especial trânsito
Pesadelo sem fim
Velocidade de jabuti, acidentes, muita fumaça e motores ensurdecedores. Trafegar na Avenida dos Bandeirantes, a mais movimentada da capital, é missão para corajosos
Por Fernando Cassaro
Revista Veja São Paulo - 02/07/2008
Encarar a Avenida dos Bandeirantes é uma piada. Daquelas capazes de provocar um riso amargo. O asfalto é irregular, quatro de suas oito faixas ficam repletas de caminhões e os nove semáforos espalhados pelos seus 8 500 metros são um teste de paciência para qualquer motorista. Sem falar no barulho infernal e nas generosas doses de fumaça preta. Trata-se da avenida mais movimentada da cidade, excluindo desseranking as duas marginais. Por ali, passam 250 000 veículos por dia, principalmente caminhões, já que a via é caminho natural para quem pretende chegar ao Sistema Anchieta—Imigrantes partindo da Marginal Pinheiros — e vice-versa.
[img01] “Tem muito caminhão”, reclama o advogado Denis Bomtempo, que dos 25 minutos que leva para ir de sua casa, no Brooklin, até o trabalho, na Vila Olímpia, gasta vinte nos 1 000 metros que enfrenta de Bandeirantes.“Como não há outra opção, ouço música e leio jornal para me distrair.” A situação piora quando algum acidente acontece. Em maio ocorreram 169 colisões, cinco por dia. No dia 30, Veja São Paulo presenciou, às 10h34, um engavetamento envolvendo três carros. Ninguém se feriu, mas a pista da esquerda foi interrompida e causou 4 quilômetros de lentidão no sentido Marginal. Confusão inevitável, apesar da agilidade da CET na retirada dos carros (21 minutos).
“Passo por aqui há trinta anos e sempre vejo um acidente. Desta vez, foi comigo", diz o taxista Dirceu Galani, que teve sua Zafira atingida na traseira por um Uno. Para tentar diminuir a lentidão na avenida enquanto a obra do trecho do Rodoanel não é concluída – a previsão é de estar finalizada em abril de 2010 e retirar 37% do volume de grandalhões da Bandeirantes —, a Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa) promete licitar em julho duas faixas a mais exclusivas para caminhões (uma para cada sentido). Elas seriam construídas no canteiro central e custariam 150 milhões de reais.
[img02] Se a vida é dura para quem está apenas de passagem pela avenida, imagine para quem mora ou trabalha ali. A dona-de-casa Selma Alves e seus dois filhos, Guilherme e Vitória, sofrem com a poluição. “É um horror porque eu e meu filho temos bronquite”, diz. A residência, que fica na altura do número 5 000, permanece o dia inteiro com janelas e portas fechadas. Tudo para evitar a fuligem preta, que, além de piorar as crises de bronquite, deixa toda a mobília com uma espessa camada de pó. Outro problema é o barulho. Como o quarto das crianças fica bem na frente da casa, a menos de 10 metros da avenida, é comum que elas acordem durante a noite.
A chiadeira também é grande entre os comerciantes. Sem vagas para os clientes e com o estacionamento proibido na via, Marco Antonio Zinsly, proprietário de uma revendedora de automóveis, calcula que fecha 30% a menos de negócios. “Quando o trânsito pára, os caminhões tapam toda a minha vitrine. Ninguém consegue ver a loja”, conta. Andréia Cássia Nicolete, que comercializa equipamentos para academias, está há seis meses com as portas abertas na Bandeirantes. E, se não fossem as vendas eletrônicas, acredita que já teria falido. “Recebo no máximo três clientes por dia.
Leia mais:
Como o caos afeta a todos nós
Arma anti-congestionamento
Vai uma caroninha aí?
Eu fujo, tu foges, ele foge...
Cérebro eletrônico
Cem anos de lentidão
Assim no céu como na terra
A receita da desordem
Qual a frota de São Paulo?
No tempo do Fontenelle
Encarar a Avenida dos Bandeirantes é uma piada. Daquelas capazes de provocar um riso amargo. O asfalto é irregular, quatro de suas oito faixas ficam repletas de caminhões e os nove semáforos espalhados pelos seus 8 500 metros são um teste de paciência para qualquer motorista. Sem falar no barulho infernal e nas generosas doses de fumaça preta. Trata-se da avenida mais movimentada da cidade, excluindo desseranking as duas marginais. Por ali, passam 250 000 veículos por dia, principalmente caminhões, já que a via é caminho natural para quem pretende chegar ao Sistema Anchieta—Imigrantes partindo da Marginal Pinheiros — e vice-versa.
[img01] “Tem muito caminhão”, reclama o advogado Denis Bomtempo, que dos 25 minutos que leva para ir de sua casa, no Brooklin, até o trabalho, na Vila Olímpia, gasta vinte nos 1 000 metros que enfrenta de Bandeirantes.“Como não há outra opção, ouço música e leio jornal para me distrair.” A situação piora quando algum acidente acontece. Em maio ocorreram 169 colisões, cinco por dia. No dia 30, Veja São Paulo presenciou, às 10h34, um engavetamento envolvendo três carros. Ninguém se feriu, mas a pista da esquerda foi interrompida e causou 4 quilômetros de lentidão no sentido Marginal. Confusão inevitável, apesar da agilidade da CET na retirada dos carros (21 minutos).
“Passo por aqui há trinta anos e sempre vejo um acidente. Desta vez, foi comigo", diz o taxista Dirceu Galani, que teve sua Zafira atingida na traseira por um Uno. Para tentar diminuir a lentidão na avenida enquanto a obra do trecho do Rodoanel não é concluída – a previsão é de estar finalizada em abril de 2010 e retirar 37% do volume de grandalhões da Bandeirantes —, a Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa) promete licitar em julho duas faixas a mais exclusivas para caminhões (uma para cada sentido). Elas seriam construídas no canteiro central e custariam 150 milhões de reais.
[img02] Se a vida é dura para quem está apenas de passagem pela avenida, imagine para quem mora ou trabalha ali. A dona-de-casa Selma Alves e seus dois filhos, Guilherme e Vitória, sofrem com a poluição. “É um horror porque eu e meu filho temos bronquite”, diz. A residência, que fica na altura do número 5 000, permanece o dia inteiro com janelas e portas fechadas. Tudo para evitar a fuligem preta, que, além de piorar as crises de bronquite, deixa toda a mobília com uma espessa camada de pó. Outro problema é o barulho. Como o quarto das crianças fica bem na frente da casa, a menos de 10 metros da avenida, é comum que elas acordem durante a noite.
A chiadeira também é grande entre os comerciantes. Sem vagas para os clientes e com o estacionamento proibido na via, Marco Antonio Zinsly, proprietário de uma revendedora de automóveis, calcula que fecha 30% a menos de negócios. “Quando o trânsito pára, os caminhões tapam toda a minha vitrine. Ninguém consegue ver a loja”, conta. Andréia Cássia Nicolete, que comercializa equipamentos para academias, está há seis meses com as portas abertas na Bandeirantes. E, se não fossem as vendas eletrônicas, acredita que já teria falido. “Recebo no máximo três clientes por dia.
Leia mais:
Como o caos afeta a todos nós
Arma anti-congestionamento
Vai uma caroninha aí?
Eu fujo, tu foges, ele foge...
Cérebro eletrônico
Cem anos de lentidão
Assim no céu como na terra
A receita da desordem
Qual a frota de São Paulo?
No tempo do Fontenelle