o brasil para dentro
O país das montadoras
Nenhum setor foi tão beneficiado pela abertura da economia, pela estabilização e por incentivos estatais quanto o automobilístico
Por Duda Teixeira
Revista Veja - 31/07/2008
Por causa dessa conjuntura, as montadoras investirão neste ano 5 bilh˜øes de dólares, um recorde histórico. Hoje, o Brasil é o sétimo maior fabricante de veículos e o país que tem mais marcas produzidas em seu território: onze. A concorrência melhorou a qualidade dos produtos. No início da década, 70% dos carros brasileiros tinham motor 1.0. Hoje, são 54%. A onda atual de investimentos pode ser ainda mais benéfica que aquela em que se instalaram as montadoras no país, nos anos 50 e 60. Elas nnao são mais atraídas pela reserva de mercado.
Suas decisões levam em conta nnao só a demanda nacional, mas também a capacidade de exportação do Brasil. Um em cada quatro veículos feitos aqui é vendido no exterior. Desta vez, os novos investimentos também tendem a reduzir as desigualdades regionais brasileiras. Se São paulo foi o maior beneficiado pela primeira onda, agora as economias da Bahia, do Paraná, do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul e de Goiás lucram com o enorme efeito multiplicador da indústria automobilística
ABC Paulista
Berço da produção automotiva brasileira, Santo André, São Bernardo e São Caetano ainda fabricam quase a metade dos carros do país
Porto Real – Resende
Uma fábrica de caminhões da Volkswagen, instalada em 1996, quadruplicou o PIB da cidade
[img01]
CASO EXEMPLAR
São José dos Pinhais (PR)
O município da região metropolitana de Curitiba passou por reviravoltas nesta década. Há dez anos, era uma cidade-dormitório. O número de pessoas que chegam pela manhã para trabalhar já se iguala ao das que se dirigem para a capital no mesmo horário — sinal de que tem uma economia própria. O motor de São José são as fábricas da Volkswagen e da Renault. Elas ampliaram a oferta de empregos na cidade e, assim, atraíram migrantes. A população local cresceu 50%, chegando a 264 000 habitantes. Neste ano, pela primeira vez, haverá mais migrantes em São José do que pessoas nascidas no município
[img02]
CASO EXEMPLAR
Porto Real (RJ)
No oeste do Rio de Janeiro, a prefeitura de Porto Real, cidade de 14 500 habitantes, vive uma situação esdrúxula: arrecada tanto que tem dificuldade para gastar os recursos. O principal contribuinte é uma fábrica aberta pela Peugeot-Citroën em 2001. Com seu dinheiro, a prefeitura universalizou o saneamento e pavimentou ruas. Agora, mantém ônibus para levar os estudantes para faculdades de cidades vizinhas. Distribui 211 medicamentos em sua farmácia pública. Construiu praças que ainda esperam freqüentadores. Só falta investir em culinária. Por causa da sua colonização, Porto Real se diz a Itália fluminense, mas ainda carece de um restaurante italiano de qualidade
[img03] OS CAMINHOS DAS MONTADORAS
Antes concentradas em São Paulo, as montadoras de automóveis se espalham hoje por sete estados
1990
- 74,8 % da indústria automobilística brasileira estava concentrada em São Paulo
- 24,5 % da indústria estava em Minas Gerais
- 0,7 % em outros estados
Hoje
- 43,7 % da indústria está em São Paulo
- 24,6 % está em Minas Gerais
- 31,7 % se divide entre Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Nahia e Goiás
Leia também:
Cidade com novo motor
Por causa dessa conjuntura, as montadoras investirão neste ano 5 bilh˜øes de dólares, um recorde histórico. Hoje, o Brasil é o sétimo maior fabricante de veículos e o país que tem mais marcas produzidas em seu território: onze. A concorrência melhorou a qualidade dos produtos. No início da década, 70% dos carros brasileiros tinham motor 1.0. Hoje, são 54%. A onda atual de investimentos pode ser ainda mais benéfica que aquela em que se instalaram as montadoras no país, nos anos 50 e 60. Elas nnao são mais atraídas pela reserva de mercado.
Suas decisões levam em conta nnao só a demanda nacional, mas também a capacidade de exportação do Brasil. Um em cada quatro veículos feitos aqui é vendido no exterior. Desta vez, os novos investimentos também tendem a reduzir as desigualdades regionais brasileiras. Se São paulo foi o maior beneficiado pela primeira onda, agora as economias da Bahia, do Paraná, do Rio de Janeiro, do Rio Grande do Sul e de Goiás lucram com o enorme efeito multiplicador da indústria automobilística
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O município da região metropolitana de Curitiba passou por reviravoltas nesta década. Há dez anos, era uma cidade-dormitório. O número de pessoas que chegam pela manhã para trabalhar já se iguala ao das que se dirigem para a capital no mesmo horário — sinal de que tem uma economia própria. O motor de São José são as fábricas da Volkswagen e da Renault. Elas ampliaram a oferta de empregos na cidade e, assim, atraíram migrantes. A população local cresceu 50%, chegando a 264 000 habitantes. Neste ano, pela primeira vez, haverá mais migrantes em São José do que pessoas nascidas no município
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Antes concentradas em São Paulo, as montadoras de automóveis se espalham hoje por sete estados
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- 74,8 % da indústria automobilística brasileira estava concentrada em São Paulo
- 24,5 % da indústria estava em Minas Gerais
- 0,7 % em outros estados
Hoje
- 43,7 % da indústria está em São Paulo
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