especial trânsito
Qual é a frota de São Paulo?
Ninguém sabe exatamente. Nem mesmo o Detran tem certeza de que há 6 milhões de veículos nas ruas paulistanas
Por Fernando Cassaro
Revista Veja São Paulo - 02/07/2008
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Em fevereiro, o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) anunciou que a frota da cidade tinha atingido 6 milhões de veículos. É mais de um carro para cada dois habitantes. Mas será que esse número corresponde à realidade? Para chegar a essa marca, o Detran relacionou os carros cadastrados no município entre 1901 e o mês de maio deste ano (veja o quadro abaixo).
Aí está o problema: quem se lembra de ter cruzado recentemente com algum dos 7 755 carros registrados desde o começo do século passado até o ano de 1959? Mesmo admitindo os possíveis colecionadores, é difícil imaginar que essa quantidade de veículos antigos ainda exista e ajude a piorar os intermináveis congestionamentos. Mas nem é preciso ir tão longe. Quantos carros das décadas de 60 e 70 estão na ativa?
O Detran informa que não tem como saber quantos dos carros fabricados desde o início do século passado já viraram sucata ou estão apodrecendo em desmanches. Segundo a assessoria de imprensa do departamento, só são contabilizadas as baixas informadas pelos proprietários. “Não há um dado definitivo sobre a frota real da cidade”, afirma o engenheiro de transportes Jaime Waisman, professor da Universidade de São Paulo. “De maneira geral, nossas estatísticas são ruins. No caso dos transportes, são ainda piores.” Nem a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) usa o número divulgado pelo Detran para formular suas políticas de trânsito. Para a companhia, a “frota circulante” seria de 4 milhões de veículos.
“Esse dado é uma estimativa feita pelos nossos engenheiros”, afirma Alexandre de Moraes, secretário municipal de Transportes e presidente da CET. “Acredito que, com a implantação de chips em automóveis e caminhões, poderemos monitorar todos os veículos da cidade, já que os ônibus contam desde maio com o sistema de GPS.” Para Waisman, essa discrepância tem dois responsáveis: o Detran, que não faz a atualização de sua base de dados, e os motoristas, que não dão baixa na documentação. “Como minimizar o caos do trânsito se não temos nem os números específicos necessários para fundamentar novos projetos?”, questiona o professor, repleto de razão.
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O Detran informa que não tem como saber quantos dos carros fabricados desde o início do século passado já viraram sucata ou estão apodrecendo em desmanches. Segundo a assessoria de imprensa do departamento, só são contabilizadas as baixas informadas pelos proprietários. “Não há um dado definitivo sobre a frota real da cidade”, afirma o engenheiro de transportes Jaime Waisman, professor da Universidade de São Paulo. “De maneira geral, nossas estatísticas são ruins. No caso dos transportes, são ainda piores.” Nem a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) usa o número divulgado pelo Detran para formular suas políticas de trânsito. Para a companhia, a “frota circulante” seria de 4 milhões de veículos.
“Esse dado é uma estimativa feita pelos nossos engenheiros”, afirma Alexandre de Moraes, secretário municipal de Transportes e presidente da CET. “Acredito que, com a implantação de chips em automóveis e caminhões, poderemos monitorar todos os veículos da cidade, já que os ônibus contam desde maio com o sistema de GPS.” Para Waisman, essa discrepância tem dois responsáveis: o Detran, que não faz a atualização de sua base de dados, e os motoristas, que não dão baixa na documentação. “Como minimizar o caos do trânsito se não temos nem os números específicos necessários para fundamentar novos projetos?”, questiona o professor, repleto de razão.
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