[img01] Um planeta com menos conflitos entre os povos, mais responsável socialmente e mais verde habita o imaginário de jovens do mundo todo. No entanto, para Heni Ozi Cukier, cientista político de 35 anos, de São Paulo, o "delírio juvenil" saiu do campo das ideias e se tornou prática.
Heni começou a trabalhar cedo, aos 19 anos, logo depois de concluir o Ensino Médio. Com um empréstimo dos pais ("devidamente pago posteriormente"), ele ingressou no ramo da gastronomia - e deu certo. Aos 24 anos, era dono de dois restaurantes em Moema, na zona sul de São Paulo, e comandava 120 funcionários. Ainda assim, não se sentia realizado. "Eu não era feliz", diz. Aos 25, Heni vendeu os restaurantes. Com o dinheiro, foi para os Estados Unidos cursar filosofia e ciências políticas na Barry University, em Miami.
Quando se formou, foi fazer pós-graduação em resolução de conflitos na American University, em Washington. Durante o mestrado, Heni trabalhava na documentação das decisões do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, que serve como jurisprudência para decisões futuras. Ainda assim, estava incomodado com a ideia de fincar raízes em um país estrangeiro. Sete anos depois de sair do Brasil, decidiu voltar e, em 2008, fundou a Core Social Asset Management, consultoria de sustentabilidade e responsabilidade social.
No momento, Heni e seu sócio se debruçam sobre a campanha de uma marca que pretende licenciar seus produtos para causas ambientais, revertendo parte do dinheiro das vendas para a preservação de florestas nativas. "Trabalhar em prol da gestão de ativos socioambientais e na disseminação de conhecimento é uma das formas de cumprir meu objetivo inicial", diz.
Assim, Heni consegue o que parece impossível para muita gente: trabalhar e lucrar com seu "delírio juvenil" de mudar o mundo.
*Amanda Kamanchek, Luiz De França, Nataly Pugliesi, Rosana Tanus e Bárbara Ladeia