 km. Para a viagem de volta ao mundo, Palmer acoplou um trailer de cinco metros, coberto com painéis de células solares. Isso não significa que o veículo precisa do trailer para andar, mas foi apenas uma forma do professor mostrar às pessoas como a energia solar pode ser facilmente captada. Quando está em sua cidade, na Suíça, Louis Palmer dirige o veículo sem o trailer. Vai ao trabalho com ele, faz compras, viaja nos finais de semana...
A grande expedição começou em julho de 2007, quando o táxi solar deixou a cidade de Lucerna, na região central da Suíça. Palmer passou por países da Europa, Ásia, Áustralia, Ámerica do Norte e, em breve, estará de volta à Europa. A final da maratona acontecerá no começo de dezembro, exatamente na cidade de Poznan, na Polônia, durante a 14. Conferência Mundial sobre Mudanças Climáticas. O intuito da viagem é chamar a atenção de todos - autoridades, celebridades e a sociedade em geral - para a real possibilidade da produção em série de carros movidos com energia limpa, que não emitem CO2 na atmosfera e, conseqüentemente, não poluem o meio ambiente.
Recentemente, quando chegou a Nova York, Palmer disse que o táxi funcionava como um relógio suíço. “Não enfrentei problema nenhum durante a viagem e as pessoas simplesmente adoram o carro. Ele se tornou bastante popular e todos me perguntam onde podem comprá-lo”, conta feliz.
Para ele, além de viável e não-poluente, o veículo solar é uma alternativa barata, que pode custar em torno de CHF 15 mil (cerca de R$ 24 mil). O que mais encarece o projeto é o preço da bateria. “Mas se houver uma produção de baterias em massa, é óbvio que o custo vai cair”, afirma.
Num encontro informal com a fabricante de carros GM, executivos da empresa lhe afirmaram que em dois anos, os primeiros carros elétricos estarão rodando nas ruas. Outra preocupação do professor é que os governos precisam estimular a produção desse tipo de automóvel. Uma boa alternativa seria reduzir os encargos tributários. “Nenhum país no mundo está fazendo o suficiente. Todo mundo sabe que o clima está mudando, mas me parece que muita gente simplesmente não se preocupa com isso”, revela um Palmer preocupado.
Durante a viagem, o suíço fez palestras, se encontrou com autoridades e visitou escolas. Ficou surpreso ao se deparar com crianças conscientes sobre a mudança climática. “Elas sabem tudo sobre aquecimento global e me perguntaram porque carros como esse ainda não estão sendo produzidos”.
Louis Palmer já tem um novo projeto em andamento. Em 2010, pretende organizar uma corrida de volta ao mundo em 80 dias, exatamente como a de Jules Verne. A única diferença é que, agora, os competidores vão viajar em carros solares. Para isso, convidou universidades e indústrias para participar na nova aventura. Já recebeu sinal verde de instituições da Coréia, Nova Zelândia, Espanha, Suíça, Canadá e Estados Unidos.
NOVA YORK E LONDRES: BONS EXEMPLOS
Nova York e Londres são as cidades com os táxis mais famosos do mundo. A primeira, pelos veículos amarelos que, simplesmente, dominam as ruas. Já a capital inglesa é conhecida pelo charme dos antigos black cabs. Mas a cidade americana pretende fazer uma grande mudança. No ano passado, o prefeito Michael Bloomberg anunciou que, até 2012, toda a frota de táxis de Nova York será híbrida. São aproximadamente 13 mil yellow cabs!!
Os motores dos carros híbridos funcionam com uma combinação de gasolina e eletricidade. Emitem menos gases poluentes e consomem menos combustível. Um táxi normal, de NY, como um Ford Crown Victoria, roda cerca de seis quilômetros com um litro de gasolina. Já um Ford Escape consegue fazer 15 quilômetros com o mesmo litro. Atualmente, 90% da frota novaiorquina é composta pelo Ford Crown.
A partir deste mês, qualquer novo automóvel que entrar na frota da cidade terá que rodar no mínimo 10 km/litro. Em 2009, só serão aceitos táxis híbridos, e, atingindo pelo menos 13 km/litro. Entretanto, carros híbridos ainda são bem mais caros do que os convencionais. Mas o custo acaba compensando após um tempo. Recentemente, três grandes indústrias automobilísticas se comprometeram a entregar 300 carros híbridos por mês, exclusivamente para serem usados como táxis em NY.
Em várias outras cidades do mundo, companhias de táxi estão investindo em carros menos poluentes, híbridos ou movidos a gás. Em Londres, por exemplo, a empresa Greentomatocars utiliza somente o Toyota Prius, considerado o carro mais “verde” do mercado. (Leia a reportagem “O mais verde do mundo“). Ele emite menos da metade do dióxido de carbono liberado por um veículo normal.
Atualmente, a Greentomatocars trabalha com 90 carros em Londres e, há poucos meses, abriu uma filial em Sidney, na Austrália. Fundada em 2006, por advogados que decidiram trabalhar com algo mais criativo, mas, também, contribuir com a sociedade, os sócios investem em projetos ambientais. Para isso, utilizam a tabela que calcula quanto CO2 seus táxis liberam na atmosfera a cada quilômetro percorrido e o valor que devem pagar para “compensar” essa emissão. Nos últimos dois anos, a empresa já pagou o equivalente a mil toneladas de CO2. O dinheiro está sendo destinado a vários projetos da organização Climate Care, entre eles, o reflorestamento do Parque Nacional de Kibale, em Uganda, na África. A floresta, que foi destruída na década de 70, é um importante habitat de 13 espécies de primatas.
“Apenas ser verde não é suficiente, temos que oferecer também um excelente serviço”, garante Jonny Goldstone, diretor e sócio da Greentomatocars. Ele comenta que muitas empresas “ecologicamente corretas”, cobram mais por isso. “Para sermos competitivos, não podemos ter um preço mais alto que os outros táxis do mercado”. A Greentomatocars está estudando a possibilidade de incluir carros elétricos em sua frota. Eles circulariam somente no centro de Londres. Agora é torcer para que o estudo vire realidade.
Leia também:
Visionário ou maluco?
O impulso do celular
O começo do fim
Usados eletrizados
A segunda onda
Verde vivo
Adeus à gasolina?