Calor
Riscos do aquecimento para a agricultura
Pesquisadora do IPCC defende planejamento para evitar ameaças a segurança alimentar
Secas intensas agravando o processo de desertificação no Nordeste brasileiro, partes do Chile e Peru, chuvas mais fortes e conseqüentes inundações no Sul do Brasil, Paraguai e vários pontos de Argentina e Uruguai.
A tendência de eventos climáticos mais intensos, decorrentes do aquecimento global, pode colocar em sério risco a agricultura e a segurança alimentar na América Latina, o que torna urgente o planejamento nacional e regional em torno de medidas de adaptação, ao lado da necessária mitigação.
A advertência é da dra. Graciela Odilia Magrin, do InstitutoClima e Água / Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), da Argentina, e foi feita durante conferência no Espaço Cultural CPFL, em Campinas (SP), no dia 10 de maio, como parte do painel científico internacional "Aquecimento global. Por que devemos nos preocupar?" (confira mais informações sobre o painel).
Engenheira agrônoma, com doutorado pela Escola Nacional Superior Agronômica de Montpellier, França, Graciela Magrin foi a coordenadora do capítulo sobre América Latina do relatório do Grupo de Trabalho II, do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU. O Informe "Mudança Climática 2007. Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade da Mudança Climática" foi apresentado no início de abril em Bruxelas.
TENDÊNCIAS DE EVENTOS INTENSOS
A dra. Graciela Magrin nota que as mudanças climáticas já vêm sendo observadas na América Latina, indicando a tendência de eventos climáticos mais intensos como secas e inundações. Ao longo do século XXI, a temperatura média na América Latina aumentou entre 0,5 e 1º C, de acordo com a região.
No período 1960-2000, foram registradas chuvas cada vez mais intensas no Sul do Brasil, Uruguai e Centro-Noroeste da Argentina, além de Noroeste do Peru e Equador. No mesmo período, houve reduções de chuvas no Nordeste brasileiro, centro-sul do Chile, sudoeste da Argentina e Sul do Peru. Essas tendências, segundo a agrônoma argentina, foram verificadas porHaylock et al, 2006.
Na América Central e Caribe também foram registradas tendências importantes entre 1961-2003, segundo Aguilar et al, 2005. Chuvas mais fortes foram observadas na costa do Pacífico, e mais fracas, no litoral do Atlântico e mar do Caribe.
O regime de chuvas, observa dra. Graciela Magrin, é essencial nos diversos ciclos de culturas agrícolas. "Pode chover bastante em determinado momento, mas se houver falta de água nos períodos mais críticos, a redução de rendimento dos cultivos pode ser de 50% ou mais", destaca.
Essas tendências, verificadas nas últimas décadas do século XX, podem ser intensificadas ao longo do século XXI, se confirmadas as previsões associadas a vários cenários de mudanças climáticas apontados pelo IPCC. Os eventos extremos, como secas ou chuvas mais intensas, já justificariam, segundo a especialista argentina, a necessidade de planejamento e medidas de adaptação.
MUDANÇAS NA PRODUTIVIDADE
A necessidade de formulação de planejamento nacional e regional, incluindo medidas de adaptação, é ratificada pelo fato de que mudanças na produtividade já vêm sendo observadas, em vários pontos da América Latina, em decorrência das mudanças climáticas.
Estudos da própria dra. Graciela Magrin et al (2007) indicam aumentos na produtividade de soja e milho, no período 1970-2000 em relação a 1930-1960, em regiões como as de Passo Fundo (RS) e pontos do Uruguai e Argentina. Os incrementos de produtividade em 1970-2000, em comparação a 1930-1960, foram de 9% em soja e 12% em milho.
Por outro lado, conforme os mesmos estudos, houve um declínio na produtividade de trigo em Passo Fundo e uma parte da Argentina, de 6% e 3%, embora tenha ocorrido um incremento na produtividade em outros pontos estudados em território argentino.
Segundo o Informe do Grupo II do IPCC, a tendência é de ligeiro aumento na produtividade das colheitas nas latitudes médias a altas, com uma elevação local da temperatura entre 1º C e 3º C, dependendo da colheita. Nas latitudes mais baixas, e em particular nas zonas secas e tropicais, a produtividade de algumas colheitas pode declinar mesmo com aumentos médios de temperatura entre 1º C e 2º C.
De modo geral, incrementos médios de temperatura entre 1º C e 3º C podem levar a aumentos de produtividade. Acima disso, porém, como indicam alguns cenários, a queda de rendimento das colheitas pode ser generalizada, com graves impactos na agricultura e segurança alimentar.
Secas intensas agravando o processo de desertificação no Nordeste brasileiro, partes do Chile e Peru, chuvas mais fortes e conseqüentes inundações no Sul do Brasil, Paraguai e vários pontos de Argentina e Uruguai.
A tendência de eventos climáticos mais intensos, decorrentes do aquecimento global, pode colocar em sério risco a agricultura e a segurança alimentar na América Latina, o que torna urgente o planejamento nacional e regional em torno de medidas de adaptação, ao lado da necessária mitigação.
A advertência é da dra. Graciela Odilia Magrin, do InstitutoClima e Água / Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), da Argentina, e foi feita durante conferência no Espaço Cultural CPFL, em Campinas (SP), no dia 10 de maio, como parte do painel científico internacional "Aquecimento global. Por que devemos nos preocupar?" (confira mais informações sobre o painel).
Engenheira agrônoma, com doutorado pela Escola Nacional Superior Agronômica de Montpellier, França, Graciela Magrin foi a coordenadora do capítulo sobre América Latina do relatório do Grupo de Trabalho II, do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU. O Informe "Mudança Climática 2007. Impactos, Adaptação e Vulnerabilidade da Mudança Climática" foi apresentado no início de abril em Bruxelas.
TENDÊNCIAS DE EVENTOS INTENSOS
A dra. Graciela Magrin nota que as mudanças climáticas já vêm sendo observadas na América Latina, indicando a tendência de eventos climáticos mais intensos como secas e inundações. Ao longo do século XXI, a temperatura média na América Latina aumentou entre 0,5 e 1º C, de acordo com a região.
No período 1960-2000, foram registradas chuvas cada vez mais intensas no Sul do Brasil, Uruguai e Centro-Noroeste da Argentina, além de Noroeste do Peru e Equador. No mesmo período, houve reduções de chuvas no Nordeste brasileiro, centro-sul do Chile, sudoeste da Argentina e Sul do Peru. Essas tendências, segundo a agrônoma argentina, foram verificadas porHaylock et al, 2006.
Na América Central e Caribe também foram registradas tendências importantes entre 1961-2003, segundo Aguilar et al, 2005. Chuvas mais fortes foram observadas na costa do Pacífico, e mais fracas, no litoral do Atlântico e mar do Caribe.
O regime de chuvas, observa dra. Graciela Magrin, é essencial nos diversos ciclos de culturas agrícolas. "Pode chover bastante em determinado momento, mas se houver falta de água nos períodos mais críticos, a redução de rendimento dos cultivos pode ser de 50% ou mais", destaca.
Essas tendências, verificadas nas últimas décadas do século XX, podem ser intensificadas ao longo do século XXI, se confirmadas as previsões associadas a vários cenários de mudanças climáticas apontados pelo IPCC. Os eventos extremos, como secas ou chuvas mais intensas, já justificariam, segundo a especialista argentina, a necessidade de planejamento e medidas de adaptação.
MUDANÇAS NA PRODUTIVIDADE
A necessidade de formulação de planejamento nacional e regional, incluindo medidas de adaptação, é ratificada pelo fato de que mudanças na produtividade já vêm sendo observadas, em vários pontos da América Latina, em decorrência das mudanças climáticas.
Estudos da própria dra. Graciela Magrin et al (2007) indicam aumentos na produtividade de soja e milho, no período 1970-2000 em relação a 1930-1960, em regiões como as de Passo Fundo (RS) e pontos do Uruguai e Argentina. Os incrementos de produtividade em 1970-2000, em comparação a 1930-1960, foram de 9% em soja e 12% em milho.
Por outro lado, conforme os mesmos estudos, houve um declínio na produtividade de trigo em Passo Fundo e uma parte da Argentina, de 6% e 3%, embora tenha ocorrido um incremento na produtividade em outros pontos estudados em território argentino.
Segundo o Informe do Grupo II do IPCC, a tendência é de ligeiro aumento na produtividade das colheitas nas latitudes médias a altas, com uma elevação local da temperatura entre 1º C e 3º C, dependendo da colheita. Nas latitudes mais baixas, e em particular nas zonas secas e tropicais, a produtividade de algumas colheitas pode declinar mesmo com aumentos médios de temperatura entre 1º C e 2º C.
De modo geral, incrementos médios de temperatura entre 1º C e 3º C podem levar a aumentos de produtividade. Acima disso, porém, como indicam alguns cenários, a queda de rendimento das colheitas pode ser generalizada, com graves impactos na agricultura e segurança alimentar.