tendências de consumo
De olho no mercado verde
Reiner Evers, diretor da Trendwatching - empresa especializada em pesquisas de tendências de consumo - esteve no Rio de Janeiro para discutir tendências de consumo em encontro com jornalistas
Por Gabriela Varanda - Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentável - 09/06/2008
Na última semana de maio, um grupo de cerca de 15 pessoas - entre publicitários, jornalistas e profissionais de planejamento brasileiros - foi convocado para um encontro com o holandês Reiner Evers, fundador da Trendwatching, empresa especializada em pesquisas de tendências de consumo, que estava no Rio de Janeiro. A conversa aconteceu num simpático café no bairro carioca do Leblon e abordou os rumos e as perspectivas do consumo verde no mundo.
[img1]Motivado pelo mote do último briefing da Trendwatching, enviado aos assinantes do site, sobre as tendências do consumo verde - intitulada Eco-iconic, Eco-embedded & Eco-boosters (Eco-icônicos, Eco-embutidos e Eco-incentivadores -, o Planeta Sustentável esteve lá para conhecer as perspectivas de mercado para produtos e serviços ambientalmente orientados, sob a ótica de Evers e Michell Zappa, que é brasileiro e webmaster do site da Trendwatching. "Já realizamos encontros como esse em cidades como Tóquio, Xangai, Londres e Nova York. Porém, nunca havíamos feito um encontro grande, com tantas pessoas. Foi uma experiência ótima", disse Zappa.
Apesar da opinião de muitos participantes de que o consumo verde no Brasil não passa de uma moda passageira, Evers ressaltou que, nos mercados europeu e americano, esse nicho já se estabeleceu. "Lá fora, já é uma realidade, as pessoas procuram por esse tipo de produto", salientou. "Não vejo motivo para que isso também não aconteça aqui", completou. "Percebemos que os produtos ecológicos passaram por uma fase de aceitação muito longa e que, no começo, eram todos caros, de baixa performance e feios. Depois passaram a se assemelhar mais a produtos normais, mantendo o lado eco. Hoje, esses produtos já ultrapassam esses limites e se tornaram icônicos, mesmo sem o aspecto da sustentabilidade. Achamos isso fundamental na aceitação desse tipo de produto, para consumidores do mundo todo", explicou Zappa.
Sobre a possibilidade do Brasil capitanear negócios de amplitude mundial, Evers mais uma vez se mostrou motivado. "O Brasil tem uma imagem ótima lá fora, bem estimulante", afirmou. "Acho que o Brasil é o país com o maior potencial de ser branded como sustentável. A percepção de sua natureza abundante é algo pouquíssimo explorado em termos de marca, no resto do mundo. Já construir negócios genuinamente sustentáveis localmente é outra oportunidade enorme. Temos ótimos exemplos de marcas cujo DNA já é totalmente baseado nisso, como a Natura", comentou Zappa.
Outra abordagem da sustentabilidade no Brasil foi também mencionada: o enfoque social em produtos que colaboram financeiramente com comunidades de baixa renda ao serem adquiridos, como, por exemplo, as peças artesanais. Alguns dos participantes defenderam que esses produtos (que ganham um valor agregado por terem sido feitos à mão) são valorizados muito mais pelo fato de possuírem características que os diferenciam e os tornam exclusivos, do que pelo seu valor "de ajuda".
Outro tema interessante discutido no encontro foi a mobilidade e a "não-localidade", condição a que todos nós estamos expostos hoje. A possibilidade de se estar on-line em qualquer parte do planeta seja por meio de notebooks (conectados em redes wi-fi) ou de telefones celulares de última geração foi um assunto polêmico durante o bate-papo. Para Evers, essa situação não será motivo para lamúrias entre representantes das novas gerações. "Eles saberão lidar com essa condição, que será considerada cotidiana. Hoje, podemos fazer um encontro presencial como esse, sem precisar checar o e-mail a toda hora, e isso nos dá prazer. Mas a conectividade será uma realidade e não haverá descontentamento", explicou.
Sobre novas oportunidades de mercado, a Trendwatching tem ainda algumas dicas:
-Faça um negócio considerando sempre o mercado global. Isso não significa que você precisa vender para o mundo todo, mas que você deve lembrar que seus consumidores - hoje - comparam seu produto ou serviço com outros semelhantes, globalmente.
-Não adianta ser o melhor só regionalmente, uma vez que as expectativas dos consumidores são absolutamente globais. A média aumentou", sugeriu Zappa. Ou seja, faça uso do bom e velho lema: aja localmente e pense globalmente.
-E lembre-se: todos os briefings da Trendwatching estão disponíveis, gratuitamente, no site da empresa.
Na última semana de maio, um grupo de cerca de 15 pessoas - entre publicitários, jornalistas e profissionais de planejamento brasileiros - foi convocado para um encontro com o holandês Reiner Evers, fundador da Trendwatching, empresa especializada em pesquisas de tendências de consumo, que estava no Rio de Janeiro. A conversa aconteceu num simpático café no bairro carioca do Leblon e abordou os rumos e as perspectivas do consumo verde no mundo.
[img1]Motivado pelo mote do último briefing da Trendwatching, enviado aos assinantes do site, sobre as tendências do consumo verde - intitulada Eco-iconic, Eco-embedded & Eco-boosters (Eco-icônicos, Eco-embutidos e Eco-incentivadores -, o Planeta Sustentável esteve lá para conhecer as perspectivas de mercado para produtos e serviços ambientalmente orientados, sob a ótica de Evers e Michell Zappa, que é brasileiro e webmaster do site da Trendwatching. "Já realizamos encontros como esse em cidades como Tóquio, Xangai, Londres e Nova York. Porém, nunca havíamos feito um encontro grande, com tantas pessoas. Foi uma experiência ótima", disse Zappa.
Apesar da opinião de muitos participantes de que o consumo verde no Brasil não passa de uma moda passageira, Evers ressaltou que, nos mercados europeu e americano, esse nicho já se estabeleceu. "Lá fora, já é uma realidade, as pessoas procuram por esse tipo de produto", salientou. "Não vejo motivo para que isso também não aconteça aqui", completou. "Percebemos que os produtos ecológicos passaram por uma fase de aceitação muito longa e que, no começo, eram todos caros, de baixa performance e feios. Depois passaram a se assemelhar mais a produtos normais, mantendo o lado eco. Hoje, esses produtos já ultrapassam esses limites e se tornaram icônicos, mesmo sem o aspecto da sustentabilidade. Achamos isso fundamental na aceitação desse tipo de produto, para consumidores do mundo todo", explicou Zappa.
Sobre a possibilidade do Brasil capitanear negócios de amplitude mundial, Evers mais uma vez se mostrou motivado. "O Brasil tem uma imagem ótima lá fora, bem estimulante", afirmou. "Acho que o Brasil é o país com o maior potencial de ser branded como sustentável. A percepção de sua natureza abundante é algo pouquíssimo explorado em termos de marca, no resto do mundo. Já construir negócios genuinamente sustentáveis localmente é outra oportunidade enorme. Temos ótimos exemplos de marcas cujo DNA já é totalmente baseado nisso, como a Natura", comentou Zappa.
Outra abordagem da sustentabilidade no Brasil foi também mencionada: o enfoque social em produtos que colaboram financeiramente com comunidades de baixa renda ao serem adquiridos, como, por exemplo, as peças artesanais. Alguns dos participantes defenderam que esses produtos (que ganham um valor agregado por terem sido feitos à mão) são valorizados muito mais pelo fato de possuírem características que os diferenciam e os tornam exclusivos, do que pelo seu valor "de ajuda".
Outro tema interessante discutido no encontro foi a mobilidade e a "não-localidade", condição a que todos nós estamos expostos hoje. A possibilidade de se estar on-line em qualquer parte do planeta seja por meio de notebooks (conectados em redes wi-fi) ou de telefones celulares de última geração foi um assunto polêmico durante o bate-papo. Para Evers, essa situação não será motivo para lamúrias entre representantes das novas gerações. "Eles saberão lidar com essa condição, que será considerada cotidiana. Hoje, podemos fazer um encontro presencial como esse, sem precisar checar o e-mail a toda hora, e isso nos dá prazer. Mas a conectividade será uma realidade e não haverá descontentamento", explicou.
Sobre novas oportunidades de mercado, a Trendwatching tem ainda algumas dicas:
-Faça um negócio considerando sempre o mercado global. Isso não significa que você precisa vender para o mundo todo, mas que você deve lembrar que seus consumidores - hoje - comparam seu produto ou serviço com outros semelhantes, globalmente.
-Não adianta ser o melhor só regionalmente, uma vez que as expectativas dos consumidores são absolutamente globais. A média aumentou", sugeriu Zappa. Ou seja, faça uso do bom e velho lema: aja localmente e pense globalmente.
-E lembre-se: todos os briefings da Trendwatching estão disponíveis, gratuitamente, no site da empresa.