trânsito e congestionamento
A receita da desordem
Como se formam os engarrafamentos e quanto tempo eles levam para se dissipar
Por Maria Paola de Salvo
Revista Veja São Paulo - 02/07/2008
Diariamente, a CET remove das ruas cerca de 600 obstáculos. Mais de 70% são veículos quebrados. Os caminhões representam apenas uma pequena parte do problema (em média, oito enguiçam por dia), mas seu tamanho faz com que o estrago seja monstruoso. Quase metade desses grandalhões quebra em uma das marginais ou na Avenida dos Bandeirantes. Como num infarto, a obstrução de apenas uma dessas importantes artérias do trânsito compromete o funcionamento do corpo inteiro. Quanto mais se demora para retirar o veículo dali, maior é o dano.
“Num sistema já próximo da saturação, qualquer pequena interferência gera o caos”, afirma o engenheiro Gabriel Feriancic, especialista em transportes. Apesar de exigir atendimento de emergência, o problema demora a ser eliminado. Uma unidade da CET costuma levar cerca de quinze minutos para chegar ao local da ocorrência e outros trinta para remover o tal caminhão.
Para mostrar a extensão desse estrago, o engenheiro Feriancic realizou uma simulação em que um caminhão quebrado ocuparia duas das quatro faixas da pista local da Marginal Tietê por esses 45 minutos. No fim desse tempo, a fila de carros atrás dele chegaria a 9 quilômetros. Mas os engarrafamentos não acabam quando ele é removido. Nesse caso hipotético, a fila só iria sumir uma hora e meia depois de o caminhão ter parado e se estenderia por 18 quilômetros. É o suficiente para afetar 10 500 veículos só na marginal e espalhar o transtorno para outras ruas e pontes próximas. Como num efeito dominó. “Por isso chamamos o fenômeno de onda de congestionamento”,
diz o engenheiro de tráfego Pedro Szasz.
Mas nem sempre a explicação para um engarrafamento é tão simples quanto um caminhão que atravanca as ruas. Quem nunca ficou perplexo diante de um anda-e-pára sem razão aparente? O mistério parece ter sido desvendado por uma equipe de pesquisadores japoneses da Universidade Nagoya. Eles colocaram 22 carros num circuito de 230 metros com apenas uma faixa. Foi pedido aos motoristas que tentassem manter uma velocidade constante de 30 quilômetros por hora. A princípio, o trânsito fluiu normalmente.
Mas logo, sem que nada de diferente acontecesse, alguns motoristas pisaram no freio. Quem vinha atrás também parou, e isso se espalhou por todo o circuito, como uma onda. “Em ruas e rodovias ocorre da mesma maneira”, conta o professor Yuki Sugiyama, da Universidade Nagoya. Confira um vídeo do experimento no site de Veja São Paulo (www.vejasaopaulo.com.br).
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“Num sistema já próximo da saturação, qualquer pequena interferência gera o caos”, afirma o engenheiro Gabriel Feriancic, especialista em transportes. Apesar de exigir atendimento de emergência, o problema demora a ser eliminado. Uma unidade da CET costuma levar cerca de quinze minutos para chegar ao local da ocorrência e outros trinta para remover o tal caminhão.
Para mostrar a extensão desse estrago, o engenheiro Feriancic realizou uma simulação em que um caminhão quebrado ocuparia duas das quatro faixas da pista local da Marginal Tietê por esses 45 minutos. No fim desse tempo, a fila de carros atrás dele chegaria a 9 quilômetros. Mas os engarrafamentos não acabam quando ele é removido. Nesse caso hipotético, a fila só iria sumir uma hora e meia depois de o caminhão ter parado e se estenderia por 18 quilômetros. É o suficiente para afetar 10 500 veículos só na marginal e espalhar o transtorno para outras ruas e pontes próximas. Como num efeito dominó. “Por isso chamamos o fenômeno de onda de congestionamento”,
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Mas nem sempre a explicação para um engarrafamento é tão simples quanto um caminhão que atravanca as ruas. Quem nunca ficou perplexo diante de um anda-e-pára sem razão aparente? O mistério parece ter sido desvendado por uma equipe de pesquisadores japoneses da Universidade Nagoya. Eles colocaram 22 carros num circuito de 230 metros com apenas uma faixa. Foi pedido aos motoristas que tentassem manter uma velocidade constante de 30 quilômetros por hora. A princípio, o trânsito fluiu normalmente.
Mas logo, sem que nada de diferente acontecesse, alguns motoristas pisaram no freio. Quem vinha atrás também parou, e isso se espalhou por todo o circuito, como uma onda. “Em ruas e rodovias ocorre da mesma maneira”, conta o professor Yuki Sugiyama, da Universidade Nagoya. Confira um vídeo do experimento no site de Veja São Paulo (www.vejasaopaulo.com.br).
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