boa vida
Na selva carioca
Pra falar sobre Floresta da Tijuca, a maior mata urbana do mundo, a Revista VIP escalou sua colunista de turismo
Por Patrícia Kreusburg
Revista VIP - 03/2008
Elá se vão 200 anos. Em 1808, o rei dom João VI vendeu praticamente todas as terras da Floresta da Tijuca para os barões de café, que logo começaram a derrubar tudo quanto era árvore, para ganhar dinheiro com suas plantações. Era o início do primeiro grande ciclo do café no Brasil. E de uma das primeiras grandes devastações ambientais na mata Atlântica. Felizmente, esse processo durou pouco mais de 50 anos, graças ao neto de dom João. Em 1861, dom Pedro II baixou um decreto desapropriando todas essas terras e dando início ao reflorestamento do que havia sido destruído. Foi um trabalho pioneiro em toda a América Latina e que tornou possível termos, até hoje, a Floresta da Tijuca - a maior floresta urbana do mundo -, linda e exuberante. Para garantir a preservação da área, foi criado, em 1967, o Parque Nacional da Tijuca, com 14,7 quilômetros quadrados - quase dez vezes o Parque do Ibirapuera, em São Paulo.
[img01]Gostou da aula de história? Pois garanto que você vai gostar ainda mais de saber que um dos programas mais bacanas pra se fazer no Rio de Janeiro é justamente conhecer essa belíssima mata, onde vivem cerca de 900 espécies de plantas - cedro, ipê-amarelo, jequitibá - e mais de 230 de animais - tamanduás, raposas, tucanos, araras. E nada melhor do que fazer isso percorrendo uma das trilhas do pedaço. Foi exatamente o que eu fiz. Como não sou boba, escolhi a trilha mais legal, a do Pico da Tijuca, que, como o próprio nome já diz, leva ao ponto mais alto da floresta, a 1021 metros de altura. Quem fizer o percurso sem pressa vai gastar cerca de 1 hora e 20 minutos pra subir e o mesmo tempo pra descer. A trilha é muito bem sinalizada e dá como recompensa a quem chegar ao final uma das vistas mais fantásticas do Brasil. São 360 graus do que há de mais belo no Rio: a Barra da Tijuca, o litoral e até o Maracanã.
UM REI NA MATA
Durante a caminhada, a tranqüilidade do lugar, a sombra das àrvores, o sossego, o canto dos pássaros e a bicharada passeando pela mata me fizeram até esquecer que eu estava no coração de uma das maiores cidades do país. Depois de praticamente uma hora de caminhada, você chegará à base da escada do Pico da Tijuca. Esculpida no paredão, ela tem
117 degraus e até um corrimão de correntes de ferro. Essa escadaria, aliás, tem uma história bem interessante. Foi construída em 1920, especialmente para a visita do rei Alberto, da Bélgica, que queria conhecer o pico. Daí, foi aquela correria, pra facilitar a subida do monarca europeu ao ponto mais alto da mata. O que ninguém sabia era que o rei era exímio escalador e não gostou nadinha da escadaria e do corrimão. Resultado: o sujeito escalou o pico pelas pedras. Pior pra ele. E melhor pra gente. Pois até hoje, a escadaria e o corrimão de correntes são uma preciosa ajuda para os turistas que encaram a subida. Um passeio que mistura aventura e meio ambiente. Num dos pedaços mais lindos e preservados do Brasil.::
Parque Nacional da Tijuca
:: Estrada da Cascatinha, 850, Alto da Boa Vista, tel.: (21) 2492-2252. Há visitas gratuitas, com guias especializados. Basta agendar com antecedência. De segunda a domingo, das 8h às 17h.
Elá se vão 200 anos. Em 1808, o rei dom João VI vendeu praticamente todas as terras da Floresta da Tijuca para os barões de café, que logo começaram a derrubar tudo quanto era árvore, para ganhar dinheiro com suas plantações. Era o início do primeiro grande ciclo do café no Brasil. E de uma das primeiras grandes devastações ambientais na mata Atlântica. Felizmente, esse processo durou pouco mais de 50 anos, graças ao neto de dom João. Em 1861, dom Pedro II baixou um decreto desapropriando todas essas terras e dando início ao reflorestamento do que havia sido destruído. Foi um trabalho pioneiro em toda a América Latina e que tornou possível termos, até hoje, a Floresta da Tijuca - a maior floresta urbana do mundo -, linda e exuberante. Para garantir a preservação da área, foi criado, em 1967, o Parque Nacional da Tijuca, com 14,7 quilômetros quadrados - quase dez vezes o Parque do Ibirapuera, em São Paulo.
[img01]Gostou da aula de história? Pois garanto que você vai gostar ainda mais de saber que um dos programas mais bacanas pra se fazer no Rio de Janeiro é justamente conhecer essa belíssima mata, onde vivem cerca de 900 espécies de plantas - cedro, ipê-amarelo, jequitibá - e mais de 230 de animais - tamanduás, raposas, tucanos, araras. E nada melhor do que fazer isso percorrendo uma das trilhas do pedaço. Foi exatamente o que eu fiz. Como não sou boba, escolhi a trilha mais legal, a do Pico da Tijuca, que, como o próprio nome já diz, leva ao ponto mais alto da floresta, a 1021 metros de altura. Quem fizer o percurso sem pressa vai gastar cerca de 1 hora e 20 minutos pra subir e o mesmo tempo pra descer. A trilha é muito bem sinalizada e dá como recompensa a quem chegar ao final uma das vistas mais fantásticas do Brasil. São 360 graus do que há de mais belo no Rio: a Barra da Tijuca, o litoral e até o Maracanã.
UM REI NA MATA
Durante a caminhada, a tranqüilidade do lugar, a sombra das àrvores, o sossego, o canto dos pássaros e a bicharada passeando pela mata me fizeram até esquecer que eu estava no coração de uma das maiores cidades do país. Depois de praticamente uma hora de caminhada, você chegará à base da escada do Pico da Tijuca. Esculpida no paredão, ela tem
117 degraus e até um corrimão de correntes de ferro. Essa escadaria, aliás, tem uma história bem interessante. Foi construída em 1920, especialmente para a visita do rei Alberto, da Bélgica, que queria conhecer o pico. Daí, foi aquela correria, pra facilitar a subida do monarca europeu ao ponto mais alto da mata. O que ninguém sabia era que o rei era exímio escalador e não gostou nadinha da escadaria e do corrimão. Resultado: o sujeito escalou o pico pelas pedras. Pior pra ele. E melhor pra gente. Pois até hoje, a escadaria e o corrimão de correntes são uma preciosa ajuda para os turistas que encaram a subida. Um passeio que mistura aventura e meio ambiente. Num dos pedaços mais lindos e preservados do Brasil.::
Parque Nacional da Tijuca
:: Estrada da Cascatinha, 850, Alto da Boa Vista, tel.: (21) 2492-2252. Há visitas gratuitas, com guias especializados. Basta agendar com antecedência. De segunda a domingo, das 8h às 17h.