empenho
Cultivo de hortas em telhas
Aos 74 anos, Glória da Costa Mishi vai formar-se em agronomia e que levar o projeto Plantando na Cidade a asilos
Érica Georgino
Revista Sou Mais Eu – 26/11/2009
Quando o meu netinho me deu um estojo com lápis de cor, entendi que teria apoio para levar o curso até o fim. Ele tinha 7 anos e eu, 70. O ano era 2005 e acontecia uma revolução na minha vida. Depois de aposentada, com minhas duas filhas criadas e os netos crescendo, voltei à faculdade. Prestei vestibular, passei e decidi realizar o meu sonho: estudar agronomia.
No começo, eu tinha muita dificuldade com matérias como química e física. “Ai, meu Deus, será que vou dar conta?”, eu pensava o tempo todo. Ficava preocupada. Porém, antes que eu desanimasse, a criançadinha de 20 e poucos anos - meus colegas de classe - se oferecia para me ajudar.
“É gratificante ver brotar as primeiras folhinhas do cultivo”
Os professores também tiravam minhas dúvidas depois dos horários das aulas. O ambiente era de muita colaboração sempre. Há dois anos, entrei no projeto Plantando na Cidade, implantado na faculdade por um colega de turma. Lá, a gente cultiva hortas em telhas, um modelo voltado para grandes cidades. Não são necessários grandes espaços para formar uma plantação em telha. Ela não exige agrotóxicos, enxada ou, o que é muito importante, grandes custos.
Plantamos todo tipo de temperos, verduras e legumes, como alface, rúcula, tomate, rabanete, jiló, berinjela... Até morangos a gente cultiva. Já levamos o projeto a escolas públicas e particulares de São Paulo, onde ajudei a semear os canteiros e formar as mudinhas que seriam plantadas nas telhas. O
Plantando na Cidade é importante porque promove a educação alimentar e a qualidade de vida nas grandes cidades. No fim, é muito gratificante ver despontar as primeiras folhinhas daquilo que você cultivou.
“Quero mais velhinhos com horta” Em 20 de dezembro deste ano eu terei a minha colação de grau. Depois, farei a minha horta em casa. Numa plantação convencional, seria doloroso para uma pessoa da minha idade ficar muito tempo agachada, carpindo e fazendo esforço físico. Nas telhas é bem mais simples: o cultivo fica suspenso. Passo horas trabalhando e nem sinto.
E é por isso que quero continuar no projeto e levá-lo a casas de repouso e asilos. Em qualquer cantinho da garagem, do quintal ou da laje desses lugares podemos montar uma horta e preencher o tempo e a cabeça dos velhinhos. Com eles lucramos duas vezes: temos o prazer de ensinar e o de aprender.
SAIBA MAIS:
O modelo de plantação em telhas: Fazer uma horta em uma telha de 3 metros de comprimento custa em torno de R$ 120. A gente monta um suporte de alvenaria, com blocos de concreto e tijolos. Depois, colocamos a telha em cima. Preenchemos com pedras, que ajudam a drenar a água, e, por fim, terra. Aí é só plantar as mudinhas e as sementes, e lembrar de regar. Nesse modelo, cada metro quadrado de area plantada pode render 16 pés de alface por colheita.
Veja também: Deu na telha: as hortas do Plantando na Cidade Leve a sua horta para passear! Link da matéria:A salada vem do telhado
Quando o meu netinho me deu um estojo com lápis de cor, entendi que teria apoio para levar o curso até o fim. Ele tinha 7 anos e eu, 70. O ano era 2005 e acontecia uma revolução na minha vida. Depois de aposentada, com minhas duas filhas criadas e os netos crescendo, voltei à faculdade. Prestei vestibular, passei e decidi realizar o meu sonho: estudar agronomia.
No começo, eu tinha muita dificuldade com matérias como química e física. “Ai, meu Deus, será que vou dar conta?”, eu pensava o tempo todo. Ficava preocupada. Porém, antes que eu desanimasse, a criançadinha de 20 e poucos anos - meus colegas de classe - se oferecia para me ajudar.
“É gratificante ver brotar as primeiras folhinhas do cultivo”
Os professores também tiravam minhas dúvidas depois dos horários das aulas. O ambiente era de muita colaboração sempre. Há dois anos, entrei no projeto Plantando na Cidade, implantado na faculdade por um colega de turma. Lá, a gente cultiva hortas em telhas, um modelo voltado para grandes cidades. Não são necessários grandes espaços para formar uma plantação em telha. Ela não exige agrotóxicos, enxada ou, o que é muito importante, grandes custos.
Plantamos todo tipo de temperos, verduras e legumes, como alface, rúcula, tomate, rabanete, jiló, berinjela... Até morangos a gente cultiva. Já levamos o projeto a escolas públicas e particulares de São Paulo, onde ajudei a semear os canteiros e formar as mudinhas que seriam plantadas nas telhas. O
Plantando na Cidade é importante porque promove a educação alimentar e a qualidade de vida nas grandes cidades. No fim, é muito gratificante ver despontar as primeiras folhinhas daquilo que você cultivou.
“Quero mais velhinhos com horta” Em 20 de dezembro deste ano eu terei a minha colação de grau. Depois, farei a minha horta em casa. Numa plantação convencional, seria doloroso para uma pessoa da minha idade ficar muito tempo agachada, carpindo e fazendo esforço físico. Nas telhas é bem mais simples: o cultivo fica suspenso. Passo horas trabalhando e nem sinto.
E é por isso que quero continuar no projeto e levá-lo a casas de repouso e asilos. Em qualquer cantinho da garagem, do quintal ou da laje desses lugares podemos montar uma horta e preencher o tempo e a cabeça dos velhinhos. Com eles lucramos duas vezes: temos o prazer de ensinar e o de aprender.
SAIBA MAIS:
O modelo de plantação em telhas: Fazer uma horta em uma telha de 3 metros de comprimento custa em torno de R$ 120. A gente monta um suporte de alvenaria, com blocos de concreto e tijolos. Depois, colocamos a telha em cima. Preenchemos com pedras, que ajudam a drenar a água, e, por fim, terra. Aí é só plantar as mudinhas e as sementes, e lembrar de regar. Nesse modelo, cada metro quadrado de area plantada pode render 16 pés de alface por colheita.
Veja também: Deu na telha: as hortas do Plantando na Cidade Leve a sua horta para passear! Link da matéria:A salada vem do telhado