CULTURA
Circo Social
O Circo Voador, no Rio de Janeiro, coleciona ótimas histórias da vida cultural da cidade, mas, também, alguns dos projetos mais bacanas voltados à comunidade da região
Por Gabriela Varanda
Planeta Sustentável - 24/04/2008
O Circo Voador é um espaço que sempre fez (e faz) história na vida cultural do Rio de Janeiro. Ergueu sua lona, pela primeira vez, no verão de 1982, pertinho do mar do Arpoador, depois foi transferido para Lapa, onde é, desde então, um dos símbolos do mais boêmio bairro carioca. Palco para novos e consagrados talentos da dança, do teatro, da poesia e, principalmente, da música, foi no Circo que bandas como Barão Vermelho, Kid Abelha e Blitz levantaram vôo, junto com o rock oitentista, que despontava na cidade.
Mas o que pouca gente sabe é que, longe da agitação noturna, o Circo está à frente de muitos projetos voltados para a comunidade à sua volta. Um dos mais bacanas é o Movimento de Educação e Cultura - MEC, que tem como sede um belo casarão na rua Joaquim Silva, recuperado para abrigar cursos gratuitos.
Hoje, com 250 alunos inscritos, o MEC oferece aulas de informática e inglês, credenciais que não podem faltar no currículo de quem quer entrar, com o pé direito, no mercado de trabalho. "Inicialmente, a idéia era atender jovens da Lapa, mas hoje temos alunos até da Baixada Fluminense", diz Dagmar Gonçalo, coordenadora social do Circo Voador, responsável pela seleção dos candidatos aos cursos.
O MEC ainda tem, na sua grade de programação, oficinas de literatura, que agregam a linguagem do Hip Hop e do Funk - para estimular a redação de textos literários sobre o cotidiano urbano - e o curso de turismo cultural, com informações sobre o passado e o atual contexto da Lapa, formando jovens guias aptos a receber turistas e visitantes, que chegam ao bairro histórico.
Às sextas-feiras, o MEC também oferece acesso gratuito à Internet, para qualquer visitante, por um período máximo de meia-hora. "É uma das iniciativas de inclusão digital do Circo", explica Dagmar. Já nos finais de semana, há o Cineminha - com exibições de filmes para a comunidade - e seções com contadores de histórias para o público mirim.
A criançada da Lapa também é atendida pela Creche Brincar e Aprender, outra iniciativa do Circo, que oferece programas extra-curriculares, refeições e cuidados médicos, em horário integral. "Quem pode paga. Já para aqueles que não têm recursos, oferecemos vagas gratuitas", informa Dagmar. O mesmo acontece com os cursos da Escola Livre de Artes - ELA, que conta com jovens bolsistas que dividem seu tempo entre aulas de dança, circo, capoeira, canto, entre outras modalidades artísticas.
Aproveitando a fértil atmosfera cultural sob sua lona, o Circo Voador abriga, em seus bastidores, o Ponto de Cultura Áudio-Visual, criado em 2006 e que, junto com o Ministério da Cultura, oferece cursos gratuitos para formar profissionais de direção, roteiro, câmera, edição, sonorização para cinema e vídeo e sonorização para shows. Os candidatos são recebidos por uma assistente social, que os encaminha para uma das oficinas, de acordo com seu perfil.
Mas o Circo também aproveita seu generoso palco principal para abrigar importantes eventos, como o Rio Com Vida 2008, mobilização da cidade em apoio ao Fórum Social Mundial, com manifestações que unem arte e cidadania. O próximo encontro do Rio Com Vida, na Lapa, já está marcado para dezembro deste ano.
Outra iniciativa que vale registrar é a Bienal Favela Festa, que apresenta a cena urbana produzida nas favelas e promove o convívio entre morro e asfalto. A última edição aconteceu no ano passado e contou com cerca de 700 artistas, que apresentaram espetáculos de música, teatro, dança, cinema, vídeo, além de peças de artesanato, moda e uma feira com diferentes produtos. Durante oito dias, os portões do Circo Voador se abriram, gratuitamente, para mostrar um pouco da arte urbana dos morros cariocas. "Mais de 70 comunidades, do Grande Rio, participaram do evento", lembra Dagmar.
Apostando sempre em grandes vôos, na vida cultural e social do Rio, sempre há espaço para mais uma iniciativa, sob a lona democrática do Circo.
O
Circo Voador é um espaço que sempre fez (e faz) história na vida cultural do Rio de Janeiro. Ergueu sua lona, pela primeira vez, no verão de 1982, pertinho do mar do Arpoador, depois foi transferido para Lapa, onde é, desde então, um dos símbolos do mais boêmio bairro carioca. Palco para novos e consagrados talentos da dança, do teatro, da poesia e, principalmente, da música, foi no Circo que bandas como Barão Vermelho, Kid Abelha e Blitz levantaram vôo, junto com o rock oitentista, que despontava na cidade.
Mas o que pouca gente sabe é que, longe da agitação noturna, o Circo está à frente de muitos projetos voltados para a comunidade à sua volta. Um dos mais bacanas é o Movimento de Educação e Cultura - MEC, que tem como sede um belo casarão na rua Joaquim Silva, recuperado para abrigar cursos gratuitos.
Hoje, com 250 alunos inscritos, o MEC oferece aulas de informática e inglês, credenciais que não podem faltar no currículo de quem quer entrar, com o pé direito, no mercado de trabalho. "Inicialmente, a idéia era atender jovens da Lapa, mas hoje temos alunos até da Baixada Fluminense", diz Dagmar Gonçalo, coordenadora social do Circo Voador, responsável pela seleção dos candidatos aos cursos.
O MEC ainda tem, na sua grade de programação, oficinas de literatura, que agregam a linguagem do Hip Hop e do Funk - para estimular a redação de textos literários sobre o cotidiano urbano - e o curso de turismo cultural, com informações sobre o passado e o atual contexto da Lapa, formando jovens guias aptos a receber turistas e visitantes, que chegam ao bairro histórico.
Às sextas-feiras, o MEC também oferece acesso gratuito à Internet, para qualquer visitante, por um período máximo de meia-hora. "É uma das iniciativas de inclusão digital do Circo", explica Dagmar. Já nos finais de semana, há o Cineminha - com exibições de filmes para a comunidade - e seções com contadores de histórias para o público mirim.
A criançada da Lapa também é atendida pela Creche Brincar e Aprender, outra iniciativa do Circo, que oferece programas extra-curriculares, refeições e cuidados médicos, em horário integral. "Quem pode paga. Já para aqueles que não têm recursos, oferecemos vagas gratuitas", informa Dagmar. O mesmo acontece com os cursos da Escola Livre de Artes - ELA, que conta com jovens bolsistas que dividem seu tempo entre aulas de dança, circo, capoeira, canto, entre outras modalidades artísticas.
Aproveitando a fértil atmosfera cultural sob sua lona, o Circo Voador abriga, em seus bastidores, o Ponto de Cultura Áudio-Visual, criado em 2006 e que, junto com o Ministério da Cultura, oferece cursos gratuitos para formar profissionais de direção, roteiro, câmera, edição, sonorização para cinema e vídeo e sonorização para shows. Os candidatos são recebidos por uma assistente social, que os encaminha para uma das oficinas, de acordo com seu perfil.
Mas o Circo também aproveita seu generoso palco principal para abrigar importantes eventos, como o Rio Com Vida 2008, mobilização da cidade em apoio ao Fórum Social Mundial, com manifestações que unem arte e cidadania. O próximo encontro do Rio Com Vida, na Lapa, já está marcado para dezembro deste ano.
Outra iniciativa que vale registrar é a Bienal Favela Festa, que apresenta a cena urbana produzida nas favelas e promove o convívio entre morro e asfalto. A última edição aconteceu no ano passado e contou com cerca de 700 artistas, que apresentaram espetáculos de música, teatro, dança, cinema, vídeo, além de peças de artesanato, moda e uma feira com diferentes produtos. Durante oito dias, os portões do Circo Voador se abriram, gratuitamente, para mostrar um pouco da arte urbana dos morros cariocas. "Mais de 70 comunidades, do Grande Rio, participaram do evento", lembra Dagmar.
Apostando sempre em grandes vôos, na vida cultural e social do Rio, sempre há espaço para mais uma iniciativa, sob a lona democrática do Circo.