futuro do planeta
Um novo ideal para as gerações atuais
Independente do que for decidido em Copenhague, na 15ª Conferência das Partes, da ONU, serão os indivíduos os responsáveis pela construção de novos valores e hábitos de vida que podem garantir a sobrevivência humana no planeta por mais tempo, além de estilos de vida mentalmente mais saudáveis. As ONGs e a mídia terão um papel importante nessa transformação
Thays Prado - Edição: Mônica Nunes
Planeta Sustentável - 30/09/2009
É muito comum ouvirmos que as gerações atuais não possuem um ideal pelo qual lutar, como tiveram as gerações anteriores, mas o economista Ladislau Dowbor discorda. “Temos o ideal de salvar o planeta e dar nossa contribuição para as futuras gerações. Esse é o norte”.
A COP-15 – 15ª Conferência das Partes, da ONU, encontro de 193 países em Copenhague, no final do ano, para a definição de um acordo climático que garanta a sobrevivência não só desta, mas das gerações que estão por vir, aflora esse ideal contemporâneo. Para Dowbor, estamos passando por um momento de profundas transformações. “Devemos deslocar nossa visão de sucesso como acúmulo de riquezas, sob a lógica do quem agarra mais, para a noção de quem contribui mais para o planeta”.
Para a escritora e co-fundadora do Palas Athena, Lia Diskin, temos que chegar a um ponto em que a desigualdade social que vivenciamos hoje “não seja apenas uma informação estatística, mas um desconforto moral, insuportável para todos”. No entanto, por mais que a COP-15 dê direcionamentos importantes aos países, que podem ser transformados em leis e incentivos nacionais, Lia alerta sobre a necessidade de novas posturas, que atinjam os corações de cada cidadão. Caso contrário, estaremos mais preocupados em ludibriar as normas do que em segui-las para o bem comum. Ela acredita que essa transformação verdadeira pode acontecer por meio de ações da mídia, que tem mecanismos para fazer com que as pessoas se sintam “terrivelmente desconfortáveis com o sofrimento humano neste período histórico planetário”.
Há quem duvide que o acordo fechado ao final da Conferência é o que vá causar as mudanças de comportamento necessárias para que tenhamos condições seguras de sobrevivência no planeta. Para a vice-presidente da ONG State of the Worl Forum, Emília Queiroga, as mudanças serão feitas pela sociedade civil e pela movimentação de ONGs e empresas, por meio de incentivos da mídia, de eventos e de campanhas educativas que incentivem novos estilos de vida e escolhas baseadas em critérios que levem o futuro do planeta em conta. “Os governos é que terão que acompanhar o movimento natural da sociedade”, acredita Emília.
Se a sensação é de que, daqui pra frente, nossas vidas serão regidas pelo sacrifício, na realidade, serão apenas outros valores que estarão em alta. E os ganhos podem ser imensos. Além de preservarmos o planeta e termos condições mais seguras de sobrevivência, mudar o estilo de vida e os hábitos de consumo pode ser muito bom para a nossa saúde física e mental. “Vivemos hoje em função de um repertório de valores que atribui ao individualismo a condição de sucesso e prestígio, que é mortífera. Podemos ter uma vida muito menos estressante e que não mine nossa vitalidade física”, defende Lia. “Se não desejarmos possuir tanto, teremos mais tempo para cultivar os afetos, os relacionamentos, e consolidar núcleos familiares mais confiáveis, que retornam mais confiabilidade para a comunidade”. Em breve, veremos o conceito de "ecologia interna" ganhar espaço, afinal toda transformação verdadeira parte de uma vontade genuína de ver o mundo diferente e começa quando damos o primeiro passo em nossa própria vida. O planeta e as futuras gerações agradecem.
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É muito comum ouvirmos que as gerações atuais não possuem um ideal pelo qual lutar, como tiveram as gerações anteriores, mas o economista Ladislau Dowbor discorda. “Temos o ideal de salvar o planeta e dar nossa contribuição para as futuras gerações. Esse é o norte”.
A COP-15 – 15ª Conferência das Partes, da ONU, encontro de 193 países em Copenhague, no final do ano, para a definição de um acordo climático que garanta a sobrevivência não só desta, mas das gerações que estão por vir, aflora esse ideal contemporâneo. Para Dowbor, estamos passando por um momento de profundas transformações. “Devemos deslocar nossa visão de sucesso como acúmulo de riquezas, sob a lógica do quem agarra mais, para a noção de quem contribui mais para o planeta”.
Para a escritora e co-fundadora do Palas Athena, Lia Diskin, temos que chegar a um ponto em que a desigualdade social que vivenciamos hoje “não seja apenas uma informação estatística, mas um desconforto moral, insuportável para todos”. No entanto, por mais que a COP-15 dê direcionamentos importantes aos países, que podem ser transformados em leis e incentivos nacionais, Lia alerta sobre a necessidade de novas posturas, que atinjam os corações de cada cidadão. Caso contrário, estaremos mais preocupados em ludibriar as normas do que em segui-las para o bem comum. Ela acredita que essa transformação verdadeira pode acontecer por meio de ações da mídia, que tem mecanismos para fazer com que as pessoas se sintam “terrivelmente desconfortáveis com o sofrimento humano neste período histórico planetário”.
Há quem duvide que o acordo fechado ao final da Conferência é o que vá causar as mudanças de comportamento necessárias para que tenhamos condições seguras de sobrevivência no planeta. Para a vice-presidente da ONG State of the Worl Forum, Emília Queiroga, as mudanças serão feitas pela sociedade civil e pela movimentação de ONGs e empresas, por meio de incentivos da mídia, de eventos e de campanhas educativas que incentivem novos estilos de vida e escolhas baseadas em critérios que levem o futuro do planeta em conta. “Os governos é que terão que acompanhar o movimento natural da sociedade”, acredita Emília.
Se a sensação é de que, daqui pra frente, nossas vidas serão regidas pelo sacrifício, na realidade, serão apenas outros valores que estarão em alta. E os ganhos podem ser imensos. Além de preservarmos o planeta e termos condições mais seguras de sobrevivência, mudar o estilo de vida e os hábitos de consumo pode ser muito bom para a nossa saúde física e mental. “Vivemos hoje em função de um repertório de valores que atribui ao individualismo a condição de sucesso e prestígio, que é mortífera. Podemos ter uma vida muito menos estressante e que não mine nossa vitalidade física”, defende Lia. “Se não desejarmos possuir tanto, teremos mais tempo para cultivar os afetos, os relacionamentos, e consolidar núcleos familiares mais confiáveis, que retornam mais confiabilidade para a comunidade”. Em breve, veremos o conceito de "ecologia interna" ganhar espaço, afinal toda transformação verdadeira parte de uma vontade genuína de ver o mundo diferente e começa quando damos o primeiro passo em nossa própria vida. O planeta e as futuras gerações agradecem.
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