
Por José Alberto Gonçalves
Revista Exame - 18/07/2007
Em algumas regiões do planeta, a preocupação com o aquecimento global começou muito tempo antes das previsões apocalípticas feitas pelo ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore no documentário Uma Verdade Inconveniente, lançado em meados de 2006. Como em quase tudo na vida, quem saiu na frente espera colher - antes dos retardatários - as benesses do pioneirismo. Na dianteira dessa corrida estão lugares como a Alemanha, o estado americano da Califórnia e o Japão.
Graças a uma combinação de políticas de governo com senso de oportunidade de negócios, esses lugares são hoje uma prova de que a economia verde pode ter um saldo de fato positivo - e ir muito além do blablablá de ambientalistas xiitas. Essas experiências pioneiras levaram o economista inglês Nicholas Stern a defender recentemente que a indústria das tecnologias limpas deverá movimentar 2,5 trilhões de dólares em 2010, num dos documentos mais respeitados sobre o impacto das mudanças climáticas na economia mundial. Em cada um dos casos descritos a seguir, os benefícios de aliar interesses públicos com privados - em casos como o desenvolvimento de energias renováveis ou programas de reciclagem - já são visíveis e podem servir de exemplo para outras sociedades. Veja aqui o impacto de políticas governamentais no meio ambiente.
ALEMANHA - O MAIOR PARQUE EÓLICO DO MUNDO
As hélices de geradores de energia eólica vêm mudando rapidamente a paisagem da Alemanha nas últimas duas décadas. Hoje o país possui o maior parque eólico do mundo, com capacidade de produção de 20 600 megawatts de potência - 6% da demanda de energia total do país. A geração de energia eólica em 2006 evitou a emissão de 27 milhões de toneladas de gás carbônico. Até 2020, a meta é fazer com que a energia eólica represente 20% da matriz elétrica alemã - atualmente dependente do carvão e das importações de gás natural da Rússia e de petróleo do Oriente Médio.
O resultado final dessa empreitada vai além das ambições de tornar a Alemanha ambientalmente correta. O desenvolvimento da indústria de energia eólica representa um sopro de renovação para o país, cuja economia esteve estagnada nos últimos anos. A indústria eólica alemã deverá faturar 6,5 bilhões de euros neste ano, sendo que quase 70% disso virá de exportações de equipamentos. As empresas envolvidas em toda a cadeia dessa indústria já são as maiores criadoras de empregos na Alemanha - e deverão abrir 100 000 novas vagas na próxima década. "O esforço para mudar a matriz energética está criando um setor completamente novo na economia alemã, que será tão ou mais importante para o país quanto o setor automotivo em dez ou 15 anos", disse a EXAME Peter Ahmels, responsável pela área de relações internacionais da Associação Alemã de Energia Eólica.
A curta e bem-sucedida história da fabricante de turbinas Enercon ilustra como o setor se desenvolveu no país. Seu fundador e presidente, Aloys Wobben, de 54 anos, desenhou e construiu a primeira turbina eólica no quintal de sua casa nos anos 70. Quando a Enercon foi fundada, em 1984, apenas três funcionários o ajudavam a desenhar e a montar os equipamentos. Ao longo das duas últimas décadas, a companhia tornou-se líder de mercado na Alemanha, com 38% da capacidade instalada de turbinas eólicas e vendas estimadas de 1,5 bilhão de dólares em 2006. Hoje mais de 1 000 empresas alemãs fornecem componentes à Enercon, que possui fábricas em quatro países (entre os quais o Brasil, em que opera a subsidiária Wobben Energy, com unidades em São Paulo e no Ceará). Recentemente, fabricantes de equipamentos de energia solar também começaram a se desenvolver no país. Uma das mais agressivas é a SolarWorld, criada em 1999. No ano passado, a companhia comprou a divisão de equipamentos de geração de energia solar da anglo-holandesa Shell e se tornou a terceira maior empresa do mundo nesse segmento. Com taxa de crescimento de 40% ao ano, a SolarWorld deverá faturar 630 milhões de dólares neste ano.
Os primeiros incentivos à energia alternativa na Alemanha foram dados durante o governo conservador do chanceler Helmut Kohl. Uma das medidas foi criar um subsídio de 20 milhões de euros, que serviu para sustentar o início das operações comerciais de distribuição dessas fontes de energia. Depois de 1993, entrou em vigor um sistema de tarifas. Hoje, todo consumidor alemão paga uma taxa fixa de 1,80 euro por mês para cobrir os custos de geração e distribuição de energia eólica (a taxa é cobrada na própria conta de energia elétrica). Existe também uma taxa paga pelas distribuidoras às geradoras de energia. Essa tarifa diminui a cada ano, de modo a forçar os fabricantes a desenvolver turbinas mais baratas e eficientes. O custo para converter a energia dos ventos em eletricidade já caiu pela metade desde 1991 - e o valor das tarifas recuou 60% no mesmo período. Especialistas apontam que, após 2015, a escala de geração de energia eólica no país a tornará competitiva em relação às usinas que queimam combustíveis fósseis. "As tarifas são temporárias", afirma Martin Schöpe, chefe da divisão de relações internacionais do Ministério do Meio Ambiente da Alemanha. "Os ganhos, por outro lado, são permanentes."
CALIFÓRINA - A LUTA CONTRA O "APAGÃO"
Se a Califórnia fosse um país, seria a oitava maior economia do mundo, com produto interno bruto de 1,3 trilhão de dólares por ano. Boa parte desse dinheiro vem do Vale do Silício, onde surgiram algumas das mais valiosas e inovadoras companhias do planeta, como Apple e Google. O expressivo crescimento da região nas últimas três décadas, porém, não aumentou em nada o consumo per capita de energia do estado - nos demais estados americanos, o índice cresceu cerca de 1,5% ao ano.
Desde a década de 70, a Califórnia é uma das pioneiras em medidas governamentais para redução de consumo de energia. Mais recentemente, iniciou-se um esforço para mudar a matriz energética do estado com metas ousadas. Por trás delas está o ex-exterminador do futuro Arnold Schwarzenegger, atual governador da Califórnia. Em parte por insistência de Schwarzenegger, a meta do estado de obter 20% de sua eletricidade de energias renováveis em 2017 foi antecipada para 2010. Para 2020, o objetivo é atingir 33% de participação de fontes renováveis como biomassa, pequenas hidrelétricas, energia solar e eólica. As estimativas apontam que, até lá, a indústria de energias renováveis vá movimentar 60 bilhões de dólares por ano na Califórnia.
O programa mais alardeado pelo governador Schwarzenegger é o que pretende instalar 1 milhão de placas de energia solar em casas californianas nos próximos dez anos. Para isso, o governo administra um fundo de 350 milhões de dólares, que cobre um terço do custo de instalação de um painel e o torna mais barato para o cidadão comum. Se a meta do programa for cumprida, espera-se que em 2017 a Califórnia conte com 3 000 megawatts de eletricidade produzida com energia solar. Tamanho incentivo às energias renováveis vem atraindo investidores de capital de risco. Fundos de investimento injetaram quase 1 bilhão de dólares em empresas baseadas na região que desenvolvem tecnologias limpas. (Cerca de 200 milhões foram destinados aos biocombustíveis, como o etanol produzido do milho.)
A lógica de perseguir uma diversidade de fontes energéticas é evitar uma crise como as de 2000 e 2001, que levou a um humilhante apagão estadual. A experiência californiana para driblar a escassez de energia já começa a se disseminar por outros 20 estados americanos, que acabaram criando leis com metas de ampliação da fatia de renováveis na matriz elétrica. Seja quem for o candidato vitorioso nas próximas eleições presidenciais americanas - democrata ou republicano -, a política de incentivo às energias renováveis da Califórnia deverá ser levada em conta pelo futuro governo. É uma política que pode ajudar os Estados Unidos a mudar a imagem de vilão do efeito estufa e transformá-lo num exemplo de sustentabilidade aliada a oportunidade de negócios.
JAPÃO - DESPERDÍCIO MÍNIMO
Até pouco tempo atrás era comum ver televisores e computadores jogados nos lixões japoneses. Os consumidores do país, estimulados pelas novidades que as empresas lançam com velocidade cada vez maior, simplesmente descartavam os produtos usados sem se preocupar muito com o destino que teriam. Nos últimos sete anos, o governo japonês iniciou uma luta para acabar com as montanhas intermináveis de lixo que custam bilhões de dólares por ano para ser incineradas - e que não encontravam mais espaço no diminuto território do país. Hoje, a reciclagem atinge 49% do total de 570 milhões de toneladas de lixo geradas por ano no Japão - e movimenta 63 bilhões de dólares, o dobro do tamanho do setor de tratamento de lixo.
O programa de reciclagem japonês, iniciado em 2000, envolveu a instituição de regras de conduta para consumidores, varejistas e fabricantes. Uma série de leis começou a punir de maneira severa quem descartasse produtos usados em lugar público ou aterros ilegais, com multas de até 80 000 dólares ou cinco anos de cadeia. Os lojistas passaram a ter de receber aparelhos usados dos consumidores e a remetê-los a centros de consolidação, operados por consórcios de fabricantes. São quase 200 centros, gerenciados por indústrias de eletroeletrônicos, como Daewoo, Hitachi, Sanyo, Sharp e Sony. Desses locais, os aparelhos seguem para mais de uma dezena de unidades de reciclagem existentes no país. A legislação é bastante complexa e chega à minúcia de indicar procedimentos específicos para cada um dos 33 produtos com reciclagem obrigatória, como televisores, aparelhos de ar-condicionado, geladeiras, máquinas de lavar roupa, computadores, carros, materiais de construção, embalagens e alimentos.
Com todo esse patrulhamento, passou a fazer parte da política de imagem das grandes companhias mostrar que elas não se limitam a cumprir as regras do governo, mas vão além. No caso dos automóveis, por exemplo, o governo definiu as metas de reciclagem em 30% de todo o material utilizado em um veículo para 2005. O objetivo foi superado com folga pelas principais montadoras, que, pelo menos desde os anos 80, já usavam material reciclado de veículos velhos para fabricar seus novos produtos. A Toyota, por exemplo, já recicla quase 60% dos resíduos da trituração de carros usados. Nos próximos anos, esse índice deve se tornar ainda mais alto. A meta estabelecida pela Associação dos Fabricantes de Automóveis do Japão é reciclar 95% desses resíduos até 2015.
Por José Alberto Gonçalves
Revista Exame - 18/07/2007
Graças a uma combinação de políticas de governo com senso de oportunidade de negócios, esses lugares são hoje uma prova de que a economia verde pode ter um saldo de fato positivo - e ir muito além do blablablá de ambientalistas xiitas. Essas experiências pioneiras levaram o economista inglês Nicholas Stern a defender recentemente que a indústria das tecnologias limpas deverá movimentar 2,5 trilhões de dólares em 2010, num dos documentos mais respeitados sobre o impacto das mudanças climáticas na economia mundial. Em cada um dos casos descritos a seguir, os benefícios de aliar interesses públicos com privados - em casos como o desenvolvimento de energias renováveis ou programas de reciclagem - já são visíveis e podem servir de exemplo para outras sociedades. Veja aqui o impacto de políticas governamentais no meio ambiente.
ALEMANHA - O MAIOR PARQUE EÓLICO DO MUNDO
As hélices de geradores de energia eólica vêm mudando rapidamente a paisagem da Alemanha nas últimas duas décadas. Hoje o país possui o maior parque eólico do mundo, com capacidade de produção de 20 600 megawatts de potência - 6% da demanda de energia total do país. A geração de energia eólica em 2006 evitou a emissão de 27 milhões de toneladas de gás carbônico. Até 2020, a meta é fazer com que a energia eólica represente 20% da matriz elétrica alemã - atualmente dependente do carvão e das importações de gás natural da Rússia e de petróleo do Oriente Médio.
O resultado final dessa empreitada vai além das ambições de tornar a Alemanha ambientalmente correta. O desenvolvimento da indústria de energia eólica representa um sopro de renovação para o país, cuja economia esteve estagnada nos últimos anos. A indústria eólica alemã deverá faturar 6,5 bilhões de euros neste ano, sendo que quase 70% disso virá de exportações de equipamentos. As empresas envolvidas em toda a cadeia dessa indústria já são as maiores criadoras de empregos na Alemanha - e deverão abrir 100 000 novas vagas na próxima década. "O esforço para mudar a matriz energética está criando um setor completamente novo na economia alemã, que será tão ou mais importante para o país quanto o setor automotivo em dez ou 15 anos", disse a EXAME Peter Ahmels, responsável pela área de relações internacionais da Associação Alemã de Energia Eólica.
A curta e bem-sucedida história da fabricante de turbinas Enercon ilustra como o setor se desenvolveu no país. Seu fundador e presidente, Aloys Wobben, de 54 anos, desenhou e construiu a primeira turbina eólica no quintal de sua casa nos anos 70. Quando a Enercon foi fundada, em 1984, apenas três funcionários o ajudavam a desenhar e a montar os equipamentos. Ao longo das duas últimas décadas, a companhia tornou-se líder de mercado na Alemanha, com 38% da capacidade instalada de turbinas eólicas e vendas estimadas de 1,5 bilhão de dólares em 2006. Hoje mais de 1 000 empresas alemãs fornecem componentes à Enercon, que possui fábricas em quatro países (entre os quais o Brasil, em que opera a subsidiária Wobben Energy, com unidades em São Paulo e no Ceará). Recentemente, fabricantes de equipamentos de energia solar também começaram a se desenvolver no país. Uma das mais agressivas é a SolarWorld, criada em 1999. No ano passado, a companhia comprou a divisão de equipamentos de geração de energia solar da anglo-holandesa Shell e se tornou a terceira maior empresa do mundo nesse segmento. Com taxa de crescimento de 40% ao ano, a SolarWorld deverá faturar 630 milhões de dólares neste ano.
Os primeiros incentivos à energia alternativa na Alemanha foram dados durante o governo conservador do chanceler Helmut Kohl. Uma das medidas foi criar um subsídio de 20 milhões de euros, que serviu para sustentar o início das operações comerciais de distribuição dessas fontes de energia. Depois de 1993, entrou em vigor um sistema de tarifas. Hoje, todo consumidor alemão paga uma taxa fixa de 1,80 euro por mês para cobrir os custos de geração e distribuição de energia eólica (a taxa é cobrada na própria conta de energia elétrica). Existe também uma taxa paga pelas distribuidoras às geradoras de energia. Essa tarifa diminui a cada ano, de modo a forçar os fabricantes a desenvolver turbinas mais baratas e eficientes. O custo para converter a energia dos ventos em eletricidade já caiu pela metade desde 1991 - e o valor das tarifas recuou 60% no mesmo período. Especialistas apontam que, após 2015, a escala de geração de energia eólica no país a tornará competitiva em relação às usinas que queimam combustíveis fósseis. "As tarifas são temporárias", afirma Martin Schöpe, chefe da divisão de relações internacionais do Ministério do Meio Ambiente da Alemanha. "Os ganhos, por outro lado, são permanentes."
CALIFÓRINA - A LUTA CONTRA O "APAGÃO"
Se a Califórnia fosse um país, seria a oitava maior economia do mundo, com produto interno bruto de 1,3 trilhão de dólares por ano. Boa parte desse dinheiro vem do Vale do Silício, onde surgiram algumas das mais valiosas e inovadoras companhias do planeta, como Apple e Google. O expressivo crescimento da região nas últimas três décadas, porém, não aumentou em nada o consumo per capita de energia do estado - nos demais estados americanos, o índice cresceu cerca de 1,5% ao ano.
Desde a década de 70, a Califórnia é uma das pioneiras em medidas governamentais para redução de consumo de energia. Mais recentemente, iniciou-se um esforço para mudar a matriz energética do estado com metas ousadas. Por trás delas está o ex-exterminador do futuro Arnold Schwarzenegger, atual governador da Califórnia. Em parte por insistência de Schwarzenegger, a meta do estado de obter 20% de sua eletricidade de energias renováveis em 2017 foi antecipada para 2010. Para 2020, o objetivo é atingir 33% de participação de fontes renováveis como biomassa, pequenas hidrelétricas, energia solar e eólica. As estimativas apontam que, até lá, a indústria de energias renováveis vá movimentar 60 bilhões de dólares por ano na Califórnia.
O programa mais alardeado pelo governador Schwarzenegger é o que pretende instalar 1 milhão de placas de energia solar em casas californianas nos próximos dez anos. Para isso, o governo administra um fundo de 350 milhões de dólares, que cobre um terço do custo de instalação de um painel e o torna mais barato para o cidadão comum. Se a meta do programa for cumprida, espera-se que em 2017 a Califórnia conte com 3 000 megawatts de eletricidade produzida com energia solar. Tamanho incentivo às energias renováveis vem atraindo investidores de capital de risco. Fundos de investimento injetaram quase 1 bilhão de dólares em empresas baseadas na região que desenvolvem tecnologias limpas. (Cerca de 200 milhões foram destinados aos biocombustíveis, como o etanol produzido do milho.)
A lógica de perseguir uma diversidade de fontes energéticas é evitar uma crise como as de 2000 e 2001, que levou a um humilhante apagão estadual. A experiência californiana para driblar a escassez de energia já começa a se disseminar por outros 20 estados americanos, que acabaram criando leis com metas de ampliação da fatia de renováveis na matriz elétrica. Seja quem for o candidato vitorioso nas próximas eleições presidenciais americanas - democrata ou republicano -, a política de incentivo às energias renováveis da Califórnia deverá ser levada em conta pelo futuro governo. É uma política que pode ajudar os Estados Unidos a mudar a imagem de vilão do efeito estufa e transformá-lo num exemplo de sustentabilidade aliada a oportunidade de negócios.
JAPÃO - DESPERDÍCIO MÍNIMO
Até pouco tempo atrás era comum ver televisores e computadores jogados nos lixões japoneses. Os consumidores do país, estimulados pelas novidades que as empresas lançam com velocidade cada vez maior, simplesmente descartavam os produtos usados sem se preocupar muito com o destino que teriam. Nos últimos sete anos, o governo japonês iniciou uma luta para acabar com as montanhas intermináveis de lixo que custam bilhões de dólares por ano para ser incineradas - e que não encontravam mais espaço no diminuto território do país. Hoje, a reciclagem atinge 49% do total de 570 milhões de toneladas de lixo geradas por ano no Japão - e movimenta 63 bilhões de dólares, o dobro do tamanho do setor de tratamento de lixo.
O programa de reciclagem japonês, iniciado em 2000, envolveu a instituição de regras de conduta para consumidores, varejistas e fabricantes. Uma série de leis começou a punir de maneira severa quem descartasse produtos usados em lugar público ou aterros ilegais, com multas de até 80 000 dólares ou cinco anos de cadeia. Os lojistas passaram a ter de receber aparelhos usados dos consumidores e a remetê-los a centros de consolidação, operados por consórcios de fabricantes. São quase 200 centros, gerenciados por indústrias de eletroeletrônicos, como Daewoo, Hitachi, Sanyo, Sharp e Sony. Desses locais, os aparelhos seguem para mais de uma dezena de unidades de reciclagem existentes no país. A legislação é bastante complexa e chega à minúcia de indicar procedimentos específicos para cada um dos 33 produtos com reciclagem obrigatória, como televisores, aparelhos de ar-condicionado, geladeiras, máquinas de lavar roupa, computadores, carros, materiais de construção, embalagens e alimentos.
Com todo esse patrulhamento, passou a fazer parte da política de imagem das grandes companhias mostrar que elas não se limitam a cumprir as regras do governo, mas vão além. No caso dos automóveis, por exemplo, o governo definiu as metas de reciclagem em 30% de todo o material utilizado em um veículo para 2005. O objetivo foi superado com folga pelas principais montadoras, que, pelo menos desde os anos 80, já usavam material reciclado de veículos velhos para fabricar seus novos produtos. A Toyota, por exemplo, já recicla quase 60% dos resíduos da trituração de carros usados. Nos próximos anos, esse índice deve se tornar ainda mais alto. A meta estabelecida pela Associação dos Fabricantes de Automóveis do Japão é reciclar 95% desses resíduos até 2015.























