trânsito e monitoramento
Cérebro eletrônico
Cerca de 130 técnicos se revezam 24 horas por dia para resolver os gargalos provocados por acidentes, queda de energia e manifestações
Por Sara Duarte
Revista Veja São Paulo - 02/07/2008
Acredite se quiser: o trânsito de São Paulo poderia ser pior do que é. O caos atual é minimizado pelo trabalho da Central de Operações da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), instalada na Rua Bela Cintra, na Consolação. Ali, oitenta engenheiros e técnicos se alternam 24 horas por dia para tentar conferir alguma ordem ao fluxo de carros, caminhões e ônibus na capital. Junto com cerca de cinqüenta gestores de trânsito espalhados por cinco unidades, eles compõem a equipe interna que monitora 835 quilômetros de vias.
[img01] Da sala de controle, buscam aniquilar geradores de trânsito, como um caminhão tombado, um blecaute que tenha apagado semáforos de um cruzamento ou um carro-forte que tenha estacionado em local proibido, bloqueando uma faixa inteira em uma grande avenida. O cérebro da CET observa tudo com 281 câmeras e 36 fiscais de trânsito — os pardais — que ficam no alto de prédios com binóculos. Seus braços e pernas são os 1 473 marronzinhos que, acionados por rádio, se deslocam rapidamente para desatar esses nós.
Existem duas situações em que é preciso armar uma operação de guerra: se chove e no fim da tarde de sexta-feira, quando os motoristas que saíram de casa em diferentes horários deixam o trabalho ao mesmo tempo para viajar ou aproveitar a noite. No dia em que Veja São Paulo visitou a Central de Operações da CET, o cenário era o pior possível: véspera de fim de semana sob chuva fina. Resultado: média de 104 quilômetros de lentidão, com picos de 174 às 9h30 da manhã e 180 às 19 horas.
[img02] Os altos índices foram provocados por uma série de fatores que, em efeito dominó, arruinaram a fluidez do trânsito: o capotamento de um automóvel dentro do Túnel Ayrton Senna causou lentidão na Avenida 23 de Maio e, por conseqüência, no Vale do Anhangabaú, nas avenidas Tiradentes e Santos Dumont e até na junção entre a Marginal Tietê e a Rodovia Castelo Branco. Em um telão eletrônico que exibe a malha monitorada pela CET, o congestionamento monstro era representado por uma série de linhas vermelhas. “É sempre assim: se ocorre um acidente em um trecho movimentado, o trânsito vai ficando represado e é como se todas as vias virassem um bolo só”, explica o
técnico André Corrêa de Arantes.
Naquela manhã, a falta de energia, provocada pela chuva, interrompeu o funcionamento de semáforos em três regiões: perto da Ceagesp, entre a Rua Groenlândia e a Avenida Nove de Julho e no corredor da Santo Amaro. Nesse caso, até que o fornecimento de energia fosse normalizado, os marronzinhos tiveram de controlar o fluxo dos carros manualmente. Quando há excesso de veículos, a solução é alterar os intervalos de fechamento e abertura dos semáforos, papel da equipe do gestor de trânsito Euphly Eduardo Piccaro. “As imagens captadas pelas câmeras indicam quais pontos precisam de um empurrãozinho.”
[img03] As passeatas de rua pioram tudo. A Central tem de disparar os marronzinhos para organizar desvios, evitar que os manifestantes invadam as outras pistas e depois retirar os cones de sinalização, dando vazão ao fluxo novamente. Mas é o instável clima de São Paulo que dá mais dor de cabeça aos homens da CET. No Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), um grupo analisa ermanentemente imagens de satélite e índices pluviométricos colhidos por 22 estações meteorológicas. “Se estiver chovendo no interior do estado, poderemos prever em quanto tempo a massa vai chegar à capital”, afirma o técnico em meteorologia Adilson Nazário. O CGE mapeou 500 pontos em que ocorrem inundações, 33 deles considerados críticos, para onde viaturas são deslocadas antes mesmo das primeiras gotas de chuva. Dá para imaginar como nosso trânsito seria ainda pior se não fosse todo esse trabalho? É melhor nem pensar nisso..
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Acredite se quiser: o trânsito de São Paulo poderia ser pior do que é. O caos atual é minimizado pelo trabalho da Central de Operações da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), instalada na Rua Bela Cintra, na Consolação. Ali, oitenta engenheiros e técnicos se alternam 24 horas por dia para tentar conferir alguma ordem ao fluxo de carros, caminhões e ônibus na capital. Junto com cerca de cinqüenta gestores de trânsito espalhados por cinco unidades, eles compõem a equipe interna que monitora 835 quilômetros de vias.
[img01] Da sala de controle, buscam aniquilar geradores de trânsito, como um caminhão tombado, um blecaute que tenha apagado semáforos de um cruzamento ou um carro-forte que tenha estacionado em local proibido, bloqueando uma faixa inteira em uma grande avenida. O cérebro da CET observa tudo com 281 câmeras e 36 fiscais de trânsito — os pardais — que ficam no alto de prédios com binóculos. Seus braços e pernas são os 1 473 marronzinhos que, acionados por rádio, se deslocam rapidamente para desatar esses nós.
Existem duas situações em que é preciso armar uma operação de guerra: se chove e no fim da tarde de sexta-feira, quando os motoristas que saíram de casa em diferentes horários deixam o trabalho ao mesmo tempo para viajar ou aproveitar a noite. No dia em que Veja São Paulo visitou a Central de Operações da CET, o cenário era o pior possível: véspera de fim de semana sob chuva fina. Resultado: média de 104 quilômetros de lentidão, com picos de 174 às 9h30 da manhã e 180 às 19 horas.
[img02] Os altos índices foram provocados por uma série de fatores que, em efeito dominó, arruinaram a fluidez do trânsito: o capotamento de um automóvel dentro do Túnel Ayrton Senna causou lentidão na Avenida 23 de Maio e, por conseqüência, no Vale do Anhangabaú, nas avenidas Tiradentes e Santos Dumont e até na junção entre a Marginal Tietê e a Rodovia Castelo Branco. Em um telão eletrônico que exibe a malha monitorada pela CET, o congestionamento monstro era representado por uma série de linhas vermelhas. “É sempre assim: se ocorre um acidente em um trecho movimentado, o trânsito vai ficando represado e é como se todas as vias virassem um bolo só”, explica o
técnico André Corrêa de Arantes.
Naquela manhã, a falta de energia, provocada pela chuva, interrompeu o funcionamento de semáforos em três regiões: perto da Ceagesp, entre a Rua Groenlândia e a Avenida Nove de Julho e no corredor da Santo Amaro. Nesse caso, até que o fornecimento de energia fosse normalizado, os marronzinhos tiveram de controlar o fluxo dos carros manualmente. Quando há excesso de veículos, a solução é alterar os intervalos de fechamento e abertura dos semáforos, papel da equipe do gestor de trânsito Euphly Eduardo Piccaro. “As imagens captadas pelas câmeras indicam quais pontos precisam de um empurrãozinho.”
[img03] As passeatas de rua pioram tudo. A Central tem de disparar os marronzinhos para organizar desvios, evitar que os manifestantes invadam as outras pistas e depois retirar os cones de sinalização, dando vazão ao fluxo novamente. Mas é o instável clima de São Paulo que dá mais dor de cabeça aos homens da CET. No Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE), um grupo analisa ermanentemente imagens de satélite e índices pluviométricos colhidos por 22 estações meteorológicas. “Se estiver chovendo no interior do estado, poderemos prever em quanto tempo a massa vai chegar à capital”, afirma o técnico em meteorologia Adilson Nazário. O CGE mapeou 500 pontos em que ocorrem inundações, 33 deles considerados críticos, para onde viaturas são deslocadas antes mesmo das primeiras gotas de chuva. Dá para imaginar como nosso trânsito seria ainda pior se não fosse todo esse trabalho? É melhor nem pensar nisso..
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