casa-ateliê
Em busca do simples
Às margens do rio Guaíba, em Porto Alegre, a casa-ateliê de Heloisa Crocco é uma homenagem à madeira, principal matéria-prima do trabalho dessa artista plástica e designer. Levantado com pínus de áreas de reflorestamento, o refúgio de traços nórdicos e decoração minimalista faz do despojamento um modo de vida
Pedro Ariel Santana e Zizi Carderari
Especial Casa Sustentável* – 08/2009
*Revistas Casa Claudia e Arquitetura e Construção
Encontrar conforto e tranquilidade na simplicidade é uma busca de vida da artista plástica Heloisa Crocco. E é de forma natural que esse caminho aparece espelhado em seu jeito de trabalhar e morar. "O mundo nos induz a querer e ter sempre mais. Felizmente, consigo me afastar um pouco dessa roda-viva", conta ela. A opção pelo despojamento nasceu de uma viagem à Amazônia nos anos 80 na companhia de Zanine Caldas, artesão da madeira e pioneiro da ecologia. "Lá, vi árvores gigantes caindo.
Desde então, mergulhei na pesquisa desse material e isso se reflete não só nas obras que crio como neste local, erguido com pínus." Além de abundante na região, essa árvore foi eleita por ser de reflorestamento. Idealizada durante anos, a construção partilha cômodos privados com o espaço do escritório. "Aqui, me isolo de vez em quando para refletir sobre meu trabalho."
A parceria com o pínus continua além das paredes da construção, cujo projeto minimalista é assinado pelo arquiteto Trajano Straggiotti Silva, de Porto Alegre. Aproveitando os veios marcados dos troncos, Heloisa cria carimbos para estampar papéis, roupas de cama e louças.
Peças como essas dividem a decoração da casa com mimos da natureza, como o ninho de passarinho. "Procuro inspiração nos shakers, que tinham apenas o necessário", diz. A saber: os protestantes shakers viviam isolados nos Estados Unidos, no século 19, e perseguiam com fervor a purificação espiritual. Os poucos móveis e objetos que criaram tornaram-se referência do design minimalista. Sua filosofia, que prega o máximo de conforto com o mínimo de detalhes, é a mesma de Heloisa.
VENCENDO PRECONCEITOS
O pínus é conhecido como a madeira dos caixotes de feira. Macio e cheio de nós, sempre foi considerado matéria-prima de segunda categoria. Nos Estados Unidos, porém, o cenário é diferente. Em regiões como a Flórida, o material compõe boa parte das casas. Segundo Cesar Berthier, da Berthier-Durapine, empresa do Rio Grande do Sul, o preconceito nasce da aplicação equivocada. "Usando a tecnologia correta, o pínus pode substituir espécies de grande resistência e durabilidade." De nome científico Pinus elliottii, essa árvore se adaptou muito bem ao clima da serra gaúcha.
ESCANDINAVOS E AMERICANOS
"Topei na hora a ideia de construir com pínus", conta o arquiteto Trajano Straggiotti Silva. "Afinal, tem tudo a ver com o trabalho de Heloisa." Amigo de longa data, ele conhece o apuro formal da designer e sua relação com a madeira. Definida a matéria-prima, foi buscar inspiração na arquitetura dos países escandinavos - tradicionais construtores de madeira. A técnica construtiva, no entanto, é de origem americana. Trazido ao Brasil pela Berthier-Durapine, o sistema consiste em erguer paredes autoportantes de ripas, apoiadas por pilaretes - o que prescinde de grandes estruturas.
*Revistas Casa Claudia e Arquitetura e Construção
Encontrar conforto e tranquilidade na simplicidade é uma busca de vida da artista plástica Heloisa Crocco. E é de forma natural que esse caminho aparece espelhado em seu jeito de trabalhar e morar. "O mundo nos induz a querer e ter sempre mais. Felizmente, consigo me afastar um pouco dessa roda-viva", conta ela. A opção pelo despojamento nasceu de uma viagem à Amazônia nos anos 80 na companhia de Zanine Caldas, artesão da madeira e pioneiro da ecologia. "Lá, vi árvores gigantes caindo.
Desde então, mergulhei na pesquisa desse material e isso se reflete não só nas obras que crio como neste local, erguido com pínus." Além de abundante na região, essa árvore foi eleita por ser de reflorestamento. Idealizada durante anos, a construção partilha cômodos privados com o espaço do escritório. "Aqui, me isolo de vez em quando para refletir sobre meu trabalho."
A parceria com o pínus continua além das paredes da construção, cujo projeto minimalista é assinado pelo arquiteto Trajano Straggiotti Silva, de Porto Alegre. Aproveitando os veios marcados dos troncos, Heloisa cria carimbos para estampar papéis, roupas de cama e louças.
Peças como essas dividem a decoração da casa com mimos da natureza, como o ninho de passarinho. "Procuro inspiração nos shakers, que tinham apenas o necessário", diz. A saber: os protestantes shakers viviam isolados nos Estados Unidos, no século 19, e perseguiam com fervor a purificação espiritual. Os poucos móveis e objetos que criaram tornaram-se referência do design minimalista. Sua filosofia, que prega o máximo de conforto com o mínimo de detalhes, é a mesma de Heloisa.
VENCENDO PRECONCEITOS
O pínus é conhecido como a madeira dos caixotes de feira. Macio e cheio de nós, sempre foi considerado matéria-prima de segunda categoria. Nos Estados Unidos, porém, o cenário é diferente. Em regiões como a Flórida, o material compõe boa parte das casas. Segundo Cesar Berthier, da Berthier-Durapine, empresa do Rio Grande do Sul, o preconceito nasce da aplicação equivocada. "Usando a tecnologia correta, o pínus pode substituir espécies de grande resistência e durabilidade." De nome científico Pinus elliottii, essa árvore se adaptou muito bem ao clima da serra gaúcha.
ESCANDINAVOS E AMERICANOS
"Topei na hora a ideia de construir com pínus", conta o arquiteto Trajano Straggiotti Silva. "Afinal, tem tudo a ver com o trabalho de Heloisa." Amigo de longa data, ele conhece o apuro formal da designer e sua relação com a madeira. Definida a matéria-prima, foi buscar inspiração na arquitetura dos países escandinavos - tradicionais construtores de madeira. A técnica construtiva, no entanto, é de origem americana. Trazido ao Brasil pela Berthier-Durapine, o sistema consiste em erguer paredes autoportantes de ripas, apoiadas por pilaretes - o que prescinde de grandes estruturas.