pela cidade
Chuvas de verão
Hoje, as tempestades podem surgir em qualquer estação, provocando verdadeiras catástrofes em São Paulo, que tem 1 500 km de rios, boa parte do solo impermeabilizada, construções irregulares, além de ser alvo do grande volume de lixo. O poder público gasta milhões por ano para evitar os estragos. Mas ainda há muito que fazer
Silvana Maria Rosso
Revista Arquitetura & Construção – 11/2009
SÃO PAULO DA GAROA
Faz tempo que São Paulo é castigada pelas chuvas tropicais. De geografia montanhosa, solo argiloso (difícil de drenar) e cortada por diversos vales e cursos d’água, originalmente a cidade já era propensa à inundação. Para deixar de ser uma vila colonial e acompanhar o progresso dos tempos modernos, teve parte da rede hídrica canalizada, desviada e tampada com ruas e avenidas, e rios represados.
Somando-se isso ao fato de que a capital paulista tem hoje 412,20 km2 de área construída e impermeabilizada, e abriga 11 milhões de habitantes que descartam toneladas de embalagens e detritos nas ruas todos os dias, não é de estranhar que o paulistano sofra tanto com seus danos. O poder público também amarga para administrar os inúmeros fatores que levam ao caos nos dias de tempestade.
Na tentativa de impedir os efeitos maléficos dos temporais, a prefeitura gasta R$ 100 milhões por ano. “A solução, por ser complexa, precisa ser tratada levando-se em conta vários critérios”, explica Marcelo Cardinale Branco, secretário municipal de Infra-Estrutura Urbana e Obras. Segundo ele, para entender a rede hídrica e discutir com a sociedade qual o melhor caminho para os próximos 50 anos, a prefeitura está desenvolvendo um plano diretor específico para a drenagem da cidade, envolvendo diversas secretarias e tipos de profissionais.
ENFRENTANDO AS CHUVAS
A prefeitura defende a cidade das avarias provocadas por esse fenômeno da natureza promovendo e controlando o escoamento das águas e melhorando a permeabilidade do solo. As ações vão da manutenção e ampliação do sistema de drenagem – composto de 397 mil bocas de lobo, 2 850 km de galerias e ramais e 17 piscinões –, instalação de lixeiras (35 mil) e limpeza da cidade à implantação de parques lineares e rotas de trânsito.
Oito mil e quinhentos funcionários da Secretaria de Serviços recolhem das ruas 270 toneladas de resíduos todos os dias e 30 mil trabalhadores das subprefeituras tiram periodicamente do sistema de drenagem o lixo gerado pela população e levado para a rede pela chuva. O trabalho é árduo, “os cursos d’água ainda são encarados como esgoto”, desabafa Kazuo Nakano, arquiteto urbanista do Instituto Pólis. Para ele, o caminho é melhorar essa convivência através de educação e da recuperação das várzeas. O arquiteto e urbanista Jorge Wilheim sugere o aproveitamento da água da chuva, como cumprimento da lei municipal 13.276, que obriga construções a partir de 500 m² a ter reservatório de água pluvial.
Respeitar o código de obras e as leis de zoneamento na hora de construir ajuda a evitar as consequências das chuvas. E descartar os resíduos em locais apropriados e no horário indicado pela prefeitura não é só um dever, mas um ato de cidadania. O piscinão impede que as águas da chuva cheguem com força aos rios e que o lixo seja carregado por ela. Ajardinar calçadas embeleza a cidade e facilita a drenagem. Para se livrar de materiais sem uso, deposite-os na Operação Catabagulho, realizada pelas subprefeituras, onde você poderá se informar sobre datas e locais.
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SÃO PAULO DA GAROA
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Somando-se isso ao fato de que a capital paulista tem hoje 412,20 km2 de área construída e impermeabilizada, e abriga 11 milhões de habitantes que descartam toneladas de embalagens e detritos nas ruas todos os dias, não é de estranhar que o paulistano sofra tanto com seus danos. O poder público também amarga para administrar os inúmeros fatores que levam ao caos nos dias de tempestade.
Na tentativa de impedir os efeitos maléficos dos temporais, a prefeitura gasta R$ 100 milhões por ano. “A solução, por ser complexa, precisa ser tratada levando-se em conta vários critérios”, explica Marcelo Cardinale Branco, secretário municipal de Infra-Estrutura Urbana e Obras. Segundo ele, para entender a rede hídrica e discutir com a sociedade qual o melhor caminho para os próximos 50 anos, a prefeitura está desenvolvendo um plano diretor específico para a drenagem da cidade, envolvendo diversas secretarias e tipos de profissionais.
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