propostas
1º Fórum Nossa São Paulo apresentou mais de 900 propostas para a cidade
O evento organizado pelo Movimento Nossa São Paulo contou com a colaboração dos cidadãos para criar projetos que tornem a maior capital da América Latina em uma cidade mais sustentável
Por Thiago Carrapatoso
Planeta Sustentável - 20/05/2008
Do dia 15 ao 18 de maio, cidadãos, entidades e empresas se reuniram para discutir e mostrar propostas para tornar a capital paulista em um cidade mais sustentável. Organizado pelo Movimento Nossa São Paulo, o 1º Fórum Nossa São Paulo contou com a presença de mais de 750 pessoas e envolveu cerca de 450 organizações.
Desde fevereiro, o Fórum convocou a participação de cidadãos e empresas para criarem projetos que melhorem as condições da cidade. Por meio de discussões, traçaram planos e os cadastraram no site para serem discutidos durante o Fórum. A partir de agora, o Movimento Nossa São Paulo se responsabiliza a selecionar e encaminhar para os candidatos à prefeitura indicadores com os projetos, para que, assim, eles saibam das dificuldades e o que fazer para melhorar a capital paulista.
As discussões do Fórum foram acompanhadas pelos estudantes do projeto Repórter do Futuro, que fizeram uma cobertura multimídia de todo o evento. Parte do conteúdo produzido por eles pode ser acessado nos links abaixo, colocados nas citações dos palestrantes.
O FÓRUM
No primeiro dia, representantes de diversos setores que trabalham ou atuam com a mobilidade, como taxistas e motoristas, discutiram os problemas de uma cidade com uma frota de 6 milhões de veículos. "Boa parte dos semáforos da cidade poderiam ser desligados se nós respeitássemos as faixas de pedestres", conta Davi Fransico da Silva, taxista. Representando os pedestres, Asuncion Blanco reclamou da falta de espaço das calçadas, que obriga as pessoas a trafegarem pela própria rua, aumentando a morte por atropelamentos (cerca de dois por dia).
A discussão sobre a mobilidade também abordou outras transportes públicos, como o metrô. O presidente do Sindicato dos Metroviários, Wagner Gomes, reclama sobre a falta de funcionários para atender toda a população: "Em 1990, éramos 11 mil funcionários para 1,5 milhão de usuários. Hoje, temos 7 mil pessoas atendendo 3 milhões de passageiros. Não há reposição dos servidores aposentados e licenciados. Isso se reflete na manutenção dos trens, na maior freqüência de panes e, portanto, em incômodos e transtornos para o usuário".
Tornar uma metrópole em um lugar mais sustentável pode ser possível, como demonstram cidades da própria América Latina, como Buenos Aires e Bogotá. No segundo dia de discussões, uma mesa contava com os representantes de cidades como, além das já citadas, Santiago, Lima e Assunção. Como disse a representante do movimento "Medellín como vamos?", Piedad Restrepo, "sempre há aquilo de 'somos os melhores nisso', 'somos os melhores naquilo'. Por isso é importante termos espaços como esse, em que vemos o que há de melhor nas outras experiências e adaptamos para nossa própria realidade".
O professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Buenos Aires, Rodolfo Macera, deu um panorama sobre como a cidade era e as mudanças pela qual ela passou. "Buenos Aires tinha dinheiro, mas não tinha idéias, e os investimentos errados estavam causando problemas em determinadas regiões", conta. Para tentar resolver a situação, a Universidade se associou a outras 300 organizações, mais a ajuda da população, e interferiu na gestão da cidade. O atual problema da capital argentina é a região sul, área periférica onde a população não tem acesso à cultura e à educação.
Como resolver o problema, então? Uma das soluções, que envolve a colaboração da população, é o projeto Mapas Verdes. São mapas criados por comunidades locais que apontam os problemas e ações para sanar determinada deficiência. "É um mapa muito útil, que mostra visualmente indicadores da cidade. É também instrumento de educação popular e de integração. Representa viver a cidade de outra maneira", explica Lake Sagaris, integrante do coletivo Ciudad Viva, que congrega 25 organizações comunitárias. "O mapa auxilia a administração a pensar o desenho da cidade, a construir uma melhor infra-estrutura. É o mapa como processo", complementa.
GRUPOS DE TRABALHO
Além das propostas elaboradas pelos cidadãos e pelas organizações participantes, o Fórum também divulgou o balanço dos Grupos de Trabalho do Movimento Nossa São Paulo. Por meio de mesas redondas, os diversos GTs apresentaram algumas propostas e conclusões, como é o caso do de Democracia Participativa. "Para aprofundar a democracia, é preciso descentralizar o poder", salienta o coordenador do grupo Maurício Piragino. O GT, como solução para a falta de participação da população nas decisões da cidade, propôs a criação de Conselhos de Representantes como forma de fortalecer o trabalho nas 31 subprefeituras da cidade.
O de Educação, por sua vez, reforçou uma política que já está em vigor, que é o Plano Municipal de Educação. "O plano municipal é importante para não ter descontinuidade da política", conta a socióloga e diretora do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). O coordenador geral da Ação Educativa, Sérgio Haddad, acredita não ter novidades no plano, mas "o que está lá, em grande parte, são coisas que a elite já tem".
O GT de Orçamento propôs que os gastos do governo devem ser transparentes, insinuando a volta do orçamento participativo. Odilon Guedes, membro do grupo, afirma: "O poder público é sustentado pelo imposto que cada um de nós paga. Então precisamos de uma transparência". Para ele, a verba destinada a cada subprefeitura deve ser proporcional ao número de habitantes de cada região. E, para tanto, é necessário descobrir qual é o gasto que a prefeitura tem com cada habitante de cada localidade.
As discussões dos outros grupos de trabalho podem ser conferidas no site do Repórter do Futuro ou no do próprio Movimento Nossa São Paulo.
Do dia 15 ao 18 de maio, cidadãos, entidades e empresas se reuniram para discutir e mostrar propostas para tornar a capital paulista em um cidade mais sustentável. Organizado pelo
Movimento Nossa São Paulo, o
1º Fórum Nossa São Paulo contou com a presença de mais de 750 pessoas e envolveu cerca de 450 organizações.
Desde fevereiro, o Fórum convocou a participação de cidadãos e empresas para criarem projetos que melhorem as condições da cidade. Por meio de discussões, traçaram planos e os cadastraram no site para serem discutidos durante o Fórum. A partir de agora, o Movimento Nossa São Paulo se responsabiliza a selecionar e encaminhar para os candidatos à prefeitura indicadores com os projetos, para que, assim, eles saibam das dificuldades e o que fazer para melhorar a capital paulista.
As discussões do Fórum foram acompanhadas pelos estudantes do projeto Repórter do Futuro, que fizeram uma cobertura multimídia de todo o evento. Parte do conteúdo produzido por eles pode ser acessado nos links abaixo, colocados nas citações dos palestrantes.
O FÓRUM
No primeiro dia, representantes de diversos setores que trabalham ou atuam com a mobilidade, como taxistas e motoristas, discutiram os problemas de uma cidade com uma frota de 6 milhões de veículos. "Boa parte dos semáforos da cidade poderiam ser desligados se nós respeitássemos as faixas de pedestres", conta Davi Fransico da Silva, taxista. Representando os pedestres, Asuncion Blanco reclamou da falta de espaço das calçadas, que obriga as pessoas a trafegarem pela própria rua, aumentando a morte por atropelamentos (cerca de dois por dia).
A discussão sobre a mobilidade também abordou outras transportes públicos, como o metrô. O presidente do Sindicato dos Metroviários, Wagner Gomes, reclama sobre a falta de funcionários para atender toda a população: "Em 1990, éramos 11 mil funcionários para 1,5 milhão de usuários. Hoje, temos 7 mil pessoas atendendo 3 milhões de passageiros. Não há reposição dos servidores aposentados e licenciados. Isso se reflete na manutenção dos trens, na maior freqüência de panes e, portanto, em incômodos e transtornos para o usuário".
Tornar uma metrópole em um lugar mais sustentável pode ser possível, como demonstram cidades da própria América Latina, como Buenos Aires e Bogotá. No segundo dia de discussões, uma mesa contava com os representantes de cidades como, além das já citadas, Santiago, Lima e Assunção. Como disse a representante do movimento "Medellín como vamos?", Piedad Restrepo, "sempre há aquilo de 'somos os melhores nisso', 'somos os melhores naquilo'. Por isso é importante termos espaços como esse, em que vemos o que há de melhor nas outras experiências e adaptamos para nossa própria realidade".
O professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Buenos Aires, Rodolfo Macera, deu um panorama sobre como a cidade era e as mudanças pela qual ela passou. "Buenos Aires tinha dinheiro, mas não tinha idéias, e os investimentos errados estavam causando problemas em determinadas regiões", conta. Para tentar resolver a situação, a Universidade se associou a outras 300 organizações, mais a ajuda da população, e interferiu na gestão da cidade. O atual problema da capital argentina é a região sul, área periférica onde a população não tem acesso à cultura e à educação.
Como resolver o problema, então? Uma das soluções, que envolve a colaboração da população, é o projeto Mapas Verdes. São mapas criados por comunidades locais que apontam os problemas e ações para sanar determinada deficiência. "É um mapa muito útil, que mostra visualmente indicadores da cidade. É também instrumento de educação popular e de integração. Representa viver a cidade de outra maneira", explica Lake Sagaris, integrante do coletivo Ciudad Viva, que congrega 25 organizações comunitárias. "O mapa auxilia a administração a pensar o desenho da cidade, a construir uma melhor infra-estrutura. É o mapa como processo", complementa.
GRUPOS DE TRABALHO
Além das propostas elaboradas pelos cidadãos e pelas organizações participantes, o Fórum também divulgou o balanço dos Grupos de Trabalho do Movimento Nossa São Paulo. Por meio de mesas redondas, os diversos GTs apresentaram algumas propostas e conclusões, como é o caso do de Democracia Participativa. "Para aprofundar a democracia, é preciso descentralizar o poder", salienta o coordenador do grupo Maurício Piragino. O GT, como solução para a falta de participação da população nas decisões da cidade, propôs a criação de Conselhos de Representantes como forma de fortalecer o trabalho nas 31 subprefeituras da cidade.
O de Educação, por sua vez, reforçou uma política que já está em vigor, que é o Plano Municipal de Educação. "O plano municipal é importante para não ter descontinuidade da política", conta a socióloga e diretora do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec). O coordenador geral da Ação Educativa, Sérgio Haddad, acredita não ter novidades no plano, mas "o que está lá, em grande parte, são coisas que a elite já tem".
O GT de Orçamento propôs que os gastos do governo devem ser transparentes, insinuando a volta do orçamento participativo. Odilon Guedes, membro do grupo, afirma: "O poder público é sustentado pelo imposto que cada um de nós paga. Então precisamos de uma transparência". Para ele, a verba destinada a cada subprefeitura deve ser proporcional ao número de habitantes de cada região. E, para tanto, é necessário descobrir qual é o gasto que a prefeitura tem com cada habitante de cada localidade.
As discussões dos outros grupos de trabalho podem ser conferidas no site do Repórter do Futuro ou no do próprio Movimento Nossa São Paulo.