
Déborah de Paula Souza
Revista Claudia – 07/2009
Em nome de Deus, os homens já fizeram de tudo, inclusive muitas guerras. Hoje, o espírito é outro e a diversidade impera até no mundo místico. Pelo menos é o que diz o músico, astrólogo e escritor Waldemar Falcão, 56 anos, autor de “Encontro com médiuns notáveis” (lançado em 2005 pela Nova Era, teve tiragem inicial de 6 mil exemplares, que se esgotou em seis meses; já está na quarta edição) e “O Deus de cada um” (saiu no ano passado pela Agir e já vendeu mais de 5 mil exemplares). No primeiro livro, ele despertou a atenção ao perfilar seis médiuns com capacidades que a razão não explica. É o caso de Lourival, o “Bruxo das Laranjeiras”, que realizava operações espirituais e usava música para sedar os pacientes – entre seus “anestesistas” famosos estavam Tom Jobim e Chico Buarque de Holanda. Waldemar também tem um elo forte com a música: flautista e produtor musical, trabalhou com grandes nomes da MPB e está preparando seu primeiro CDsolo. Dono de uma carreira eclética, na juventude atuou como ator na montagem carioca da lendária peça “Hair” e nos anos 1990 foi tradutor e editor do selo Nova Era, voltado para temas místicos. Em seu Segundo livro, Falcão investiga a vida espiritual de nove personagens, abordando, com um tom pessoal e intimista, crenças diferentes, como catolicismo, judaísmo, islamismo, zen-budismo (com um delicado relato da monja Cohen, de São Paulo), neopentecostalismo, umbanda, Santo Daime e a paranormalidade. Como se vê, pluralidade é um tema caro para esse astrólogo de longos cabelos brancos, confiante de que a Nova Era exigirá o melhor de nós: a consciência clara e amorosa.
Você diz que a espiritualidade não depende de religião. Mas é possível cultivá-la sem acreditar em Deus?
Sim, embora o tema sempre gere polêmica. Mas o budismo, por exemplo, não fala em Deus. Buda é um homem que se iluminou por esforço próprio. Penso em Cristo e em Buda como estados de consciência e acho que seguir uma religião ou acreditar em Deus é uma questão pessoal, mas não uma condição para a vida espiritual. O mais importante é a relação com a vida, a preocupação com o bem-estar da humanidade. Enquanto todos não estiverem bem, ninguém estará. Não precisamos de crenças, mas de amor – essa é a força que move tudo. O Dalai-Lama diz que, para ser uma pessoa espiritualizada, basta ter um bom coração. Acho genial. Eu conheço ateus muito espiritualizados...
Por exemplo?
Alguns velhos marxistas, como Prestes, Oscar Niemeyer e Jorge Amado, que era agnóstico e, ao mesmo tempo, uma espécie de embaixador do candomblé da Bahia. Outra figura maravilhosa, o físico paulista Mário Schemberg, um dos fundadores do partidão, foi assistente de Einstein, fazia pesquisas sobre paranormalidade e dizia-se um “materialista místico”. Chamo essas pessoas preocupadas com o bem-estar coletivo de revolucionários de Aquarius”, porque lutaram contra a miséria e a ignorância, fizeram coisas importantes para a tomada de consciência.
“A consciência humana ficará cada vez mais vertical: todas as nossas questões vão se aprofundar. Mas a evolução não é linear”
A Nova Era foi cantada em verso e prosa pelos hippies nos anos 1960. Afinal, ela já chegou?
Desde aquela época, já sentimos seus efeitos, porém não é possível definir o início com exatidão. Ainda estamos na Era de Peixes, marcada pela chegada de Cristo à Terra – oportunidade de desenvolver a compaixão e o amor universal. Segundo algumas medições astronômicas, levará uns 200 anos para chegarmos à era aquariana – ou seja, para o Sol ficar alinhado com a constelação de Aquário. O que importa é saber que não há uma era melhor do que a outra. Peixes está associado ao intuitivo, emocional; Aquário é mais racional. Cada era enfatiza algum aspecto específico para a humanidade.
Pode explicar melhor a ênfase aquariana?
O progresso científico, a comunicação de massa, o advento do satélite, do celular e da internet são marcas típicas. Antes de a tecnologia explodir, tivemos uma ocorrência emblemática: em 1962, houve uma aglomeração fantástica de dez planetas no signo de Aquário, e os Beatles estouraram. Eles foram catalisadores de uma época. O interesse pelo Oriente, por exemplo, veio depois do encontro deles com o Maharishi (mestre indiano que propagou a meditação transcendental no Ocidente). Claro que já existiam estudiosos pesquisando a filosofia oriental, mas coube ao grupo difundi-la em grande escala. Sou dessa geração, nasci em 1952, vivi tudo na pele.
Haverá mesmo um salto de consciência? Porque, às vezes, a impressão é que ela encolheu...
A consciência humana ficará cada vez mais vertical: todas as nossas questões vão se aprofundar. Mas concordo que a Terra hoje é um grande laboratório, onde convivem pessoas com vários níveis de percepção. A evolução não é linear. No caso da espiritualidade, na Era de Peixes o conhecimento estava restrito aos grupos religiosos e instituições se cretas, como eubiose (sociedade brasileira voltada para a iniciação espiritual), rosacruz etc. Agora, o que era oculto torna-se disponível ao público. Há 40 anos, meditar ou ir a um astrólogo era exótico. Hoje, não é mais. Do mesmo modo, a reencarnação também não é mais segredo.
Nem todos acreditam nela.
Para mim, não é crença, é fato. As religiões monoteístas, como cristianismo e judaísmo, não tocavam no assunto, mas as tradições orientais mudaram a cena. No Brasil, o tema sempre esteve presente. Dizem que a umbanda é a síntese do inconsciente coletivo nacional porque tem influência espírita, católica, oriental, indígena e africana. Eu fui criado no catolicismo e aos 17 anos conheci a umbanda, em que me casei e batizei meus filhos. Trabalhei num centro por 15 anos e só parei porque comecei a viajar muito para fazer shows. Mas passei 25 anos trabalhando com a dona Célia do Carmo, uma das maiores médiuns do país, que morreu em 2007, aos 82 anos. Ela foi minha grande mestra, contei sua história e fiz o seu mapa astral no meu primeiro livro.
Como foi o convívio com ela?
Maravilhoso, ela trabalhava com psicografia e tinha uma precisão incrível. Chegava a se referir a números de processos e documentos, indicava telefones e nomes que os parentes vivos deveriam contatar. Citava eventos íntimos que comprovavam quem era o autor das mensagens. O curioso é que ela se tornou médium contra a própria vontade – era agnóstica, até que seu dom explodiu. Não falava em Deus. Preferia os termos “consciência cósmica” e “princípio de inteligência”. Como aqua riana, tinha uma visão científica da paranormalidade.
Ela revelou como era o mundo dos mortos?
Nunca deu detalhes, não tentava representar o que é irrepresentável. Afirmava que o plano espiritual é subjetivo, um campo onde é possível criar qualquer coisa, e que lá não existe tempo. Uma pessoa pode levar um segundo ou 100 anos para perceber que morreu – mas essa medida temporal é nossa, lá não faz diferença.
Você se define como um medium “arroz com feijão”. O que é isso?
Em tese, todos nós temos um pouco de mediunidade, mas é uma capacidade adormecida. Já atuei como apoio para grandes médiuns, porém não tenho vidência. Só consigo ver algo a respeito de uma pessoa por meio de seu mapa astral. Aí minha intuição é ativada e vou além da teoria.
Nos círculos místicos, 2012 é uma data decisiva para a Terra. O que vai mudar?
O ano de 2012 é o último do calendário maia. Não acho que o mundo vai acabar, mas vejo a data como um marco de transformação radical. Alguns pesquisadores afirmam que os maias tentaram deixar para nós algumas informações – entre elas, como e quando acontecem os ciclos de destruição que assolam o planeta. Com base no estudo de manchas solares, teriam detectado o que determinava as influências climáticas na Terra.
Essas mudanças vão incluir mortes?
Penso que sim, mas não estou fazendo previsão de futuro porque esse processo já começou. De um lado, é visível a decadência da nossa civilização. De outro, o planeta tem passado por fenômenos físicos importantes, como é o caso do tsunami, de tufões, terremotos... e as inundações não param. Por via das dúvidas, no Natal de 2012 não vou permanecer no Rio, onde moro. Quero ficar longe da água. Irei com meus filhos para a serra de Petrópolis (RJ). Mas não sei se os apocalípticos consideram o local seguro... (risos). Com ou sem catástrofes, essa data simboliza uma fase de transição, uma espécie de upgrade na consciência coletiva. E não me refiro só às profecias maias. De acordo com algumas teorias espiritualistas, a Terra está mudando de frequência vibratória: estamos saindo do plano expiatório para o plano regenerador.
Qual é a postura mais adequada para entrar em sintonia com a Nova Era?
Urano é o regente do signo de Aquário. Ele representa transformação e revolução. O bacana dessa época é a noção de que todos nós fazemos parte de um grande organismo; daí o destaque dos movimentos ecológicos. Portanto, a postura pró-coletivo e a favor da diversidade é a mais indicada. Tabus e hegemonias podem ser rompidos em nome do bem comum. Nas relações pessoais, attitudes muito emocionais, ciumentas ou “grudentas” não combinam mais. O aquariano não é frio, mas é impessoal, sente-se bem em contextos grupais. Além disso, sabe se comunicar com todos, faz conexões inusitadas e com muita originalidade. É essa energia que está no ar agora. Mas cada tempo tem o seu risco. Na Era de Aquário, o maior deles é a ciência se transformar numa nova religião. Aquário é um signo de ar, mental, e a tendência é ficarmos racionais. Por outro lado, médiuns e artistas têm destaque na evolução da consciência – são eles os profetas do século 21.
“A postura pró-coletivo é a mais indicada agora. Atitudes muito emocionais e ciumentas não combinam mais”
Onde colocar nossas fichas? Destino ou livre-arbítrio?
Como dizia dona Célia, são as duas faces da mesma moeda, pois somos nós que, a cada encarnação, programamos o que vamos fazer aqui na Terra, juntamente com alguns grupos espirituais – amigos, parentes e até inimigos. São pessoas que vibram na mesma frequência e com quem temos afinidades, por isso navegamos juntos eternidade afora. Para ela, no Universo não há culpados nem inocentes, agressores nem agredidos – só a lei de causa e efeito atuando. Sob esse aspecto, a questão da liberdade é relativa. À medida que você programa a sua vida, escolhe o próprio “destino” e poderá realizá-lo de mil maneiras. Na definição de Jung (psiquiatra suíço), “o livre-arbítrio é a nossa oportunidade de passar bem ou mal por aquilo que temos de passar”.
Déborah de Paula Souza
Revista Claudia – 07/2009
Em nome de Deus, os homens já fizeram de tudo, inclusive muitas guerras. Hoje, o espírito é outro e a diversidade impera até no mundo místico. Pelo menos é o que diz o músico, astrólogo e escritor Waldemar Falcão, 56 anos, autor de “Encontro com médiuns notáveis” (lançado em 2005 pela Nova Era, teve tiragem inicial de 6 mil exemplares, que se esgotou em seis meses; já está na quarta edição) e “O Deus de cada um” (saiu no ano passado pela Agir e já vendeu mais de 5 mil exemplares). No primeiro livro, ele despertou a atenção ao perfilar seis médiuns com capacidades que a razão não explica. É o caso de Lourival, o “Bruxo das Laranjeiras”, que realizava operações espirituais e usava música para sedar os pacientes – entre seus “anestesistas” famosos estavam Tom Jobim e Chico Buarque de Holanda. Waldemar também tem um elo forte com a música: flautista e produtor musical, trabalhou com grandes nomes da MPB e está preparando seu primeiro CDsolo. Dono de uma carreira eclética, na juventude atuou como ator na montagem carioca da lendária peça “Hair” e nos anos 1990 foi tradutor e editor do selo Nova Era, voltado para temas místicos. Em seu Segundo livro, Falcão investiga a vida espiritual de nove personagens, abordando, com um tom pessoal e intimista, crenças diferentes, como catolicismo, judaísmo, islamismo, zen-budismo (com um delicado relato da monja Cohen, de São Paulo), neopentecostalismo, umbanda, Santo Daime e a paranormalidade. Como se vê, pluralidade é um tema caro para esse astrólogo de longos cabelos brancos, confiante de que a Nova Era exigirá o melhor de nós: a consciência clara e amorosa.
Você diz que a espiritualidade não depende de religião. Mas é possível cultivá-la sem acreditar em Deus?
Sim, embora o tema sempre gere polêmica. Mas o budismo, por exemplo, não fala em Deus. Buda é um homem que se iluminou por esforço próprio. Penso em Cristo e em Buda como estados de consciência e acho que seguir uma religião ou acreditar em Deus é uma questão pessoal, mas não uma condição para a vida espiritual. O mais importante é a relação com a vida, a preocupação com o bem-estar da humanidade. Enquanto todos não estiverem bem, ninguém estará. Não precisamos de crenças, mas de amor – essa é a força que move tudo. O Dalai-Lama diz que, para ser uma pessoa espiritualizada, basta ter um bom coração. Acho genial. Eu conheço ateus muito espiritualizados...
Por exemplo?
Alguns velhos marxistas, como Prestes, Oscar Niemeyer e Jorge Amado, que era agnóstico e, ao mesmo tempo, uma espécie de embaixador do candomblé da Bahia. Outra figura maravilhosa, o físico paulista Mário Schemberg, um dos fundadores do partidão, foi assistente de Einstein, fazia pesquisas sobre paranormalidade e dizia-se um “materialista místico”. Chamo essas pessoas preocupadas com o bem-estar coletivo de revolucionários de Aquarius”, porque lutaram contra a miséria e a ignorância, fizeram coisas importantes para a tomada de consciência.
“A consciência humana ficará cada vez mais vertical: todas as nossas questões vão se aprofundar. Mas a evolução não é linear”
A Nova Era foi cantada em verso e prosa pelos hippies nos anos 1960. Afinal, ela já chegou?
Desde aquela época, já sentimos seus efeitos, porém não é possível definir o início com exatidão. Ainda estamos na Era de Peixes, marcada pela chegada de Cristo à Terra – oportunidade de desenvolver a compaixão e o amor universal. Segundo algumas medições astronômicas, levará uns 200 anos para chegarmos à era aquariana – ou seja, para o Sol ficar alinhado com a constelação de Aquário. O que importa é saber que não há uma era melhor do que a outra. Peixes está associado ao intuitivo, emocional; Aquário é mais racional. Cada era enfatiza algum aspecto específico para a humanidade.
Pode explicar melhor a ênfase aquariana?
O progresso científico, a comunicação de massa, o advento do satélite, do celular e da internet são marcas típicas. Antes de a tecnologia explodir, tivemos uma ocorrência emblemática: em 1962, houve uma aglomeração fantástica de dez planetas no signo de Aquário, e os Beatles estouraram. Eles foram catalisadores de uma época. O interesse pelo Oriente, por exemplo, veio depois do encontro deles com o Maharishi (mestre indiano que propagou a meditação transcendental no Ocidente). Claro que já existiam estudiosos pesquisando a filosofia oriental, mas coube ao grupo difundi-la em grande escala. Sou dessa geração, nasci em 1952, vivi tudo na pele.
Haverá mesmo um salto de consciência? Porque, às vezes, a impressão é que ela encolheu...
A consciência humana ficará cada vez mais vertical: todas as nossas questões vão se aprofundar. Mas concordo que a Terra hoje é um grande laboratório, onde convivem pessoas com vários níveis de percepção. A evolução não é linear. No caso da espiritualidade, na Era de Peixes o conhecimento estava restrito aos grupos religiosos e instituições se cretas, como eubiose (sociedade brasileira voltada para a iniciação espiritual), rosacruz etc. Agora, o que era oculto torna-se disponível ao público. Há 40 anos, meditar ou ir a um astrólogo era exótico. Hoje, não é mais. Do mesmo modo, a reencarnação também não é mais segredo.
Nem todos acreditam nela.
Para mim, não é crença, é fato. As religiões monoteístas, como cristianismo e judaísmo, não tocavam no assunto, mas as tradições orientais mudaram a cena. No Brasil, o tema sempre esteve presente. Dizem que a umbanda é a síntese do inconsciente coletivo nacional porque tem influência espírita, católica, oriental, indígena e africana. Eu fui criado no catolicismo e aos 17 anos conheci a umbanda, em que me casei e batizei meus filhos. Trabalhei num centro por 15 anos e só parei porque comecei a viajar muito para fazer shows. Mas passei 25 anos trabalhando com a dona Célia do Carmo, uma das maiores médiuns do país, que morreu em 2007, aos 82 anos. Ela foi minha grande mestra, contei sua história e fiz o seu mapa astral no meu primeiro livro.
Como foi o convívio com ela?
Maravilhoso, ela trabalhava com psicografia e tinha uma precisão incrível. Chegava a se referir a números de processos e documentos, indicava telefones e nomes que os parentes vivos deveriam contatar. Citava eventos íntimos que comprovavam quem era o autor das mensagens. O curioso é que ela se tornou médium contra a própria vontade – era agnóstica, até que seu dom explodiu. Não falava em Deus. Preferia os termos “consciência cósmica” e “princípio de inteligência”. Como aqua riana, tinha uma visão científica da paranormalidade.
Ela revelou como era o mundo dos mortos?
Nunca deu detalhes, não tentava representar o que é irrepresentável. Afirmava que o plano espiritual é subjetivo, um campo onde é possível criar qualquer coisa, e que lá não existe tempo. Uma pessoa pode levar um segundo ou 100 anos para perceber que morreu – mas essa medida temporal é nossa, lá não faz diferença.
Você se define como um medium “arroz com feijão”. O que é isso?
Em tese, todos nós temos um pouco de mediunidade, mas é uma capacidade adormecida. Já atuei como apoio para grandes médiuns, porém não tenho vidência. Só consigo ver algo a respeito de uma pessoa por meio de seu mapa astral. Aí minha intuição é ativada e vou além da teoria.
Nos círculos místicos, 2012 é uma data decisiva para a Terra. O que vai mudar?
O ano de 2012 é o último do calendário maia. Não acho que o mundo vai acabar, mas vejo a data como um marco de transformação radical. Alguns pesquisadores afirmam que os maias tentaram deixar para nós algumas informações – entre elas, como e quando acontecem os ciclos de destruição que assolam o planeta. Com base no estudo de manchas solares, teriam detectado o que determinava as influências climáticas na Terra.
Essas mudanças vão incluir mortes?
Penso que sim, mas não estou fazendo previsão de futuro porque esse processo já começou. De um lado, é visível a decadência da nossa civilização. De outro, o planeta tem passado por fenômenos físicos importantes, como é o caso do tsunami, de tufões, terremotos... e as inundações não param. Por via das dúvidas, no Natal de 2012 não vou permanecer no Rio, onde moro. Quero ficar longe da água. Irei com meus filhos para a serra de Petrópolis (RJ). Mas não sei se os apocalípticos consideram o local seguro... (risos). Com ou sem catástrofes, essa data simboliza uma fase de transição, uma espécie de upgrade na consciência coletiva. E não me refiro só às profecias maias. De acordo com algumas teorias espiritualistas, a Terra está mudando de frequência vibratória: estamos saindo do plano expiatório para o plano regenerador.
Qual é a postura mais adequada para entrar em sintonia com a Nova Era?
Urano é o regente do signo de Aquário. Ele representa transformação e revolução. O bacana dessa época é a noção de que todos nós fazemos parte de um grande organismo; daí o destaque dos movimentos ecológicos. Portanto, a postura pró-coletivo e a favor da diversidade é a mais indicada. Tabus e hegemonias podem ser rompidos em nome do bem comum. Nas relações pessoais, attitudes muito emocionais, ciumentas ou “grudentas” não combinam mais. O aquariano não é frio, mas é impessoal, sente-se bem em contextos grupais. Além disso, sabe se comunicar com todos, faz conexões inusitadas e com muita originalidade. É essa energia que está no ar agora. Mas cada tempo tem o seu risco. Na Era de Aquário, o maior deles é a ciência se transformar numa nova religião. Aquário é um signo de ar, mental, e a tendência é ficarmos racionais. Por outro lado, médiuns e artistas têm destaque na evolução da consciência – são eles os profetas do século 21.
“A postura pró-coletivo é a mais indicada agora. Atitudes muito emocionais e ciumentas não combinam mais”
Onde colocar nossas fichas? Destino ou livre-arbítrio?
Como dizia dona Célia, são as duas faces da mesma moeda, pois somos nós que, a cada encarnação, programamos o que vamos fazer aqui na Terra, juntamente com alguns grupos espirituais – amigos, parentes e até inimigos. São pessoas que vibram na mesma frequência e com quem temos afinidades, por isso navegamos juntos eternidade afora. Para ela, no Universo não há culpados nem inocentes, agressores nem agredidos – só a lei de causa e efeito atuando. Sob esse aspecto, a questão da liberdade é relativa. À medida que você programa a sua vida, escolhe o próprio “destino” e poderá realizá-lo de mil maneiras. Na definição de Jung (psiquiatra suíço), “o livre-arbítrio é a nossa oportunidade de passar bem ou mal por aquilo que temos de passar”.
























