
Por Érica Georgino
Planeta Sustentável - 21/07/2008
Nesta segunda-feira, 21 de julho, o Movimento Nossa São Paulo realizou o ato de entrega das 1,5 mil propostas formuladas pelos cidadãos, organizações e associações civis aos candidatos à Prefeitura da capital. Os documentos contêm sugestões para os problemas sociais e urbanos de São Paulo, com o objetivo de contribuir para os programas de governo dos políticos em disputa eleitoral.
A Emenda nº30 à Lei Orgânica do Município, aprovada em fevereiro deste ano, determina que o candidato eleito terá que apresentar um programa detalhado de metas para cada área da Administração Municipal, cada uma das 31 subprefeituras e dos 96 distritos de São Paulo. Por este caráter, a norma é conhecida como “Lei do Programa de Metas”. Foi para contribuir nessa formulação de diretrizes que o Movimento realizou, durante o primeiro semestre deste ano, cerca de 60 encontros e reuniões, em diversos pontos da cidade. O resultado foram as 1,5 mil propostas organizadas e entregues aos candidatos à Prefeitura.
A compilação foi organizada de acordo com 15 grandes temas:
- Acessibilidade;
- Assistência Social;
- Cultura;
- Democracia Participativa;
- Educação;
- Esportes;
- Habitação e Urbanismo;
- Indicadores;
- Juventude;
- Meio Ambiente;
- Orçamento;
- Saúde;
- Segurança Cidadã;
- Trabalho e Renda e
- Transporte e Mobilidade.
Além disso, os grupos de trabalho do próprio Movimento Nossa São Paulo – que inclui organizações não governamentais, empresas, associações, acadêmicos, cidadãos, entre outros – elaboraram dez propostas essenciais, que também foram entregues aos candidatos. Elas tomam por princípio três fatores: 1) A transparência governamental; 2) A promoção da participação da sociedade nas políticas públicas; 3) A diminuição das desigualdades sociais e regionais da cidade.
O evento abriu espaço para que cada político explicasse, em até dez minutos, as perspectivas do seu plano de governo. Todos os 11 candidatos foram convidados para o encontro, porém não compareceram Ciro Moura, do PTC - Partido Trabalhista Cristão, Anaí Caproni, do PCO - Partido da Causa Operária, e Paulo Maluf, do PP - Partido Progressista.
Os candidatos presentes no Sesc Consolação, em São Paulo, tiveram dez minutos para fazerem considerações sobre os documentos recebidos. Antes de passar a palavra para eles, o coordenador do encontro, o jornalista Heródoto Barbeiro, explicou que não deveria haver farpas entre os políticos, pois o evento não se tratava de debate e nem de palanque eleitoral. Leia os depoimentos (pela ordem do sorteio ocorrido no local):
Gilberto Kassab (DEM - Democratas) – O atual prefeito e candidato à reeleição enfatizou os feitos da sua gestão. Disse que as escolas públicas da cidade têm 2,2 milhões de crianças matriculadas, que sua gestão criou 43 mil vagas em creches, e anunciou que, nos próximos dias, o governo vai lançar o Portal da Educação. Contou, também, que a Prefeitura está preocupada com o controle da poluição, e que está captando os gases dos aterros da cidade. Kassab comemorou o encontro, disse que “a democracia verdadeira é feita com bons candidatos e com propostas que possam ser, de fato, realizadas”.
Geraldo Alckmin (PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira) – O candidato disse que o Movimento estabelece uma demanda antiga da sociedade, ao estabelecer critérios para a participação de associações civis. “O governo precisa ser cutucado, corrigido, cobrado”. O tucano lembrou que 75% dos 40 milhões de paulistas vive nas três Regiões Metropolitanas do estado: a de São Paulo, a de Campinas e a da Baixada Santista. Por isso, enfatizou ele, há de se tratar os problemas de natureza metropolitana: questões ambientais, transporte, saúde, educação. Alckmin disse que assume os compromissos do Movimento Nossa São Paulo e comunicou que, nesta semana, irá para Bogotá, estudar a capital da Colômbia, tida como cidade exemplar nas transformações urbanas e na participação popular nas diretrizes de governo.
Marta Suplicy (PT - Partido dos Trabalhadores) – A candidata também se disse comprometida com os três eixos do Movimento e afirmou que, hoje, São Paulo não pode mais ser pensada sozinha – precisa ser encarada como uma Região Metropolitana. “Há a necessidade de criação de um fórum metropolitano permanente”, disse a petista. Manta elegeu cinco bandeiras de defesa do seu plano de governo: habitação; segurança; transporte, saúde e educação. Prometeu buscar mais verbas para a Prefeitura, junto aos governos estadual e federal, visando sobretudo as obras de construção de corredores de ônibus e de expansão das linhas do metrô paulistano. Terminou sua fala com o slogan de uma campanha do Nossa São Paulo que deve entrar no ar nos próximos dias: “Proposta sim, blablablá não”.
Ivan Valente (PSOL - Partido Socialismo e Liberdade) – O candidato disse que seu plano de governo se baseia na inversão de prioridades. “E isso significa enfrentar poderes econômicos muito fortes na cidade”. Entre as propostas que enumerou, estão: na educação, o fortalecimento do magistério, através da formação de carreira dos professores; priorização do Sistema Único de Saúde; no transporte, ele propõe a “tarifa zero, porque o cidadão tem o direito à mobilidade. Isso é a que me refiro, quando digo inversão de prioridades. Não é dar subsídio para a indústria automobilística”. Valente defendeu, ainda, o financiamento público das campanhas.
Renato Reichmann (PMN - Partido da Mobilização Nacional) – O candidato começou a sua fala ressaltando o valor dos estudos e propostas formulados pelo Movimento: “O volume e a qualidade das informações são importantes principalmente para os partidos pequenos, que têm limitações”. Após também defender o financiamento público de campanhas, Reichmann explicou as suas propostas para São Paulo; dentre elas: no campo da educação, colocar todas as crianças nas escolas e realizar programas de formação continuada para os professores; na saúde, priorizar a medicina preventiva; quanto à mobilidade, ele elegeu os edifícios-garagens como a principal medida para melhorar o trânsito na cidade - segundo ele, com a construção desses “depósitos de carros” em locais próximos às estações de ônibus e de metrô, o cidadão poderia se locomover de carro e concluir o trajeto no transporte coletivo.
Levy Fidelix (PRTB - Partido Renovador Trabalhista Brasileiro) – O candidato começou comentando as pesquisas de intenção de voto. Sem especificar sobre a qual se referia, exatamente, ele disse que era um número “zero”, e questionou: “Como uma pesquisa com 600 pessoas pode representar um universo de mais de 8 milhões de votantes da cidade?”. Fidelix disse que ele, “o zero”, já fez muitas propostas para São Paulo, hoje implantadas. Reivindicou como suas as idéias que deram origem ao anel viário, à restrição à circulação de caminhões na cidade, e ao seguro de calamidade que, segundo ele, hoje é aplicado sob a forma do “seguro-enchente”. Como novas propostas, Fidelix citou a remodelação das placas de trânsito e dos táxis da cidade – uma medida que ele chamou de “demanda turística” – e a iluminação pública (com postes de energia solar) nas regiões de periferia.
Edmilson Costa (PCB - Partido Comunista Brasileiro) – Após se apresentar e dizer que há 37 anos é um militante comunista, o candidato disse que “São Paulo se desenvolveu de maneira desumana, ao afastar os pobres da cidade”. Ele propôs uma governança comunista, “com significativa participação do poder popular”. Costa elencou algumas propostas: para o trânsito, defendeu a “tarifa zero”, para a educação, ele disse que “o professor vai trabalhar 20 horas por semana, e o restante será dedicado à pesquisa, ao reforço e à formação profissional”. No âmbito social, ele defendeu a construção de centros de cultura, para a educação e o enriquecimento cultural dos cidadãos.
Soninha Francine (PPS - Partido Popular Socialista) – Soninha explicou os motivos que a levaram a se tornar política e, mais tarde, candidata à Prefeitura: “Não me conformo com coisas erradas e injustas. Sempre me perguntei o que eu poderia fazer (...). A minha candidatura é para aumentar a capacidade de fazer coisas pelas pessoas e pela cidade. Quero mais poder para poder fazer mais”. A candidata se disse usuária dos serviços públicos e afirmou: “Ser vereadora em São Paulo é ganhar a experiência de 40 anos de política em quatro anos de mandato”. Soninha disse, ainda, que se compromete a promover a saúde de forma ampla na cidade: “O trânsito é apenas um infarto na nossa sociedade. Ele mostra diversos sintomas das nossas doenças – o individualismo, o consumismo, o subsídio aos combustíveis, a facilidade de crédito, entre outros fatores”.
Ao fim das exposições, Oded Grajew, idealizador do Movimento Nossa São Paulo, agradeceu a presença dos políticos: “Este encontro demonstra civilidade, democracia, e é um sinal de respeito à população”. Estiveram presentes no ato os representantes de organizações de vários segmentos sociais, como Unicef, Atletas Pela Cidadania e Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social.
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Nesta segunda-feira, 21 de julho, o Movimento Nossa São Paulo realizou o ato de entrega das 1,5 mil propostas formuladas pelos cidadãos, organizações e associações civis aos candidatos à Prefeitura da capital. Os documentos contêm sugestões para os problemas sociais e urbanos de São Paulo, com o objetivo de contribuir para os programas de governo dos políticos em disputa eleitoral.
A Emenda nº30 à Lei Orgânica do Município, aprovada em fevereiro deste ano, determina que o candidato eleito terá que apresentar um programa detalhado de metas para cada área da Administração Municipal, cada uma das 31 subprefeituras e dos 96 distritos de São Paulo. Por este caráter, a norma é conhecida como “Lei do Programa de Metas”. Foi para contribuir nessa formulação de diretrizes que o Movimento realizou, durante o primeiro semestre deste ano, cerca de 60 encontros e reuniões, em diversos pontos da cidade. O resultado foram as 1,5 mil propostas organizadas e entregues aos candidatos à Prefeitura.
A compilação foi organizada de acordo com 15 grandes temas:
- Acessibilidade;
- Assistência Social;
- Cultura;
- Democracia Participativa;
- Educação;
- Esportes;
- Habitação e Urbanismo;
- Indicadores;
- Juventude;
- Meio Ambiente;
- Orçamento;
- Saúde;
- Segurança Cidadã;
- Trabalho e Renda e
- Transporte e Mobilidade.
Além disso, os grupos de trabalho do próprio Movimento Nossa São Paulo – que inclui organizações não governamentais, empresas, associações, acadêmicos, cidadãos, entre outros – elaboraram dez propostas essenciais, que também foram entregues aos candidatos. Elas tomam por princípio três fatores: 1) A transparência governamental; 2) A promoção da participação da sociedade nas políticas públicas; 3) A diminuição das desigualdades sociais e regionais da cidade.
O evento abriu espaço para que cada político explicasse, em até dez minutos, as perspectivas do seu plano de governo. Todos os 11 candidatos foram convidados para o encontro, porém não compareceram Ciro Moura, do PTC - Partido Trabalhista Cristão, Anaí Caproni, do PCO - Partido da Causa Operária, e Paulo Maluf, do PP - Partido Progressista.
Os candidatos presentes no Sesc Consolação, em São Paulo, tiveram dez minutos para fazerem considerações sobre os documentos recebidos. Antes de passar a palavra para eles, o coordenador do encontro, o jornalista Heródoto Barbeiro, explicou que não deveria haver farpas entre os políticos, pois o evento não se tratava de debate e nem de palanque eleitoral. Leia os depoimentos (pela ordem do sorteio ocorrido no local):
Gilberto Kassab (DEM - Democratas) – O atual prefeito e candidato à reeleição enfatizou os feitos da sua gestão. Disse que as escolas públicas da cidade têm 2,2 milhões de crianças matriculadas, que sua gestão criou 43 mil vagas em creches, e anunciou que, nos próximos dias, o governo vai lançar o Portal da Educação. Contou, também, que a Prefeitura está preocupada com o controle da poluição, e que está captando os gases dos aterros da cidade. Kassab comemorou o encontro, disse que “a democracia verdadeira é feita com bons candidatos e com propostas que possam ser, de fato, realizadas”.
Geraldo Alckmin (PSDB - Partido da Social Democracia Brasileira) – O candidato disse que o Movimento estabelece uma demanda antiga da sociedade, ao estabelecer critérios para a participação de associações civis. “O governo precisa ser cutucado, corrigido, cobrado”. O tucano lembrou que 75% dos 40 milhões de paulistas vive nas três Regiões Metropolitanas do estado: a de São Paulo, a de Campinas e a da Baixada Santista. Por isso, enfatizou ele, há de se tratar os problemas de natureza metropolitana: questões ambientais, transporte, saúde, educação. Alckmin disse que assume os compromissos do Movimento Nossa São Paulo e comunicou que, nesta semana, irá para Bogotá, estudar a capital da Colômbia, tida como cidade exemplar nas transformações urbanas e na participação popular nas diretrizes de governo.
Marta Suplicy (PT - Partido dos Trabalhadores) – A candidata também se disse comprometida com os três eixos do Movimento e afirmou que, hoje, São Paulo não pode mais ser pensada sozinha – precisa ser encarada como uma Região Metropolitana. “Há a necessidade de criação de um fórum metropolitano permanente”, disse a petista. Manta elegeu cinco bandeiras de defesa do seu plano de governo: habitação; segurança; transporte, saúde e educação. Prometeu buscar mais verbas para a Prefeitura, junto aos governos estadual e federal, visando sobretudo as obras de construção de corredores de ônibus e de expansão das linhas do metrô paulistano. Terminou sua fala com o slogan de uma campanha do Nossa São Paulo que deve entrar no ar nos próximos dias: “Proposta sim, blablablá não”.
Ivan Valente (PSOL - Partido Socialismo e Liberdade) – O candidato disse que seu plano de governo se baseia na inversão de prioridades. “E isso significa enfrentar poderes econômicos muito fortes na cidade”. Entre as propostas que enumerou, estão: na educação, o fortalecimento do magistério, através da formação de carreira dos professores; priorização do Sistema Único de Saúde; no transporte, ele propõe a “tarifa zero, porque o cidadão tem o direito à mobilidade. Isso é a que me refiro, quando digo inversão de prioridades. Não é dar subsídio para a indústria automobilística”. Valente defendeu, ainda, o financiamento público das campanhas.
Renato Reichmann (PMN - Partido da Mobilização Nacional) – O candidato começou a sua fala ressaltando o valor dos estudos e propostas formulados pelo Movimento: “O volume e a qualidade das informações são importantes principalmente para os partidos pequenos, que têm limitações”. Após também defender o financiamento público de campanhas, Reichmann explicou as suas propostas para São Paulo; dentre elas: no campo da educação, colocar todas as crianças nas escolas e realizar programas de formação continuada para os professores; na saúde, priorizar a medicina preventiva; quanto à mobilidade, ele elegeu os edifícios-garagens como a principal medida para melhorar o trânsito na cidade - segundo ele, com a construção desses “depósitos de carros” em locais próximos às estações de ônibus e de metrô, o cidadão poderia se locomover de carro e concluir o trajeto no transporte coletivo.
Levy Fidelix (PRTB - Partido Renovador Trabalhista Brasileiro) – O candidato começou comentando as pesquisas de intenção de voto. Sem especificar sobre a qual se referia, exatamente, ele disse que era um número “zero”, e questionou: “Como uma pesquisa com 600 pessoas pode representar um universo de mais de 8 milhões de votantes da cidade?”. Fidelix disse que ele, “o zero”, já fez muitas propostas para São Paulo, hoje implantadas. Reivindicou como suas as idéias que deram origem ao anel viário, à restrição à circulação de caminhões na cidade, e ao seguro de calamidade que, segundo ele, hoje é aplicado sob a forma do “seguro-enchente”. Como novas propostas, Fidelix citou a remodelação das placas de trânsito e dos táxis da cidade – uma medida que ele chamou de “demanda turística” – e a iluminação pública (com postes de energia solar) nas regiões de periferia.
Edmilson Costa (PCB - Partido Comunista Brasileiro) – Após se apresentar e dizer que há 37 anos é um militante comunista, o candidato disse que “São Paulo se desenvolveu de maneira desumana, ao afastar os pobres da cidade”. Ele propôs uma governança comunista, “com significativa participação do poder popular”. Costa elencou algumas propostas: para o trânsito, defendeu a “tarifa zero”, para a educação, ele disse que “o professor vai trabalhar 20 horas por semana, e o restante será dedicado à pesquisa, ao reforço e à formação profissional”. No âmbito social, ele defendeu a construção de centros de cultura, para a educação e o enriquecimento cultural dos cidadãos.
Soninha Francine (PPS - Partido Popular Socialista) – Soninha explicou os motivos que a levaram a se tornar política e, mais tarde, candidata à Prefeitura: “Não me conformo com coisas erradas e injustas. Sempre me perguntei o que eu poderia fazer (...). A minha candidatura é para aumentar a capacidade de fazer coisas pelas pessoas e pela cidade. Quero mais poder para poder fazer mais”. A candidata se disse usuária dos serviços públicos e afirmou: “Ser vereadora em São Paulo é ganhar a experiência de 40 anos de política em quatro anos de mandato”. Soninha disse, ainda, que se compromete a promover a saúde de forma ampla na cidade: “O trânsito é apenas um infarto na nossa sociedade. Ele mostra diversos sintomas das nossas doenças – o individualismo, o consumismo, o subsídio aos combustíveis, a facilidade de crédito, entre outros fatores”.
Ao fim das exposições, Oded Grajew, idealizador do Movimento Nossa São Paulo, agradeceu a presença dos políticos: “Este encontro demonstra civilidade, democracia, e é um sinal de respeito à população”. Estiveram presentes no ato os representantes de organizações de vários segmentos sociais, como Unicef, Atletas Pela Cidadania e Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social.
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