entrevista
Não é coisa de hippie
Um dos maiores empreendedores verdes americanos diz que para disseminar os produtos orgânicos é preciso contar com grandes empresas
Por Ana Luiza Herzog
Revista Exame - 18/07/2007
[img01]FUNDADOR DA AMERICANA STONYFIELD Farm, uma das maiores fabricantes de iogurtes orgânicos dos Estados Unidos, Gary Hirshberg tornou-se uma referência mundial no assunto e, desde 2001, tem como principal sócia a francesa Danone. Hoje, sua empresa fatura mais de 260 milhões de dólares por ano. A seguir, a entrevista exclusiva que Hirshberg deu, por
telefone, a EXAME.
O senhor fundou a empresa em 1983. Quando começou, imaginava que poderia acabar atraindo o interesse de uma multinacional?
De jeito nenhum. Comecei minha carreira com sete vacas e uma pequena fazenda no sul de New Hampshire. Naquele tempo, nosso objetivo era realmente apenas tentar educar consumidores sobre a importância de apoiar a agricultura orgânica e a agricultura familiar. Mas o mundo mudou. Quando fechamos o negócio, o presidente da Danone, Franck Riboud, disse publicamente que a Stonyfield representava uma ética que o grupo francês teria de adotar se quisesse ser bem-sucedido neste século.
Hoje, quem toma as principais decisões da companhia?
Eu. Pelo acordo que fechamos com a Danone, embora eu tenha 15% da empresa, meu voto vale 60%, a maioria. Assim, cabe a mim decidir quase tudo. Os únicos dois pontos em que a Danone pode ter uma influência mais decisiva estão relacionados a orçamentos e aquisições.
Os executivos da Danone tentam aprender sobre o negócio de orgânicos?
Sim. Todo ano, organizo um seminário para um grupo de executivos e falo sobre orgânicos, fornecimento e oportunidades do mercado. No ano passado, reunimos cerca de 50 pessoas vindas de oito países.
Alguns críticos dizem que ao associar-se à Danone você "traiu os princípios da causa"...
Não traímos nada. Hoje somos muito mais eficientes do que jamais fomos. Temos milhares de acres de terra sob cultivo orgânico, inclusive no Brasil, onde estamos cultivando grande parte de nosso açúcar, em parceria com a Native (maior empresa de orgânicos do país, com sede no interior de São Paulo). Mas onde quer que estejamos, onde quer que busquemos recursos, procuramos exclusivamente por fazendas familiares. Graças a isso existem centenas de fazendeiros e milhares de acres sob cultivo orgânico, que simplesmente não existiam antes.
Qual sua opinião sobre essa avalanche de grandes empresas, como o Wal-Mart, que querem entrar nesse mercado?
Acho maravilhoso. Essa é a única forma pela qual vamos transformar o mundo. Para fazer uma mudança real no planeta é preciso mudar o modo como grandes empresas fazem negócio.
Hoje, os orgânicos representam cerca de 2% do total de alimentos vendidos nos Estados Unidos. Qual o potencial desse mercado daqui a dez anos?
Acho que pode alcançar entre 15% e 20% do total de alimentos consumidos. Primeiro, porque o uso de combustíveis fósseis na agricultura orgânica é bem menor e esse é provavelmente o ponto mais importante. Além disso, os custos ascendentes relacionados à saúde da população vão acabar obrigando as pessoas a rever sua alimentação.
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FUNDADOR DA AMERICANA STONYFIELD Farm, uma das maiores fabricantes de iogurtes orgânicos dos Estados Unidos, Gary Hirshberg tornou-se uma referência mundial no assunto e, desde 2001, tem como principal sócia a francesa Danone. Hoje, sua empresa fatura mais de 260 milhões de dólares por ano. A seguir, a entrevista exclusiva que Hirshberg deu, por
telefone, a EXAME.
O senhor fundou a empresa em 1983. Quando começou, imaginava que poderia acabar atraindo o interesse de uma multinacional?
De jeito nenhum. Comecei minha carreira com sete vacas e uma pequena fazenda no sul de New Hampshire. Naquele tempo, nosso objetivo era realmente apenas tentar educar consumidores sobre a importância de apoiar a agricultura orgânica e a agricultura familiar. Mas o mundo mudou. Quando fechamos o negócio, o presidente da Danone, Franck Riboud, disse publicamente que a Stonyfield representava uma ética que o grupo francês teria de adotar se quisesse ser bem-sucedido neste século.
Hoje, quem toma as principais decisões da companhia?
Eu. Pelo acordo que fechamos com a Danone, embora eu tenha 15% da empresa, meu voto vale 60%, a maioria. Assim, cabe a mim decidir quase tudo. Os únicos dois pontos em que a Danone pode ter uma influência mais decisiva estão relacionados a orçamentos e aquisições.
Os executivos da Danone tentam aprender sobre o negócio de orgânicos?
Sim. Todo ano, organizo um seminário para um grupo de executivos e falo sobre orgânicos, fornecimento e oportunidades do mercado. No ano passado, reunimos cerca de 50 pessoas vindas de oito países.
Alguns críticos dizem que ao associar-se à Danone você "traiu os princípios da causa"...
Não traímos nada. Hoje somos muito mais eficientes do que jamais fomos. Temos milhares de acres de terra sob cultivo orgânico, inclusive no Brasil, onde estamos cultivando grande parte de nosso açúcar, em parceria com a Native (maior empresa de orgânicos do país, com sede no interior de São Paulo). Mas onde quer que estejamos, onde quer que busquemos recursos, procuramos exclusivamente por fazendas familiares. Graças a isso existem centenas de fazendeiros e milhares de acres sob cultivo orgânico, que simplesmente não existiam antes.
Qual sua opinião sobre essa avalanche de grandes empresas, como o Wal-Mart, que querem entrar nesse mercado?
Acho maravilhoso. Essa é a única forma pela qual vamos transformar o mundo. Para fazer uma mudança real no planeta é preciso mudar o modo como grandes empresas fazem negócio.
Hoje, os orgânicos representam cerca de 2% do total de alimentos vendidos nos Estados Unidos. Qual o potencial desse mercado daqui a dez anos?
Acho que pode alcançar entre 15% e 20% do total de alimentos consumidos. Primeiro, porque o uso de combustíveis fósseis na agricultura orgânica é bem menor e esse é provavelmente o ponto mais importante. Além disso, os custos ascendentes relacionados à saúde da população vão acabar obrigando as pessoas a rever sua alimentação.