trânsito - rádio
Assim no céu como na terra
A bordo de helicópteros, carros e bicicletas, emissoras monitoram as asfixiadas vias paulistanas e prestam um belo serviço
Por Filipe Vilicic
Revista Veja São Paulo - 02/07/2008
O despertador toca bem cedo na casa da jornalista Jacqueline Brazil, em São Bernardo do Campo. Para sair às 5h50, ela madruga quase duas horas antes. “Fujo dos congestionamentos, mas tenho de sair cedo mesmo assim”, conta ela, que dirige seu Celta 1.0 preto até o Morumbi. Lá, troca o carro por outro quase igual, com o adesivo da empresa em que trabalha. A partir daí, sua missão vai obrigá-la a caçar engarrafamentos, em vez de evitá-los. Ela atua como repórter na Rádio SulAmérica, a única do país especializada na cobertura do trânsito. Junto com sete colegas, monitora sobre quatro rodas parte das principais ruas e avenidas paulistanas. De segunda a sexta e em plantões nos fins de semana, Jacqueline faz 28 boletins diários, entre 7 e 14 horas. Em uma jornada de trabalho percorre em média 200 quilômetros (o equivalente à distância entre São Paulo e Campos de Jordão). “Sempre dou péssimas notícias aos ouvintes”, diz, referindo-se aos engarrafamentos e acidentes típicos do intervalo das 7 às 10 horas, o tenebroso horário de pico. [img1]“Mas também alerto para perigos como pistas molhadas ou trombadinhas.” Numa cidade que já registrou 266 quilômetros de lentidão no trânsito, o trabalho de Jacqueline e sua turma é, sem trocadilho, uma mão na roda. Ou várias, por assim dizer. A SulAmérica conta com 23 jornalistas, oito carros e um helicóptero, que serve também às rádios BandNews e Bandeirantes. O público participa, por telefone, oferecendo alternativas a quem quer tentar escapar de congestionamentos.
O administrador de empresas Edmilson da Silva não perde uma chance para dar
dicas aos motoristas. Há três anos, telefona pelo menos duas vezes por dia para outra rádio, a Eldorado, que em 1993 criou o ouvinte-repórter. “Sinto que estou fazendo minha parte”, diz ele. Outra idéia bacana da rádio foi a criação do bike-repórter. Como o próprio nome indica, são colaboradores que circulam pela cidade de bicicleta. [img2]Hoje, cinco figuras dedicam-se à função. “Chegamos a rodar com velocidade maior que a de carros e motos”, conta Arturo Alcorta, idealizador do projeto. Nenhuma inovação, no entanto, fez tanta diferença quanto a chegada do repórter aéreo, em 1989, cinco anos depois de a Eldorado criar uma equipe focada no assunto. “De cima dá para ver mais vias, perceber as causas de congestionamentos e identificar caminhos alternativos”, conta o jornalista Geraldo Nunes. Um dos titulares do posto há dezenove anos, ele calcula que nesse período já tenha feito 15 000 boletins ao vivo e acumulado mais de 6 000 horas de vôo. “Tenho até seguro de vida”, conta ele, que em 2005, devido a uma pane na aeronave, fez um pouso forçado na Marginal Pinheiros, na altura da Ponte Eusébio Matoso. Nunes, que é deficiente físico, só teve ferimentos leves — e o acidente provocou 9 quilômetros de lentidão na pista expressa da via.
[img3]Cada hora de helicóptero no ar custa 900 reais, valor pago pelo aluguel da aeronave. Isso significa cerca de 40 000 reais por mês, no mínimo — são em média duas horas diárias de vôo, de segunda a sexta, tempo que aumenta quando há acidentes ou engarrafamentos graves. Uma leva de repórteres aéreos surgiu na esteira da iniciativa da Eldorado. Basta sintonizar emissoras como a CBN e a Jovem Pan, por exemplo, para ouvir relatos feitos por jornalistas, literalmente, no ar. A Mix FM, conhecida mais pela programação musical do que por oferecer serviços, mantém contato com a CET e com equipes de produção que circulam pelas ruas para deixar o público antenado. “Focamos o entretenimento, mas não deixamos de informar”, diz a locutora Malu Campos. “Se acontece algo mais sério, interrompemos a programação na mesma hora.”
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O despertador toca bem cedo na casa da jornalista Jacqueline Brazil, em São Bernardo do Campo. Para sair às 5h50, ela madruga quase duas horas antes. “Fujo dos congestionamentos, mas tenho de sair cedo mesmo assim”, conta ela, que dirige seu Celta 1.0 preto até o Morumbi. Lá, troca o carro por outro quase igual, com o adesivo da empresa em que trabalha. A partir daí, sua missão vai obrigá-la a caçar engarrafamentos, em vez de evitá-los. Ela atua como repórter na Rádio SulAmérica, a única do país especializada na cobertura do trânsito. Junto com sete colegas, monitora sobre quatro rodas parte das principais ruas e avenidas paulistanas. De segunda a sexta e em plantões nos fins de semana, Jacqueline faz 28 boletins diários, entre 7 e 14 horas. Em uma jornada de trabalho percorre em média 200 quilômetros (o equivalente à distância entre São Paulo e Campos de Jordão). “Sempre dou péssimas notícias aos ouvintes”, diz, referindo-se aos engarrafamentos e acidentes típicos do intervalo das 7 às 10 horas, o tenebroso horário de pico. [img1]“Mas também alerto para perigos como pistas molhadas ou trombadinhas.” Numa cidade que já registrou 266 quilômetros de lentidão no trânsito, o trabalho de Jacqueline e sua turma é, sem trocadilho, uma mão na roda. Ou várias, por assim dizer. A SulAmérica conta com 23 jornalistas, oito carros e um helicóptero, que serve também às rádios BandNews e Bandeirantes. O público participa, por telefone, oferecendo alternativas a quem quer tentar escapar de congestionamentos.
O administrador de empresas Edmilson da Silva não perde uma chance para dar
dicas aos motoristas. Há três anos, telefona pelo menos duas vezes por dia para outra rádio, a Eldorado, que em 1993 criou o ouvinte-repórter. “Sinto que estou fazendo minha parte”, diz ele. Outra idéia bacana da rádio foi a criação do bike-repórter. Como o próprio nome indica, são colaboradores que circulam pela cidade de bicicleta. [img2]Hoje, cinco figuras dedicam-se à função. “Chegamos a rodar com velocidade maior que a de carros e motos”, conta Arturo Alcorta, idealizador do projeto. Nenhuma inovação, no entanto, fez tanta diferença quanto a chegada do repórter aéreo, em 1989, cinco anos depois de a Eldorado criar uma equipe focada no assunto. “De cima dá para ver mais vias, perceber as causas de congestionamentos e identificar caminhos alternativos”, conta o jornalista Geraldo Nunes. Um dos titulares do posto há dezenove anos, ele calcula que nesse período já tenha feito 15 000 boletins ao vivo e acumulado mais de 6 000 horas de vôo. “Tenho até seguro de vida”, conta ele, que em 2005, devido a uma pane na aeronave, fez um pouso forçado na Marginal Pinheiros, na altura da Ponte Eusébio Matoso. Nunes, que é deficiente físico, só teve ferimentos leves — e o acidente provocou 9 quilômetros de lentidão na pista expressa da via.
[img3]Cada hora de helicóptero no ar custa 900 reais, valor pago pelo aluguel da aeronave. Isso significa cerca de 40 000 reais por mês, no mínimo — são em média duas horas diárias de vôo, de segunda a sexta, tempo que aumenta quando há acidentes ou engarrafamentos graves. Uma leva de repórteres aéreos surgiu na esteira da iniciativa da Eldorado. Basta sintonizar emissoras como a CBN e a Jovem Pan, por exemplo, para ouvir relatos feitos por jornalistas, literalmente, no ar. A Mix FM, conhecida mais pela programação musical do que por oferecer serviços, mantém contato com a CET e com equipes de produção que circulam pelas ruas para deixar o público antenado. “Focamos o entretenimento, mas não deixamos de informar”, diz a locutora Malu Campos. “Se acontece algo mais sério, interrompemos a programação na mesma hora.”
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