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Padrinhos boas-praças
Por meio de adoção, empresas e pessoas revitalizam áreas públicas
Por Natalie Reinoso
Revista Veja Rio - 30/04/2008
O carioca não precisa caminhar muito para deparar com lugares deteriorados ou vítimas de vandalismo. Ao saber que a medalha do monumento à estilista Zuzu Angel, em São Conrado,
estava sendo roubada, a juíza de paz Isis Penido desceu de seu apartamento e chegou a tempo de evitar a ação dos marginais. Ao constatar o estado de abandono e imundície do local, ela tomou uma decisão: "Resolvi adotá-lo". Foi assim que Isis ingressou na lista de moradores e empresas da cidade que participam do programa de adoção de áreas verdes da Fundação Parques e Jardins. Ela encaminhou o pedido à prefeitura, que iniciou o procedimento-padrão, com duração média de um mês.
Após avaliar o espaço em questão, a fundação define direitos e deveres do postulante e em seguida os publica no Diário Oficial. Se há mais de um interessado, a Secretaria Municipal da Fazenda analisa a melhor proposta antes de assinar o termo de cooperação. "Não imaginava que era tão fácil", diz Isis, cuja primeira medida foi contratar um paisagista para fazer o replantio no jardim, que ganhou também toras para servir de banco.
Pessoas físicas ou jurídicas podem adotar áreas verdes públicas, seja um monumento, uma praça, um canteiro ou miudezas como as duas árvores da Rua Professor Estelita Lins, em Laranjeiras, que a terapeuta holística Gisela d'Arruda decidiu proteger. "Zelo pelo patrimônio e pela biodiversidade", explica. O único gasto que ela tem é com seu tempo, pois o acerto não prevê investimento em dinheiro. Nem sempre é assim. A empresa que se responsabilizar pelo entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas, órfão desde outubro, terá de desembolsar 1,2 milhão de reais por ano. Outro espaço nobre da cidade, a Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, que já esteve sob a guarda de um banco, é agora disputado por três empresas. Todos saem no lucro: a cidade ganha pontos revitalizados e as empresas faturam com a imagem de benfeitoras.
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Há mais de 170 acordos em vigor, com prazos variados. "Se uma das partes quiser, poderá rescindir o contrato a qualquer momento", alerta Osmar Caetano de Souza, presidente da Parques e Jardins. A Associação de Moradores da Lauro Muller e Adjacências (Alma) desde 1994 conserva o Parque General Leandro, na Urca. Entre seus compromissos estão irrigar e aparar os gramados e realizar pequenas podas. "Gastamos em média 8 000 reais por mês", conta Abílio Tozini, presidente da associação, que recolhe o montante com os moradores. É a mesma despesa mensal do Ibmec com as duas áreas que preserva desde o ano passado no Centro, vizinhas à nova sede da instituição de ensino: a Praça 4 de Julho e o Espaço Evandro Lins e Silva, em um investimento inicial de 200 000 reais.
Outrora abrigo para mendigos, a praça ganhou nova vida com troca da iluminação, replantio e reforma de bancos e piso. "É um benefício não só para os alunos, mas para a comunidade. O número de assaltos caiu", comemora Moacyr Horta, gerente de operações do Ibmec. "Se todos tivessem iniciativas semelhantes, o Rio seria uma cidade-jardim", afirma Isis.
Monumento Tributo a Zuzu Angel, em São Conrado
Adotante: Isis Penido
Início: setembro de 2006
O que fez: replantio e colocação de bancos de madeira
Espaço Evandro Lins e Silva, no Centro
Adotante: Ibmec
Início: julho de 2007
O que fez: troca da iluminação, replantio e reforma de bancos e piso
O carioca não precisa caminhar muito para deparar com lugares deteriorados ou vítimas de vandalismo. Ao saber que a medalha do monumento à estilista Zuzu Angel, em São Conrado,
estava sendo roubada, a juíza de paz Isis Penido desceu de seu apartamento e chegou a tempo de evitar a ação dos marginais. Ao constatar o estado de abandono e imundície do local, ela tomou uma decisão: "Resolvi adotá-lo". Foi assim que Isis ingressou na lista de moradores e empresas da cidade que participam do programa de adoção de áreas verdes da Fundação Parques e Jardins. Ela encaminhou o pedido à prefeitura, que iniciou o procedimento-padrão, com duração média de um mês.
Após avaliar o espaço em questão, a fundação define direitos e deveres do postulante e em seguida os publica no Diário Oficial. Se há mais de um interessado, a Secretaria Municipal da Fazenda analisa a melhor proposta antes de assinar o termo de cooperação. "Não imaginava que era tão fácil", diz Isis, cuja primeira medida foi contratar um paisagista para fazer o replantio no jardim, que ganhou também toras para servir de banco.
Pessoas físicas ou jurídicas podem adotar áreas verdes públicas, seja um monumento, uma praça, um canteiro ou miudezas como as duas árvores da Rua Professor Estelita Lins, em Laranjeiras, que a terapeuta holística Gisela d'Arruda decidiu proteger. "Zelo pelo patrimônio e pela biodiversidade", explica. O único gasto que ela tem é com seu tempo, pois o acerto não prevê investimento em dinheiro. Nem sempre é assim. A empresa que se responsabilizar pelo entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas, órfão desde outubro, terá de desembolsar 1,2 milhão de reais por ano. Outro espaço nobre da cidade, a Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, que já esteve sob a guarda de um banco, é agora disputado por três empresas. Todos saem no lucro: a cidade ganha pontos revitalizados e as empresas faturam com a imagem de benfeitoras.
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Há mais de 170 acordos em vigor, com prazos variados. "Se uma das partes quiser, poderá rescindir o contrato a qualquer momento", alerta Osmar Caetano de Souza, presidente da Parques e Jardins. A Associação de Moradores da Lauro Muller e Adjacências (Alma) desde 1994 conserva o Parque General Leandro, na Urca. Entre seus compromissos estão irrigar e aparar os gramados e realizar pequenas podas. "Gastamos em média 8 000 reais por mês", conta Abílio Tozini, presidente da associação, que recolhe o montante com os moradores. É a mesma despesa mensal do Ibmec com as duas áreas que preserva desde o ano passado no Centro, vizinhas à nova sede da instituição de ensino: a Praça 4 de Julho e o Espaço Evandro Lins e Silva, em um investimento inicial de 200 000 reais.
Outrora abrigo para mendigos, a praça ganhou nova vida com troca da iluminação, replantio e reforma de bancos e piso. "É um benefício não só para os alunos, mas para a comunidade. O número de assaltos caiu", comemora Moacyr Horta, gerente de operações do Ibmec. "Se todos tivessem iniciativas semelhantes, o Rio seria uma cidade-jardim", afirma Isis.
Monumento Tributo a Zuzu Angel, em São Conrado
Adotante: Isis Penido
Início: setembro de 2006
O que fez: replantio e colocação de bancos de madeira
Espaço Evandro Lins e Silva, no Centro
Adotante: Ibmec
Início: julho de 2007
O que fez: troca da iluminação, replantio e reforma de bancos e piso