trânsito e tecnologia
Arma anti-congestionamento
Os semáforos inteligentes reduzem o tempo de espera nas esquinas, mas só 20% deles funcionam
Por Maria Paola de Salvo
Revista Veja São Paulo - 02/07/2008
Esta cena (veja infográfico) se repete hoje em boa parte dos 5.753 cruzamentos da cidade. Enquanto uma fila de veículos aguarda no sinal vermelho, o verde permanece aberto para a rua transversal mesmo quando não há nenhum carro passando por ali. Esse tipo de situação, que, além de irritar o motorista, piora os índices de congestionamento, seria facilmente resolvido com os chamados semáforos inteligentes. Eles abrem e fecham de acordo com o fluxo, agilizando a fluidez e evitando esperas desnecessárias. Com a ajuda de sistemas de contagem de veículos e de computadores, o semáforo é capaz de decidir em poucos segundos se mantém, aumenta ou encurta o tempo de verde. “Isso permite reduzir o tempo de espera em até 20% e aumentar a velocidade dos carros em até 30%”, diz o gerente de desenvolvimento tecnológico da CET, Sun Ming.
São Paulo conta com 1.256 desses semáforos inteligentes. O número é considerado pequeno por especialistas. Vias importantes e congestionadas, como as avenidas dos Bandeirantes e Angélica, nunca viram as cores — e os benefícios — desses aparelhos. “Seria necessário o dobro da quantidade atual para melhorar o trânsito”, afirma o engenheiro de tráfego Alexandre Zum, especialista em sinalização. Mas o problema é ainda maior. Instalados em 1996, apenas 20% desses equipamentos funcionam. A maioria ficou sem manutenção e emburreceu. Novos semáforos não estão nos planos da CET a curto prazo.
“A prioridade é consertar os já existentes”, explica o superintendente de desenvolvimento da companhia, Irineu Gnecco Filho. Depois desse passo, a companhia promete eliminar, até o fim de 2009, todos os 1 417 semáforos eletromecânicos, aqueles antigões da década de 70 que funcionam com programação fixa, independentemente da quantidade de veículos que passa pelo cruzamento. Todos seriam substituídos por equipamentos eletrônicos, que podem ter os tempos de verde e vermelho alterados por engenheiros a partir da central da CET. São bem mais lentos que os tais semáforos inteligentes. Mas já representam algum avanço.
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