trânsito - comportamento
Eu fujo, tu foges, ele foge...
Para escaparem do trânsito, os paulistanos estão mudando a casa para perto do trabalho, saem mais tarde do serviço, têm se confinado em seus bairros, aprendem rotas alternativas e começam a aderir ao transporte público
Por Sara Duarte
Revista Veja São Paulo - 02/07/2008
Os paulistanos estão virando experts em driblar o tráfego intenso. Uma pesquisa realizada pela Fundação Dom Cabral revela que os congestionamentos fazem as pessoas mudar de rotina. O estudo ouviu 140 homens e mulheres que diariamente têm de encarar as complicadas marginais Pinheiros e Tietê e as avenidas 23 de Maio e dos Bandeirantes. Vinte por cento deles disseram não ter como fugir do inferno nos horários de pico. Mas 80% encontraram alternativas. Cerca de 17% trocaram o carro por metrô ou trem e 15% passaram a andar de ônibus. Há ainda os 15% que saem mais cedo de casa e os 18% que trabalham até mais tarde no escritório. Revirar o guia de ruas do avesso para descobrir novos caminhos é a opção preferida para 12% dos entrevistados.
Inconformado por levar quarenta minutos para chegar de sua casa na Pompéia ao trabalho na Avenida Paulista, o advogado Lauro Lima Carvalho, 34 anos, abandonou de vez o carro. Alugou um apartamento na região da Rua Frei Caneca, a cinco quarteirões do tribunal onde trabalha, e hoje só anda a pé. “Uso o carro apenas no fi m de semana ou para sair à noite”, diz. Para o urbanista e especialista em trânsito Cândido Malta Campos Filho, “regionalizar” a vida para fugir do tráfego pesado, como fez o advogado Carvalho, é um privilégio. Segundo ele, a maioria das pessoas acaba confinada em seu bairro, sem, entretanto, aproveitar lugares bacanas mais distantes. “Quem não pode se dar ao luxo de mudar de endereço precisa trocar seus horários ou depender do transporte coletivo.”
[img1] As soluções encontradas, no entanto, podem ser paliativas. Há cinco anos, a personal trainer Tatiana Cajado, 35 anos, trocou a Penha pela Cidade Jardim. Com a mudança de casa, em menos de cinco minutos ela conseguia atravessar a Ponte Eusébio Matoso e dar aulas na Fórmula Academia do Shopping Eldorado. Passou também a recusar alunos particulares que a fizessem atravessar a cidade, só atendendo com hora marcada, fora dos horários de pico, e em lugares próximos. Com o tempo, porém, mais carros lotaram as ruas. Agora ela pega trânsito no próprio bairro e chega a levar quarenta minutos só para cruzar a Marginal. “Tentei fugir, mas o trânsito me engoliu”, diz. “Se continuar assim, a saída será mudar de cidade.”
Dos entrevistados pela Fundação Dom Cabral, 85% disseram passar de uma a três horas por dia presos nas ruas. Para evitar deslocamentos na hora do rush, um número crescente de pessoas sai de casa mais cedo ou mais tarde. [img2]É o caso do analista de telecomunicações Persio Pucci, 30 anos. Trabalhando das 9h às 18h, ele costumava levar uma hora e quinze minutos para percorrer de carro o trajeto de 13 quilômetros entre sua casa, no Butantã, e o escritório, na Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini. Tudo mudou há seis meses, com a chegada de seu primeiro filho. “Combinei com o meu chefe de trabalhar em períodos alternativos”, conta. O esquema só deu certo porque um colega que desempenha a mesma função na empresa concordou em se revezar com Pucci. “Em um mês trabalho das 7h às 16h, e meu colega, das 11h às 20h. A cada trinta dias, invertemos os horários”, conta. Com isso, o pai novato ganhou uma hora a mais por dia para curtir o bebê.
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Inconformado por levar quarenta minutos para chegar de sua casa na Pompéia ao trabalho na Avenida Paulista, o advogado Lauro Lima Carvalho, 34 anos, abandonou de vez o carro. Alugou um apartamento na região da Rua Frei Caneca, a cinco quarteirões do tribunal onde trabalha, e hoje só anda a pé. “Uso o carro apenas no fi m de semana ou para sair à noite”, diz. Para o urbanista e especialista em trânsito Cândido Malta Campos Filho, “regionalizar” a vida para fugir do tráfego pesado, como fez o advogado Carvalho, é um privilégio. Segundo ele, a maioria das pessoas acaba confinada em seu bairro, sem, entretanto, aproveitar lugares bacanas mais distantes. “Quem não pode se dar ao luxo de mudar de endereço precisa trocar seus horários ou depender do transporte coletivo.”
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Dos entrevistados pela Fundação Dom Cabral, 85% disseram passar de uma a três horas por dia presos nas ruas. Para evitar deslocamentos na hora do rush, um número crescente de pessoas sai de casa mais cedo ou mais tarde. [img2]É o caso do analista de telecomunicações Persio Pucci, 30 anos. Trabalhando das 9h às 18h, ele costumava levar uma hora e quinze minutos para percorrer de carro o trajeto de 13 quilômetros entre sua casa, no Butantã, e o escritório, na Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini. Tudo mudou há seis meses, com a chegada de seu primeiro filho. “Combinei com o meu chefe de trabalhar em períodos alternativos”, conta. O esquema só deu certo porque um colega que desempenha a mesma função na empresa concordou em se revezar com Pucci. “Em um mês trabalho das 7h às 16h, e meu colega, das 11h às 20h. A cada trinta dias, invertemos os horários”, conta. Com isso, o pai novato ganhou uma hora a mais por dia para curtir o bebê.
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