Por Thays Prado
Planeta Sustentável - 26/08/2008
Em 1974, o incômodo do economista de Bangladesh, Muhammad Yunus, diante da pobreza em seu país chegou ao limite e ele decidiu que era preciso fazer alguma coisa para mudar aquela situação. Na época, o país foi assolado por uma onda de fome que matou milhares de bengaleses. Como professor de Economia na Universidade de Chittagong, era impossível continuar falando de uma realidade em sala de aula que nada condizia com o que se passava do lado de fora.
Ele recrutou seus alunos para que o acompanhassem em visitas a vilarejos pobres e verificassem quais eram as necessidades daquelas pessoas. E foi assim que eles perceberam o problema: a população pobre estava nas mãos de agiotas e sua grande questão era a falta de crédito nos bancos convencionais. (leia mais detalhes dessa empreitada de Yunus na resenha do livro O banqueiro dos pobres, de sua autoria).
Yunus decidiu empresar 27 dólares a 42 pessoas, sem juros e sem um prazo fixo para que devolvessem o dinheiro, de modo que elas pudessem se livrar dos agiotas. Chamado de louco pelos amigos, era de se esperar que ele jamais visse seu dinheiro novamente, mas não foi isso o que aconteceu: o economista não só reouve a quantia que havia emprestado, como organizou um projeto de microcrédito para pessoas pobres, que obteve apoio do Banco Central de Bangladesh e de outros bancos comerciais e se expandiu para diversos distritos do país. Se 27 dólares faziam aquelas pessoas mais felizes, isso poderia ser feito para muito mais gente, conta Yunus.
Em 1983, o Grameen, se tornou um banco independente sendo que noventa por cento dele é de propriedade dos próprios tomadores de empréstimos e dez por cento pertence ao governo. A idéia lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz de 2006. Repare bem: Yunus não ganhou o prêmio de Economia, pois, segundo os jurados, a paz não pode ser alcançada sem o fim da pobreza para a qual o microcrédito se mostra como uma das saídas.
Em evento realizado na Editora Abril, pela revista Exame, com o apoio do Planeta Sustentável, no dia 25 de agosto, Muhammad Yunus dividiu sua experiência com uma platéia formada por grandes empresários do país.
Hoje, o Grameen é o maior e mais famoso banco de microcrédito do mundo, tem um superávit anual de 22 milhões de dólares, conta com 22 mil funcionários e já emprestou mais de 7 bilhões a cerca de 7 milhões e meio de pessoas. O índice de inadimplência é de dar inveja a qualquer banco convencional: não chega a 2%.
Ao contrário das instituições financeiras comuns, o banco é que vai até a casa de seus clientes e dialoga com eles sobre suas necessidades. Às pessoas não é exigida nenhuma garantia, não é necessário contar com a presença de advogados ou atrasar o procedimento por conta de burocracias.
Para um país que sofre constantemente com enchentes e ciclones e possui milhares de pessoas pobres, que acabam perdendo todos os seus bens nesses desastres naturais freqüentes, a iniciativa fez uma grande diferença 65% dos clientes do banco já saíram da condição de miseráveis e são auto-suficientes. Yunus acredita que Bangladesh será capaz de chegar a 2015 tendo alcançado todos os objetivos do milênio entre eles, reduzir a pobreza em 50%. De acordo com o banqueiro, esse índice vem caindo a mais de 2% ao ano e, em 2030, o país não terá mais habitantes pobres. Nesse dia, poderá ser construído o Museu da Pobreza, para que as futuras gerações saibam como era o mundo antes, diz.
A VEZ DAS MULHERES
Noventa e sete por cento dos empréstimos do Grameen são concedidos a mulheres a maioria analfabeta. Yunus conta que, a princípio, a meta era destinar 50% do montante às mulheres e foi preciso muito esforço para isso. Logo eles perceberam que o dinheiro emprestado a elas era investido de modo a trazer mais benefícios para a família. O homem pode ir embora de casa, já a mulher dá mais atenção para os filhos e pensa no futuro.
Ele diz que o status das mulheres mudou completamente dentro de casa a partir do momento em que elas passaram a ter conta no banco, a serem sócias deste banco e a tomarem decisões estratégicas com o dinheiro que tinham em mãos.
SOMOS TODOS EMPREENDEDORES
A crença de que o microcrédito só funciona para as pessoas pobres que são empreendedoras, não faz sentido para Yunus: Todos nascemos empreendedores, faz parte da natureza humana. Mas muitos de nós não descobrem isso porque a sociedade não incentivou o desenvolvimento desse talento, o que é uma perda não só para a pessoa, mas para toda a humanidade.
Para demonstrar o que diz, o banqueiro dá o exemplo de um trabalho que o Grameen desenvolve com mendigos de Bangladesh, há quatro anos. Inicialmente, funcionários do banco conversaram com quase 3.000 mendigos para saber como eles haviam chegado àquela situação e perceberam que depois que se começa a pedir esmolas, é difícil voltar atrás e encontrar outra alternativa para sobreviver.
A solução proposta pelo banco foi emprestar dinheiro para que eles continuassem a sair de porta em porta afinal, não havia trabalho extra nisso mas carregando consigo alguma coisa que pudessem vender às pessoas em vez de simplesmente mendigar.
Atualmente, cerca de onze mil pararam completamente com a mendicância, e outros 9 mil são mendigos de meio período, brinca Yunus, dizendo que muitos desenvolveram suas estratégias para saber em que casas devem pedir dinheiro e em que casas podem vender seus produtos.
COM AS PRÓPRIAS PERNAS
Yunus diz que a culpa da desigualdade social é também dos bancos, já que dois terços da população mundial não atendem aos requisitos das instituições para solicitar empréstimos ou não podem arcar com os juros altos.
Ele também insiste que a pobreza não é algo natural, tampouco criada pelos pobres. Para o economista, quando as pessoas recebem uma oportunidade, sabem direcioná-la para seus talentos.
O que Yunus faz não tem a ver com caridade e sim com oportunidade. Como empréstimo, o dinheiro circula e se multiplica. Se fosse doado, seria rapidamente gasto sem gerar nenhum tipo de transformação social. Com o compromisso de devolução do dinheiro, ainda que sem prazo e sem juros, é preciso investir o montante e obter retorno. Assim que a pessoa quita a dívida, pode pegar mais dinheiro e continuar investindo.
Com o intuito de que sua ação seja realmente transformadora, o Grameen tem oferecido bolsas de estudos para as crianças. Normalmente, quando a família é analfabeta, não se faz muita questão de que os filhos estudem, diz Yunus. No entanto, quando essas crianças vão para a escola, mostram excelentes desempenhos e são os melhores da turma.
O banco também tem liberado crédito para cursos superiores. Mais de trinta mil alunos já chegaram à faculdade por meio desse incentivo e há casos de estudantes que concluíram o doutorado por conta disso. Depois de gerações e gerações de analfabetos, uma geração totalmente diferente está sendo formada. Eles são estudados, têm mais atenção com o que acontece no mundo e condições de ter uma vida melhor, diz Yunus.
EMPRESAS COM FOCO NO SOCIAL
Com a proposta do microcrédito, o próprio conceito de negócio é alterado: o lucro deixa de ocupar o papel principal em determinadas ações das empresas e, em seu lugar, entra o social. Nas palavras de Yunus, apesar de costumarmos enxergar os humanos como seres unilaterais, somos multilaterais, podemos ter diversos objetivos. Assim, os negócios incorporam a idéia de fazer o bem para as pessoas e para o planeta.
Se alguns empresários ainda podem olhar torto para o fato de o lucro não ser o alvo maior, Yunus diz que essa postura não se justifica. Ele lembra que boa parte das empresas possui fundações que distribuem dinheiro para a comunidade e não recebem nenhum retorno financeiro disso. Por que seria estranho falar em um investimento em que a empresa recebe o seu dinheiro de volta? No social business [ou negócio social] o dinheiro é reciclado em um ciclo infinito.
O próprio Grameen criou 26 empresas que prestam serviços a custos extremamente baixos para a população. Uma delas atende mais de 30 milhões de pessoas com telefonia celular e pode alcançar um terço da população até o ano que vem. Assim como o banco, a empresa também é de propriedade dos tomadores de empréstimos. O desafio agora é que elas tenham acesso à tecnologia de serviço de voz o meio mais eficiente de a população analfabeta adquirir informações úteis para o seu cotidiano.
Outra empresa do banco fornece energia solar, e já ultrapassou a marca das 70 mil instalações de painéis solares. Além de mais pessoas possuírem energia em casa, não contribuem para o aquecimento global.
O banco também realiza parcerias. A Danone, por exemplo, levou sua tecnologia para o país e vem desenvolvendo um iogurte enriquecido com todos os nutrientes de que as crianças na região são carentes a preços acessíveis aos pobres. Dois copos desse iogurte por semana durante um ano são capazes de melhorar a saúde dos pequenos. Nesse caso, o lucro não é financeiro e, sim, saber quantas crianças a mais estão saudáveis, comenta Yunus.
Também foi firmada uma parceria com uma companhia de água francesa. Na medida em que boa parte da água de Bangladesh está contaminada com arsênico, a população acaba ingerindo veneno todos os dias. A companhia construiu estação de tratamento que fornece água por centavos. Eles não querem lucrar, querem que a qualidade da água seja garantida à população, diz o banqueiro.
O projeto do Grameen está expandindo suas fronteiras. O bairro de Jackson Heights, em Nova York, ganhou, este ano, uma filial do banco, que empresta dinheiro a imigrantes de países latino-americanos, africanos e do sul da Ásia. Aliás, a própria idéia do microcrédito está difundida no mundo inteiro e várias instituições têm trabalhado com isso. No entanto, na maioria dos casos, ainda se trata de pequenos programas instáveis. Também há bancos que se aproveitam da nomenclatura de microcrédito para cobrar juros absurdos de quem não pode pagar por eles.
Atualmente, Muhammad Yunus luta fortemente contra esse tipo de prática. Isso não é microcrédito, eles são agiotas. Um exemplo é o banco Compartamos, no México, que cobrava mais de 100% de juros de seus clientes e, depois das pressões de Yunus e da ONG MicroFinance Transparency que monitora as atitudes dessas instituições , o banco baixou os juros para 80%, valor ainda inaceitável para quem se diz microcredor. A intenção de Yunus é que se estabeleça valores máximos de juros a serem cobrados nesse tipo de empréstimo.
Por Thays Prado
Planeta Sustentável - 26/08/2008
Em 1974, o incômodo do economista de Bangladesh, Muhammad Yunus, diante da pobreza em seu país chegou ao limite e ele decidiu que era preciso fazer alguma coisa para mudar aquela situação. Na época, o país foi assolado por uma onda de fome que matou milhares de bengaleses. Como professor de Economia na Universidade de Chittagong, era impossível continuar falando de uma realidade em sala de aula que nada condizia com o que se passava do lado de fora.
Ele recrutou seus alunos para que o acompanhassem em visitas a vilarejos pobres e verificassem quais eram as necessidades daquelas pessoas. E foi assim que eles perceberam o problema: a população pobre estava nas mãos de agiotas e sua grande questão era a falta de crédito nos bancos convencionais. (leia mais detalhes dessa empreitada de Yunus na resenha do livro O banqueiro dos pobres, de sua autoria).
Yunus decidiu empresar 27 dólares a 42 pessoas, sem juros e sem um prazo fixo para que devolvessem o dinheiro, de modo que elas pudessem se livrar dos agiotas. Chamado de louco pelos amigos, era de se esperar que ele jamais visse seu dinheiro novamente, mas não foi isso o que aconteceu: o economista não só reouve a quantia que havia emprestado, como organizou um projeto de microcrédito para pessoas pobres, que obteve apoio do Banco Central de Bangladesh e de outros bancos comerciais e se expandiu para diversos distritos do país. Se 27 dólares faziam aquelas pessoas mais felizes, isso poderia ser feito para muito mais gente, conta Yunus.
Em 1983, o Grameen, se tornou um banco independente sendo que noventa por cento dele é de propriedade dos próprios tomadores de empréstimos e dez por cento pertence ao governo. A idéia lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz de 2006. Repare bem: Yunus não ganhou o prêmio de Economia, pois, segundo os jurados, a paz não pode ser alcançada sem o fim da pobreza para a qual o microcrédito se mostra como uma das saídas.
Em evento realizado na Editora Abril, pela revista Exame, com o apoio do Planeta Sustentável, no dia 25 de agosto, Muhammad Yunus dividiu sua experiência com uma platéia formada por grandes empresários do país.
Hoje, o Grameen é o maior e mais famoso banco de microcrédito do mundo, tem um superávit anual de 22 milhões de dólares, conta com 22 mil funcionários e já emprestou mais de 7 bilhões a cerca de 7 milhões e meio de pessoas. O índice de inadimplência é de dar inveja a qualquer banco convencional: não chega a 2%.
Ao contrário das instituições financeiras comuns, o banco é que vai até a casa de seus clientes e dialoga com eles sobre suas necessidades. Às pessoas não é exigida nenhuma garantia, não é necessário contar com a presença de advogados ou atrasar o procedimento por conta de burocracias.
Para um país que sofre constantemente com enchentes e ciclones e possui milhares de pessoas pobres, que acabam perdendo todos os seus bens nesses desastres naturais freqüentes, a iniciativa fez uma grande diferença 65% dos clientes do banco já saíram da condição de miseráveis e são auto-suficientes. Yunus acredita que Bangladesh será capaz de chegar a 2015 tendo alcançado todos os objetivos do milênio entre eles, reduzir a pobreza em 50%. De acordo com o banqueiro, esse índice vem caindo a mais de 2% ao ano e, em 2030, o país não terá mais habitantes pobres. Nesse dia, poderá ser construído o Museu da Pobreza, para que as futuras gerações saibam como era o mundo antes, diz.
A VEZ DAS MULHERES
Noventa e sete por cento dos empréstimos do Grameen são concedidos a mulheres a maioria analfabeta. Yunus conta que, a princípio, a meta era destinar 50% do montante às mulheres e foi preciso muito esforço para isso. Logo eles perceberam que o dinheiro emprestado a elas era investido de modo a trazer mais benefícios para a família. O homem pode ir embora de casa, já a mulher dá mais atenção para os filhos e pensa no futuro.
Ele diz que o status das mulheres mudou completamente dentro de casa a partir do momento em que elas passaram a ter conta no banco, a serem sócias deste banco e a tomarem decisões estratégicas com o dinheiro que tinham em mãos.
SOMOS TODOS EMPREENDEDORES
A crença de que o microcrédito só funciona para as pessoas pobres que são empreendedoras, não faz sentido para Yunus: Todos nascemos empreendedores, faz parte da natureza humana. Mas muitos de nós não descobrem isso porque a sociedade não incentivou o desenvolvimento desse talento, o que é uma perda não só para a pessoa, mas para toda a humanidade.
Para demonstrar o que diz, o banqueiro dá o exemplo de um trabalho que o Grameen desenvolve com mendigos de Bangladesh, há quatro anos. Inicialmente, funcionários do banco conversaram com quase 3.000 mendigos para saber como eles haviam chegado àquela situação e perceberam que depois que se começa a pedir esmolas, é difícil voltar atrás e encontrar outra alternativa para sobreviver.
A solução proposta pelo banco foi emprestar dinheiro para que eles continuassem a sair de porta em porta afinal, não havia trabalho extra nisso mas carregando consigo alguma coisa que pudessem vender às pessoas em vez de simplesmente mendigar.
Atualmente, cerca de onze mil pararam completamente com a mendicância, e outros 9 mil são mendigos de meio período, brinca Yunus, dizendo que muitos desenvolveram suas estratégias para saber em que casas devem pedir dinheiro e em que casas podem vender seus produtos.
COM AS PRÓPRIAS PERNAS
Yunus diz que a culpa da desigualdade social é também dos bancos, já que dois terços da população mundial não atendem aos requisitos das instituições para solicitar empréstimos ou não podem arcar com os juros altos.
Ele também insiste que a pobreza não é algo natural, tampouco criada pelos pobres. Para o economista, quando as pessoas recebem uma oportunidade, sabem direcioná-la para seus talentos.
O que Yunus faz não tem a ver com caridade e sim com oportunidade. Como empréstimo, o dinheiro circula e se multiplica. Se fosse doado, seria rapidamente gasto sem gerar nenhum tipo de transformação social. Com o compromisso de devolução do dinheiro, ainda que sem prazo e sem juros, é preciso investir o montante e obter retorno. Assim que a pessoa quita a dívida, pode pegar mais dinheiro e continuar investindo.
Com o intuito de que sua ação seja realmente transformadora, o Grameen tem oferecido bolsas de estudos para as crianças. Normalmente, quando a família é analfabeta, não se faz muita questão de que os filhos estudem, diz Yunus. No entanto, quando essas crianças vão para a escola, mostram excelentes desempenhos e são os melhores da turma.
O banco também tem liberado crédito para cursos superiores. Mais de trinta mil alunos já chegaram à faculdade por meio desse incentivo e há casos de estudantes que concluíram o doutorado por conta disso. Depois de gerações e gerações de analfabetos, uma geração totalmente diferente está sendo formada. Eles são estudados, têm mais atenção com o que acontece no mundo e condições de ter uma vida melhor, diz Yunus.
EMPRESAS COM FOCO NO SOCIAL
Com a proposta do microcrédito, o próprio conceito de negócio é alterado: o lucro deixa de ocupar o papel principal em determinadas ações das empresas e, em seu lugar, entra o social. Nas palavras de Yunus, apesar de costumarmos enxergar os humanos como seres unilaterais, somos multilaterais, podemos ter diversos objetivos. Assim, os negócios incorporam a idéia de fazer o bem para as pessoas e para o planeta.
Se alguns empresários ainda podem olhar torto para o fato de o lucro não ser o alvo maior, Yunus diz que essa postura não se justifica. Ele lembra que boa parte das empresas possui fundações que distribuem dinheiro para a comunidade e não recebem nenhum retorno financeiro disso. Por que seria estranho falar em um investimento em que a empresa recebe o seu dinheiro de volta? No social business [ou negócio social] o dinheiro é reciclado em um ciclo infinito.
O próprio Grameen criou 26 empresas que prestam serviços a custos extremamente baixos para a população. Uma delas atende mais de 30 milhões de pessoas com telefonia celular e pode alcançar um terço da população até o ano que vem. Assim como o banco, a empresa também é de propriedade dos tomadores de empréstimos. O desafio agora é que elas tenham acesso à tecnologia de serviço de voz o meio mais eficiente de a população analfabeta adquirir informações úteis para o seu cotidiano.
Outra empresa do banco fornece energia solar, e já ultrapassou a marca das 70 mil instalações de painéis solares. Além de mais pessoas possuírem energia em casa, não contribuem para o aquecimento global.
O banco também realiza parcerias. A Danone, por exemplo, levou sua tecnologia para o país e vem desenvolvendo um iogurte enriquecido com todos os nutrientes de que as crianças na região são carentes a preços acessíveis aos pobres. Dois copos desse iogurte por semana durante um ano são capazes de melhorar a saúde dos pequenos. Nesse caso, o lucro não é financeiro e, sim, saber quantas crianças a mais estão saudáveis, comenta Yunus.
Também foi firmada uma parceria com uma companhia de água francesa. Na medida em que boa parte da água de Bangladesh está contaminada com arsênico, a população acaba ingerindo veneno todos os dias. A companhia construiu estação de tratamento que fornece água por centavos. Eles não querem lucrar, querem que a qualidade da água seja garantida à população, diz o banqueiro.
O projeto do Grameen está expandindo suas fronteiras. O bairro de Jackson Heights, em Nova York, ganhou, este ano, uma filial do banco, que empresta dinheiro a imigrantes de países latino-americanos, africanos e do sul da Ásia. Aliás, a própria idéia do microcrédito está difundida no mundo inteiro e várias instituições têm trabalhado com isso. No entanto, na maioria dos casos, ainda se trata de pequenos programas instáveis. Também há bancos que se aproveitam da nomenclatura de microcrédito para cobrar juros absurdos de quem não pode pagar por eles.
Atualmente, Muhammad Yunus luta fortemente contra esse tipo de prática. Isso não é microcrédito, eles são agiotas. Um exemplo é o banco Compartamos, no México, que cobrava mais de 100% de juros de seus clientes e, depois das pressões de Yunus e da ONG MicroFinance Transparency que monitora as atitudes dessas instituições , o banco baixou os juros para 80%, valor ainda inaceitável para quem se diz microcredor. A intenção de Yunus é que se estabeleça valores máximos de juros a serem cobrados nesse tipo de empréstimo.


























