ideias sustentáveis
Morar de bem com a natureza
A preocupação com a sustentabilidade norteou a escolha de materiais, móveis e projetos na Casa Cor São Paulo. Confira soluções de designers e arquitetos para colaborar com a preservação do planeta
Maggi Krause
Revista Bons Fluidos – 08/2009
[img01] REFÚGIO PREMIADO
Pé-direito amplo, móveis generosos e tons claros sempre marcaram o trabalho da arquiteta paulista Debora Aguiar na última Casa Cor, maior mostra de decoração, arquitetura e paisagismo do país, realizada entre 16 de maio e 14 de julho, em São Paulo. Mas a casa de praia de 380 m², encravada no Jockey Club de São Paulo, traz um conceito menos visível: construção e decoração em sintonia com a preservação dos recursos naturais. "Aprendi muito com um cliente que não queria nada de origem animal. Hoje tenho como premissa trabalhar com materiais sustentáveis, ecologicamente corretos", conta. Para conscientizar o público, ela colocou uma etiqueta explicativa em cada peça do Refúgio do Velejador. O projeto foi eleito o mais sustentável do evento por um júri de jornalistas e presidentes do Green Building Council Brasil, organização dedicada à construção sustentável, e do Grupo SustentaX, consultor na área empresarial. No piso, o concreto estampado da Castellato imita fielmente a madeira de demolição, substituindo o material. Pufes revestidos com lona de caminhão trançada ladeiam a mesa de centro, um tronco reaproveitado. Madeiras certificadas - extraídas de florestas corretamente manejadas - aparecem em móveis e na estrutura da casa, fechada por vidros que deixam a iluminação natural e paisagem entrar.
[img02] POR DENTRO E POR FORA
A arquiteta Helena Viscomi, de São Paulo, minimizou as agressões ao meio ambiente desde o início da construção do Loft Sustentável. Os 240 m² foram erguidos com estrutura de aço galvanizado e paredes feitas com placas de embalagens recicladas, produzidas pela Tetra Pak. No interior, elas aconchegam graças à madeira de antigos casarões. A estante, feita de painéis com revestimento vinílico imitando madeira, é iluminada por leds, que consomem cerca de 30% da iluminação normal. O aquecimento solar e o reúso de águas pluviais são outros pontos altos do loft. "O investimento inicial de uma construção desse tipo ainda é 30% maior do que uma tradicional, mas o custo/benefício é ótimo, principalmente por economizar recursos naturais", defende Helena, que criou uma divisão para projetos sustentáveis em seu escritório.
[img03] IRREVERÊNCIA REAL
Com soluções rústicas ou sofisticadas, há anos os projetos de decoração do designer de interiores Fábio Galeazzo enfocam o reaproveitamento de materiais. Seu Café da Praça convida a uma brincadeira com o lixo e o luxo, sob o tema Maria Antonieta em Tempos Sustentáveis. A madeira de demolição que recobre as paredes e o teto foi clareada com escovação, sem o uso de produtos químicos. Em frente a ela, o moderno Corian - mistura de resina e minerais - que compõe os totens listrados é totalmente renovável (uma mesa do material pode virar pia, por exemplo). Mas a estrela do lugar é o sofá revestido com couro de tilápia, peixe de água doce cuja pele antes seria descartada. "A criatividade é o combustível do desenvolvimento sustentável. Com ela encontraremos novos materiais, novos usos e tecnologias", pondera Galeazzo.
[img04] ÁGUA SOB MEDIDA
Piscina e sustentabilidade parecem termos incompatíveis? Não nesse modelo de vinil encomendado pela paisagista Gigi de Arruda Botelho à Sibrape, empresa especializada em piscinas. O sistema de filtragem descarta menos água, o tratamento dispensa produtos químicos e a bomba com ventilação economiza energia. Em volta da piscina, madeira com marcas do tempo, piso de vidro reciclado e as chaises Sarong, feitas com fibra de vidro reciclado, da Chandeliers & Cia. - Concept Designers. "Atrás da estante, escondi uma calha que capta a água da chuva, aproveitada nas regas", conta a paisagista. "Quem opta por irrigação automática consegue reduzir até 50% no consumo de água", ensina Gigi. Atitudes simples, nem sempre caras, serão valiosas para o planeta.
[img05] DESCONTRAÇÃO CARIOCA
Resistente, durável, leve, o bambu tem potencial para substituir a madeira. Essa gramínea gigante e de crescimento rápido - madura para o corte após três anos - já figura em muitas construções sustentáveis. Mas foi pela beleza que o material conquistou o arquiteto carioca Mauricio Nóbrega. O bambu cultivado na região serrana do Rio de Janeiro foi prensado, transformado em placas (comercializadas pelo Espaço Multi), lixado e aplicado nesta parede para a cama com dossel. Ela é o ponto central da Suíte do Casal, com elementos que lembram o jeito de morar carioca. O baú antigo transformado em criado-mudo, as obras de arte, os livros e as lembranças trazidas de viagem são objetos queridos que embalam o sono e dão vida ao quarto na hora de despertar.
[img01] REFÚGIO PREMIADO
Pé-direito amplo, móveis generosos e tons claros sempre marcaram o trabalho da arquiteta paulista Debora Aguiar na última Casa Cor, maior mostra de decoração, arquitetura e paisagismo do país, realizada entre 16 de maio e 14 de julho, em São Paulo. Mas a casa de praia de 380 m², encravada no Jockey Club de São Paulo, traz um conceito menos visível: construção e decoração em sintonia com a preservação dos recursos naturais. "Aprendi muito com um cliente que não queria nada de origem animal. Hoje tenho como premissa trabalhar com materiais sustentáveis, ecologicamente corretos", conta. Para conscientizar o público, ela colocou uma etiqueta explicativa em cada peça do Refúgio do Velejador. O projeto foi eleito o mais sustentável do evento por um júri de jornalistas e presidentes do Green Building Council Brasil, organização dedicada à construção sustentável, e do Grupo SustentaX, consultor na área empresarial. No piso, o concreto estampado da Castellato imita fielmente a madeira de demolição, substituindo o material. Pufes revestidos com lona de caminhão trançada ladeiam a mesa de centro, um tronco reaproveitado. Madeiras certificadas - extraídas de florestas corretamente manejadas - aparecem em móveis e na estrutura da casa, fechada por vidros que deixam a iluminação natural e paisagem entrar.
[img02] POR DENTRO E POR FORA
A arquiteta Helena Viscomi, de São Paulo, minimizou as agressões ao meio ambiente desde o início da construção do Loft Sustentável. Os 240 m² foram erguidos com estrutura de aço galvanizado e paredes feitas com placas de embalagens recicladas, produzidas pela Tetra Pak. No interior, elas aconchegam graças à madeira de antigos casarões. A estante, feita de painéis com revestimento vinílico imitando madeira, é iluminada por leds, que consomem cerca de 30% da iluminação normal. O aquecimento solar e o reúso de águas pluviais são outros pontos altos do loft. "O investimento inicial de uma construção desse tipo ainda é 30% maior do que uma tradicional, mas o custo/benefício é ótimo, principalmente por economizar recursos naturais", defende Helena, que criou uma divisão para projetos sustentáveis em seu escritório.
[img03] IRREVERÊNCIA REAL
Com soluções rústicas ou sofisticadas, há anos os projetos de decoração do designer de interiores Fábio Galeazzo enfocam o reaproveitamento de materiais. Seu Café da Praça convida a uma brincadeira com o lixo e o luxo, sob o tema Maria Antonieta em Tempos Sustentáveis. A madeira de demolição que recobre as paredes e o teto foi clareada com escovação, sem o uso de produtos químicos. Em frente a ela, o moderno Corian - mistura de resina e minerais - que compõe os totens listrados é totalmente renovável (uma mesa do material pode virar pia, por exemplo). Mas a estrela do lugar é o sofá revestido com couro de tilápia, peixe de água doce cuja pele antes seria descartada. "A criatividade é o combustível do desenvolvimento sustentável. Com ela encontraremos novos materiais, novos usos e tecnologias", pondera Galeazzo.
[img04] ÁGUA SOB MEDIDA
Piscina e sustentabilidade parecem termos incompatíveis? Não nesse modelo de vinil encomendado pela paisagista Gigi de Arruda Botelho à Sibrape, empresa especializada em piscinas. O sistema de filtragem descarta menos água, o tratamento dispensa produtos químicos e a bomba com ventilação economiza energia. Em volta da piscina, madeira com marcas do tempo, piso de vidro reciclado e as chaises Sarong, feitas com fibra de vidro reciclado, da Chandeliers & Cia. - Concept Designers. "Atrás da estante, escondi uma calha que capta a água da chuva, aproveitada nas regas", conta a paisagista. "Quem opta por irrigação automática consegue reduzir até 50% no consumo de água", ensina Gigi. Atitudes simples, nem sempre caras, serão valiosas para o planeta.
[img05] DESCONTRAÇÃO CARIOCA
Resistente, durável, leve, o bambu tem potencial para substituir a madeira. Essa gramínea gigante e de crescimento rápido - madura para o corte após três anos - já figura em muitas construções sustentáveis. Mas foi pela beleza que o material conquistou o arquiteto carioca Mauricio Nóbrega. O bambu cultivado na região serrana do Rio de Janeiro foi prensado, transformado em placas (comercializadas pelo Espaço Multi), lixado e aplicado nesta parede para a cama com dossel. Ela é o ponto central da Suíte do Casal, com elementos que lembram o jeito de morar carioca. O baú antigo transformado em criado-mudo, as obras de arte, os livros e as lembranças trazidas de viagem são objetos queridos que embalam o sono e dão vida ao quarto na hora de despertar.